A concessão do crédito consignado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) caiu pela metade nos últimos três meses deste ano. A redução coincide com as medidas de segurança que começaram a valer em maio para combater fraudes.
Segundo dados do Banco Central, divulgados quarta-feira (27), em julho foram concedidos R$ 4,8 bilhões, metade do valor registrado em julho de 2024, de R$ 9,4 bilhões.
A queda começou em maio, quando foram registrados R$ 3,1 bilhões, recuo de 61% em relação ao mesmo mês de 2024. Em junho, redução se manteve em 61%, passando de R$ R$ 8,3 bilhões, em 2024, para R$ 3,2 bilhões, neste ano.
Bloqueio
Em 9 de maio, todos os benefícios chegaram a ser bloqueados para empréstimos, após as denúncias dos descontos indevidos de associações no extrato de aposentados e pensionistas.
Depois disso, o empréstimo só é liberado se o beneficiário comprovar a solicitação por meio de biometria, e passar por mais duas etapas de segurança.
Após a realização do contrato com o banco, o segurado recebe o pedido no site ou aplicativo Meu INSS para confirmar se realmente vai autorizar aquele desconto no benefício.
Contratos
Segundo o INSS, são 58,7 milhões de contratos ativos de consignados até junho. Os segurados respondem por 42% dos contratos de consignado do país.
A modalidade é oferecida a quem tem aposentadoria ou pensão creditada em conta corrente. Pelo fato de o valor ser descontado diretamente na folha de pagamento, é opção de empréstimo fácil e com juro baixo.
O teto da taxa é de 1,85% ao mês. Já na modalidade de cartão de crédito e cartão consignado de benefício, o índice é de 2,46% ao mês.
Atualmente, os aposentados e pensionistas podem comprometer até 45% do benefício em empréstimos consignados.
O que mudou?
Antes dos bloqueios, bancos e instituições financeiras tinham acesso à margem consignável de aposentados e pensionistas, podendo oferecer produtos sem que o segurado tenha demonstrado interesse.
Com a checagem por biometria, o segurado decide se deseja que suas informações fiquem visíveis ou não às instituições financeiras.
Outras medidas
O INSS também cancelou a autorização para que algumas instituições financeiras realizem novas operações de crédito consignado, utilizando a folha de pagamento de benefícios como garantia.
Também foi assinado com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), acordo de cooperação técnica para o monitoramento de reclamações e a aplicação de sanções a instituições financeiras vinculadas ao instituto.
Além disso, foram suspensos os empréstimos consignados feitos por representantes legais em nome de pessoas incapazes, como menores de idade, tutelados e curatelados, sem a devida autorização judicial.
R7
Será mera coincidência?