Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles
O Ministério dos Transportes propôs acabar com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida gerou reação no setor, que prevê o fechamento de cerca de 15 mil empresas.
O presidente da Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto), Ygor Valença, acusa a pasta de “banalizar” e “acabar” com as autoescolas. “Vão jogar esses trabalhadores e novos condutores na rua?”, questionou.
Para Valença, a iniciativa representa uma “substituição” e não uma “flexibilização” do modelo atual. “A gente vê o fechamento de 15 mil empresas”, afirmou. Ele ainda alerta para o aumento de acidentes.
A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) nega prejuízos e diz que a medida beneficiará as próprias autoescolas. O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, argumenta que os centros de formação serão favorecidos pela redução de custos operacionais e pelo aumento da demanda de pessoas interessadas em obter a CNH.
“Acham que não vão sobreviver, eu discordo. Acho que vai ser muito melhor para eles. Discordo da premissa de que eles vão ter prejuízo, eu discordo. Por que? Porque quando você abre mercado a tendência é que a demanda reprimida venha e eles vão perder o custo [de funcionamento] que estão reclamando”, afirma Catão.
O secretário diz que o projeto tem sido estudado há alguns anos, inclusive pelo governo anterior. Entre os principais motivos, ele cita o alto nível de pessoas dirigindo sem habilitação (cerca de 20 milhões) e custo elevado do processo.
“O governo fez uma pesquisa, encomendada pela Secom [Secretaria de Comunicação Social], de campo e detectou o número alarmante que bate com esses insights e outros números que temos aqui. [São] cerca de 20 milhões de pessoas dirigindo, pilotando motos, sem CNH. É um número muito grande, muito grave, muito drástico”, avalia ele.
Segundo Catão, o valor da CNH vem aumentando “há muito tempo” e é composto por taxas do Detran, exames médico e psicológico, e o curso nas autoescolas — o que representa de 70% a 80% do custo total. Para o secretário, o fim da obrigatoriedade ajudaria a reduzir o preço e ampliar o número de habilitados no país.
Valença rebateu, defendendo que a autoescola é “o único momento de educação no trânsito” para muitos cidadãos, uma vez que o tema não é ensinado nas escolas, apesar de estar previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
“Um contato com a educação no trânsito vai ser tirado do processo por causa de preço. A gente vê muita fragilidade, muita preocupação, que isso pode causar um impacto terrível nos sinistros e nas mortes de trânsito”, declarou Valença.
O presidente da Feneauto diz que o setor está disposto a desburocratizar e modernizar o processo, mas quer participar das discussões. “Se eu puder baixar mil reais no preço de uma CNH, eu vou ter mais clientes, gerar mais emprego, comprar mais carros, mas não posso. A gente está esperando o momento certo para debater e propor ao Parlamento”.
Catão, por sua vez, negou que não haja diálogo e afirmou já ter se reunido ao menos dez vezes com as duas maiores entidades do setor: a Fenauto e a Associação Brasileira das Autoescolas (Abrauto).
Metrópoles
Eu particularmente não vejo com bons olhos orbigatoriedade de autoescola, tem que haver rigor nos teste para tirar a habilitação, quem achar que precisa de autoescola e vá e pague. Mas o problema que vejo é que vou criado uma situação de obrigatoriedade, que vieram com muitos investimentos de empresários que confiou nessa obrigatoriedade. e ai quebra esse segumento? Acho que as decisões aqui tem que ser pensados sempre a longo prazo
Quando Bolsonaro chegou a falar sobre isso, essas mesmas pessoas que estão eufóricas criticando hj, acharam o máximo.
Faz o L.
É de uma IRRESPONSABILIDADE tamanha. Saber dirigir não quer dizer q vc pode andar pelas ruas. Com autoescola o pessoal anda na faixa da esquerda, vira sem lugar a seta, estaciona na vaga de três carros… vai ser uma bagunça o trânsito no Brasil.
Lembro que na década de 70, existia a auto escola Brasil que contava com uma frota de cinco Volkswagen para serem utilizado pelos seus alunos, nessa época, não era exigido curso em auto escola para tirar a CNH.
Isso tudo é papo furado, as auto escolas sempre existiram sem a obrigatoriedade da realização de cursos para tirar a CNH, essa obrigatoriedade foi implantada no ano de 1997, até esse ano, as habilidades do condutor era aferida no exame de volante. As auto escolas podem continuar sobrevivendo nos mesmos moldes anterior a 1997. Quem não tem competência não se estabelece.