Polícia

Após promoções sem concurso, PM do Rio tem mais chefes que soldados

Policial militar do Rio na zona norte do Rio de Janeiro – Danilo Verpa/Folhapress

Uma medida adotada pelo governo do Rio na década de 1990 e acentuada ao longo dos anos levou a Polícia Militar a um colapso em sua organização hierárquica. Houve uma promoção desmedida de policiais ao posto de sargento e, na prática, a patente passou a ter mais homens do que seus subordinados, os soldados.

Na ruas do Estado, a situação levou a improvisos operacionais e interferiu diretamente na qualidade do policiamento, segundo especialistas em segurança pública. Foi também um agravante para as finanças do Rio –já que os salários ficaram maiores, mesmo sem mudança de tarefas.

Esse cenário é um dos problemas para a intervenção na segurança estadual, decretada pelo presidente Michel Temer (MDB) e aprovada pelo Congresso nesta semana.Caberá ao general do Exército Walter Braga Netto, nomeado interventor, comandar as polícias Militar, Civil, bombeiros e montar as estratégias para conter a violência.

Segundo dados da PM fluminense obtidos pela Folha, a corporação tem cerca de 46 mil homens e mulheres na ativa. Desse total, praticamente um terço (15.070) é composto por sargentos –policial que, pela hierarquia militar, fiscaliza e orienta os subordinados e dá padrão às atividades desenvolvidas.

Já os soldados eram só 14.872 até meados do ano passado e os cabos, 7.319. “É mais cacique do que índio”, afirma a antropóloga Jacqueline Muniz, professora do Departamento de Segurança Pública da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O contingente em São Paulo é de 84.652 PMs, que incluem os bombeiros. Do total, há 10.604 sargentos, 31.555 soldados e 35.836 cabos.

HISTÓRICO

A distorção teve início no ano eleitoral de 1996, quando o então governador Marcello Alencar (PSDB) criou um plano de carreira que previa a promoção de soldados, cabos e sargentos da PM pelo tempo de serviço. Dessa forma, um soldado com dez anos de serviço se tornaria cabo e, cinco anos depois, era promovido a sargento sem a necessidade de passar por concursos ou outra medição de meritocracia.

Total no Rio: 45.583
Total em São Paulo: 84.422
1 – Em 1996, praças passaram a ser promovidos só por tempo de serviço; em SP, promoção depende de concurso
2 – O soldado era promovido para cabo após 10 anos de serviço e, com 15, se tornava sargento
3 – Em 2012, uma alteração legislativa reduziu esse período para 6 e 12 anos, respectivamente

No Estado faltam 22.410 soldados
Mas sobram 8.086 sargentos
Fonte: Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro

A situação foi agravada com a alteração do decreto em 2012, na gestão Sérgio Cabral (MDB). O primeiro intervalo de promoção foi reduzido de dez para seis anos. O segundo, de 15 para 12 anos.

Também foi alterada a obrigação de o PM ter uma ficha com classificação de comportamento “ótimo” e “excepcional”. Para ser promovido precisaria estar no “bom”.

Até o final do passado, segundo documentos obtidos pela reportagem, o deficit no número considerado ideal de soldados na corporação era de 22.410 vagas, enquanto os cargos de sargento tinham excedente de 8.086 policiais. “Eles inverteram e perverteram a cadeia de comando. Ela foi sabotada internamente por interesses eleitoreiros”, diz a antropóloga da UFF.

Em SP, por exemplo, um soldado pode se tornar cabo e, depois, só vira sargento mediante aprovação em um concurso interno da polícia.

IMPROVISO

A quantidade de sargentos não representa redução do efetivo de patrulhamento na rua. Mas graduados são escalados em funções subalternas, gerando cenas incomuns no meio militar –como um sargento dirigindo para outro sargento um carro de patrulha.

Também há sargentos como sentinelas nas entradas de batalhões, conforme a Folha constatou ao longo da semana, posições geralmente destinadas a soldados recrutas. Essa banalização da função de sargento traz efeitos para toda a cadeia de comando porque se perde a essência do cargo de fiscalizar e orientar os subalternos e exigir o cumprimento de regras e boas práticas na função.

Na prática, as ruas do Rio contam com um policiamento mais caro (já que o salário de um soldado é de R$ 2.743, contra R$ 4.236 de um sargento) e menos eficiente. “Você perde um soldado, mas não ganha um sargento”, diz o especialista em segurança José Vicente da Silva (coronel da reserva da PM paulista), que classifica a situação do Rio como “aberração”.

Em São Paulo, afirma o coronel, um policial para se tornar sargento precisa ser primeiro cabo da PM e, depois, participar de concorrido concurso e, se aprovado, frequentar curso de aperfeiçoamento profissional por um ano. Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados demonstram um “colapso organizacional” do policiamento ostensivo no Rio.

“A situação mostra que a estrutura da polícia precisa ser revista. Precisa de uma rearquitetura. O sargento é o elo de supervisão, assim como tenente, tem outro perfil na tropa”, afirma Lima.

DESEQUILÍBRIO

O desequilíbrio da tropa no patrulhamento das ruas do Rio se agravou nos últimos 12 anos em razão da política de implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), com o discurso de utilizar soldados recém-formados, não “contaminados” pelo alto índice de corrupção da tropa fluminense.

Essa política levou a uma concentração de quase metade de todos os soldados da PM do Rio trabalhando nas UPPs. Eram no ano passado 7.167 homens espalhados em 38 comunidades fluminenses.

Nessas unidades, o número de soldados chegava a quase 80% do efetivo. Nos batalhões de área, responsáveis pelo patrulhamento do “asfalto”, esse número não chega 20%.

Para o coronel da reserva Carlos Fernando Ferreira Belo, presidente da associação dos oficiais do Rio, a política da implantação das UPPs não respeitou as particularidades da estrutura militar ao dar aos capitães dessas unidades uma tropa maior do que a de batalhões da mesma região sob comando de coronéis.

“Há áreas em que capitães comandam 600 homens e o coronel, 150”, afirma. Questionada, a PM do Rio não se manifestou.

Folha de São Paulo

 

Opinião dos leitores

  1. Muito simples de explicar, e mesma. Situação que está ocorrendo no desgoverno do RN, se não existe concursos a anos não há equiparidade nas promoções, os policiais não tem culpa disto, mas sim o governo…
    Quem fez a matéria no mínimo deveria ter noção de militarismo, para não distorcer a informação.
    Mesmo na mesma graduação existe antiguidade entre os pares e subordinados….

  2. Enquanto isso o RN tem um déficit enorme de soldados PM e BM, sendo que nos bombeiros nem tenente existe. E o governo da segurança diz estar trabalhando. Chamem os aprovados nos concursos de soldado e oficial BM, cumpram a lei. A corporação hoje tem déficit de mais de 500 homens.

  3. O esquerdismo sempre procurando fazer reportagens para ridicularizar.
    650 mil homicídios em 13 anos.
    Essas reportagens parecem mais história de fuxico de criança… A folha constatou que há sargentos de sentinela…
    Muito útil a contribuição da folha para melhorar a segurança.
    Por que não falaram nada há 10, 20 anos?
    Aqui no RN a pressão é grande para se fazerem promoções…
    Diárias operacionais é outro problema.

  4. Rapaz é uma vergonha. Os oficiais tem um plano de carreira único, e criticam PQ implantaram esse plano prós praças.
    Eles não sabem administrar e distribuir o efetivo e acrescentar novos policiais a cada ano, aí querem atribuir a violência ao fato de que Sgt não trabalha com Sgt.
    Vão criar outra desculpa seus incompetentes, que essa não cola.

  5. Esse especialista não passa de um mentiroso, no mínimo não entende nada de hierarquia, pois mesmo que a polícia fosse composta só por sargentos sempre teria um mais antigo do que outro. Certamente a culpa foi do governo que não fez concurso para preenchimento das vagas de soldado. Aqui no RN por exemplo, se o governo não fizer nenhum concurso para soldado, em 2020 não existirá mais nenhum soldado, pois de acordo com a lei de promoção todos serão promovidos a graduação de cabo. A culpa é de quem? Toda carreira seja ela qual for existe progressão, só o coitado do soldado que não merece ser promovido? Rsrsrs

  6. Esse especialista não passa de um mentiroso, no mínimo não entende nada de hierarquia, pois mesmo que a polícia fosse composta só por sargentos sempre teria um mais antigo do que outro. Certamente a culpa foi do governo que não fez concurso para preenchimento das vagas de soldado. Aqui no RN por exemplo, se o governo não fizer nem um concurso para soldado, em 2020 não existirá mais nenhum soldado, pois de acordo com a lei de promoção todos serão promovidos a graduação de cabo. A culpa é de quem? Toda carreira seja ela qual for existe progressão, só o coitado do soldado que não merece ser promovido? Rsrsrs

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ELEIÇÕES 2026: Blog do BG divulga nesta quinta-feira (3) a nova pesquisa do Instituto Perfil sobre a disputa pelo voto no RN

Fotos: Foto: Adriano Abreu/João Gilberto/ALRN e Divulgação

O Blog do BG divulga nesta quinta-feira (3) mais uma pesquisa de intenção de votos para as eleições de 2026 no RN.

O levantamento foi realizado pelo Instituto Perfil e será divulgado a partir das 12h30, simultaneamente no blog e durante o programa “Meio Dia RN”, transmitido pela 96 FM.

A terceira pesquisa realizada pelo Blog do BG em parceria com o Instituto Perfil mostrará o cenário atualizado da disputa pelo Governo do Estado, as duas vagas ao Senado, os cargos de deputado federal e estadual e a Presidência da República.

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CASO MASTER: Gonet e família são citados 33 vezes em investigação que a PGR quer anular

Foto: Carlos Moura/STF

O procurador-geral da República Paulo Gonet e integrantes de sua família aparecem ao menos 33 vezes no relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e informações do caso Banco Master. Apesar disso, ele apresentou um pedido de nulidade da investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Gonet argumenta que o ministro André Mendonça não poderia ter determinado à PF o aprofundamento das apurações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes sem autorização do plenário do STF. Para o PGR, a ordem teria extrapolado os limites de atuação do relator na fase pré-processual.

O relatório, porém, também traz referências ao próprio Gonet. De acordo com a investigação, o procurador-geral aparece identificado pelo nome e também pelas iniciais “PG” em mensagens trocadas pelo advogado Ciro Soares com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em uma das conversas, Gonet aparece em uma fotografia ao lado de Ciro Soares. Em outra, o procurador-geral demonstra entusiasmo com uma possível viagem para participar de um evento em Londres. Depois, informa que não poderia participar e pergunta se seu filho poderia substituí-lo. O evento acabou não acontecendo.

As mensagens fazem parte do material apreendido pela PF no celular de Vorcaro e foram tornadas públicas após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos da investigação.

Com informações da coluna de Andreza Matais no Metrópoles

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CRISE NO STF: Fachin é aconselhado por ministros a assumir investigação contra Moraes e tentar conter crise

Foto: Antonio Augusto/STF

Uma ala de ministros do STF defende que o presidente da Corte, Edson Fachin, assuma a relatoria da apuração sobre a relação entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, a avaliação interna é de que a mudança poderia reduzir a temperatura da crise que atingiu o Supremo após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.

A investigação foi solicitada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. A tensão aumentou depois que Mendonça retirou o sigilo das mensagens.

Aliados de Moraes acusam Mendonça de atropelar o rito processual e atribuem motivação eleitoral à condução do caso. Diante do desgaste, ministros defendem que Fachin avoque a investigação na condição de presidente do STF.

A medida é vista por essa ala da Corte como uma saída para tentar conter uma das maiores crises internas enfrentadas pelo Supremo.

André Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens e informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. As conversas trouxeram à tona uma série de revelações envolvendo o integrante do STF, sua família e o dono do Banco Master.

A investigação aponta contratos milionários, proposta de pagamento com cotas de jato e helicóptero, além de viagens e experiências de luxo que teriam sido oferecidas pelo banqueiro ao ministro e seus familiares.

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PF faz operação contra abuso sexual infantil em Parnamirim e Mossoró; ação prende 31 no país

Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte nesta quarta-feira (2), durante uma operação nacional contra crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes. Os alvos ficam em Parnamirim e Mossoró.

As ações fazem parte da Operação Proteção Integral V, que investiga armazenamento, compartilhamento, comercialização e produção de material de abuso sexual infantojuvenil.

A ofensiva ocorre simultaneamente nas 27 unidades da Federação, com participação da PF e das Polícias Civis de 20 estados. Ao todo, foram cumpridos 153 mandados de busca e apreensão e 13 de prisão preventiva.

Até o momento, 31 pessoas foram presas em flagrante, três menores foram apreendidos e duas vítimas de abuso foram resgatadas. A operação mobiliza 755 policiais, sendo 480 federais e 275 civis.

A ação dá continuidade às operações realizadas pela PF em 2025 e 2026. Somente entre janeiro e agosto deste ano, a corporação cumpriu pelo menos 980 mandados de prisão contra foragidos da Justiça por crimes sexuais.

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METRÓPOLES: Documento reforça versão de André Mendonça sobre reunião com Daniel Vorcaro

Foto: Luiz Roberto/TSE

Um documento obtido pelo Metrópoles reforça a versão apresentada pelo ministro André Mendonça sobre o encontro que teve com o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com o registro, a reunião ocorreu para tratar de uma ação relacionada ao pagamento de precatórios. A informação contraria versões que tentavam associar o encontro a outros assuntos envolvendo o Banco Master.

Mendonça já havia confirmado publicamente que se reuniu com Vorcaro e afirmou que o encontro teve caráter institucional, relacionado ao tema dos precatórios. O documento agora revelado confirma a explicação apresentada pelo ministro e ocorre em meio à crise envolvendo as relações de Vorcaro com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente o ministro Alexandre de Moraes.

André Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens e informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. As conversas trouxeram à tona uma série de revelações envolvendo o integrante do STF, sua família e o dono do Banco Master. A investigação aponta contratos milionários, proposta de pagamento com cotas de jato e helicóptero, além de viagens e experiências de luxo que teriam sido oferecidas pelo banqueiro ao ministro e seus familiares.

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PESQUISA GENIAL/QUAEST: Pesquisa mostra Lula estagnado e empatado tecnicamente com Flávio Bolsonaro no 2º turno

Fotos: Evaristo Sá/AFP e Beto Barata/PL

A nova Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) confirma que Lula (PT) está estagnado e aparece com 42% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Flávio Bolsonaro (PL), que tem 41% em um eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República.

No levantamento anterior, Lula tinha uma vantagem de 3 pontos percentuais sobre Flávio, que agora recuou para apenas um ponto percentual. Flávio oscilou positivamente 1 ponto, enquanto Lula caiu 1 ponto.

A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-07065/2026.

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[VÍDEO] RECADO: Fachin admite momento de “especial gravidade” no STF e promete medidas após caso Moraes-Vorcaro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que a instituição vive um momento de “especial gravidade” após a divulgação das mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Fachin não citou diretamente Alexandre de Moraes, mas disse que os indícios revelados pela Polícia Federal “reclamam o devido encaminhamento institucional” e defendeu que a situação seja tratada com “serenidade, responsabilidade e firmeza”.

Em um recado considerado direto aos integrantes do STF, o presidente afirmou que o cargo de ministro não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades. Fachin também anunciou que, nos próximos dias, após analisar os fatos e os procedimentos cabíveis, irá anunciar as medidas que considerar necessárias.

A manifestação ocorre um dia após a crise sem precedentes provocada pela decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens e informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.

As conversas trouxeram à tona uma série de revelações envolvendo Alexandre de Moraes, sua família e o dono do Banco Master. A investigação aponta contratos milionários, proposta de pagamento com cotas de jato e helicóptero, além de viagens e experiências de luxo que teriam sido oferecidas pelo banqueiro ao ministro e seus familiares.

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EM CIMA DO MURO: Alcolumbre engaveta impeachment de ministros e espera crise se resolver dentro do próprio STF

Foto:  Breno Esaki/Metrópoles

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu colocar os pedidos de impeachment contra ministros do STF em modo espera. Mesmo diante da pressão da oposição e da crise envolvendo integrantes da Suprema Corte, ele não pretende dar andamento às representações neste momento.

A estratégia é aguardar os próximos desdobramentos dentro do próprio STF antes de decidir se os pedidos terão algum encaminhamento no Senado. Entre eles estão as representações contra o ministro Alexandre de Moraes.

O presidente do Senado reconheceu que o volume de pedidos é fora do comum. De acordo com ele, já são 109 solicitações de impeachment contra os 10 ministros do STF que chegaram ao Congresso Nacional. Enquanto a crise se agrava, Alcolumbre resolveu convenientemente adotar a velha estratégia de ficar em cima do muro.

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CRISE NO STF: Mendonça admite encontro de duas horas com Vorcaro antes de assumir caso Master e que se limitou a “ouvir o empresário”

Fotos: Antonio Augusto/STF e Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, confirmou nesta quarta-feira (2) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em março de 2025, quase um ano antes de assumir a relatoria do caso.

De acordo com Mendonça, o encontro ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou aproximadamente duas horas e foi solicitado pelo próprio Vorcaro. Em nota, o ministro afirmou que se limitou a “ouvir o empresário”.

Ele relatou que a conversa tratou da Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco Master e que, naquela data, estava sob vista de outro ministro. Mendonça assumiu a relatoria do caso Master no STF somente em fevereiro de 2026.

Mendonça também confirmou ter recebido o advogado do banqueiro no mesmo mês. O ministro, porém, ressaltou que sua atuação no processo foi contrária aos interesses defendidos por Vorcaro. “Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário”, afirmou a nota.

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Mensagens revelam encontro reservado entre Vorcaro e ministro André Mendonça do STF

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Mensagens e áudios encontrados no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam que o banqueiro se reuniu reservadamente com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em março de 2025, em São Paulo (SP). As informações foram reveladas pelo jornalista Paulo Motoryn e foram confirmadas pela Jovem Pan.

De acordo com a Jovem Pan, o encontro ocorreu no dia 14 de março e durou cerca de duas horas. A reunião teria acontecido no endereço de um instituto fundado pelo ministro André Mendonça.

A aproximação entre Vorcaro e o ministro teria sido articulada durante semanas pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em áudio enviado ao banqueiro em 8 de fevereiro de 2025, Ciro afirmou que estava atuando para aproximá-lo de Mendonça. O advogado chegou a dizer que havia levado o ministro a uma alfaiataria e enviou a Vorcaro uma foto dos dois juntos.

As mensagens indicam ainda que Ciro e Cezinha conversaram com Mendonça sobre problemas enfrentados pelo Banco Master junto ao Banco Central. Em outro áudio, o advogado contou a Vorcaro que havia tratado da situação do banco com o ministro e que Mendonça queria receber o banqueiro.

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, afirmou Ciro na mensagem. A revelação coloca mais um ministro do STF no centro dos desdobramentos envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.

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