Diversos

Aparições de OVNIs nos céus do Brasil entre 1952 e 2010. Veja o que os militares sabem sobre o assunto – e o que ninguém consegue explicar

(Otávio Silveira/Superinteressante)

Segunda-feira, 15 de novembro de 2010 – Aeroporto Eduardo Gomes, Manaus – 9:55 PM

Segundona de feriado prolongado. O suboficial Soares provavelmente preferiria estar descansando. Mas ele estava de plantão, trabalhando na torre de controle do aeroporto. Um olho no radar, outro nas janelas, até que algo chamou sua atenção no céu. Ao longe, lá no alto, uma leve trilha de condensação se formava, embora fosse muito difícil enxergar o objeto que estava produzindo a mancha que riscava o céu. Como controlador de tráfego aéreo, Soares estava mais do que acostumado a observar os diferentes rastros que as aeronaves deixam no ar. Só que aquilo parecia diferente.

Ele pegou um binóculo e observou. Não, não era um avião. Na ponta da trilha de condensação havia um objeto metálico, aparentemente grande e escuro. Voava mais alto do que os aviões de carreira e era maior do que um Boeing 747. O mais estranho era o formato do objeto – quase como duas asas soltas no espaço, formando uma espécie de V.

Soares mostrou o objeto aos dois operadores que estavam com ele na torre, além do meteorologista que também estava lá. Depois de 15 minutos, o objeto sumiu. Às 22h05, seguindo o procedimento padrão da Aeronáutica, Soares reportou o avistamento ao Cindacta 4, um dos quatro Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo. Estava aberto mais um registro no “Arquivo X brasileiro”.

Gol, Varig e OVNIs

Objetos voadores não-identificados são uma constante na história da aviação. É isso o que indicam os registros oficiais da Força Aérea Brasileira, que desde 1952 mantém arquivos confidenciais catalogando todos os avistamentos de objetos voadores não-identificados nos céus do País. São mais de 2.600 páginas de documentos, que recentemente começaram a ser liberados pelos militares – e hoje estão em Brasília, no Arquivo Nacional, no qual a SUPER pôde consultá-los. O episódio do suboficial Soares faz parte do lote mais recente de documentos. O que torna esse caso interessante é que um avistamento igualmente sinistro havia sido feito apenas dois dias antes.

Às 8h20, um avião da empresa aérea Gol voava a cerca de 135 km de Manaus. Ele estava subindo, elevando sua altitude de 23 mil pés (cerca de 7.600 metros) para 37 mil pés (12.300 metros) quando algo estranho aconteceu. O piloto e o copiloto avistaram uma luz muito forte se deslocando em alta velocidade, acima e à frente de sua aeronave. A ocorrência foi registrada no Cindacta 4 como “tráfego hotel” – eufemismo aeronáutico que significa OVNI. Estariam os dois avistamentos, tão próximos no espaço e no tempo, de alguma forma ligados? Quem, ou o quê, estaria por trás da movimentação de objetos não-identificados na região amazônica? Os registros da Aeronáutica estão cheios de casos misteriosos e sem explicação. São relatos impressionantes, inclusive pela credibilidade – seus autores não são pessoas comuns, que sempre podem estar imaginando coisas. Os relatos são feitos por pilotos, controladores de voo e oficiais militares, pessoas que têm treinamento para identificar e reconhecer todos os fenômenos atmosféricos normais. Se mesmo eles acham que há algo de anormal, é porque há.

EXPLICÁVEIS E INEXPLICÁVEIS

No dia 21 de agosto de 2003, às 22h30, o piloto do voo Varig Log 9063 consultou o Centro de Controle de Área de Curitiba sobre um objeto não-identificado, que voava à direita do avião, um pouco mais alto que a aeronave. “Ele está aqui, está parado agora, ele está acompanhando a gente, está parado aparentemente, na subida ele estava vermelho, todo vermelho, aí ele foi mudando, branco, vermelho, branco, vermelho, agora ele está todo branco, entendeu?”, disse o piloto, nitidamente desconfortável com a situação. Os aviadores, sejam civis ou militares, não gostam de reportar esse tipo de avistamento – embora sejam instruídos pelo controle de tráfego aéreo a fazê-lo. Alguém na base (não fica claro se é o centro de controle em Curitiba) responde de forma bem-humorada: “É Colorado!” (referência ao Internacional, que usa uniforme branco e vermelho). O objeto continua acompanhando o avião da Varig, e o piloto parece arrependido de ter relatado o ocorrido. “Afirmativo, pode… pode ser um monte de coisa, pode ser um planeta, uma estrela, qualquer coisa, o que pegou foi a mudança de cor aqui, só isso.” Mas o relato viria a ser confirmado por outro piloto, do voo Varig 8630, que às 23h14 também informou o avistamento. “É, o que eu avisto aqui pa… parece uma estrela.” No radar, não havia nada.

As aparições de OVNIs são relativamente numerosas no Brasil. Em 2010, último ano a ter as informações liberadas, a Aeronáutica registrou seis casos. Um dos mais impressionantes ocorreu no dia 23 de setembro. O comandante de outro avião da Gol viu um objeto com brilho aparente duas vezes maior do que Vênus (astro mais brilhante no céu, fora o Sol e a Lua), voando de sudoeste para nordeste, enquanto rumava para Brasília. “Estávamos perto de Palmas, vindo de Belém, quando vimos esse objeto acima de nós”, conta o piloto, que prefere não ter o nome divulgado. “Eram mais ou menos 4h45 da manhã, então ainda estava escuro. Ele estava voando bem alto e bem acima (do avião), indo realmente muito rápido. Fez uma curva quando passou por cima de nós e atravessou o céu.” A bordo da aeronave, duas outras pessoas viram o OVNI: o copiloto e uma comissária de bordo, que foi chamada à cabine. “Os passageiros não tinham como ver, porque estava acima do ângulo de visão das janelas laterais”, relata o piloto. Em menos de um minuto, o objeto já havia sumido de vista. Em contato com os controladores de voo, os aviadores foram informados de que não havia nada no radar. Em mais de 30 anos de voo, o piloto nunca havia visto nada parecido. Alguns dias depois, ele recebeu um telefonema da Força Aérea, perguntando sobre o avistamento (até então, ele sequer sabia que a Aeronáutica estudava o assunto). “Na hora [do avistamento], o sentimento que temos é de intensa curiosidade”, relata, descartando a hipótese de uma ocorrência natural trivial. “Fenômeno natural que atravessa o céu de ponta a ponta e faz uma curva? Acho que não.”

Procurada pela SUPER, a Gol não quis se manifestar. A Tam respondeu dizendo não ter registro de situações que envolvam OVNIs.

É comum que o objeto não-identificado se movimente em trajetória e/ou velocidade estranhas. Em julho de 2010, controladores de voo do Aeroporto Senador Petrônio Portella, em Teresina (Piauí), viram um objeto circular, prateado e vermelho, se deslocar rapidamente em zigue-zague, a baixa altitude (apenas 1.500 metros), por aproximadamente 20 minutos. Em 9 de maio de 2007, dois aviões da Tam, ambos saídos de Brasília, reportaram à torre o avistamento de uma luz muito forte à direita das aeronaves. Inicialmente, eles pensaram que fosse outra aeronave, mas o Cindacta 1 não registrou no radar o objeto – que acompanhou os aviões por dez minutos antes de sumir.

A experiência de Ozires Silva

Nos arquivos da Aeronáutica, chama a atenção um documento que analisa os acontecimentos de 19 de maio de 1986 – data que ficou conhecida como a “noite dos discos voadores”. Em 2004, o Comdabra (Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro) produziu um documento que resume as conclusões de relatório assinado em 1986 pelo brigadeiro-do-ar José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, então comandante interino do órgão. O documento apresenta a descrição oficial, firme e segura, do que transcorreu naquela noite – em que o Brasil parece ter sido visitado por vários OVNIs.

Às 23h15, a torre de controle de São José dos Campos, no interior de São Paulo, avistou luzes amarelas, verdes e laranja se deslocando sobre a cidade. Seu radar detectou objetos não-identificados, nas posições correspondentes a essas luzes. O fenômeno também foi percebido no ar. O coronel Ozires Silva, então recém-nomeado presidente da Petrobras, voava no avião Xingu PT-MBZ e avistou as luzes, que pareciam estrelas grandes e vermelhas. “Se fosse confiar nas minhas observações, diria ter visto um astro, mas não tinha resposta do porquê de aquele corpo aparecer no radar”, disse Silva, ao comentar o caso, em sua autobiografia Decolagem de um Sonho. Corpos celestes não emitem sinais de radar.

Por volta de 1h, começaram a aparecer objetos não-identificados no radar de Anápolis, Goiás. Os sinais de radar indicam a direção e a velocidade de deslocamento dos objetos. A Aeronáutica decidiu agir. À 1h34, um caça decolou da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. O avião foi em direção a São José dos Campos para investigar do que se tratava. No caminho, o piloto viu uma luz branca voando abaixo do avião, que estava a aproximadamente 5 mil metros de altitude. O objeto começou a subir e se posicionou dez graus acima do caça. O piloto decidiu perseguir a luz, que subiu até 10 mil metros e por um momento mudou de cor, de branca para vermelha, depois verde e novamente branca. O radar do caça registrou o objeto, que estava entre 16 e 18 km de distância do avião e voava na direção do mar. A perseguição continuou até que o avião atingiu o ponto de não-retorno (em que não teria mais combustível para voltar), e o piloto desistiu. Mas os militares não.

À 1h48, um caça decolou da Base Aérea de Anápolis para perseguir objetos detectados naquela região. O piloto chegou a registrar um OVNI pelo radar, mas não conseguiu aproximação visual. Era uma perseguição absolutamente desleal. O jato voava em velocidade supersônica (acima de 1.100 km/h), mas o objeto tinha um nível de agilidade incompatível com aeronaves terrestres. Voava em zigue-zague, ora se aproximava, ora se afastava, superando com facilidade a velocidade do caça. O piloto desistiu.

No Rio de Janeiro, a mobilização continuou. À 1h50, mais um caça decolou em direção a São José dos Campos. O piloto viu uma luz vermelha, na mesma posição captada pelos radares em solo. Perseguiu-a por alguns minutos, sem conseguir se aproximar, até que ela se apagou. O mais impressionante -ou aterrador – é o que aconteceu a seguir. Simultaneamente, apareceram nada menos do que 13 objetos não-identificados no radar. Estavam todos atrás do avião. O piloto fez uma curva de 180 graus para tentar observá-los, mas não conseguiu. Os objetos sumiram. Mais duas aeronaves decolaram de Anápolis, mas não obtiveram qualquer tipo de contato. Os caças foram desistindo, e pousando. Às 3h30, os militares deram a operação por encerrada.

O relatório da Aeronáutica apresenta as seguintes conclusões. Sobre os objetos não-identificados, diz que eles são capazes de “produção de ecos [sinais] de radar (…), variação de velocidade de voo subsônico até supersônico, bem como manutenção de voo pairado, variação de altitudes inferiores a 5.000 pés (1.500 m) até 40.000 pés (12.000 m), emissão de luminosidade nas cores branca, verde, vermelho e outras vezes não apresentando indicação luminosa, capacidade de aceleração e desaceleração de modo brusco, capacidade de efetuar curvas com raios constantes, bem como com raios indefinidos”. Ou seja, um conjunto de características que não existe em nenhum veículo construído pelo ser humano.

De forma cautelosa, como é típico dos documentos militares, o relatório termina da seguinte maneira: “Como conclusão dos fatos constantes observados, em quase todas as apresentações, este Comando é de parecer que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligências, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores como também voar em formação, não forçosamente tripulados.” Atenção para esta frase: “Refletem de certa forma inteligências”. A Força Aérea Brasileira está dizendo, com todas as letras, que não se trata de fenômeno natural – e que alguma inteligência, ou seja, alguma criatura ou entidade inteligente, é responsável pelos objetos não-identificados.

Nem sempre é assim. Em muitos casos, o que parece um OVNI é apenas um fenômeno atmosférico normal. Fenômenos como a reflexão ionosférica (em que raios de luz ou rádio batem na alta atmosfera e voltam ao chão) podem explicar, ao mesmo tempo, ecos no radar e a ilusão de objetos brilhantes, explica o astrônomo americano William Alschuler, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. Outros episódios, em que o piloto reporta um objeto luminoso que acompanha os movimentos de seu avião, podem ser explicados pela reflexão de luz em cristais de gelo suspensos na atmosfera. Outros casos têm explicações banais, como reflexão da luz solar ou lunar no interior de uma câmera fotográfica, ou mesmo a confusão com o planeta Vênus (que é tão brilhante que pode ser confundido com um OVNI).

Menos comuns – e mais impressionantes – são o fogo-de-santelmo e os raios globulares, fenômenos atmosféricos de natureza elétrica. O primeiro é uma descarga eletroluminescente causada pela ionização do ar. O segundo é um tipo raro de relâmpago, que surge nas nuvens e viaja para o chão. Tem formato esférico, costuma ser vermelho-alaranjado e tem certa estabilidade, podendo pairar e permanecer visível durante vários minutos. Também produz um zumbido. Ou seja, não é difícil confundi-lo com um OVNI.

Mas a diversidade de contatos e movimentos registrados na noite de 1986, e outros similares vistos em outras partes do mundo, é difícil de classificar como fenômeno atmosférico. “Não estamos mais próximos de resolver ou compreender relatos assim do que 50 anos atrás”, diz Alschuler.

O maior caso da história do País – minuto a minuto

(Otávio Silveira/Superinteressante)

Em 19 de maio de 1986, a Aeronáutica registrou uma série de objetos não-identificados no ceú do Brasil – e enviou vários caças para persegui-los.

23h15 – Avistamentos pelo Brasil
A torre de controle de São José dos Campos avista luzes das cores amarelo, verde e laranja se deslocando sobre a cidade. Um radar local detecta objetos voadores não-identificados. À 1h da manhã, um radar na região de Anápolis, Goiás, também começa a registrar objetos não-identificados.

1h34 – O caça e a presa
Um caça decola da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio, em direção a São José dos Campos. Ao alcançar 5.200 metros, o piloto vê uma luz embaixo do avião. A luz começa a subir e o piloto a persegue. Ela muda de cor – fica vermelha, verde e branca. O avião desiste por falta de combustível.

1h48 – Ziguezagueando
Um segundo caça decola da Base Aérea de Anápolis. O piloto identifica um objeto pelo radar. Mas, mesmo voando em velocidade supersônica, não consegue se aproximar dele – que voa em zigue-zague e com agilidade incompatível com a de um avião. O caça desiste e retorna à base.

1h50 – Bombou no radar
Um terceiro caça vai para São José dos Campos. O piloto vê uma luz vermelha e a persegue por alguns minutos até que ela se apaga. Um radar em solo detecta 13 objetos não-identificados de uma só vez. Estão atrás do avião. O piloto faz uma volta de 180 graus para tentar observá-los, mas não encontra nada. Sumiram.

2h17 – Fim de festa
Mais dois caças decolam da base aérea de Anápolis. Não conseguem estabelecer nenhum tipo de contato (visual ou radar) com objetos não-identificados. Às 3h30, todos os aviões pousam e a perseguição é dada por encerrada.

A “operação prato”

(Otávio Silveira/Superinteressante)

Se a imagem de pilotos de caça brasileiros perseguindo OVNIs não é suficientemente contundente, há ainda nos registros liberados pela Força Aérea alguns sinais de uma movimentação ainda maior, que teria ocorrido entre 1977 e 1978 na Amazônia. É a chamada Operação Prato. Nos arquivos, há um relatório de 160 páginas produzido pelo I Comar (Comando Aéreo Regional) chamado “Registros de Observações de OVNI”. Ele foi produzido por um grupo de oficiais da Força Aérea liderados pelo capitão Uyrangê Bolivar Soares Nogueira de Hollanda Lima, que foi enviado para investigar ocorrências reportadas pela população do município de Colares, localizado na baía de Marajó, no Pará. Os pescadores da região disseram que estavam sendo importunados por luzes misteriosas que, por vezes, os atacavam, tirando sangue e provocando um estado de paralisia. Apelidaram o fenômeno de “chupa-chupa”, e pressionaram o prefeito da cidade para que pedisse ajuda aos militares. O povo da região estava em estado de pavor, acreditando que as luzes eram obra do diabo ou algo do tipo. O capitão Hollanda e seus oficiais tinham uma dupla missão: acalmar a população e investigar a natureza das luzes reportadas – se é que elas de fato existiam.

Munidos de câmeras fotográficas e filmadoras, eles começaram anotando minuciosamente as descrições de avistamentos feitos pela população. Nos primeiros dias, chegaram a ver luzes ao longe, mas nada que convencesse o líder da operação de que fosse algo anormal. Contudo, após cerca de dois meses, os avistamentos começaram a se tornar mais frequentes. Em entrevista concedida em 1997, pouco antes de sua morte e aposentado da Força Aérea, Hollanda admitiu: acreditava que aquilo era mesmo um fenômeno paranormal e inexplicável.

A equipe da Força Aérea demorou para começar a ver os OVNIs. Isso abre espaço para uma hipótese: talvez os moradores estivessem sob efeito de alguma substância alucinógena, algo que tivesse contaminado a região (e também os militares após algum tempo). Mas, não. Isso só seria possível se a alucinação também contaminasse câmeras fotográficas. Mais de 500 fotos foram tiradas das tais luzes, muitas das quais figuram no relatório da Força Aérea – infelizmente, somente em preto e branco. Hollanda disse ter gravado vídeos, mas eles teriam sido confiscados pela Aeronáutica.

De toda forma, o relatório liberado contém mais de 130 registros de observações, inclusive de pousos dos supostos objetos, realizados entre 2 de setembro de 1977 e 28 de novembro de 1978. Vários desses avistamentos foram testemunhados e fotografados pelos próprios oficiais. Mas os estudiosos de OVNIs demonstram descontentamento com o material, pois acreditam que há muito mais – segundo eles, a Operação Prato teria produzido mais de mil páginas de documentação. A Força Aérea responde dizendo que o Comdabra, atual responsável pelo arquivamento desse material, liberou tudo que tinha sob a rubrica OVNI. É difícil saber quem está com a razão. Mas é fácil concluir que algo muito estranho aconteceu em Colares naquele ano.

A INVESTIGAÇÃO

A Aeronáutica chegou a ter um órgão específico para investigar casos do tipo. Ele se chamava Sioani (Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados), e reunia não só pessoal da Força Aérea como grupos civis ligados à ufologia. O Sioani funcionou sigilosamente entre 1969 e 1972, quando mais de cem casos foram registrados e investigados, até ser extinto pelo governo. Os relatórios produzidos pelo grupo, que circulavam internamente na Aeronáutica, chamam a atenção pelo cuidado. Quem dizia que tinha visto algo precisava passar por exame psiquiátrico – para ver se a pessoa estava imaginando coisas. Nem todos passavam por esse teste, o que colocava em dúvida a credibilidade de seu avistamento. Contudo, todos eram devidamente catalogados, acompanhados de desenhos dos supostos veículos observados. Todos os documentos eram estritamente confidenciais.

Mesmo tendo passado décadas registrando casos de OVNIs, e começado a liberar os documentos que produziu, a Força Aérea ainda reluta em falar a respeito. Procurada pela SUPER, enviou uma nota em que diz apenas: “O Comando da Aeronáutica não dispõe de estrutura especializada para realizar investigações científicas a respeito desse tipo de registro, o que impede a instituição de apresentar qualquer parecer sobre esses acontecimentos”.

Uma análise da documentação mostra que a Força Aérea Brasileira sempre viu o assunto com seriedade e preocupação. Nos arquivos, há um documento despachado em 28 de fevereiro de 1989 por Octavio Julio Moreira Lima, então ministro da Aeronáutica, definindo os procedimentos que deveriam ser adotados para registrar e avaliar todos os avistamentos de objetos não-identificados em território nacional, inclusive a necessidade de sigilo absoluto. Mas o medo dos militares não era alarmar a população. Era outro.

“Forçoso é reconhecer que algo de estranho vem preocupando as atenções do grande público, das autoridades e do mundo científico, frente às frequentes incursões de OVNI na atmosfera terrestre”, diz o ministro no documento. “Em que pesem os argumentos de que tais fenômenos – da forma pela qual são descritos – aberram das leis físicas e dos conhecimentos científicos do mundo atual, impõe-se-nos o dever de registrá-los, documentá-los e analisá-los sistematicamente. Por várias razões, a Aeronáutica não deve se alhear do problema, embora evitando explicá-los sem base científica ou expor-se ao ridículo.”

Ou seja: o receio era virar motivo de piada. Esse medo já havia sido manifestado antes, justamente na época da Operação Prato, em circular datada de 25 de julho de 1978 e assinada pelo chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, tenente brigadeiro-do-ar Mário Paglioli de Lucena. “Visando resguardar a posição do Ministério da Aeronáutica no tocante ao assunto, altamente polêmico, a coleta e a remessa de dados exigem muita discrição, não devendo ser feitos comentários que possibilitem exploração por parte da imprensa em geral, fato que até poderia levar ao ridículo a nossa Corporação.”

Esse medo também passa pela cabeça dos pilotos que enxergam coisas estranhas no céu. Na maior parte dos casos, eles preferem silenciar a reportar qualquer coisa. A própria Aeronáutica estima que apenas 10% dos avistamentos sejam relatados. Ou seja, há muito mais coisas voando pelos céus do que até mesmo as mais altas patentes de nossas Forças Armadas sabem.

FORA DOS REGISTROS

Um bom exemplo de caso não registrado pelos militares foi protagonizado pelo astronauta brasileiro Marcos Pontes, quando ele era piloto de prova da Força Aérea no Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos (SP), entre 1995 e 1996. “Eu estava voltando de um voo noturno de T-27, de treinamento de aproximações por instrumento”, conta. “Fiz algumas aproximações ali em Guaratinguetá e retornava para outros procedimentos e pouso em São José dos Campos.” Durante o voo, a torre de controle perguntou a Pontes se ele conseguia ver uma forte luz, parada, sobre a serra, na direção de Bragança Paulista. “Eu vi a luz e, do meu ponto de vista, parecia o farol de um avião na aproximação para pouso na pista de São José. Perguntei se não era isso. O controle respondeu que não tinha nenhum tráfego e que a luz estava ali já há uns bons 10 minutos.”

Pontes apontou o T-27 na direção do objeto luminoso. Sem radar a bordo da aeronave, ele seguiu pelo visual. Passou vários minutos perseguindo a luz, sem conseguir aproximação, até que o avião ficou com pouco combustível e ele teve de desistir. A luz sumiu em seguida. Não há qualquer menção ao caso nos arquivos da Força Aérea, mas Pontes descarta a hipótese de acobertamento. “Não registrei nada quando retornei, e acho que a torre também não. Deve ser por isso que não há registro”, afirma. Casos como esse, sem registro, provavelmente existem aos montes – e são ainda mais numerosos que os casos oficiais.

Um objeto voador não-identificado não é necessariamente um veículo de origem alienígena. Mas é algo que, em certos casos, não pode ser explicado como fenômeno natural – nem como qualquer coisa que esteja ao alcance da ciência e da tecnologia humanas. Só uma coisa é absolutamente certa. Há coisas muito estranhas acontecendo nos céus do Brasil. E a Força Aérea sabe disso.

Super Interessante

 

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Geral

BEAT! apresenta DUO Sara & Warllan, nova aposta da música potiguar, com lançamento de “Acoustic Sessions”

 

A BEAT! Music e Eventos apresenta ao mercado seu mais novo projeto musical: o DUO Sara & Warllan. A dupla estreia oficialmente nesta sexta-feira (10) com o lançamento do álbum “Acoustic Sessions”, disponível em todas as plataformas de streaming e no YouTube.

Com um repertório que reúne grandes clássicos internacionais das décadas de 70, 80 e 90, o DUO aposta em interpretações sofisticadas, arranjos contemporâneos e uma sonoridade pensada para eventos sociais, casamentos, recepções e ambientes que valorizam música de qualidade.

O álbum de estreia traz 10 faixas e apresenta a identidade artística de Sara & Warllan, unindo nostalgia e elegância em releituras que dialogam com diferentes gerações. O projeto nasce para atender um público que buscava, em Natal, uma proposta musical diferenciada, marcada pela qualidade das interpretações e por performances intimistas.

Entre as canções escolhidas estão sucessos que atravessaram décadas, como Billie Jean, de Michael Jackson; Everybody Wants to Rule the World, do Tears for Fears; Have You Ever Seen the Rain, do Creedence Clearwater Revival; e My Girl, do The Temptations. A música brasileira também ganha espaço com uma releitura elegante de Mania de Você, clássico de Rita Lee.

*Sobre a dupla*

Natural do Rio de Janeiro e radicada em Natal desde a infância, Sara Maia, de 28 anos, construiu sua trajetória artística desde cedo. Passou pela dança e pelo teatro, começou a cantar ainda criança na igreja e, aos 12 anos, aprendeu violão, instrumento que consolidou sua relação com a música.

Já Warllan Medeiros nasceu em São Fernando, no Seridó potiguar, onde teve os primeiros contatos com a música ainda na infância. Iniciou a carreira se apresentando em bares e eventos do interior do Rio Grande do Norte e, em 2020, mudou-se para Natal em busca de novos desafios profissionais. Foi na capital que sua carreira ganhou projeção e, agora, um novo capítulo com o DUO Sara & Warllan.

*Serviço*
Lançamento do álbum “Acoustic Sessions” – DUO Sara & Warllan
Data: Sexta-feira, 10 de julho de 2026
Onde ouvir: Disponível em todas as plataformas de streaming e no YouTube https://www.youtube.com/@BandaDuo.

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Política

De Brasília, Prefeita Aize Bezerra inicia articulação para garantir escrituras de milhares de imóveis em João Câmara

Foto: Divulgação

Poucos sabem, mas quase 50% da área urbana e parte da zona rural de João Câmara pertencem oficialmente à União, uma situação que se arrasta há mais de um século e impede que milhares de famílias obtenham a escritura pública de seus imóveis. Sem esse documento, muitos proprietários enfrentam dificuldades para financiar, vender, regularizar ou valorizar seus imóveis.

Para enfrentar esse problema histórico, a prefeita Aize Bezerra, acompanhada da secretária de Planejamento, Karolina Assunção, da Procuradoria do Município e do deputado federal Benes Leocádio, cumpre agenda na Superintendência do Patrimônio da União (SPU), em Brasília.

A reunião marca o início de uma articulação que poderá resultar no maior projeto de regularização fundiária da história de João Câmara.

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Judiciário

TSE bloqueia contas de ex-esposa de Bolsonaro

Screenshot

Foto: Reprodução 

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil, em valores atualizados após correção monetária, de Ana Cristina Valle, segunda esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O motivo é falha na prestação de contas de campanha.

Ana Cristina foi candidata a deputada distrital pelo partido Progressistas em 2022, obteve apenas 1.485 votos na capital e não se elegeu.

Segundo o TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), os gastos da campanha totalizaram R$ 303.488,96 e não houve comprovação referente ao montante de R$ 134,4 mil – valor antes da correção monetária. Ana Cristina falhou em apresentar documentação correspondentes a 44,31% das despesas de campanha.

O tribunal apontou diversas inconsistências em despesas custeadas com recursos do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha). Entre elas, ausência de notas fiscais, de contratos e de comprovantes de prestação de serviços. Também foi verificada a falta de documentos que demonstrassem a efetiva realização de gastos com militância, alimentação, combustível, locação de bens e impulsionamento de conteúdo na internet.

Entre as inconsistências, segundo a Justiça Eleitoral, houve um pagamento de R$ 35.150 destinado a atividades de militância sem documentação comprovando a efetiva prestação dos serviços. Ainda foram identificados R$ 3 mil em despesas com combustível sem comprovação da vinculação dos abastecimentos a veículos utilizados na campanha. Por fim, houve um gasto com aluguel de imóvel pago por período posterior ao encerramento das eleições.

Durante a tramitação do processo, a candidata foi intimada em duas oportunidades para apresentar esclarecimentos ou documentos complementares, mas não deu retorno à Justiça Eleitoral. Para o relator do caso, a ausência de manifestação reforçou a gravidade das irregularidades. A prestação de contas final da campanha também foi apresentada fora do prazo formal.

Caso o bloqueio das contas não seja suficiente, a medida do TSE pode afetar imóveis e veículos de Ana Cristina.

CNN

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Jornalismo

VÍDEO: Natalense registra encontro com Neymar em parque da Disney

Um vídeo gravado por um natalense durante visita a um dos parques da Disney mostra o momento em que Neymar passa pelo local cercado por algumas pessoas.

Enquanto registra a cena, o potiguar chama pelo jogador e repete diversas vezes: “Te amo, Neymar! Obrigado, te amo!”.

O atleta segue caminhando, acena rapidamente para o grupo e continua o trajeto, em um registro que repercutiu nas redes sociais.

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Judiciário

Defesa de Virginia diz que influencer não quis prejudicar consumidores

Foto: Reprodução 

Após o MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) ajuizar uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência contra a influenciadora Virginia Fonseca, a defesa da influencer afirmou que ela não teve “intenção de causar prejuízo aos consumidores”.

O MP acusa a influenciadora e a plataforma de apostas Blaze de adotarem práticas publicitárias abusivas para atrair consumidores às apostas esportivas durante a Copa do Mundo.

A ação sustenta que a empresa utilizou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio da promessa de ganhos fáceis, publicidade considerada enganosa e uso de influenciadores digitais de grande alcance para estimular as apostas.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (9), a defesa de Virginia Fonseca refutou a ação do Ministério Público e alegou que a responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em “presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora”.

Veja o posicionamento da defesa na íntegra

“A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.

Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.

A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda. A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca.”

CNN

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Marketing

Ratts Ratis: a agência que aprova campanha por dado, não por feeling

Foto: Reprodução

Aprovar uma campanha porque “ficou bonita” é apostar dinheiro no escuro. Às vezes dá certo. Mas “às vezes” não paga boleto no fim do mês, e construir um negócio em cima de sorte é o caminho mais caro que existe. Durante anos, foi assim que o mercado funcionou: criava-se, publicava-se e torcia-se.

A Ratts Ratis trabalha de outro jeito. Antes de investir pesado, a gente usa IA para testar título, imagem, público e oferta com pouco orçamento. Descobrimos o que realmente engaja e o que faz a pessoa comprar — e só então direcionamos a verba para onde o retorno já foi comprovado. Menos achismo, mais previsibilidade.

Na prática, isso significa que você para de financiar tentativa e erro. Cada real entra numa decisão sustentada por dado, não por opinião. E quando a campanha sobe, ela já passou por um filtro que a maioria das agências sequer aplica.

→ Se você cansou de torcer para a campanha dar certo, a Ratts Ratis te mostra como ter mais controle sobre o resultado. Chama no @rattscom ou no 99215-9781.

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Geral

Vorcaro pagou até R$ 2 milhões para influenciadores atacarem Banco Central

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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, enviou pagamentos de até R$ 2 milhões para influenciadores digitais atacarem o BC (Banco Central) nas redes sociais, segundo investigação da PF (Polícia Federal).

A 10ª fase da Operação Compliance Zero, realizada na última quinta-feira (9) e autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), investigou indícios de atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do BC, instituição que determinou a liquidação do Master em novembro do ano passado.

O magistrado emitiu dois mandados de busca e apreensão em Brasília. Na determinação, Mendonça destaca que os investigadores apontaram que Vorcaro utilizou fundos das fraudes do banco liquidado para realizar uma campanha de desinformação na mídia, chamada de “Projeto DV”.

De acordo com as investigações da PF, Vorcaro haveria intimidado e coagido influenciadores que recusaram as ofertas. Além disso, jornalistas e pessoas ligadas a autoridades públicas também foram ilicitamente monitoradas

A operação ainda analisou a atuação da possível organização criminosa para a obtenção indevida de informações sigilosas e a adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.

Alvos da operação

Segundo apuração da CNN Brasil, um dos alvos da operação da PF foi Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. Na decisão, foi autorizada a busca e apreensão em endereços ligados ao suspeito.

Na decisão, Mendonça destacou o caráter urgente da medida no intuito de evitar a perda de provas digitais e a gravidade de condutas que poderiam interferir nas investigações do caso.

Mensagens trocadas entre Miranda e Vorcaro mencionam formas de buscar informações privadas sobre a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, na tentativa de impedir a produção de novas reportagens sobre o Banco Master.

CNN

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Judiciário

Virginia: servidores do MP se infiltraram entre clientes para investigação

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Servidores do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) se “infiltraram” entre clientes da Blaze para levantar provas para compor a ação civil pública apresentada pelo órgão contra a casa de apostas e a influenciadora e empresária Virginia Fonseca.

O processo de 855 páginas obtido pela CNN Brasil detalha como foi a ação da Promotoria do Consumidor.

“O objetivo foi monitorar as comunicações promocionais e de marketing da operadora, garantindo a preservação da cadeia de custódia digital dos documentos obtidos. Foram incorporados aos autos e-mails publicitários enviados pela Blaze, capturados em formato PDF a partir da interface web do serviço Gmail. A extração preservou os metadados verificáveis, incluindo endereços de remetente e destinatário, data, hora, conteúdo integral e a identificação da operadora no rodapé”, aponta o promotor Paulo Binicheski, responsável pela peça.

Cadeia de custódia é o caminho documentado de uma prova. Ela registra o histórico de uma evidência desde o momento em que é encontrada no local de um crime até o seu descarte final. Isso garante que a prova não foi trocada ou alterada.

O MP diz que os documentos evidenciam que a Blaze adota uma estratégia sistemática de envio ostensivo e direcionado de e-mails aos consumidores cadastrados. “A prática incentiva ativamente a realização de apostas por meio de ofertas com linguagem persuasiva, senso de urgência artificial e promessas de benefícios com elevado apelo comercial”, explica.

A Promotoria também aponta que em todos os casos analisados as condições essenciais de elegibilidade e ativação das ofertas foram relegadas ao rodapé das mensagens, em tipografia “visivelmente inferior”. Para o MP, essa prática configura, em tese, publicidade enganosa por omissão, nos termos do art. 37, § 3º, do Código de Defesa do Consumidor.

A ação do MP

O MPDFT ajuizou nesta quinta-feira (9) uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência contra a plataforma de apostas Blaze e a influenciadora Virginia Fonseca e pede uma indenização de R$ 120 milhões.

O MP acusa ambos de adotar práticas publicitárias abusivas para atrair consumidores às apostas esportivas durante a Copa do Mundo. A ação sustenta que a empresa utilizou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio da promessa de ganhos fáceis, publicidade considerada enganosa e uso de influenciadores digitais de grande alcance para estimular as apostas.

CNN

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Polícia

Funcionário com salário de R$ 1,9 mil tinha imóvel de R$ 2,5 milhões, diz MPRN em denúncia por lavagem de dinheiro e sonegação

Foto: Divulgação/MPRN

O Ministério Público do RN denunciou dois investigados na Operação Emirados, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado a empresas distribuidoras de alimentos e bebidas.

A Justiça potiguar aceitou a denúncia, e Marcello Brunno Moreno Moreira e Abraão Lourenço de Queiroz passaram a responder como réus por lavagem de dinheiro.

Segundo o MPRN, a investigação identificou um patrimônio de cerca de R$ 3,5 milhões em nome de Abraão, que atuava como auxiliar de contabilidade e contador.

Ainda conforme o Ministério Público, o funcionário tinha salário declarado de R$ 1.954 e teria registrado bens em seu nome para ocultar patrimônio que, segundo a apuração, pertenceria ao empresário investigado.

Entre os bens apontados está um imóvel em um condomínio de luxo em Parnamirim, avaliado em R$ 2,5 milhões, além de um veículo estimado em aproximadamente R$ 800 mil.

O MPRN afirma que o grupo investigado teria causado prejuízo superior a R$ 15 milhões ao Estado em tributos inscritos em dívida ativa. A denúncia pede a condenação dos réus e a perda dos bens apontados na investigação.

Patrimônio milionário

A Operação Emirados, deflagrada pelo MPRN e pela Polícia Civil no dia 23 de junho passado, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, associação criminosa e falsidade ideológica que teria causado prejuízos superiores a R$ 72 milhões aos cofres públicos.

Segundo o MPRN, o grupo investigado teria usado empresas de fachada e bens registrados em nome de terceiros para ocultar patrimônio. A Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 73 milhões em bens, incluindo 18 imóveis e uma lancha.

Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 90 mil em espécie, além de moedas estrangeiras, joias e equipamentos eletrônicos. A investigação também aponta veículos e imóveis de luxo, como um carro de cerca de R$ 800 mil e um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões, registrados em nome de terceiros.

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Política

R$ 409 MIL: Deputado do PT usa verba do gabinete para pagar aluguel de imóvel de assessora

Foto: Larissa Navarro/Alesp

O deputado estadual de São Paulo Luiz Fernando Teixeira (PT) já destinou R$ 409,5 mil da verba da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para pagar o aluguel de um imóvel pertencente a uma assessora do próprio gabinete.

Segundo levantamento divulgado pelo Metrópoles, o gabinete do parlamentar aluga o imóvel de Ana Paula Rossetto desde março de 2019. Em janeiro de 2025, Ana Paula passou a integrar a equipe do deputado em um cargo comissionado, com salário mensal de R$ 8,3 mil.

Somando os valores de aluguel e remuneração até maio de 2026, último registro disponível no Portal da Transparência, os pagamentos chegam a R$ 550,8 mil destinados à assessora.

Ana Paula é filha da vereadora de São Bernardo do Campo Ana do Carmo (PT), ex-deputada estadual por quatro mandatos. Em 2025, ela foi homenageada na Alesp em uma sessão presidida pelo próprio Luiz Fernando Teixeira.

Ao Metrópoles, o gabinete do deputado afirmou que a contratação da assessora ocorreu mais de cinco anos após o início do aluguel e declarou que “não há nenhuma relação entre os dois casos”.

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