EDITORIAL: O ridículo jornalismo ficcional das assessorias de imprensa na campanha do RN

Entre as primeiras horas da manhã e as últimas da noite, as assessorias dos candidatos que disputam a eleição deste ano inundam a caixa de emails de jornalistas, advogados, engenheiros, médicos e qualquer email em que as equipes ponham as mãos com um conteúdo que quase sempre guarda distância da realidade.

Mede-se a credibilidade de um texto jornalístico por sua capacidade de ser fiel,  objetividade, concisão, e, entre outros, pelo número de adjetivos. Tanto menos palavras qualitativas, mais argumentos existem. Tanto menos argumentos, mais adjetivos.

Como assessoria de imprensa se trata de um serviço para divulgação de produto – os candidatos, no caso – é razoável que qualidades do cliente sejam realçadas. Mas quando a divulgação desses atributos chega ao limiar do ridículo, dando ares de divindade estadista ao candidato, convém refletir sobre o papelão.

O rídiculo da manobra é que os textos e as fotos que os acompanham frequentemente são dissonantes. Assim, a fulanização de um ato popular é desmascarada pelo acervo de imagens, pois, nos releases em que “Fulano movimenta grande multidão em cidade tal”, as fotos que seguem mostram tudo, menos uma multidão.

Candidatos que se preocupem com os rumos de sua campanha precisam atentar para o fato de que assessor de imprensa não pode se imbuir do espírito de militância e vender ao público algo que não existe. Sua função não é panfletar.

O jornalismo criativo passa dos limites. Além de ficcional causa irritação pela invasão, especialmente porque muitos abrem lista de transmissão no WhatsApp sem sequer perguntar aos destinatários se querem receber o conteúdo criativo que distribuem.

Se falta o argumento para dar verdade às chamadas ficcionais, é possível recorrer à formula que nunca falha: o simples. Contar o que acontece ao invés de inventar é mais poderoso. E, felizmente, o leitor já sabe distinguir um release ficcional de um autêntico.