Foto: Divulgação/STF
Três anos após o 8 de janeiro de 2023, o STF já condenou mais de 800 pessoas pelos atos classificados como “trama golpista”. Os dados são do gabinete do ministro Alexandre de Moraes e consideram decisões tomadas até dezembro de 2025, com números que ainda podem aumentar.
Após os atos em Brasília, a PGR apresentou 1.734 ações penais ao STF, dividindo os acusados entre incitadores, executores e cinco núcleos que, segundo a acusação, teriam sustentado a tentativa de permanência de Jair Bolsonaro no poder após a eleição de Lula. As acusações vão de golpe de Estado a dano ao patrimônio público, em processos concentrados na Primeira Turma da Corte.
Nos quatro principais núcleos julgados, 29 réus foram condenados à prisão e apenas dois acabaram absolvidos por falta de provas: o general Estevam Theófilo e o delegado da Polícia Federal Fernando de Sousa Oliveira. Até agora, apenas o Núcleo 1 — que inclui Bolsonaro e outros sete réus — teve as condenações efetivamente executadas; os demais ainda recorrem.
Ao todo, foram 21 sessões de julgamento em quatro meses, com decisões que reforçam o protagonismo do STF no pós-8 de janeiro. O Núcleo 5, que inclui Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura João Figueiredo e residente nos Estados Unidos, segue sem data para julgamento, mostrando que a novela judicial ainda está longe do fim.
Quem são os condenados
Núcleo 1 – data da condenação: 11 de setembro de 2025
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República: 27 anos e três meses
Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice na chapa de 2022: 26 anos;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: 24 anos;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: 24 anos;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): 21 anos;
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: 19 anos;
Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): 16 anos, um mês e 15 dias;
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro: 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada.
Núcleo 2 – data da condenação: 16 de dezembro de 2025
Mário Fernandes, general da reserva do Exército: 26 anos e seis meses de prisão;
Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF): 24 anos e seis meses de prisão;
Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro: 21 anos de prisão;
Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex- presidente Jair Bolsonaro: 21 anos de prisão;
Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça: 8 anos e seis meses de prisão.
Núcleo 3 – data da condenação: 18 de dezembro de 2025
Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel: 24 anos de prisão;
Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel: 21 anos de prisão;
Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel: 21 anos de prisão;
Wladimir Matos Soares, policial federal: 21 anos de prisão;
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros , tenente-coronel: 17 anos de prisão;
Bernardo Romão Correa Netto, coronel: 17 anos de prisão;
Fabrício Moreira de Bastos, coronel: 16 anos de prisão;
Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel: 3 anos e cinco meses de prisão;
Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel: um ano e onze meses de prisão.
Núcleo 4 – data da condenação: 21 de outubro de 2025
Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército: 17 anos de prisão;
Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército: 15 anos e seis meses de prisão;
Marcelo Araújo Bormevet, policial federal: 14 anos e seis meses de prisão;
Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército: 14 anos de prisão;
Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército: 13 anos de prisão;
Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército: 13 anos e seis meses;
Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal: 7 anos e seis meses de prisão.
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