Suspeito de matar garota na Redinha aniversariou no dia do crime e estimulou acusações sobre outras pessoas

por Dinarte Assunção

Casa onde corpo de Yasmin foi encontrado

Pouco depois das 13h15 do dia 28 de março, um dos homens que trabalhavam na construção da casa onde foi encontrado o corpo que pode ser da jovem Yasmin Lorena, passou a bater no portão. Sabia que, lá dentro, estava o colega de trabalho e vizinho da garota e que se transformou no principal suspeito do assassinato de Yasmin.

O homem queria retomar o trabalho, mas o portão só foi aberto depois das 14h, revelando, do outro lado, alguém muito suado e pálido. O suspeito relatou estar passando mal. Àquela altura, ninguém imaginava que Yasmim Lorena, viva ou morta, estava dentro daquela construção, a cerca de 50 metros de sua casa.

A polícia trata o caso com sigilo e não divulgou o nome do suspeito. A única referência a seu nome que a reportagem tem será mantida sob sigilo para não comprometer o trabalho dos investigadores.

“Eu vi minha filha deixar minha casa e vi ele na esquina. Eu confiava nele. Depois, a rua fazia uma curva. Nunca mais vi Lorena”, relatou à reportagem a mãe da garota, Ingrid Araújo. “Quando a gente deu minha filha por desaparecida, ele mesmo chegou e disse: ‘Mas eu vi ela passar aqui’”, acrescentou Araújo.

Um detalhe surpreendente do caso é que o suspeito aniversariou no dia em que tudo aconteceu. “Ele estava completando ano naquele dia. Eu não entendo como isso foi acontecer”, relatou um dos tios da Yasmin Lorena.

Engajado nas buscas, o homem passou a procurar e participar das vigílias de oração. “Ele chegava a puxar oração, pedindo a Deus que o caminho fosse mostrado”, contou a mãe da garota.

Pacato, o homem não bebia, não fumava e era tido como exemplar na comunidade. Para manter as condições de ficar de fora da lista de suspeitos, passou por contra própria a estimular suspeitas sobre os outros.

“Uma dia ele veio direto a mim dizer: olha, acho que foi fulano por isso, isso e isso. Que tipo de gente mata outra pessoa e ainda trabalha para que um inocente seja pego?”, questionou indignada a mãe de Yasmin.

A tragédia que abreviou a vida da garota deixou marcas profundas nas famílias envolvidas. A mulher do suspeito deixou a comunidade da África desolada na noite dessa terça-feira (24) quando restou evidente que tudo apontava para o marido ser o assassino. Pouco tempo depois, a casa onde morava foi depredada.

A polícia procura pelo principal suspeito, cujo filho chegou a ser preso por ocultação de cadáver. Na comunidade da África, os vizinhos relatam que o rapaz já foi solto e não tem relação com o caso. Afirmam que ele tem dito que o pai é um monstro.