Gerente de coronel Lima tentou fazer depósito de R$ 20 milhões, diz Lava Jato

O gerente financeiro da Argeplan, Antonio Carlos Correira da Silva, foi identificado como a pessoa que tentou transferir, em 22 de outubro de 2018, R$ 20 milhões para o Banco Santander. A Argeplan é a empresa que tem como um dos controladores o coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, apontado como o faz-tudo do ex-presidente Michel Temer.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, depoimentos de gerentes do banco relataram que o gerente da Argeplan foi à uma agência em São Paulo para abrir contas em nome de empresas controladas pelo coronel Lima e transferir os valores para elas.

Inicialmente, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou que um homem havia tentado depositar R$ 20 milhões em espécie. Após a investigação, o banco retificou a informação repassada ao Coaf e relatou que um homem havia tentado abrir contas para transferir R$ 20 milhões.

Na avaliação da Lava Jato, a tentativa de depósito era prova de lavagem de dinheiro do coronel Lima, amigo de Temer há mais de 40 anos. “Prova de que Coronel Lima continua atuando na lavagem de capitais em prol da organização criminosa é a informação do Coaf sobre a tentativa de depósito de R$ 20 milhões em espécie, em 23 de outubro de 2018, na conta bancária da Argeplan, que apenas não se concretizou diante da negativa da instituição bancária”, afirmou a Procuradoria na ocasião.

A Lava Jato relatou que fez contato com funcionários do banco onde houve a tentativa do depósito. Um gerente informou que “um portador compareceu na agência em que o declarante trabalhava e se identificou como representante de uma empresa do grupo da Argeplan, dizendo que precisava abrir duas contas de pessoa jurídica”. De acordo com ele, a abertura foi recusada pelo banco, pois já havia notícias de que a empresa estaria envolvida em investigações.

A outra gerente da agência contou, em depoimento, que o Antonio Carlos “se apresentou como procurador da empresa Argeplan”. Segundo a gerente, o homem requereu a abertura de duas contas para duas empresas, a PDA Projeto e Direção Arquitetônica e a PDA Administração e Participação – ambas controladas pelo coronel Lima.

O Ministério Público Federal afirmou que “embora os fatos divirjam do inicialmente reportado pelo Coaf, os indícios de irregularidades na tentativa de movimentação financeira são ainda mais graves, na medida em que tudo indica que o que se pretendia era efetivar a transferência de recursos de uma pessoa jurídica para contas de outras duas pessoas jurídicas e uma pessoa física”.

A Procuradoria da República informou ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, que abriu um procedimento investigatório criminal específico para apurar o crime de lavagem de dinheiro entre a Argeplan e as empresas PDA Projeto e Direção Arquitetônica e PDA Administração e Participação – também controlada pelo coronel Lima.

Estadão Conteudo