Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo
A agência de viagens 123milhas afirmou que a decisão de suspender a emissão de passagens na linha promocional foi motivada por “fatores econômicos e de mercado” e citou a alta demanda por voos e a taxa de juros elevada.
Em nota divulgada neste domingo (20), empresa reafirmou apenas a opção de devolução de valores por meio de vouchers. O secretário Nacional do Consumidor, Wadih Damous, disse ao UOL que o governo vai notificar a 123milhas e que a companhia precisa dar a opção de devolução em dinheiro. A empresa anunciou na sexta-feira (18) a suspensão da emissão de passagens com embarque previsto de setembro a dezembro de 2023 da linha promocional. As vendas desse produto já haviam sido interrompidas na quarta-feira (16).
A 123milhas classificou a decisão de suspender voos promocionais como “responsável” para “preservar os valores pagos pelos clientes”. Em nota, disse que “a decisão deve-se à persistência de fatores econômicos e de mercado adversos, entre eles, a alta pressão da demanda por voos, que mantém elevadas as tarifas mesmo em baixa temporada, e a taxa de juros elevada”.
Empresa diz que a linha PROMO representa 7% dos embarques de 2023 da companhia. Segundo a empresa, os valores pagos pelos clientes da linha suspensa “serão integralmente devolvidos em vouchers, com correção monetária de 150% do CDI”. Os vouchers podem ser usados por qualquer pessoa para compra de passagens, hotéis, pacotes e outros produtos da 123milhas.
Questionada pelo UOL sobre as investigações abertas pela Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), a empresa não comentou. O Ministério da Justiça disse em nota que a cláusula contratual que permite o cancelamento unilateral de um serviço, como o realizado pela 123milhas, “é considerada abusiva e, consequentemente, nula”.
“A decisão deve-se à persistência de fatores econômicos e de mercado adversos, entre eles, a alta pressão da demanda por voos, que mantém elevadas as tarifas mesmo em baixa temporada, e a taxa de juros elevada. A 123 milhas ressalta que a linha PROMO representa 7% dos embarques de 2023 da companhia”, 123milhas, em nota.
UOL, por Gabriela Vinhal
Essa empresa “compra” milha de pessoas para emitir passagens para outras. Em 2020, na pandemia, eles quase deram calote nas pessoas que venderam suas milhas porque decidiram que não iam pagar como tinham acordado e pagaram em várias parcelas. Como estava no auge da pandemia, essa decisão unilateral desceu goela abaixo.
Hoje, querem fazer igual com quem comprou. Acontece que agora, não há desculpa aparente para deixar isso acontecer.
Estão acabando com a fidelização por milhas com esse comércio. Agora é a hora de regulamentar esse mercado.