Bactérias Escherichia coli coloridas no microscópio eletrônico: uma das responsáveis pela síndrome — Foto: Cavallini James/BSIP/picture alliance via DW
Embriagado sem álcool – por muito tempo isso soou como piada, mas é um distúrbio real e grave. A síndrome da autofermentação, também chamada de “síndrome da autocervejaria”, faz com que o próprio intestino produza etanol.
A condição é considerada rara, mas médicos acreditam que muitos casos não são diagnosticados e acabam sendo confundidos com alcoolismo ou outras doenças. Avanços no estudo do microbioma estão ajudando a entender melhor o problema.
Quando o intestino vira uma ‘cervejaria’
Na síndrome da autofermentação, a pessoa apresenta sinais de embriaguez sem ter ingerido álcool. Estudos mais recentes mostram que o problema não é causado apenas por leveduras, mas principalmente por certas bactérias intestinais.
Uma pesquisa publicada na revista Nature Microbiology analisou amostras de fezes de 22 pacientes, seus familiares e um grupo de controle. Os resultados indicaram que os pacientes produziam muito mais álcool no intestino.
Transplante de fezes como fonte de esperança
Ainda não há um tratamento padrão, mas um paciente do estudo apresentou melhora após dois transplantes de microbiota fecal.
O procedimento transfere bactérias saudáveis para o intestino do paciente, ajudando a reequilibrar o microbioma. Novos testes com mais pacientes devem avaliar a eficácia da técnica.
Especialistas afirmam que os resultados são promissores, mas alertam que ainda são necessários estudos maiores e de longo prazo.
Bactérias produtoras de álcool
Bactérias como Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae fermentam carboidratos e geram etanol em excesso. Segundo os pesquisadores, o nível de álcool no sangue pode chegar a ponto de impedir que a pessoa dirija.
A síndrome mostra como o microbioma pode influenciar diretamente a saúde, o comportamento e até situações legais, como testes de bafômetro.
Diagnóstico incorreto e novas abordagens
Muitos pacientes são acusados de beber escondido, o que gera impactos na vida pessoal e profissional. O diagnóstico atual é complexo e exige dieta rica em carboidratos com monitoramento do álcool no sangue.
Os cientistas defendem que, no futuro, o exame de fezes poderá facilitar a identificação da doença.
Com informações de DW
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