Religião

PROCURA-SE: Faltam exorcistas no Brasil; padres especializados em expulsar o diabo dos fiéis estão em falta no País

(Raoni Maddalena/Superinteressante)

Curitiba, maio de 2014. Deveria ter sido um dia de gravação como outro qualquer. O padre Reginaldo Manzotti carregava o ostensório com o Santíssimo Sacramento pelo auditório do programa Evangelizar é Preciso quando percebeu algo errado com uma menina de uns 15 anos. Terminada a benção, pediu que a levassem até a capela.

Lá, longe das câmeras, deparou-se com o demônio. “A menina tinha uma força descomunal e, apesar de sermos quatro pessoas, não conseguimos acalmá-la”, diz. A certa altura, a garota virou-se para o padre e, com uma voz grave, ordenou: “Pare com essas deprecações”. Na mesma hora, o sacerdote se deu conta de que estava lidando com “algo maior do que imaginava”. Não bastasse, a possessa foi além: “Você não é exorcista! Não tem poder sobre mim!”.

E, de fato, não tinha. Aturdido, padre Manzotti pediu uma trégua a Lúcifer e encaminhou a garota a um exorcista profissional, o padre Jorge Morkis, hoje aposentado, que libertou a menina do coisa-ruim. “Com o tempo, apuramos que, sem dinheiro, ela tinha feito um pacto para ir ao show do Justin Bieber”, diz Manzotti. O trabalho foi tão bem-feito que, hoje em dia, a menina é coroinha na capital paranaense.

Padres exorcistas, como Morkis, são raros no Brasil. Segundo dados da Associação Internacional de Exorcistas, apenas sete dos mais de 300 membros são brasileiros. A arquidiocese de São Paulo, a maior do País, por exemplo, não tem nenhum. “O ideal é que cada diocese tivesse o seu, mas há déficit de exorcistas no Brasil”, diz Dom Pedro Cipollini, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que lançou no ano passado o documento Exorcismos: Reflexões Teológicas e Orientações Pastorais. O Brasil tem 215 dioceses e estima-se que existam apenas 30 especialistas em possessões por aqui. “A falta de padres é um problema crônico no Brasil. Por isso, o exorcismo está longe de ser uma prioridade”, diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

Quem é que pode?

De acordo com o Código de Direito Canônico, o conjunto de leis que regula a Igreja Católica, um padre precisa se destacar em quatro áreas para poder expulsar Satã do corpo dos desavisados. É preciso ter piedade, integridade, prudência e sabedoria (doutorado em teologia, por exemplo, é desejável). Outras virtudes bem-vindas são coragem, paciência e tenacidade. Na prática, um padre só se torna exorcista se for indicado pelo seu bispo – freiras e leigos não podem ser ordenados, por exemplo.

De acordo com a Igreja Católica, exorcismos não podem ser agendados ou registrados em vídeo. Também é proibido cobrar por eles

Mas, se o processo parece ser simples, por que há tão poucos exorcistas na Igreja Católica? “Possessões demoníacas existem, mas são raras. O que vemos por aí é puro sensacionalismo”, diz Dom Pedro Cipollini. Ao contrário do que acontece nas igrejas neopentecostais, as sessões de expurgo na tradição católica são encaradas como última opção de tratamento – antes de começar, por exemplo, é preciso eliminar a possibilidade de doenças mentais ou físicas. O processo pode demorar vários meses – um dos trabalhos do padre Armoth durou 22 anos – e os acontecimentos não costumam ser espetaculares, como é comum encontrar nos canais de TV madrugada adentro. Por isso, é difícil encontrar um exorcista católico por aí.

As sessões de descarrego neopentecostais, por outro lado, têm um roteiro midiático. Um obreiro escolhe um membro da assembleia supostamente possuído por um espírito e o leva até o púlpito. Lá, diante das câmeras de TV, o pastor começa a interrogá-lo. Palavras de ordem são comuns: “Sai desse corpo que não te pertence!” ou “Está amarrado em nome de Jesus!”. A vítima, então, é agarrada pelos braços ou jogada ao chão. Ao final de tudo, o capiroto é derrotado. “O rito da expulsão de espíritos malignos virou o ápice da pregação de alguns líderes neopentecostais”, diz Luiz Henrique Rodrigues Paiva, professor da Universidade Católica de Pernambuco. “Em vez de levar a palavra de Deus aos fiéis, esses pastores se tornaram reféns de uma teologia construída em função do Diabo”, opina.

A cartilha da CNBB diz que, uma vez comprovada a autenticidade da possessão e autorizado o exorcismo pelo bispo da diocese, o ritual não pode ser alvo de publicidade, muito menos transformado em espetáculo. Divulgá-lo com antecedência? Fora de cogitação. Gravar, filmar ou registrar o ato? Nem pensar. Cobrar pelo trabalho? Proibidíssimo. Quanto mais discreto, melhor. “Se aparecer algum padre dizendo que faz exorcismo na frente dos fiéis, com direito a plateia e filmagem, pode ter certeza: não é um dos nossos”, diz o padre João Cláudio do Nascimento, reitor da capela de Nossa Senhora de Fátima, em Niterói.

Padre João Cláudio sabe do que fala. Ele foi um dos 280 participantes da 11ª edição do curso Exorcismo e Oração de Libertação, realizado em abril de 2016, em Roma. O curso é anual, custa 300 euros e inclui palestras como Identificando a ação extraordinária do demônio ou O aspecto psicológico da manipulação mental. A ideia é combater a carência de exorcistas católicos no mundo. Qualquer pessoa pode seque inscrever: membros da Igreja e leigos, como historiadores, psicólogos e jornalistas. As aulas, porém, são todas teóricas.

Em Roma, o padre João Cláudio aprendeu os principais “sintomas” de uma possessão. São cinco: falar ou compreender idiomas nunca estudados, demonstrar conhecimento de assuntos improváveis (como detalhes da vida do exorcista), apresentar força descomunal, identificar objetos escondidos e manifestar profunda aversão a símbolos sagrados.

Outra lição ensinada no curso é diferenciar os cinco tipos de ação extraordinária do Satanás. A mais famosa é a possessão – quando o indivíduo perde a capacidade de falar e agir por conta própria e, em estado de transe, age em nome do Capeta. Mas, há outras quatro: infestação (quando o alvo do príncipe das trevas são objetos, lugares ou animais), vexação (quando ataca a saúde, as finanças, o trabalho), obsessão (quando a vítima não consegue afastar pensamentos de ódio, vingança e autodestruição) e submissão (quando o endemoniado fez um pacto). O exorcismo é indicado nos cinco casos. “Independentemente do tipo de manifestação, o padre só pode agir quando autorizado pelo exorcizado. Deus respeita sempre a nossa liberdade”, diz o monsenhor Rubens Miraglia Zani, exorcista há cinco anos, que já fez trabalhos que duraram de três dias a sete semanas. “O primeiro exorcista de uma pessoa é a própria pessoa. Se ela não colabora, pouco podemos fazer.” Monsenhor Rubens explica que as principais armas do possesso são a leitura da Bíblia, a reza do terço, a confissão e participar da missa aos domingos.

As armas contra o tinhoso

Os primeiros exorcismos a que padre Eugênio La Barbera assistiu foram em Milão, na Itália. “Até hoje, não me esqueço da vez em que uma senhora de uns 70 anos levantou um pesadíssimo armário sobre a cabeça”, diz o padre, que atua na diocese de Santo Amaro, em São Paulo. Em 39 anos de sacerdócio, padre Eugênio contabiliza três exorcismos. Nunca viu ninguém girar a cabeça sobre o pescoço, vomitar gosma verde ou levitar sobre a cama. “Mas vi, durante um ritual, um rapaz cuspir cacos de vidro e pedaços de prego bem na minha frente.” Por medida de precaução, ele nunca celebra o ritual sozinho. Sempre que nota que o possesso está agressivo ou violento, chama um colega. Objetos cortantes e pontiagudos também são retirados de cena. “Já tentaram me ferir inúmeras vezes.”

SINAIS DE UMA POSSESSÃO

Segundo o Catolicismo– Falar idiomas desconhecidos

– Adivinhações
– Força física extrema
– Aversão a símbolos religiosos

Aos poucos, os próprios exorcistas católicos começaram a desenvolver estratégias para desmascarar eventuais farsas. Oferecer um copo d’água benta para o possesso é uma delas. Esconder um objeto qualquer, como uma medalhinha de santo, no bolso da batina e pedir para a vítima adivinhar é outra. O truque preferido de padre Eugênio, no entanto, é recitar o rosário na frente do candidato ao exorcismo. “O Diabo tem verdadeiro pavor de Maria. A ojeriza é tanta que ele se recusa até a pronunciar o nome da mãe de Deus”, diz o sacerdote, não sem orgulho.

Apesar da adrenalina das sessões de descarrego, nada indica que a falta de exorcistas no Brasil seja contornada em breve. Apesar do fascínio do público pelo assunto, padres seguem reticentes em se aventurar por essa carreira.

Em parte porque o próprio Vaticano leva a ciência a sério – a Igreja já aceita o Big Bang e a Teoria da Evolução, por exemplo. E a ciência, é claro, entende a ideia de “possessão demoníaca” como superstição. “Os próprios bispos não acreditam mais no Diabo”, diz o padre-exorcista Eugênio La Barbera. “Mas é preciso cuidado: não acreditar nele é tudo o que o Diabo quer.

ENTREVISTA: Padre Reginaldo Manzotti

Nem o historiador israelense Yuval Noah Harari, autor de Sapiens, nem o youtuber Felipe Neto. O escritor que mais vendeu livros no Brasil em 2017 foi o padre paranaense Reginaldo Manzotti. O livro Batalha Espiritual, que fala sobre anjos, possessões e exorcismos, vendeu 138 mil exemplares. Conversamos com o sacerdote, que explica as dificuldades do ofício de expulsar o coisa-ruim.

Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre exorcismo?

O exorcismo é um tema clássico da Igreja Católica. Mas, por desconhecer o assunto, muitos não lhe dão a devida importância. Além disso, tendem a achar que toda enfermidade é física ou emocional. Não sabem, por exemplo, que há males espirituais. Papa Francisco, inclusive, já exortou os padres a levarem mais a sério as doenças do espírito. Diagnosticadas, devem ser tratadas com confissão e, se necessário, exorcismo.

Mas há falta de exorcistas no Brasil. A que você atribui isso?

Sim, faltam exorcistas, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Falta, também, interesse do clero em tratar do assunto. Por uma questão histórica, a Igreja esteve mais voltada para o lado social e menos para a dimensão espiritual. Aos poucos, isso começa a mudar.

Se o bispo de sua diocese resolvesse nomeá-lo exorcista, o senhor aceitaria?

Claro, eu nunca diria “não” a um bispo. Mas, em virtude das minhas atividades, não me sinto em condições de exercer esse ministério. Temos a impressão de que o exorcismo se faz em uma sessão só. Mas há casos que levam mais de uma década. É um ministério que demanda tempo e dedicação. O Diabo é muito astuto. Ele gosta de fazer o ruim parecer bom e o errado, certo. Se não tomamos cuidado, caímos em tentação.

Em 23 anos de sacerdócio, já se deparou com o Diabo alguma vez?

Sim. No fim do ano passado, uma moça veio a mim, não com um quadro de possessão demoníaca, mas com um histórico familiar muito preocupante, voltado para a magia negra. Ela apresentava marcas de automutilação pelo corpo, tinha um olhar tétrico, vazio, e só sabia falar de suicídio. Comecei a fazer uma oração de cura e libertação, que durou uns 40 minutos. Uma semana depois, ela voltou, totalmente diferente. Disse que sua vida tinha sido transformada. O inimigo age de muitas formas. A possessão é apenas uma delas.

Seu livro reproduz algumas orações de cura, libertação e exorcismo. Não teme que alguém resolva celebrar um exorcismo por conta própria?

Logo no início do livro, eu aviso: nenhum leigo está autorizado a celebrar exorcismos. Mas, então, por que incluí essas orações? Porque existem muitos livrinhos fantasiosos por aí. Quis mostrar ao público o texto oficial da Igreja Católica. A recomendação é não ter medo do Diabo. Deus é maior do que ele. Como diria Santo Agostinho, o Diabo é como um cão brabo amarrado. Só morde quem se aproxima dele.

Super Interessante

 

Opinião dos leitores

  1. É muita receita pra pouca coisa ruim, demônios, só podem ser expulsos pelo nome de Jesus, o diabo não registe ao jejum e oração, assim disse Jesus: esta casta de demônios só sai com jejum e oração, o problema dos padres católicos que não conseguem expulsar os demônios, é por que eles não se baseiam na bíblia, ficam na dependência de um outro pecador (o papa) que de Deus não tem nada, por isso os padres não conseguem expulsar os demônios, só expulsa demônios aqueles que já se arrependeram dos seus pecados e que aceitaram a Jesus como seu único e suficiente Salvador sem precisar de um(a) intermediário que já morreu e que nem tem consciência do presente, nem do passado e nem do futuro, a igreja católica romana, precisa deixar de ser católica romana e passar a ser igreja católica cristã, que serve a Cristo e fale a verdade para seus fiéis, ela precisa ensinar o salmo 115, na bíblia católica é o salmo 113, o papa, os bispos e os padres precisam se converter a Cristo Jesus como seu único Salvador pessoal sem nenhum intermediário e deixar de mentir para o povo como sempre fez na história. Se existe pastor charlatão, eles prestarão contas a Deus de sua más obras.

    1. Universidade de Teologia são uns 5 a 7 anos, pra ser exorcista mais 2 anos de estudo, vc quer comparar o estudo de um Padre com um Pastor bosta evangélico de merda que só sabe pedir dinheiro na igreja, (a maioria ex puta , ex viciado ex assassino,ex viado)decora a biblia e acha que sabe muito me poupe da sua burrice , quem disse que padre nao consegue expulsar demónio? vc tem a primeira característica de possuído, a arrogância o orgulho e tambem falta de estudo e informação

  2. O diabo foge do pastor porque tem medo que seja-lhe roubados seus cihfres e seu tridente, tendo em vista que o máu caráter já foi roubado e posto em uso pelo pastor faz tempo.

  3. Pode ate faltar padre. Mas pastor ta cheio. Tem uns que expulsam no grito e na porrada. Os demonios correm de medo. Aguentam peia nao.

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SEMANA SANTA: Igreja Católica inicia celebrações com o Domingo de Ramos (29); veja a programação completa no RN

Missa dos Santos Óleos na Catedral Metropolitana de Natal — Foto: Kleber Teixeira/Inter TV Cabugi

A Arquidiocese de Natal divulgou a programação da Semana Santa no Rio Grande do Norte.

As celebrações começam no domingo (29), com o Domingo de Ramos, que marca o início do período mais importante do calendário católico.

Na Catedral Metropolitana de Natal, haverá missas às 7h, 11h e 19h.

Entre segunda (30) e quarta-feira (1º), as paróquias realizam momentos penitenciais, como via-sacra, confissões e celebrações.

Programação na Catedral

  • Terça-feira (31), às 17h: Missa do Crisma, presidida pelo arcebispo Dom João Santos Cardoso;

  • Quinta-feira, às 19h: Missa da Santa Ceia;

  • Sexta-feira, às 15h: Celebração da Paixão do Senhor, seguida de procissão;

  • Sábado, às 19h: Vigília Pascal;

  • Domingo (5): Missa da Ressurreição às 7h, 11h e 19h.

Confira a programação completa:

NATAL

Programação das missas em Natal — Foto: Divulgação

Programação das missas em Natal — Foto: Divulgação

REGIÃO METROPOLITANA

Programação Região Metropolitana — Foto: Divulgação

Região Metropolitana de Natal — Foto: Divulgação

INTERIOR DO RN

Interior do RN — Foto: Divulgação

Interior do RN — Foto: Divulgação

OUTRAS IGREJAS

Outras igrejas, segundo a Arquidiocese — Foto: Divulgação

 

 

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VÍDEO: Relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, se pronuncia após Lindbergh Farias acusá-lo falsamente de ‘estuprador’

O deputado federal e relator da CPMI do INSS Alfredo Gaspar se manifestou após acusações feitas pelo parlamentares petista Lindbergh Farias, que o chamou de ‘estuprador’.

“Vocês vejam o que o PT é capaz de fazer, isso é uma coação no curso do processo… Essa é a safadeza da qual o PT tem coragem de fazer”, disse Gaspar.

Para rebater a falsa acusação, Gaspar apresentou um exame de DNA, mostrando que a jovem, de 21 anos, é filha de um primo dele com uma ex-empregada doméstica, em uma relação consensual, segundo Gaspar.

Gaspar também divulgou um vídeo da jovem apontada como suposta vítima. Na gravação, ela nega ter sido fruto de estupro e afirma não ter qualquer relação com o deputado.

VEJA TAMBÉM: VÍDEO: Jovem nega acusação, apresenta DNA e versão de Gaspar ganha força após denúncia da esquerda

Em nota, o deputado disse ter uma trajetória “limpa e honrada” e acusou adversários de tentarem desviar o foco das investigações da CPMI do INSS com ataques pessoais.

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HIPOCRISIA EXPOSTA: André Janones é expulso da OAB-MG por apropriação indébita e infrações éticas graves

Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

O deputado federal André Janones (Avante-MG) foi finalmente expulso da OAB-MG após acumular três infrações ético-disciplinares graves, incluindo a recusa em repassar a um cliente o valor integral de uma ação judicial que havia vencido, configurando clara apropriação indébita de recursos alheios, conduta que, por si só, já desqualifica qualquer profissional do Direito.

A decisão da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais expõe o que muitos já apontavam há tempos: o parlamentar, que se apresenta como paladino da moralidade e crítico ferrenho da corrupção alheia, carregava em sua trajetória profissional graves violações éticas que vão muito além de “erros administrativos” ou “desentendimentos”.

Enquanto Janones posava de justiceiro nas redes sociais e no Congresso, agia de forma incompatível com os princípios mínimos da advocacia, retendo indevidamente dinheiro que não lhe pertencia e acumulando sanções disciplinares até ser considerado indigno de continuar inscrito na OAB.

A expulsão é o reconhecimento formal de que alguém que se elegeu prometendo combater privilégios e abusos do poder público foi, ele próprio, reprovado pela entidade que regula a ética na advocacia.

No Brasil onde a impunidade costuma proteger os poderosos, a medida da OAB-MG serve como raro exemplo de equilíbrio, ainda que tardia, e reforça a necessidade de que o eleitorado e as instituições olhem com mais rigor para o passado profissional daqueles que se candidatam a representar a sociedade, especialmente quando o discurso moralista esconde condutas que ferem os mais elementares deveres de honestidade e probidade.

Diário 360

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Geral

Combustível caro vira arma eleitoral e acirra guerra entre Lula e governadores

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A alta no preço dos combustíveis entrou de vez no centro da disputa eleitoral e passou a pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema ganhou peso após pesquisas apontarem crescimento do senador Flávio Bolsonaro, com cenário de empate técnico em um eventual segundo turno.

Dentro do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o custo do diesel pode ter efeito direto no humor do eleitor, ao impactar frete, alimentos e inflação. O receio é de que a alta nos postos aumente o desgaste do governo em um momento decisivo da corrida presidencial.

Diante disso, o governo adotou medidas para tentar conter os preços, como zerar tributos federais e propor subsídios ao combustível. Ao mesmo tempo, passou a pressionar os estados para reduzir o ICMS, o que abriu um novo foco de conflito com governadores, que resistem à ideia de dividir o custo político e financeiro da medida.

A tensão aumentou com críticas públicas de aliados do governo. O ministro Guilherme Boulos acusou governadores de omissão por não reduzirem impostos, enquanto gestores estaduais, como Ronaldo Caiado, rebatem afirmando que a responsabilidade é da União.

Além do cenário interno, o contexto internacional também pesa. A escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel pressiona o mercado de energia e contribui para a volatilidade dos preços. Com isso, o combustível se consolida como um dos principais fatores capazes de influenciar diretamente o resultado das eleições.

Com informações da Gazeta do Povo

Opinião dos leitores

  1. A culpa é de quem prometeu abrasileirar os preços dos combustíveis e não cumpriu.
    É simples assim.

  2. Os Estados não podem ser responsáveis com a incompetência do governo federal. Simples assim.

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Ex-noiva de Vorcaro nega envolvimento no caso Master: “Não sabia de nada”

Foto: Reprodução / Redes sociais

A modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, se pronunciou pela primeira vez após a repercussão do caso envolvendo o Banco Master. Em carta divulgada nesta sexta-feira (27), ela afirmou que desconhecia qualquer irregularidade e disse ter sido surpreendida pelas informações divulgadas na imprensa.

No texto, Martha foi enfática ao negar qualquer conhecimento prévio sobre possíveis esquemas. Segundo ela, assim como a maioria dos brasileiros, tomou ciência do caso apenas após as reportagens, destacando que não havia sinais aparentes de problemas, já que o banco operava em um ambiente regulado e fiscalizado.

A modelo também relatou o impacto pessoal da repercussão, afirmando que vive um dos momentos mais difíceis de sua vida. Ela disse que a situação atingiu não apenas sua imagem, mas também sua família, incluindo a filha de seis anos, e classificou como injustas as críticas e ataques recebidos nas redes sociais.

Outro ponto abordado foi o vazamento de mensagens privadas entre ela e o ex-companheiro. Martha afirmou que teve sua intimidade violada e classificou o episódio como criminoso, ressaltando que o conteúdo divulgado não tem relação com as investigações em curso.

Por fim, negou ter sido beneficiada financeiramente por Vorcaro. Segundo ela, nunca participou de negócios do banqueiro nem recebeu bens ou vantagens, rechaçando as acusações e afirmando que todas as alegações nesse sentido são falsas.

Opinião dos leitores

  1. Nessas horas ninguém sabe de nada.
    Na hora do roubar fazer carnaval com o dinheiro do povo, sabem tudo.
    Gente vivendo feito princesa com dinheiro alheio.
    Bilhões foram roubados das pessoas.
    Dinheiro suado.

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Política

Liminar de Moraes que restringe Coaf é guinada em relação ao que ele mesmo decidiu há sete meses

Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Uma decisão recente do ministro Alexandre de Moraes reacendeu o debate jurídico ao impor novas restrições ao uso de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf). A medida é vista como uma mudança significativa em relação ao próprio posicionamento do magistrado adotado meses antes.

A informação é da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Em agosto de 2025, no mesmo processo, Moraes havia autorizado o compartilhamento desses relatórios sem necessidade de autorização judicial prévia, desde que houvesse procedimento formal e garantia de sigilo. Na ocasião, o entendimento seguia a linha já consolidada pelo Supremo Tribunal Federal desde 2019, permitindo o uso dos dados em investigações.

Agora, ao restringir a utilização dos RIFs e considerar ilícitas provas derivadas desses documentos em determinadas situações, a nova decisão levanta preocupações sobre possíveis impactos em investigações em andamento. Entre elas, apurações relacionadas ao chamado caso do Banco Master, que utilizam dados financeiros considerados relevantes por autoridades.

Relatórios do Coaf são elaborados quando há movimentações financeiras atípicas e costumam ser enviados a órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público. Esses documentos têm sido peças-chave em investigações de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e sonegação fiscal.

A mudança de entendimento pode abrir espaço para questionamentos jurídicos e até anulação de provas em processos sensíveis. Apesar disso, Moraes afirmou que a nova decisão busca “ampliar” a liminar anterior, sem reconhecer diretamente uma mudança de posição sobre o tema.

Opinião dos leitores

    1. Impecheament ja deste individuo,motivos mais do que suficiente existem.

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Geral

VÍDEO: “COISA RIDÍCULA”: Jornalista critica CPMI do INSS e diz que aposentados ficaram sem respostas

 

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Vídeo: Reprodução/Instagram @bandjornalismo

O jornalista da Band, Eduardo Oinegue, fez duras críticas à condução e ao desfecho da CPMI do INSS, afirmando que a comissão falhou em dar respostas aos milhões de brasileiros afetados por fraudes em benefícios previdenciários. Para ele, o resultado final deixa aposentados e pensionistas sem saber quem são os responsáveis pelos desvios.

Em seu comentário, Oinegue destacou a dimensão do problema, citando que cerca de seis milhões de beneficiários teriam sido atingidos por descontos indevidos, muitas vezes em valores pequenos, que passavam despercebidos mês a mês, mas que, somados, ultrapassariam bilhões de reais.

O jornalista também questionou a atuação das autoridades antes da investigação ganhar força, afirmando que o caso só avançou após denúncias da imprensa e a entrada da Polícia Federal. Segundo ele, a expectativa da população aumentou com a criação da CPMI, mas acabou frustrada.

Outro ponto criticado foi a divisão política dentro da comissão. Oinegue ressaltou que houve dois relatórios com listas distintas de indiciados — um mais direcionado a nomes ligados ao Partido dos Trabalhadores e outro a figuras associadas ao bolsonarismo — o que, na visão dele, aumentou a confusão sobre quem de fato teria cometido os crimes.

Por fim, o jornalista afirmou que a falta de consenso transforma a investigação em disputa política, deixando os aposentados sem respostas concretas. Para ele, a responsabilidade agora recai sobre a Polícia Federal, que deve seguir com as apurações para identificar os envolvidos no esquema.

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VÍDEO: Deputada chama Soraya de ‘sirigaita’ e clima esquenta na CPMI do INSS

 

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Vídeo: Reprodução/Instagram @jovempannews

A sessão da CPMI do INSS desta sexta-feira (27) foi marcada por troca de acusações e tensão entre parlamentares. A deputada Bia Kicis saiu em defesa do relator Alfredo Gaspar e atacou duramente a senadora Soraya Thronicke, a quem chamou de “sirigaita” durante a sessão.

A reação ocorreu após a apresentação de uma notícia-crime na Polícia Federal por Soraya e pelo deputado Lindbergh Farias, que acusam Gaspar de estupro de vulnerável e fraude processual em um suposto caso antigo. Kicis classificou a denúncia como “nojenta” e “abjeta”, afirmando que se trata de uma tentativa de desviar o foco das investigações.

Em tom de forte indignação, a deputada acusou adversários políticos de promoverem uma “jogada suja” para atingir o relator da comissão. Segundo ela, as acusações têm o objetivo de manchar a reputação de Gaspar e enfraquecer o trabalho desenvolvido na CPMI.

O relator nega as acusações e afirma que se trata de uma “cortina de fumaça”. Ele chegou a apresentar um vídeo em que a jovem apontada como suposta vítima nega o crime, reforçando sua versão dos fatos.

O episódio intensifica o clima de confronto político dentro da CPMI do INSS, que já vinha marcada por embates entre governo e oposição e terminou sem consenso após a rejeição do relatório final.

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VÍDEO: “BLINDAGEM DO GOVERNO”: Rogério Marinho critica atuação na CPMI do INSS após derrota de relatório

 

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Vídeo: Reprodução/Instagram

O senador Rogério Marinho fez duras críticas ao governo após o encerramento da CPMI do INSS, mesmo com a rejeição do relatório final. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o resultado expôs uma suposta tentativa de “blindagem” para impedir o avanço das investigações.

Marinho destacou que, apesar da derrota por 19 votos a 12, a comissão teria cumprido um papel importante ao revelar irregularidades. Segundo ele, houve obstáculos ao longo do processo, como a não convocação de dezenas de pessoas e a negativa de quebras de sigilo que, na visão da oposição, poderiam aprofundar as apurações.

O senador também direcionou críticas ao Partido dos Trabalhadores, afirmando que a legenda teria utilizado o INSS para práticas irregulares ao longo dos anos. Ele citou prisões e investigações como evidências de que houve desvios envolvendo recursos destinados a aposentados.

Ainda de acordo com Marinho, o fim dos descontos associativos e as detenções realizadas seriam resultados concretos da atuação da CPMI. O parlamentar defendeu que, mesmo sem a aprovação do relatório, a comissão conseguiu levar informações relevantes à sociedade.

Por fim, o senador afirmou que o episódio deve ter reflexos políticos, sugerindo que a população irá avaliar o comportamento de governo e oposição nas urnas. A CPMI do INSS foi encerrada após decisão do Supremo Tribunal Federal que impediu a prorrogação dos trabalhos.

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VÍDEO: Jovem nega acusação, apresenta DNA e versão de Gaspar ganha força após denúncia da esquerda

 

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Vídeo: Reprodução/Instagram

O deputado Alfredo Gaspar se manifestou após as acusações feitas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, e apresentou um vídeo de uma jovem apontada como suposta vítima. Na gravação, ela nega ter sido fruto de estupro e afirma não ter qualquer relação com o parlamentar.

Segundo Gaspar, a jovem, de 21 anos, seria filha de um primo dele com uma ex-empregada doméstica, em uma relação consensual. O deputado afirmou que houve confusão na identificação do caso e que a história apresentada pelos denunciantes não corresponde à realidade.

No vídeo divulgado, a jovem declara que não conhece o deputado e diz que seu pai — primo de Gaspar — cumpre regularmente com o pagamento de pensão. A versão apresentada reforça a defesa do parlamentar, que classifica as acusações como falsas e sem fundamento.

Em nota, Gaspar afirmou ter uma trajetória “limpa e honrada” e acusou os adversários de tentarem desviar o foco das investigações da CPMI do INSS com ataques pessoais. O deputado também informou que adotará medidas judiciais contra os autores das denúncias.

O caso segue repercutindo no meio político e deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas, com possíveis investigações e ações no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Opinião dos leitores

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