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Lula acelera liberação de ‘emendas Pix’ a parlamentares antes das eleições

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Quando terminou seu segundo mandato presidencial, em 2010, Lula era recordista de popularidade, surfava a onda de um crescimento econômico de 7,5% e tinha o Congresso praticamente a seus pés. Eram outros tempos. Naquela época, o governo liberava emendas parlamentares se quisesse — e no valor que bem entendesse. Deputados e senadores viviam de pires na mão atrás de recursos para seus redutos eleitorais. O terreno era fértil para o fisiologismo, e o presidente contemplava com verbas aqueles que, em troca, votavam com o Palácio do Planalto. Hoje, o quadro é bem diferente. Nos últimos anos, as emendas individuais e de bancada se tornaram impositivas — ou seja, de pagamento obrigatório. A fatia do Orçamento à disposição dos congressistas também atingiu valores astronômicos — cerca de 50 bilhões de reais nes­te ano. Em seu terceiro mandato, Lula perdeu um poderoso instrumento de cooptação, enquanto os parlamentares conquistaram uma fonte bilionária para agradar aos eleitores, independentemente de fazerem favor ao mandatário de turno. A balança, que antes pendia para o Executivo, fez um movimento em direção ao Legislativo.

Essa mudança ajuda a entender por que Lula, depois de criticar na campanha de 2022 a submissão de Jair Bolsonaro ao notório Centrão, decidiu não comprar briga com os parlamentares no caso das emendas. Para ter chance de aprovar projetos prioritários e reduzir a possibilidade de derrotas, como no caso da MP do PIS/Cofins, o presidente tem liberado os recursos indicados por deputados e senadores em ritmo bem mais acelerado do que gostaria. Uma nova leva estava prevista para sair até o dia 30 de junho, data-limite para o envio de verbas em ano eleitoral. Se o acordo entre governo e Congresso for cumprido, serão desembolsados 4 bilhões de reais de um total de 8 bilhões de reais das chamadas “emendas Pix”, direcionadas por deputados e senadores a prefeituras, que podem gastar o dinheiro da forma como quiserem. Essa fornada é considerada estratégica no âmbito das eleições municipais. Com ela, os congressistas poderão mostrar serviço e dizer aos eleitores que levam dinheiro para suas cidades. E, assim, terão condições de impulsionar as candidaturas de aliados em outubro.

É um ótimo negócio para os envolvidos, mas não necessariamente para o país, já que a dinheirama nem sempre é aplicada em projetos prioritários ou nos municípios que mais precisam. Muitas vezes, conveniências eleitorais e relações políticas prevalecem na hora da distribuição dos recursos. Pré-­candidato à presidência da Câmara e líder do União Brasil na Casa, o deputado Elmar Nascimento destinou 21,83 milhões de reais em “emendas Pix” nos anos de 2022 e 2023. A maior parte, 10,57 milhões de reais, foi para o município de Campo Formoso (BA), cujo prefeito é Elmo Nascimento, irmão do deputado e candidato à reeleição. Desde 2019, a cidade recebeu do conjunto de parlamentares mais de 62 milhões de reais por meio de emendas de diversos tipos, o que representa um valor per capita 214,71% acima da média nacional. Do total, 43 milhões de reais chegaram por meio da emenda de relator, também conhecida como orçamento secreto, cuja destinação era definida pelos caciques do Congresso, sempre preservando o nome do congressista responsável pela indicação da verba. “Atuar em prol da melhoria da vida das pessoas é saber destinar recursos para onde mais precisa. É por isso que o nosso mandato é o campeão em destinações para o Estado da Bahia”, declarou Elmar numa rede social. Elmo, o irmão que concorre à reeleição, agradece.

O caso dos Nascimento não é isolado. O ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), destinou cerca de 19 milhões de reais em “emendas Pix” em 2022 e 2023 a catorze municípios do Maranhão, estado pelo qual foi eleito deputado, cargo do qual está licenciado. A cidade mais beneficiada, com cerca de 5,5 milhões de reais, foi Vitorino Freire, que tem como prefeita Luanna Rezende, irmã do ministro. Reeleita em 2020, Luanna, em acordo com Juscelino, apoiará em outubro a candidatura de Ademar Magalhães, conhecido como Fogoió. Considerando o conjunto de parlamentares, Vitorino Freire recebeu quase 70 milhões de reais em emendas desde 2019, sendo 45% por meio de emenda de relator. O valor por habitante está 547,84% acima da média nacional. Fogoió, o candidato dos filhos ilustres do município, pode se beneficiar dessa bonança orçamentária, que, por outro lado, tem trazido dor de cabeça ao ministro. Recentemente, a Polícia Federal indiciou Juscelino por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa ao investigar irregularidades em obras realizadas em Vitorino Freire com recursos de emendas parlamentares, inclusive do próprio ministro.

Apesar do desgaste provocado pelo caso, o presidente Lula tem segurado o aliado no cargo, mas em entrevista ao portal UOL disse que ele deixará o ministério caso seja denunciado. A conferir. Há mais exemplos de ministros que não negam a família e a própria terra. Titular da pasta do Esporte, André Fufuca (PP-MA) destinou 5,8 milhões de reais em “emendas Pix” em 2022 e 2023, dos quais 25% irrigaram o caixa de Alto Alegre do Pindaré, comandada por seu pai, Fufuca Dantas, que está prestes a completar o segundo mandato consecutivo na prefeitura. Desde 2019, parlamentares repassaram quase 30 milhões de reais ao município por meio de emendas variadas, o equivalente a 1 164 reais por habitante, ou 283,89% a mais do que a média nacional. O gros­so dos recursos, como de costume, chegou via orçamento secreto. Na semana passada, o ministro Fufuca visitou a terra natal para participar do lançamento de projetos esportivos para alunos da rede pública. Numa rede social, fez propaganda: “Poder levar mais perspectivas para as crianças do meu estado é gratificante. É garantir que novas gerações de atletas possam surgir e fazer do sonho realidade”.

arte festa no interior

O bom filho à casa torna, principalmente quando é político. O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) é mais um caso a confirmar a regra. Cogitado como candidato à presidência da Câmara caso não seja ungido um nome de consenso ao posto, Motta enviou no ano passado 20 milhões de reais em “emendas Pix” para municípios da Paraíba. Na liderança da lista de beneficiários, aparece Patos, cujo prefeito, Nabor Wanderley, é o pai dele. No último dia 9, o deputado postou um vídeo em que aparece ao lado do prefeito celebrando uma premiação recebida pela administração municipal: “Vamos seguir mostrando a força de uma gestão eficiente e do nosso trabalho em Brasília em defesa da nossa querida cidade”. Elmar, Juscelino, Fufuca e Motta são aliados de primeira hora do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que reservou, entre 2022 e 2023, 1,6 milhão de reais de suas emendas individuais a Barra de São Miguel (AL), governada por seu pai, Benedito de Lira, candidato à reelei­ção em outubro.

Peça-chave no rateio do extinto orçamento secreto, que rendeu 8,5 milhões à mesma Barra de São Miguel desde 2019, Lira costuma dizer que ninguém conhece tão bem a realidade dos municípios do país como deputados e senadores, que, por isso mesmo, são quadros qualificados para decidir a destinação de recursos orçamentários. Já o governo pondera que os parlamentares, muitas vezes, direcionam verbas para iniciativas que não são prioritárias e não atacam problemas crônicos do país. É o tipo de debate em que, de certa forma, os dois lados têm razão. Em um país com um sério problema fiscal e com cobertor orçamentário curto, governo e Congresso deveriam se empenhar para reduzir o gasto público — ou, pelo menos, melhorar a sua qualidade, tornando-o mais eficiente. Não é o que tem acontecido. Até aqui, é cada um por si. Espantado com o avanço do Congresso sobre o Orçamento, Lula até vetou 5,6 bilhões de reais em emendas de comissão ao sancionar a lei orçamentária deste ano. Diante do risco de derrubada do veto, recompôs 3,6 bilhões do total vetado, garantindo a deputados e senadores cerca de 50 bilhões de reais em emendas.

Em meio às dificuldades na articulação política, o presidente também se viu obrigado a acelerar a liberação de recursos indicados pelos parlamentares. No fim de abril, quando o Legislativo parecia em convulsão, o Planalto divulgou uma tabela para mostrar que nunca antes tanta verba parlamentar tinha sido empenhada. Só nos primeiros quatro meses do ano, foram 10,7 bilhões de reais em emendas individuais, ante 3,54 bilhões de reais no mesmo período de 2022. Foi uma tentativa de aplacar o apetite dos congressistas. Não deu certo. Deputados e senadores alegam que o governo gasta muito, pede ajuda para aprovar medidas destinadas a aumentar a arrecadação e, quando instado a cortar despesas, tenta jogar a fatura no colo do Legislativo. A maior parte do sacrifício, argumentam, tem de partir do Executivo. O problema é que Lula não dá sinais de que enfrentará essa questão, apesar dos esforços dos ministros da Fazenda, Fernando Had­dad, e do Planejamento, Simone Tebet, para equilibrar as contas públicas. “O problema não é que tem que cortar. O problema é saber se precisa efetivamente cortar ou se precisa aumentar a arrecadação”, disse o presidente ao UOL. Essa festa orçamentária — ou farra — ainda vai longe.

Veja

Opinião dos leitores

  1. É ESSA A PORCARIA QUE RECLAMAVA DO ORÇAMENTO SECRETO DO BOLSONARO? LULA É O MAIOR ESTELIONATO ELEITORAL DO PLANETA TERRA. DESAFIO QUEM PROVAR ESTOU MENTINDO. SÓ MENTIRA E HIPOCRISIA. E AGORA, CONSIDERADO VIAGRA DO DÓLAR. FALOU, SUBIU!

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Política

PT usa BBB e transforma falas de Ana Paula Renault em arma digital para engajar redes

Foto: Arquivo pessoal

O diretório do PT em São Paulo e integrantes da sigla passaram a usar recortes de falas da participante Ana Paula Renault, do “Big Brother Brasil 26”, da TV Globo, como parte de uma estratégia de comunicação digital nas redes sociais.

Segundo publicações analisadas pelo Poder360, os conteúdos têm sido usados para ampliar engajamento e alcance, principalmente entre públicos mais jovens, com vídeos curtos publicados em plataformas como Instagram e X (antigo Twitter).

Desde o início da atual edição do reality, o diretório paulista do partido já publicou ao menos 10 conteúdos utilizando falas da participante em diferentes contextos políticos e sociais. Em uma das postagens, feita em 10 de fevereiro, o PT compartilhou um vídeo de Ana Paula comentando sobre o Bolsa Família e escreveu: “Pode espalhar: o Bolsa Família muda a vida de milhões de brasileiros todos os dias!”.

Fotos: Reprodução

Já em 14 de fevereiro, outro corte foi usado para comentar a escala 6×1, com publicação em tom informal voltada às redes sociais. Em 22 de fevereiro, o perfil republicou um vídeo em que a participante defende o programa Minha Casa, Minha Vida, reforçando a ideia de moradia como direito.

Nos dias seguintes, novos conteúdos também foram publicados abordando temas como privatizações, políticas culturais e reparação histórica, sempre a partir de trechos curtos das falas da participante. Em outra publicação, o diretório utilizou um vídeo em que Ana Paula comenta sobre a Lei Rouanet, acompanhado de legenda defendendo que “cultura não é gasto, é investimento”.

Segundo o padrão das postagens, os vídeos são editados em formato curto e adaptados para redes sociais, com foco em engajamento rápido e linguagem direta.

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Política

ICE diz à PF que Ramagem ficará em liberdade enquanto aguarda asilo nos EUA

Foto: Reprodução

O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) informou à Polícia Federal que o deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL) pode permanecer em liberdade enquanto aguarda a análise do pedido de asilo na Justiça norte-americana.

Ramagem havia deixado o centro de detenção do ICE, em Orlando, na última quarta-feira (15), após ter sido detido no último dia 13 por questões migratórias. Ele está nos Estados Unidos desde setembro de 2025 e teve o passaporte diplomático suspenso após a cassação do mandato pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, conforme o Metrópoles.

De acordo com registros do caso, Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão no âmbito da investigação da chamada trama golpista. A defesa e declarações públicas do ex-deputado são acompanhadas no processo.

Em vídeo publicado após a soltura, ele afirmou que a detenção ocorreu por “questão migratória”, criticou a Polícia Federal e declarou que entrou legalmente no país. Ele também agradeceu apoio político e citou aliados, além de dizer que o pedido de asilo segue em análise pelas autoridades dos EUA.

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Política

Lula desembarca na Europa e inicia série de reuniões com líderes internacionais

Foto: Ricarrdo Stuckert/PR

O presidente Lula desembarcou na noite desta sexta-feira (17) em Barcelona, na Espanha, dando início a uma agenda oficial de seis dias pela Europa. A viagem inclui encontros com chefes de Estado, participação em fórum internacional e reuniões voltadas a acordos comerciais e articulações diplomáticas.

Lula chegou ao Aeroporto Josep Tarradellas Barcelona-El Prat, onde não falou com a imprensa, mas foi recebido e posou para fotos com apoiadores. Nesta sexta, ele se reúne com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, no Palácio Real de Pedralbes. A reunião deve tratar de cooperação bilateral e do avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

No sábado (18), Lula participa do fórum “Defendendo a Democracia contra os Extremismos”, que reúne líderes de diferentes países, como Irlanda, Eslováquia, África do Sul, Gana e Malásia. O encontro também terá a presença de chefes de Estado da Colômbia e do México.

Após a etapa na Espanha, a comitiva segue para a Alemanha, onde o Brasil será país parceiro da Hannover Messe, uma das maiores feiras industriais do mundo. Lula também tem prevista reunião com o chanceler Friedrich Merz.

Em seguida, a agenda inclui passagem por Portugal, com encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente português António José Seguro, conforme informações do Poder360.

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Judiciário

Natália perde ação que pedia reparação do apresentador Ratinho por declarações

Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do RN negou o pedido da deputada federal Natália Bonavides (PT), que tentava receber R$ 50 mil e uma retratação pública do apresentador Ratinho por declarações feitas em 2021 durante participação em programa de rádio. A decisão é monocrática e foi assinada pelo juiz Paulo Sérgio da Silva Lima, conforme o Metrópoles. O processo ainda pode ser recorrido dentro no próprio TJRN.

Durante o programa “Turma do Ratinho”, o apresentador fez críticas à atuação política da parlamentar, em tom considerado polêmico pela ação judicial. Na ocasião, ele afirmou: “Não dá para pegar uma metralhadora”.

Na ação, Natália alegou que houve uso de termos ofensivos e misóginos, além de suposta incitação à violência, sustentando que as falas teriam extrapolado o direito de crítica.

Já a defesa de Ratinho argumentou que as declarações ocorreram dentro do exercício da liberdade de expressão e do direito de crítica jornalística, com tom humorístico e voltado a uma figura pública.

Na decisão, o magistrado entendeu que as falas se inserem em contexto de “ferrenha crítica política” e reforçou que agentes públicos devem ter maior tolerância a críticas, inclusive quando feitas de forma irônica ou jocosa, concluindo que não houve abuso da liberdade de expressão.

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Política

RACHA NO GOVERNO LULA: Alckmin defende “taxa das blusinhas” e ministro quer acabar com imposto

Foto: Reprodução

O vice-presidente e presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu nesta quinta-feira (16), a manutenção da chamada “taxa das blusinhas”, que incide sobre compras internacionais de até US$ 50. A posição ocorre em meio a uma divergência interna no governo Lula sobre a continuidade da cobrança.

Alckmin argumentou que a medida é necessária para equilibrar a concorrência entre produtos importados e a indústria nacional. Segundo ele, mesmo com a taxação, a carga tributária sobre os produtos estrangeiros ainda seria inferior à aplicada ao setor produtivo brasileiro, o que justificaria a manutenção do imposto, conforme a CNN.

A defesa do vice-presidente contrasta com a posição de integrantes da própria equipe ministerial. O novo ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a medida gerou “desgaste” político para o governo e sinalizou que a revogação pode ser considerada, caso haja reavaliação interna da política.

Guimarães também declarou que, em sua avaliação pessoal, não teria apoiado a aprovação do imposto, reforçando o desconforto dentro da base governista em relação ao tema.

A divergência expõe um racha público dentro do governo federal em torno de uma medida sensível ao consumo popular e à imagem política do Palácio do Planalto.

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Política

Juíza expõe bastidores da interdição de FHC e laudos revelam detalhes da decisão judicial

Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça de SP concedeu uma liminar nesta quarta-feira (15) determinando a interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Na decisão, a juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, da 2ª Vara da Família e Sucessões, detalha os elementos que embasaram o despacho, com destaque para laudos médicos e parecer do Ministério Público que apontam incapacidade civil e necessidade de proteção jurídica.

Segundo a decisão, os documentos apresentados no processo foram considerados suficientes para justificar a medida liminar, especialmente o relatório médico recente e a manifestação do Ministério Público. A juíza ressaltou que os laudos indicam comprometimento de funções cognitivas do ex-presidente, o que motivou a concessão da interdição em caráter provisório.

Com a decisão, o filho de FHC, Paulo Henrique Cardoso, foi nomeado curador provisório, ficando responsável pela gestão patrimonial e apoio nas decisões civis do ex-presidente. De acordo com os autos, ele já vinha auxiliando o pai na administração financeira e na rotina cotidiana há alguns anos.

O pedido de interdição foi feito por familiares após a evolução do quadro de saúde de FHC, de 94 anos, com diagnóstico compatível com Alzheimer em estágio avançado, conforme laudo médico citado no processo.

A decisão segue em caráter liminar e ainda poderá ser reavaliada no decorrer da tramitação na Vara de Família e Sucessões.

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Política

VÍDEO: Rogério Marinho desafia Gilmar Mendes e denuncia “linchamento” e cerco do STF ao Congresso

Imagens: Reprodução/Blog Gustavo Negreiros

O senador Rogério Marinho (PL) subiu à tribuna do Senado nesta semana para reagir às declarações do ministro do STF Gilmar Mendes e de outros integrantes da Corte. Em discurso duro, ele afirmou que há um “linchamento” político contra o trabalho da CPI do Crime Organizado e falou em um possível cerco institucional ao Congresso Nacional.

A reação ocorre após falas de Gilmar Mendes que criticaram o relatório da comissão e mencionaram senadores em meio a acusações relacionadas a milícias. Dias Toffoli também fez alertas sobre possíveis consequências jurídicas do documento.

Durante o pronunciamento, Rogério desafiou diretamente o ministro Gilmar Mendes a apresentar provas concretas sobre as acusações feitas contra parlamentares. Segundo ele, generalizações contra o Senado não são aceitáveis e precisam ser individualizadas.

“Era importante que o ministro, ao invés de generalizar, exemplifique. Aponte o dedo para quem de fato é miliciano”, afirmou o senador na tribuna. Ele também classificou como grave o que chamou de tentativa de intimidação do Legislativo por parte do Judiciário, afirmando que o cenário cria um ambiente de pressão institucional sobre o Congresso.

O senador ainda criticou a condução da CPI do Crime Organizado, alegando que houve substituições de parlamentares às vésperas da votação do relatório final, o que teria alterado o resultado da análise. Segundo ele, essas mudanças teriam impacto direto na rejeição do relatório, que acabou sendo derrotado por margem apertada.

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Judiciário

CRISE NO STF: DPU acusa Moraes de violar Constituição em decisão sobre Tagliaferro e pede anulação imediata

Foto: Reprodução/Redes sociais

A Defensoria Pública da União (DPU) pediu a anulação imediata de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a atuação da própria instituição na defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do TSE. Segundo o órgão, a medida teria violado dispositivos da Constituição e do Código de Processo Penal ao não respeitar o direito do acusado de escolher seus próprios advogados.

O caso envolve uma ação penal contra Tagliaferro por suposto vazamento de conversas internas de gabinete.

Em petição enviada ao STF, a DPU afirma que a decisão teria desrespeitado garantias fundamentais previstas na Constituição, incluindo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O órgão sustenta que a nomeação da Defensoria sem a manifestação prévia do acusado não encontra respaldo legal e configura nulidade processual.

“A nulidade daí decorrente é absoluta”, afirma a DPU, ao citar dispositivos do Código de Processo Penal e da Constituição Federal. Segundo a Defensoria, não houve intimação pessoal válida de Tagliaferro para que pudesse constituir novo defensor antes da intervenção da instituição.

O órgão também argumenta que a legislação estabelece uma sequência obrigatória: primeiro a intimação do acusado; apenas na impossibilidade de localização, a nomeação de defensor público ou dativo.

A DPU contesta ainda a justificativa de abandono da defesa, apontando que a ausência dos advogados na audiência teve justificativas apresentadas pela própria equipe de defesa.

Por fim, o pedido ao STF inclui a anulação da decisão, reabertura de prazos processuais e eventual reconhecimento formal da atuação da Defensoria apenas após cumprimento integral dos requisitos legais.

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Política

Ministro de Lula propõe aumentar dívida do Brasil para “salvar economia”

Foto: Gil Ferreira/SRI-PR

O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil pode aumentar o endividamento público como alternativa para “salvar a economia popular” diante dos impactos da guerra no Oriente Médio.

Segundo o ministro, a medida seria uma forma de evitar que os efeitos do conflito internacional sejam repassados diretamente à população brasileira.

Guimarães destacou que o governo Lula mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal e social, mas afirmou que cenários de crise podem exigir decisões excepcionais.

De acordo com ele, o Executivo trabalha com a hipótese de que o conflito no Oriente Médio possa se prolongar por cerca de dois meses, o que já pressiona o planejamento econômico do país.

O ministro também indicou que o governo avalia novas medidas para reduzir os impactos da guerra sobre os combustíveis, especialmente a gasolina, e que anúncios podem ser feitos em breve.

Entre as alternativas em estudo estão mecanismos de contenção de preços e possíveis subsídios, embora detalhes ainda não tenham sido divulgados oficialmente.

Guimarães reforçou ainda que o Brasil não tem envolvimento direto no conflito, mas sofre reflexos indiretos que exigem respostas econômicas do governo.

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Mundo

CRISE NUCLEAR: Trump diz que Irã vai entregar urânio enriquecido e silêncio de Teerã acende alerta global

Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Irã teria concordado em entregar suas reservas de urânio enriquecido, uma das principais exigências de Washington em meio às negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. Até o momento, o governo iraniano não se manifestou oficialmente sobre a declaração.

Segundo Trump, a medida seria um avanço importante nas conversas entre Estados Unidos e Irã, que buscam um acordo de paz após meses de tensão e confrontos indiretos na região. “Eles concordaram em nos devolver o pó nuclear”, disse, em referência ao estoque de urânio enriquecido acumulado pelo Irã.

De acordo com autoridades internacionais citadas nas negociações, o material em questão estaria próximo do nível necessário para uso militar, o que mantém o tema no centro da crise diplomática.

Apesar da fala de Trump, autoridades iranianas ainda não confirmaram qualquer acordo, o que mantém o cenário em forte instabilidade e incerteza.

As negociações entre Washington e Teerã ocorrem com mediação internacional e em meio a um cessar-fogo temporário, que pode ser prorrogado caso haja avanço nas tratativas de paz.

Trump ainda afirmou que existe “grande chance de acordo”, mas alertou que, caso não haja consenso, os combates podem ser retomados nos próximos dias.

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