CASO FLORDELIS: Plano para matar pastor pode ter começado em 2018, indica relatório da Polícia

O RJ2 desta quinta-feira (22) obteve o relatório final da Polícia Civil sobre o assassinato do pastor Anderson do Carmo, marido da deputada federal Flordelis (PSD). O documento mostra que há indícios de que a complexa trama familiar tenha sido iniciada em outubro de 2018.

Anderson teria descoberto, segundo depoimento da filha adotiva Roberta dos Santos, que “três ou quatro meses antes do assassinato ficou sabendo através de seu irmão Carlos que iriam tentar matar o Niel”. Niel era o apelido de Anderson do Carmo.

Carlos também teria contado a Anderson sobre uma mensagem que viu no celular de Flordelis na qual a deputada dizia a Lucas dos Santos que bastava entrar no quarto do pastor e executar o serviço. Lucas, um dos filhos adotivos do casal, está preso e é acusado pelo assassinato.

Pastor não acreditava em ameaças

A dona de uma oficina onde Lucas trabalhou conta ter recebido a reprodução fotográfica de uma conversa que Lucas teria tido com sua mãe Flordelis. Neste “print”, a deputada pediu que ele executasse Anderson e roubasse os relógios para parecer um roubo.

Outro depoimento que acusa Lucas é o do filho adotivo Mizael. De acordo com essa versão, Anderson estava sendo ameaçado de morte e o plano era arquitetado por Lucas e Marly Teixeira.

O pastor também teria sido alertado pelo filho Adriano do plano para assassiná-lo, mas — outra vez — não acreditou.

Mizael relatou ainda que, depois de uma reunião com a mãe e os irmãos, Flordelis escreveu em um caderno que tinha quebrado o celular do pastor e jogado na Ponte Rio-Niterói.

Luan Santos, outro filho adotivo, contou no depoimento que a irmã dele Simone disse que Flordelis havia mandado ela contratar alguém para “apagar” Anderson. Ele disse que sabia que a irmã não faria isso e, por isso, pediu para que Marzy fosse procurada.

Suspeita de envenenamento

A suspeita de que o pastor vinha sendo envenenado também é investigada pela Delegacia de Homicídios de Niterói. Ele tomava remédio frequentemente e sem conhecimento, segundo depoimento de outra filha adotiva de Flordelis, Roberta dos Santos.

Ainda de acordo com essa versão, duas pessoas que tomaram bebidas de Anderson por engano passaram mal. Kelly Cristina, outra filha adotiva, disse que Marzy colocava o remédio ou veneno nos alimentos.

A medicação era colocada, segundo ela, “há muito tempo” e o deixava letárgico e com falta de ar.

Cinco boletins de atendimento hospitalar prestados a Anderson foram anexados no processo. Quase todos eles realizados em 2018. Na quarta, o RJ2 mostrou que Simone dos Santos fez buscas na internet sobre o veneno cianeto.


G1