Economia

Agenda liberal do governo cai em descrédito após intervenção na Petrobras

Os principais indicadores financeiros do Brasil tiveram forte deterioração nesta segunda-feira (22), após Jair Bolsonaro (sem partido) interferir no comando da Petrobras e sinalizar outras intervenções. Foram afetados Bolsa, câmbio, risco-país, juros futuros, e houve revisão generalizada nas avaliações de bancos, casas de investimento e agências de classificação de risco em relação à Petrobras e outras estatais.

A forte reação do mercado financeiro foi interpretada como uma quebra da confiança do governo com a Faria Lima —avenida na zona oeste de São Paulo, caracterizada por abrigar grandes casas financeiras e bancos de investimentos. Desde a campanha eleitoral, analistas e economistas do mercado financeiro mantiveram a convicção que a gestão de Jair Bolsonaro, endossada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, preservaria uma agenda mais liberal, se contrapondo aos governos petistas que o antecederam.

Os analistas agora recomendam cautela não apenas com a Petrobras, mas com outras estatais e até com o Brasil, após Bolsonaro indicar o general Joaquim Silva e Luna para a presidência da petroleira, em clara oposição à política de reajustes de preços mantida pelo atual presidente Roberto Castello Branco —e que é endossada pelo mercado. “A credibilidade da agenda liberal do presidente da República vai ser seriamente questionada pelos agentes do mercado e econômicos, tendo efeitos nos preços não somente da Petrobras, mas também nas diversas empresas estatais de capital aberto, assim como em outros ativos do país, como o real”, afirmou o presidente da corretora BGC Liquidez, Erminio Lucci.

A repercussão negativa levou à venda das ações da Petrobras, fazendo o preço do papel mergulhar e contaminar negativamente ações de empresas brasileiras de modo geral, mas especialmente as de estatais. Ao final do pregão desta segunda, as ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras fecharam em queda de 21,5%, indo a R$ 21,45. As ordinárias (com direito a voto) despencaram 20,47%, fechando em R$ 21,55.

Segundo o chefe da mesa de futuros da Genial Investimentos, Roberto Motta, essa foi a oitava vez em 26 anos que as ações da Petrobras caíram mais de 20%.

Para se ter uma ideia da agitação que tomou conta do mercado, o volume de negociações das ações da Petrobras no dia ficou em R$ 10,8 bilhões, um recorde. “O volume médio diário, normalmente, é próximo de R$ 1,8 bilhão”, diz Motta.

Na Bolsa de Nova York, as ADRs (certificados de ações negociados nos Estados Unidos) da Petrobras recuaram 21%, a US$ 7,94 cada. O Ibovespa, principal índice acionário do país, caiu 4,86%, a 112.667,70 pontos, menor patamar desde 3 de dezembro. O Itaú suspendeu temporariamente a classificação e valor justo atribuídos à Petrobras, enquanto revisam a cobertura da companhia. “Revisaremos nossas previsões assim que houver mais clareza. Entretanto, sugerimos reduzir a exposição ao nome [Petrobras], pois esperamos uma reação negativa do mercado”, diz relatório do banco publicado no domingo (21).

“O impacto não é só na Petrobras, é um sinal de cautela para as outras estatais. O investidor vê a Bolsa com mais receio”, diz Arthur Spirandelli, especialista em estratégia e alocação da Acqua Investimentos.

Dentre as empresas estatais, também estiveram na mira das negociações nesta segunda Banco do Brasil, que caiu 11,64%, a R$ 28,8 e a Sabesp, do governo paulista, que recuou 4,25%, fechando em R$ 37,58.

As discussões, agora, são sobre quanto da interferência do governo deve respingar nas demais companhias de controle da União e qual será o posicionamento do ministro Guedes diante das decisões do Executivo. Para o analista da Valor Investimentos Pedro Lang, há inclusive uma preocupação em relação às agendas de privatização e desinvestimentos do governo. “O apoio da Faria Lima ao governo está por um fio. Ninguém acredita mais no governo. Existe uma leve esperança que alguma reforma passe [no Congresso], mas privatização, nem pensar. O problema é que Bolsonaro caiu em descrédito, e Guedes não consegue emplacar nada, não por falta de vontade, mas por falta de apoio”, disse.

No sábado (20), um dia após ter anunciado a troca da presidência da Petrobras, Bolsonaro sinalizou que que pode fazer novas intervenções. Afirmou que vai “meter o dedo na ener-gia elétrica” e prometeu mais mudanças nesta semana. “Semana que vem deve ter mais mudança aí… E mudança comigo não é de bagrinho não, é tubarão”, havia afirmado o presidente.

A Eletrobras operou em forte queda, mas reduziu o movimento ao longo do pregão. As ações preferenciais da estatal recuaram 0,17%, a R$ 19,24 cada, e as ordinárias, 0,68%, a R$ 28,91. “A expectativa é de ingerência em outras estatais. A expectativa do mercado é que André Brandão [presidente do Banco do Brasil] seja demitido”, diz André Machado, sócio-fundador da escola de traders Projeto os 10%.

Em janeiro, o presidente da República já teria ameaçado Brandão de demissão depois de ter se irritado com o plano de enxugamento das estruturas do banco anunciado dias antes. Depois, em 12 de fevereiro, Brandão afirmou que tais desavenças foram um “problema de comunicação” e que, apesar de ainda não ter conversado diretamente com Bolsonaro, acreditava o presidente tinha entendido.

As ações do Banco do Brasil caíram 11,64%, a R$ 28,83 cada. Outras estatais também foram penalizadas. As ações preferenciais da Telebras, também estatal, caíram 3,14%, a R$ 27,13. As ordinárias recuaram 4%, a R$ 72. A Sabesp, do governo paulista, recuou 4,25%, a R$ 37,58.

Em um sinal de aversão a risco do mercado e de alta da Selic no curto prazo, os juros futuros subiram. Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para o custo de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro.

O juro para outubro de 2023 foi de 6% na sexta (19) para 6,17% nesta segunda. A taxa para de julho de 2025 foi de 6,91% para 7,10%. Segundo analistas, a intervenção de Bolsonaro fortalece a perspectiva de alta da Selic em março — atualmente a taxa está na mínima recorde de 2%.

De acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda, a expectativa para a taxa básica de juros subiu para 4% ao final de 2021, de 3,75% na semana anterior. Para 2022, a projeção para o juros foi mantida em 5%. Outro ponto de tensão é a volta do auxílio emergencial. Investidores temem que o benefício seja aprovado sem contrapartidas fiscais, ameaçando o teto fiscal do governo em 2021.

Casas e bancos de investimentos revisaram suas perspectivas e preços-alvo para as ações da petroleira. Nesta segunda, além de cortarem a recomendação do Brasil para neutra no portfólio de ações na América Latina, analistas do Bank of America também reduziram a exposição a companhias de controle estatal, excluindo Petrobras e Eletrobras de suas carteiras, enquanto incluiu Klabin, Cosan e Natura. “Nós gostamos do setor financeiro, comércio eletrônico, empresas de pagamentos e proteínas”, destacava o texto.​

Os analistas do Credit Suisse também afirmaram enxergar maior risco para as ações da Petrobras, rebaixando as expectativas para os papéis de um desempenho inferior ao mercado. O banco também diminuiu o preço-alvo das ADRs (recibos de ações negociados nos EUA) da Petrobras, de US$ 16 (R$ 88,07) para US$ 8 (R$ 44,03).

Em relatório, os profissionais de mercado do Goldman Sachs disseram que a decisão adiciona incerteza sobre o plano de desinvestimento da companhia. “Dado o histórico de intervenções governamentais na política de preços da Petrobras, especialmente entre 2011 e 2015, nós acreditamos que o mercado não estará disposto a dar o benefício da dúvida para a companhia no médio prazo até que as possíveis mudanças sejam melhor entendidas”, afirmaram.

Analistas do Bank of America cortaram a recomendação para Brasil para “marketweight”, semelhante a neutro, em portfólio de ações na América Latina, bem como reduziram ex-posição a companhias de controle estatal, citando maior incerteza. Em contrapartida, os analistas elevaram o Chile para “marketweight”. México é agora a única região com “overweight” no portfólio, que pode ser traduzido como expectativa positiva.

As agências de classificação de risco, por sua vez, afirmaram que o rating (nota de risco) da Petrobras não muda por estar atrelado ao rating do país, mas não descartam avaliar a possibilidade de uma revisão caso o cenário mude drasticamente. “O cenário no qual nos baseamos assume que a empresa continua com sua paridade de importação e com a política de preços estabelecida em 2016. Mas mesmo se houver uma mudança na direção da empresa e na estratégia de preços, nossas classificações continuariam a refletir as do rating soberano, devido ao seu controle acionário”, escreveram Luisa Vilhena e Felipe Speranzini, analistas da S&P.

Em nota, divulgada na sexta-feira, a Fitch Ratings afirmou que uma potencial volta das intervenções políticas na estratégia da Petrobras afetaria negativamente sua geração de caixa. “Esse ponto é particularmente importante em período de desvalorização do real frente ao dólar, que pode elevar os preços da gasolina e do diesel no país, aumentando o risco de interferência [do governo]”, disse.

(Com Reuters)

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. É cada excremento que essa Imprensa produz… como se uma Estatal MONOPOLISTA estivesse sujeita às leis de mercado… kkkkkkkk Tem cada jornalista.

  2. A imprensa está dando o maior destaque a uma decisão do governo, afinal é o sócio majoritário e em março já estava prevista a reunião para troca da diretoria da Petrobrás.
    A pergunta que fica no ar é quem está por trás desta cobertura "jornalística" que está derrubando o preço das ações. Quem está vendido no mercado????
    No mercado de ações sempre que alguém perde outro ganha, e quem está ganhando com tudo isto????

    1. Amigo, não foi a cobertura jornalística que derrubou o valor da Petrobras. Foi a decisão do presidente de trocar o seu comando. Não misture as coisas. Quanto a quem está ganhando com isso, saberemos em breve se foi SÓ burrice do Bozo ou se algum companheiro de milicia se beneficiou.

  3. Quer dizer que ninguem pode intervir mesmo que esteja errado
    Variosdiretores ganhando 30/40 mil.por. mes e nao sabem.nem onde é a sala dele
    Diretor nao aparece na petrobras a 11 mesese recebe 50 mil fora mordomias
    Tem mais de 1000 funcionarios para trabalhar contra o governo em uma empresa estatal
    Fez uma.politica de preço só para desacreditaro governo e porai vai

  4. O brasileiro acha lindo ouvir que a Petrobras e Banco do Brasil tiveram lucros recordes, porém esquece que este lucro é as nossas custas, sai dos nossos bolsos proveniente de preços e tarifas abusivas. Se o governo brasileiro é o acionista marjoritario dessas empresas, elas pertencem ao povo brasileiro, então não deveriam ter compromisso com lucros exorbitantes e sim com serviços e preços justos, preservando os interesses dos seus maiores acionistas, o povo brasileiro.
    Outra coisa, como Bolsonaro interferiu na Petrobras se é prerrogativa dele nomear o Presidente da empresa, e está fazendo isso respeitando o término do mandato do atual Presidente? Tudo politicagem safada da oposição, que não tem o quê fazer e fica criando factoide.

  5. Eu não estou entendendo mais nada. Vejo petista reclamando que Bolsonaro está intervindo nas estatais e que está deixando de lado a proposta liberal. E vejo o gado, que tinha o liberal Paulo Guedes como a salvação da economia a ser promovida pelo minto, defendendo a interferencia estatal e até pedindo mais!

  6. Bolsonaro fez muito bem em tirar o Castello Branco, em 2 meses um aumento de 34% nos combustíveis, trás sérios riscos de alta na inflação, e o pior, greve dos caminhoneiros , que em um momento de crise que passamos iria causar um desabastecimento geral, de produtos e serviços jogando a economia para o buraco.
    Em 2018 a paralização por 11 dias dos caminhoneiros gerou umas perda para o país direta e indiretamente de 74 bilhões , 1,4%do PIB.
    Não podemos passar por isso novamente.
    As ações irão se recuperar em breve.
    Mas uma greve de caminhoneiros não se recuperará tão rápido, principalmente com as midiaslixo que temos.

  7. Em qualquer País democrático do mundo, a imprensa tem um papel primordial. Quem não sabe conviver com liberdade de expressão deveria ir viver em Cuba, na Coréia do Norte, Venezuela, et caterva, rsrsrsrsrs….

  8. O que essa imprensa militante chama de "intervenção na Petrobrás" é simplesmente o direito do presidente (seja qual for) trocar o comando da estatal, procurando aperfeiçoar a administração da empresa, conforme seu pensamento. E daí? O presidente já anunciou que não vai interferir na política de preços da estatal e o novo nomeado possui excelentes credenciais, respaldadas no excelente trabalho que executou no comando da Itaipu Binacional. Tudo caminha para melhor e conforme deve ser. E quem quiser mandar na administração do país concorra à presidência e GANHE. Em 2022, vai dar Bolsonaro DE NOVO. Conformem-se, aceitem o resultado democrático e vão arrumar o que fazer, ocupar-se com suas vidas.

  9. Precisamos dá um “cancela” grande nessa imprensa (grande maioria). Ela quem tá distorcendo as coisas.

    1. Vá pra Coreia do Norte. Lá o ditador manda e a imprensa só obedece. É o paraíso pra você.

  10. O governo está perdido. A agenda liberal de Guedes acabou . O presidente vai buscar a reeleição a qualquer preço. As candinhas felpudas buscam um culpado , e muram não imprensa . O choro é livre, mas a realidade é concreta. Acabou! Guedes cai em 2 meses. PIXU é lúcido e observa o ce seio de camarote .

  11. Não adianta ser liberal e ter um povo empobrecido. O Presidente foi ousado em mexer no vespeiro de especuladores. Na minga opinião, em vez de "meter o Pau", a imprensa deveria ajudar. Noticiar o fato, sim. Mas escraxar já é demais.

    1. O presidente ideal para os especuladores. Comprando ações agora a preço de banana para obter lucros bilionários.

  12. Agenda liberal no meio de corruptos não pode existir, fez a intervenção de forma correta. Pagamos 29% de imposto nos combustíveis para os estados, e eles não fazem nada para ajudar.

  13. É o preço que se paga, se eleger com mentira.
    Irresponsável, deu um prejuízo de mais de R$ 100 bi as estatais do país.
    Se eu fosse o Posto Ipiranga, caia fora dessa barca furada.

  14. Vejam como a Folha trata a principal autoridade política do nosso país, eleito por 57 milhões de pessoas, nem presidente o chamam!! Lastimável, corja sebosa!

  15. Essa imprensa é o maior cancer do País, reclamam do preço do combustível, aí quando o governo interfere para resolver, caem de pau em cima.

    1. Não interferiu!!!
      Trocar presidente de estatais é prerrogativa do presidente.
      Deveria ser ato normal.
      Ele o PR pode fazer isso tranquilamente.
      Agora essa imprensa, é mais do que podre.
      Deita e rola, fake news todos os dias e o cabeça de piroca não faz nada.
      De todo modo, a que se tirar o lado positivo dessa história.
      O povo vai se conscientizando, e de uma vez só, tem a chance de derrota los todos em 2022.

  16. Que agenda? Este governo só faz falar, por em prática nada! Ainda coloca a culpa no Congresso mesmo havendo várias estatais pra privatizar por simples decreto!

  17. Essa imprensa vermelha são os verdadeiros negativistas. torcem para o quanto pior melhor. Ações são negócios de risco, quem não quiser arriscar, guarda o dinheiro na poupança ou embaixo do colchão.

    1. Ou então investe em outro país com regras mais sérias. Essa fuga de capitais já ocorreu na Venezuela. E é também o que vai acontecer no país daqui pra frente, mas o gado ? Não entende ou finge não entender.

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DATAFOLHA: 37% avaliam Congresso como ruim ou péssimo

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A atuação do Congresso Nacional é considerada ruim ou péssima por 37% dos eleitores, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26). Outros 40% classificam o trabalho de deputados e senadores como regular, enquanto 18% avaliam como ótimo ou bom e 6% não souberam responder.

Entre os eleitores de Lula (PT), 22% fazem uma avaliação positiva do Congresso. Entre os que declararam voto em Flávio Bolsonaro (PL), o índice positivo é de 15%.

A avaliação negativa é maior entre homens, com 43%, e entre eleitores com renda familiar acima de cinco salários mínimos, chegando a 51%. Entre quem recebe até dois salários mínimos, o índice é de 30%.

Por região, 41% dos eleitores do Sudeste avaliam o Congresso como ruim ou péssimo, ante 36% no Sul, 32% no Nordeste e 38% no Centro-Oeste e Norte.

O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores em 125 municípios brasileiros de 22 a 23 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00304/2026. O estudo custou R$ 307.641,60 e foi pago pela Folha e pela TV Globo.

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Empresários saem frustrados de reunião com Lula: “sem anúncio concreto, sem firmeza com ajuste fiscal”

Lula, entre Miriam Belchior e Alckmin, em jantar com empresários | Foto: Reprodução Youtube

O jantar de Luiz Inácio Lula da Silva com mais de 700 empresários, banqueiros e executivos, na sexta-feira (25), em São Paulo, terminou com críticas à falta de anúncios concretos e à pouca profundidade dada ao ajuste fiscal.

Relatos de participantes ouvidos pelo Estadão citam que havia expectativa de anúncio de medidas para conter despesas ou de mudanças na equipe econômica, mas nada foi anunciado. Para alguns empresários, o encontro teve tom predominantemente eleitoral e se concentrou em realizações do governo.

Dois participantes chegaram a classificar o evento como “quase desrespeitoso”, alegando que os discursos não apresentaram respostas para o aumento dos gastos públicos, dos juros e do endividamento.

Basilio Jafet, vice-presidente do Secovi-SP, afirmou que o encontro serviu como uma prestação de contas ao empresariado, mas criticou a abordagem do tema fiscal.

“O evento foi bom, no sentido de entender o que o governo está pensando, mas sentimos que o tema do ajuste fiscal não tenha sido levado com a profundidade que merece”, disse.

A falta de propostas para o futuro também foi apontada por participantes. Pelos relatos feitos ao Estadão, os discursos deram mais espaço às realizações passadas do governo do que a medidas para os próximos anos.

O economista Christopher Garman, da Eurasia Group, avaliou que houve acenos ao controle de gastos, mas destacou a falta de confiança do mercado. “O problema é que há uma falta de credibilidade grande nesse aspecto”, afirmou.

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Lobista Roberta Luchsinger recebeu R$ 570 mil ao negociar empréstimo da prefeitura de Goiânia com Tesouro Nacional

Quesede Ayres envia comprovantes de pagamento a Roberta Luchsinger feitos por Eduardo "DP", da ConstruserviceQuesede paga Roberta com dinheiro da Construservice | Foto: MetrópolesMensagem com comprovante bancário enviada por Quesede Ayres a Roberta Luchsinger em 04 de setembro de 2024Quesede informa Roberta de pagamento em 4 de setembro de 2024 | Foto: Metrópoles

Mensagens e comprovantes bancários obtidos pelo Metrópoles mostram que a lobista Roberta Luchsinger recebeu pelo menos R$ 570 mil em pagamentos realizados entre agosto e setembro de 2024, período em que atuava nas tratativas para um empréstimo de R$ 710 milhões da Prefeitura de Goiânia com o Banco do Brasil. As contas para onde o dinheiro foi pararam foram indicadas por Roberta, mostram mensagens de celular obtidas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.

Parte dos valores foi paga por empresas ligadas ao empresário Eduardo “DP” Barros, que mantinha contratos com a prefeitura. Os pagamentos foram feitos a contas indicadas pela própria Roberta.

As mensagens mostram que, antes da autorização do empréstimo, Roberta mantinha contato com o então secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, e chegou a intermediar uma tentativa de reunião dele com o então prefeito Rogério Cruz. O Tesouro e a Fazenda afirmam que a operação seguiu critérios técnicos e o trâmite normal.

Roberta Luchsinger e o então secretário do Tesouro Nacional acertam reunião com o prefeito de Goiânia Rogério CruzRoberta e Ceron acertam reunião com Rogério Cruz | Foto: Metrópoles

Roberta agradece a Ceron por despacho do empréstimoRoberta agradece a Ceron: “Você é o máximo” | Foto: Metrópoles

Roberta Luchsinger fala com Quesede Ayres em 21 de agosto de 2024Roberta pede que pagamentos a agência de turismo sejam identificados | Foto: Metrópoles

Roberta Lucshinger diz que despacho de empréstimo pode ser avisado ao prefeito Rogério CruzRoberta diz para avisar a Cruz que aval de empréstimo sai segunda | Foto: Metrópoles

Roberta Luchsinger diz que prefeito tem que "desenrolar", e Quesede Ayres paga R$ 50 milRoberta diz que prefeito tem que “desenrolar”; Quesede paga R$ 50 mil | Foto: Metrópoles

Em 30 de agosto de 2024, Roberta antecipou a Quesede Ayres, então secretário-executivo da Saúde de Goiânia, que o aval seria publicado. Naquele mesmo dia, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, autorizou a operação, posteriormente publicada no Diário Oficial.

Entre 21 de agosto e 4 de setembro, comprovantes mostram quatro pagamentos que totalizaram R$ 570 mil. As mensagens também indicam outros repasses, inclusive em dinheiro vivo, mas não foi possível determinar a origem ou a finalidade de todos os valores.

Haddad afirmou, por meio de sua assessoria, que o empréstimo seguiu o trâmite normal e cumpriu os requisitos técnicos. A Fazenda também declarou que a operação respeitou as regras fiscais. Roberta, Quesede Ayres, Eduardo “DP” Barros e outros citados na reportagem não apresentaram esclarecimentos ao Metrópoles.

Com informações da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles

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[VÍDEO] Lula ataca Flamengo e Corinthians, e Janja tenta fazer ele parar

Durante um comício realizado neste sábado (26), em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a citar a proibição das bets e criticou clubes de futebol que são patrocinados por empresas do setor. Enquanto falava, a primeira-dama Janja apareceu atrás do presidente e fez sinal de “não” com o dedo, tentando chamar sua atenção, mas foi ignorada pelo presidente que seguiu falando sobre o tema.

“Hoje os times de futebol, liderado pelo Flamengo e pelo Corinthians e por todos times, disseram que se eu acabar com as bets, eu vou acabar com o futebol. Haddad, presta atenção. Que time você torce? Haddad é são paulino. É importante lembrar que o São Paulo foi campeão do mundo três vezes e não tinha bets”, disse.

Opinião dos leitores

  1. Omi, Lula tá fazendo de tudo pra ganhar a eleição, só um cego não vê, são atitudes eleitoreira, enquanto isso o país desce de Ladeira abaixo, estamos quase uma Venezuela, já estão nos chamando de Brazuela, muito triste, só se vê piora.

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Álvaro Dias reúne multidões com a Caravana 22 em Macaíba, Parnamirim, Monte Alegre e São José de Mipibu

A Caravana 22 percorreu sete municípios neste sábado (26), em uma intensa agenda de mobilizações pela Grande Natal. Ao longo do dia, Álvaro Dias (PL) passou por Ceará-Mirim, Extremoz, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Parnamirim, Monte Alegre e São José de Mipibu, em carreatas, passeatas e atos que reuniram multidões ao longo do percurso.

Em Macaíba, Álvaro foi recebido pelo candidato a deputado estadual Gabriel Ribeiro, pela ex-prefeita Odiléia, pelas vereadoras Clarissa Matias e Luciana de Netinho, pelo vereador Igor Targino, pelo ex-vice-prefeito Netinho França e pelo ex-prefeito Luizinho. A passagem da Caravana 22 reuniu apoiadores e percorreu as ruas do município.

Em Parnamirim, Álvaro foi recebido pela vice-prefeita Kátia Pires, pelo ex-prefeito Taveira, pelo deputado estadual e candidato à reeleição Taveira Júnior e pelo vereador Michael Diniz. A mobilização contou ainda com a presença do candidato ao Senado Coronel Hélio; do deputado federal e candidato à reeleição General Girão; dos candidatos a deputado estadual Coronel Azevedo, Anne Lagartixa, Gabriela Fagundes, Daniele Prado, Pastora Jois e Gabriel César; do ex-deputado estadual Marciano Júnior; além do comunicador Salatiel de Souza.

Em Monte Alegre, Álvaro participou, ao lado da candidata a deputada federal Nina Souza, de uma grande passeata pelas ruas do município, reunindo uma multidão ao longo do percurso. O ato contou ainda com a presença de lideranças políticas e apoiadores.

Na sequência, a Caravana 22 seguiu para São José de Mipibu, onde a programação do sábado terminou com um grande comício em praça pública. Álvaro foi recebido pelo ex-vice-governador Fábio Dantas, pela deputada estadual Cristiane Dantas, pelo prefeito Zé Figueiredo, pelo vice-prefeito Bruno Dantas e pelo ex-prefeito Arlindo Dantas, além de vereadores e lideranças locais. O comício também contou com a presença do senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos) e da candidata a deputada federal Nina Souza, reunindo uma multidão no encerramento da agenda.

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Oito pesquisas em cinco dias: Zenaide dispara, aparece reeleita em todas e abre até 18 pontos sobre a terceira

Foto: Divulgação

Oito pesquisas divulgadas entre terça-feira (22) e sábado (26) colocaram a senadora Zenaide (PSD) entre os dois nomes eleitos para o Senado. A reeleição é apontada com sobra já que a vantagem sobre a terceira posição chega a praticamente 18 pontos.

No levantamento do Instituto Pitágoras, Zenaide aparece com 45,6%, contra 27,7% de Samanda, uma diferença de 17,9 pontos. Na pesquisa Exatus, são 31,95%, contra 16,20% de Samanda, vantagem de 15,75 pontos.

A Media mostra Zenaide com 27,5%, contra 14,9% de Coronel Hélio, o terceiro colocado do levantamento, diferença de 12,6 pontos. Na Seta, ela registra 20,2%, contra 10,5% de Samanda, abrindo 9,7 pontos.

Também aparecem com Zenaide reeleita a Data Capital, a Metadata, a Quaest e a Item. Na Metadata, ela chegou a 15,62% e ampliou a vantagem sobre a terceira colocada para 4,82 pontos. Na Quaest, cresceu de 10% para 12%.

Os oito levantamentos foram realizados por diferentes institutos e têm metodologias e períodos de coleta distintos. Considerados em conjunto, os resultados mostram Zenaide repetidamente reeleita e bem à frente da terceira posição, que se altera nos oito levantamentos.

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FAKE NEWS: Funcionário do Planalto repostou ao menos 10 mensagens com informação falsa sobre Flávio Bolsonaro

Foto: Reprodução/X

George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom da Presidência da República, repostou ao menos 10 mensagens que atribuíam falsamente a Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. As publicações foram feitas na sexta-feira (25), segundo levantamento do Poder360.

A campanha de Flávio protocolou uma notícia-crime no Ministério Público Eleitoral, em Brasília, pedindo a prisão preventiva do funcionário do Planalto. Segundo documento apresentado pela defesa, foram identificadas 2.086 publicações relacionadas ao boato, envolvendo 1.674 contas e mais de 21 milhões de visualizações em diferentes redes sociais.

A informação falsa resgatava um projeto de lei de 2007, de autoria do então deputado Professor Victório Galli, que pretendia restringir aos católicos apostólicos romanos a referência a Nossa Senhora Aparecida como padroeira. A proposta foi rejeitada e arquivada em 2008, antes de Flávio ingressar no Congresso. A GloboNews, que também veiculou a informação, posteriormente corrigiu o conteúdo e pediu desculpas.

O ministro André Mendonça, do TSE, classificou a narrativa como “notoriamente inverídica” e determinou a remoção do conteúdo das plataformas digitais.

Ao Poder360, George Marques afirmou não se lembrar de ter republicado o conteúdo e disse que, caso isso tenha ocorrido, teria sido um “erro involuntário”. Também afirmou que republicar uma postagem não significa concordar com ela.

A Secom informou que as manifestações ocorreram em perfil pessoal e não representam a posição institucional da secretaria. O órgão, porém, classificou como “inadequado” o uso de perfis pessoais de integrantes de forma que possa gerar confusão com manifestações institucionais.

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CASO MASTER: Mensagens obtidas pela PF mostram como Vorcaro aprimorou método usado para influenciar autoridades

Foto: Reprodução

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, organizando festas, hospedagens, viagens de jatinho e outras benesses para autoridades. Segundo O Globo, especialistas avaliam que o banqueiro aprimorou uma estratégia de aproximação com diferentes espaços institucionais na tentativa de ampliar sua influência e obter vantagens.

Em um evento em Londres, autoridades foram reunidas para degustação de uísque Macallan e charutos. Uma foto revelou a presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que não comentou o caso. A pessoas próximas, Gonet afirma que a imagem não demonstra intimidade com Vorcaro.

As mensagens também mostram Vorcaro cuidando de detalhes de hospedagens e orientando funcionários sobre o atendimento a autoridades. Em conversas sobre a estadia do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e seu grupo durante o carnaval de 2025, o banqueiro discutiu a distribuição das acomodações. O ministro afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem fez pedidos a ele.

A PF aponta ainda que Vorcaro utilizava serviços da Prime You, empresa de compartilhamento de bens de luxo como aeronaves, barcos, carros esportivos e mansões, para distribuir agrados e buscar aproximação com autoridades. Entre os bens operados pela empresa estava o jatinho utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, em uma viagem ao Rio.

Em uma das mensagens, Vorcaro orientou uma funcionária: “Não deixe de atender Barci”. O banqueiro mantinha contrato de R$ 130 milhões com o escritório da advogada. A banca afirmou que utilizou serviços de táxi aéreo de diferentes empresas e que as contratações seguem critérios operacionais, sem vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores.

Outras conversas mostram Vorcaro determinando uma “experiência completa” e “ultra VIP” para uma comitiva de Moraes e outros nove convidados em um hotel de luxo em Campos do Jordão, incluindo cantor, cavalos e seguranças.

Especialistas ouvidos pelo jornal apontam uma zona de difícil delimitação entre questões éticas e situações que podem configurar corrupção, dependendo das circunstâncias e da existência de eventual contrapartida.

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Geral

RETA FINAL: A uma semana do 1º turno, Lula e Flávio Bolsonaro concentram esforços nos indecisos

Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa Anholete/Agência Senado

A campanha presidencial entra na última semana antes do primeiro turno com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentrando esforços para conquistar eleitores indecisos, preservar os votos já obtidos e ampliar a mobilização de suas bases, analisa a Veja.

Com o acirramento da disputa entre os dois principais candidatos, cada declaração, agenda e movimento passa a ser pensado pelas campanhas para os últimos dias. A estratégia envolve reforçar os discursos apresentados ao longo da eleição e direcionar a comunicação para segmentos considerados determinantes para o resultado.

Nas redes sociais e nos atos de campanha, a polarização continua como uma das características centrais da disputa. Nesta fase, as equipes também buscam evitar que episódios negativos ganhem espaço e dominem a agenda às vésperas da votação.

Lula chega à semana final buscando manter a coalizão construída durante a campanha e ampliar o alcance de sua candidatura. Flávio Bolsonaro aposta na mobilização de sua base eleitoral e do campo político identificado com sua candidatura.

Com as urnas a poucos dias de distância, as campanhas entram em uma corrida para consolidar votos, alcançar os indecisos e intensificar a comunicação com o eleitor. Os últimos dias também serão usados para apresentar propostas e responder aos adversários antes do primeiro turno.

Opinião dos leitores

  1. Eu vou votar em LULADRAO, pois quero que ele continue a roubar e aumentar um pouco mais a corrupção no país, e libere a monjaro para o povo emagrecer, pois ficou gordo de comer picanha. LULADRAO tamu cum vose. Kkkkkk

  2. Indecisos não entreguem o nosso Brasil ao autoritarismo americano de Trump e companhia.
    Lembrem os bolsonaristas são antipatrioticos.

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Geral

CANETAS EMAGRECEDORAS: Anvisa investiga 13 suspeitas de doença que pode causar perda permanente da visão

Foto: Getty Images

A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma lesão rara no nervo óptico que pode provocar perda permanente da visão, em pacientes que usavam medicamentos indicados para diabetes e obesidade.

Segundo levantamento do g1, os registros envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. São 12 notificações relacionadas à semaglutida e uma à tirzepatida. A Anvisa ressalta que os casos ainda são considerados suspeitos e que a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não comprova relação de causa e efeito.

A Noia ocorre quando pequenos vasos que irrigam o nervo óptico ficam obstruídos. A visão de um dos olhos pode piorar repentinamente e, em muitos casos, não há recuperação completa.

Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology, com mais de 1,6 mil prontuários, observou risco de quatro a sete vezes maior da doença entre pacientes que receberam semaglutida em comparação com usuários de outras medicações. Os próprios pesquisadores, porém, afirmaram que os dados não permitem estabelecer relação de causa e efeito, inclusive porque parte dos pacientes apresentava doenças como diabetes.

Desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a Noia consta nas bulas dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara.

Além das 13 suspeitas, o painel da Anvisa reúne 74 registros de outras complicações visuais entre usuários dessas canetas. A queixa mais frequente é visão turva, com 37 registros, seguida de comprometimento visual, com 29.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que os dados disponíveis até agora não justificam a suspensão do tratamento de pacientes com indicação médica. Sociedades médicas recomendam, no entanto, que pessoas que já tiveram a doença ou apresentem perda súbita ou recente da visão suspendam o medicamento.

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