Liberado, correr na rua exige atenção para evitar propagação do coronavírus

Por Breno Perruci / @eaiboracorrer

Antes de tudo é preciso lembrar que vivemos dias de isolamento social há mais de um mês, sem previsão de quando deixaremos esse panorama. Quanto a isso não há o que discutir nem contestar. Por outro lado, também é preciso informar que praticar esportes ao ar livre não está proibido em Natal, mas isso não significa dizer que se pode calçar os tênis e sair pelas ruas aleatoriamente. Definitivamente não.

Existem condições especiais e responsabilidades que, obrigatoriamente, todos temos que estar atentos e cumprir ao pé da letra. Leia com atenção e, se mesmo após os esclarecimentos ainda torcer o nariz pra essa matéria, distorcer as informações e achar que o texto incentiva as pessoas a não fazerem isolamento social, releia.

Como corredor amador e jornalista profissional me vejo na missão de trazer as informações essenciais para que continuemos nossos treinos sem colocar a nós e aos outros em risco. Bati um papo com o médico infectologista Kléber Luz, um dos mais renomados e respeitados do Rio Grande do Norte. Ele confirma a liberação para treinos nas ruas, mas destaca a extrema necessidade de seguir à risca as recomendações

“A única restrição total é para quem está doente. Essas pessoas são imperativas que não se exponham. Se você está com algum tipo de sintoma de gripe ou tosse, fique em casa até melhorar e só saia três dias após eles desaparecerem. Eu sei que quem corre detesta parar de treinar, mas ressalto que em casos assim não adianta insistir e achar que não é nada demais. Ao menor sinal de algum sintoma, não se exponha”, afirma Kléber Luz.

E ele acrescenta. “Quem está saudável, sem apresentar nenhuma intercorrência, pode correr na rua sim, mas sempre de forma isolada. Ou seja, saia pra treinar sozinho e em nenhuma hipótese faça algum tipo de aglomeração com turmas ou amigos”

As palavras do médico não deixam margens para entendimentos diversos, pois o momento realmente é de dosar as prioridades. Como corredor, sei bem que ninguém gosta de furar uma planilha e faltar treino, mas regra é regra e em caso de saúde pública e de vidas, não há exceções.

Ainda sobre o assunto temos visto, principalmente nas redes sociais, postagens diversas e sem origens confiáveis. A recomendação também é sempre seguir a ciência, sempre! Por exemplo, algumas publicações chegam a indicar determinadas distâncias a serem mantidas entre corredores. Uns apontam 4 metros, outros 10 metros. Existem “estudos” para todas as vertentes. Mas a verdade é que, segundo o infectologista, nenhum deles tem comprovação científica que sustente as teses e a explicação é simples.

“Se você pegar um purificador de ar em spray e jogar dentro do seu quarto ou em um ambiente fechado, o cheiro vai ficar forte por um tempo porque as gotículas vão demorar a se dissipar. Já se você fizer o mesmo ao ar livre, em rápidos segundos não vai mais sentir o cheiro justamente porque o spray terá se dispersado logo. É o mesmo que acontece com o vírus e assim sendo basta seguir o que falei anteriormente. Se for na rua, que é campo aberto, é correr sozinho, sem aglomerar, não tocar em nada nem ninguém e está tudo certo”, reforça o médico.

É importante frisar também dois aspectos. O primeiro é que se você tiver esteira na sua residência aí não há o que pensar. Obviamente o melhor a fazer é treinar em casa mesmo, claro. Segundo, vale lembrar a importância da atividade física para a saúde e consequentemente para o sistema imunológico.

Não tem mistério, respeitando esses cuidados estaremos todos seguros e nem deixaremos margem a expor outras pessoas.