Geral

“Às vezes, o cara não vê o vídeo pela música, mas pela menina rebolando. É difícil competir com a bunda”, diz Kiko Zambianchi, que celebra 35 anos de carreira

Kiko Zambianchi celebra 35 anos de carreira com show nesta terça (31), às 21h, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo – Foto: Bob Sousa – Blog do Arcanjo – UOL

Por Miguel Arcanjo Prado

Fotos Bob Sousa

Compositor de sucessos como “Rolam as Pedras”, “Eu te Amo Você” e “Primeiros Erros”, Kiko Zambianchi é um dos grandes ídolos da geração Rock Brasil dos anos 1980. Ele celebra em São Paulo seus 35 anos de carreira com o show especial “Bem Bacana Demais” nesta terça (31), às 21h, no Teatro Porto Seguro (al. Barão de Piracicaba, 740) com ingressos entre R$ 20 (meia balcão) e R$ 60 (inteira plateia).

O músico de 57 anos nascido em Ribeirão Preto conversou com exclusividade com o Blog do Arcanjo no UOL. Falou sobre sua chegada na efervescente capital paulista em 1983, de como foi se tornar uma estrela do rock e dá sua opinião sobre a música que faz sucesso atualmente no Brasil: “A gente ainda luta contra a sacanagem, a bunda. Às vezes o cara não vê o vídeo pela música, mas pela menina rebolando. É difícil competir com bunda”.

Miguel Arcanjo Prado – O que você prepara para este show de 35 anos de carreira?

Kiko Zambianchi — O público verá nossas músicas que fizeram sucesso comigo, outras que fizeram sucesso com outras pessoas e coisas novas também. Vamos ter participações especiais também, entre elas da minha filha Ana Julia Zambianchi. Vão ter vários estilos, porque nem tudo que faço é rock. Eu já compus pra Zizi Possi.

Miguel Arcanjo Prado – Você é de Ribeirão Preto e veio para São Paulo no auge do começo da cena do rock?

Eu vim para São Paulo em 1983, aos 23 anos. Fiquei sofrendo, porque eu era superpopular em Ribeirão Preto, conhecia todo mundo. Aqui, entrava nos lugares, e não conhecia ninguém. Foi um sofrimento! Aí eu fui morar em uma casa que tinham oito mulheres.

Miguel Arcanjo Prado – Era ‘A Casa das Oito Mulheres’ [risos]?

Kiko Zambianchi — Isso mesmo. Uma delas namorava o Rui Mendes, que virou o maior fotógrafo dos anos 1980 do rock’n’roll. E o Paulo Ricardo também ia muito lá. Ele nem era músico ainda. Ele era crítico da revista SomTrês. Comecei a conhecer o pessoal. Com oito mulheres na casa é claro que ia chover de homens, então, acabei conhecendo muita gente do rock’n’roll e conhecendo coisas novas. Passei a ir muito no Madame Satã, no Rose Bom Bom, no Radar Tantan.

Miguel Arcanjo Prado – Mas você já tinha a experiência de Ribeirão.

Kiko Zambianchi – Antes de eu vir para São Paulo, o primeiro show que toquei foi com o João Bosco, lá em Ribeirão. Teve uma festa da USP e o pessoal me falou que tinha o João Bosco. A gente ficou tocando até quatro e meia da manhã. Aí no outro dia ele me chamou para ir tocar com ele em Barretos. Eu fui e acabei tocando no meu primeiro show ao lado de uma grande figura, tocando percussão para o João Bosco.

Miguel Arcanjo Prado – O que você fazia lá em Ribeirão?

Kiko Zambianchi – Eu fazia som nas festas universitárias. Comecei a fazer festivais com 14, 15 anos. Eu ganhava vários festivais. Desde moleque o que eu gostava de fazer era música. Eu sempre fiz música.

Miguel Arcanjo Prado – Por que veio para São Paulo?

Kiko Zambianchi – Eu vim porque percebi que estava rolando uma cena do rock. Pensei: se essas pessoas estão acontecendo, eu posso acontecer também. Já estava com 23 anos e com quase dez anos de carreira [risos]. Então, eu vim. Em Ribeirão, com 17 anos era apresentado como o “veterano” em festivais.

Miguel Arcanjo Prado – Então você já veio confiante.

Kiko Zambianchi – Cheguei e fui contratado em um mês pela gravadora EMI. Mandei uma fita K7 C120, com os dois lados cheios de música inédita que eu tinha composto. Quando o cara da gravadora viu aquilo me contratou. Voltei para Ribeirão e contei para meu pai e ele não acreditava.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi viver de música tão jovem?

Kiko Zambianchi – Quando me senti totalmente autônomo financeiramente foi antes de São Paulo, ainda em Ribeirão, com 16, 17 anos. Lembro que falei um dia: pai, estou indo para o Rio. Ele falou que não ia dar dinheiro, que eu não ia. Eu falei: não, pai, só estou avisando, vou com meu dinheiro. Eu tinha um primo no Rio e gostava muito de ir para lá, curtir a praia.

Miguel Arcanjo Prado – E em São Paulo logo você entrou na cena do rock?

Kiko Zambianchi – Foi rápido. Através dos amigos que fiz aqui que frequentavam a cena do rock’n’roll fui conhecendo todo mundo. Vi show do Ira, vi show do Titãs quando eles foram contratados, lembro do Paulo Ricardo parando no jornalismo e começando no RPM.

Miguel Arcanjo Prado – Quando você ficou famoso?

Kiko Zambianchi – Foi no final de 1984. Fiz “Rolam as Pedras” e não esperava tanto sucesso. Achei a música cabeça demais para o que estava rolando. Titãs era “Sonífera Ilha”, o Ultraje a Rigor era “Inútil”, o Paralamas era “Óculos e eu com “Rolam as Pedras”: “Vejo os sonhos livres, pais, irmãos e filhos, corpos tão estranhos aos meus…”. Na época até tive uma discussão com meu produtor, falando que a música era muito cabeça e não tinha a ver com o cenário. Mas, na verdade, a música refletia muito o que estava acontecendo no mundo em termos de rock’n’roll, porque o punk já estava caindo lá fora. O “Rolam as Pedras” tocou muito na rádio.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi viver este momento de se tornar um ídolo do rock?

Kiko Zambianchi – Nunca me senti um rock star. Ainda hoje não tenho essa certeza que eu sou alguma coisa. Mas foi demais ouvir a primeira vez no rádio no final de 1984. Começou a tocar em Ribeirão Preto, todo mundo falando que viu minha música, aí começaram a rolar muitos shows . Até que eu fui para o Chacrinha, onde encontrei todos os caras que eu perturbava quando iam a Ribeirão.

Miguel Arcanjo Prado – Que encontro no Chacrinha foi marcante?

Kiko Zambianchi – Encontrei o Gilberto Gil no Chacrinha, e ele falou: Kiko, o que você está fazendo aqui? Eu falei, eu lancei uma música aí [risos]. O Gilberto Gil eu conhecia de Ribeirão. Quando ele tocou lá, fui no hotel dele e fiquei tocando com ele a tarde inteira. Ele depois falou no show dele de mim, que o povo devia me conhecer. Essas coisas que acabaram me dando, não a certeza, mas uma vontade de seguir na música.

Miguel Arcanjo Prado – Você falou do Chacrinha, que tinha essa característica genial de misturar tudo no programa dele. Você acha que falta esse espaço para a música hoje na TV, para deixar surgir coisas novas?

Kiko Zambianchi – Nos anos 1980, a TV brasileira tinha muita abertura para o rock e em um lugar muito popular, como o Chacrinha. Eu vejo que na época tinha uma cena de rock. Quase todas as novelas tinham rock’n’roll. A gente tinha o pai do Cazuza, o João Araújo, chefe da Som Livre. Isso foi primordial. O pai de um roqueiro estava na direção de uma empresa que era a única sócia da Rede Globo, o único sócio dos Marinho era o João Araújo. Ele começou a colocar o rock’n’roll nas novelas. As rádios passaram a tocar e se criou uma cena de rock no Brasil.

Miguel Arcanjo Prado – E as músicas do rock diziam coisas muito interessantes.

Kiko Zambianchi – A ditadura começou a deixar as pessoas falarem. A gente podia falar o que não estava gostando, era final da ditadura. Tivemos ainda discos censurados, como o da Blitz, que vinha riscado, uma coisa ridícula. Estava começando a abertura. Então, era um período de efervescência, de um novo rumo para a música, onde se procurava novos artistas para criar essa cena de rock. E essa era a diferença: a mídia apoiava. Estava tudo favorável. Lá fora teve o punk, depois o new wave. E foi a primeira vez que na história das rádios que se tocou mais música brasileira que estrangeira. Acho até que esse sucesso aqui preocupou lá fora.

Miguel Arcanjo Prado – Como você vê a atual cena musical?

Kiko Zambianchi – Os brasileiros colocaram as bananas de novo na cabeça, enquanto os gringos são os chiques. Voltou a ter o apelo folclórico, regional, na música brasileira. O rock brasileiro dos anos 1980 era uma música internacional. O Rock in Rio foi um exemplo disso, fazendo um intercâmbio entre o rock daqui e o de lá de fora. Muitos bons artistas estão aqui até hoje surgiu por essa busca por artistas de qualidade que houve nos anos 1980. Hoje está diferente, temos uma coisa mais imediatista.

Miguel Arcanjo Prado – Como você vê o domínio atual na música brasileira do sertanejo e do funk carioca?

Kiko Zambianchi – Se fosse sertanejo ainda estava bom. Mas são pessoas da capital e até cariocas que fazem sertanejo visando única e exclusivamente estourar e ganhar dinheiro. Tem gente que se propõe a fazer para sobreviver. Você vê muito sertanejo que gosta de rock’n’roll, está ali fazendo aquilo para sobreviver e ganhar dinheiro. Por outro lado vemos artistas que estão ali e de uma hora para outra podem desaparecer. Nos anos 1990 tivemos uma leva de artistas que tivemos de engolir todos os sábados e domingos, do mais baixo nível, que depois desapareceram e, junto deles, os fãs. O que não faltam são artistas bons de qualidade, compondo e fazendo coisas legais, não só no rock, como na MPB e em outros estilos, mas falta espaço, sobretudo na mídia.

Miguel Arcanjo Prado – Falta um João Araújo, um Boni, que banque novos artistas bons na TV e os transforme em ídolos da massa?

Kiko Zambianchi – Talvez. Uma coisa que nunca achei que fosse sentir falta é de um diretor artístico, que faça a seleção de quem é o quê. Nos anos 1980 a gente tinha a Gretchen e a Xuxa, mas não se esquecia de artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Sempre tivemos esse lado popularesco, mas a gravadora tinha uma noção do que era um músico de carreira e o que era a música do momento. Tinha uma diferença grande neste sentido de perceber o que é uma coisa, o que é outra. Hoje em dia está tudo meio jogado. Você vê falar que alguns artistas são gênios e você vai ver o que são e acha meio estranho.

O músico Kiko Zambianchi conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado – Foto: Bob Sousa – Blog do Arcanjo – UOL

Miguel Arcanjo Prado – O que acha do YouTube?

Kiko Zambianchi – O YouTube é muito legal para divulgar o trabalho, mas ao mesmo tempo, junto com o cara bom vem 400 mil ruins. Então, para você achar um cara legal vai ter de insistir e procurar muito. E geralmente o público procura o que é mais fácil, rápido e engraçado e aquilo ali toma espaço de muita gente boa, que poderia ser descoberta. A gente tinha de tomar cuidado porque hoje em dia qualquer um é repórter, qualquer um é artista, qualquer um é apresentador. E alguns levam a sério como se fossem famozaços. É uma faca de dois gumes, ajuda, mas também atrapalha. Tem de peneirar. É preciso procurar para achar artistas bons. E a gente ainda luta contra a sacanagem, a bunda. Às vezes o cara não vê o vídeo pela música, mas pela menina rebolando. É difícil competir com a bunda.

Miguel Arcanjo Prado – Qual sua visão das eleições neste ano? Quem você quer que ganhe e quem você quer que não ganhe?

Kiko Zambianchi – Antes eu até questionava bastante e achava isso, achava aquilo. Eu sinceramente agora acho que estamos ferrados. A solução seria não votar em nenhum político que está aí. É preciso procurar uma pessoa que nunca esteve na política. Mesmo se não for legal, pelo menos é novo, não já vai estar ainda fazendo parte daquela quadrilha. Eu acredito nisso: temos de tirar todo mundo que está lá e botar gente nova. Adoraria que o pais tivesse uma regra que, para ser político, você tivesse que ter pelo menos uma faculdade, uma especialização, porque é muita gente ignorante sendo colocada na política para depois virar manobra e moeda para pessoas de má índole e má intenção.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a cara da sua música?

Kiko Zambianchi – Eu gosto de tudo. Eu não consigo me definir como isso ou aquilo. Gosto de compor principalmente, é o meu forte. Componho vários tipos de música e gosto disso. Você pode dizer que eu sou mais compositor do que cantor. Eu vou fluindo no que vem aparecendo. Eu tenho uma ideia e parto dela para fazer a música, não tenho preconceito nesse sentido. Eu tenho uma coisa meio espiritual, talvez, com a composição. Eu passo um pouco mal quando vou compor e não tenho uma composição igual. Componho reggae, rock, clássico, trilha. Eu gosto de várias coisas. Claro que tem gêneros que não são minha praia, não faço axé, sertanejo, pagode, mas faço MPB.

Miguel Arcanjo Prado — E funk?

Kiko Zambianchi – Esse funk que está aí para mim não é funk, é funk carioca. Não é minha praia também. O outro funk, tipos Motown, James Brown, eu gosto. Isso pra mim é funk.

https://blogdoarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/27/kiko-zambianchi-faz-35-anos-de-carreira-e-dificil-competir-com-a-bunda/

 

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Mundo

“Terminamos a guerra com o Irã hoje”, diz Donald Trump

Foto: Getty

O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos haviam “encerrado a guerra” com o Irã nesta quinta (11), após declarar anteriormente que os dois lados concordaram com um “memorando de entendimento muito forte” para interromper os combates.

“Não sei se vocês ouviram, mas encerramos a guerra com o Irã hoje”, disse o presidente Donald Trump durante um comício virtual em apoio ao vice-governador da Geórgia, Burt Jones, que está concorrendo ao governo do estado. “Eles concordaram em nunca ter uma arma nuclear, algo em que insistimos; esse era o objetivo principal. Isso representava 95% da questão.”

A declaração de Trump veio depois de ele cancelar novos ataques contra o Irã mais cedo nesta quinta, sugerindo no Truth Social que um acordo havia sido alcançado, sem detalhar seus termos.

O Irã não confirmou que qualquer acordo tenha sido fechado, e Trump afirmou na publicação na rede social que o bloqueio dos EUA a navios que entram ou saem dos portos iranianos continuará até que “esta transação seja finalizada”.

 

CNN

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Brasil

Coca-Cola assume prejuízo após onda de roubos de rótulos com figurinhas da Copa

Foto: Reprodução

A parceria entre a Coca-Cola e a Panini para distribuir figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2026 nos rótulos das garrafas acabou provocando uma onda de furtos dos plásticos das embalagens em estabelecimentos. Como os refrigerantes não podem ser comercializados sem o rótulo, a responsabilidade pelos prejuízos recai sobre a fornecedora. Diante disso, a companhia assumiu os custos e passou a recolher as garrafas adulteradas dos pontos de venda que solicitarem o procedimento.

Ao portal Extra, a Coca-Cola informou que os estabelecimentos podem acionar as equipes comerciais da empresa para a adoção das medidas necessárias, “incluindo o recolhimento e a substituição dos produtos afetados”.

A orientação aos consumidores é que não adquiram produtos com sinais de violação ou adulteração. A empresa também informou que dúvidas e relatos podem ser encaminhados aos canais oficiais de atendimento da Coca-Cola Brasil para suporte e esclarecimentos.

A advogada especialista em Direito do Consumidor Pamela Murcia afirma que, caso funcionários identifiquem pessoas removendo os rótulos das embalagens, a primeira medida deve ser reforçar a fiscalização e retirar imediatamente de circulação os produtos adulterados.

— O mais importante é evitar que o consumidor seja induzido a adquirir um produto incompleto — destaca.

Para a advogada, a retirada intencional dos rótulos não deve ser tratada como uma simples brincadeira.

— A depender das circunstâncias do caso concreto, a conduta pode caracterizar infração penal e gerar responsabilização pelos prejuízos causados ao estabelecimento comercial. Cada caso precisa ser analisado individualmente — afirma.

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Geral

PF recusa 2ª proposta de delação de Vorcaro por e-mail

Foto: Reprodução

A Polícia Federal rejeitou a nova versão da proposta de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Os delegados responsáveis pelas tratativas do acordo comunicaram a decisão aos advogados do dono do Banco Master na quarta-feira (10).

O dono do extinto Banco Master está preso desde 4 de março, no âmbito de uma das fases da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras.

As prisões e sucessivas fases da ação policial revelaram um dos maiores esquemas de corrupção financeira do país, envolvendo fraudes bilionárias e uma rede institucional de proteção.

Confira a cronologia do caso

Novembro de 2025: prisão no aeroporto

Daniel Vorcaro foi preso em flagrante pela Polícia Federal em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai.

Na mesma época, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio por supostas fraudes na emissão de títulos de crédito.

Após 11 dias detido, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou a substituição da prisão por medidas cautelares, permitindo que ele deixasse a prisão sob monitoramento eletrônico.

Março de 2026: segunda prisão e a descoberta da Turma

Vorcaro voltou a ser preso preventivamente em 4 de março deste ano, por determinação do ministro do STF André Mendonça, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a PF, o ex-banqueiro comandava um grupo de inteligência e coerção conhecido como “A Turma”, responsável por invasões de dispositivos eletrônicos e intimidação de desafetos e jornalistas.

Também foram presos o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado como administrador de empresas ligadas ao grupo; e Luiz Philip Mourão, conhecido como “Sicário” e descrito como braço operacional da organização, que atentou contra a própria vida na cela onde estava custodiado e morreu dois dias depois

Dois dias depois da segunda prisão, Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.

Abril e maio de 2026: avanço sobre os núcleos político e familiar

  • 16 de abril: Na quarta fase da operação, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso sob suspeita de receber imóveis de luxo como propina para viabilizar operações financeiras sem lastro envolvendo o Banco Master.
  • 7 de maio: A quinta fase teve como alvo endereços ligados ao senador Ciro Nogueira. A PF sustenta que o parlamentar teria utilizado o mandato para favorecer o ex-banqueiro em troca de vantagens indevidas.
  • 13 de maio: Áudios de Flávio Bolsonaro são divulgados revelando pedidos de apoio financeiro ao Dark Horse, filme de Jair Bolsonaro. Na semana seguinte, o senador confirmou ter se reunido com Daniel Vorcaro em dezembro de 2025.
  • 14 de maio: Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, foi preso sob suspeita de atuar no grupo de intimidação física e cibernética, repassando ordens e pagamentos à Turma.
  • 19 de maio: Na sexta fase, agentes da própria Polícia Federal e peritos foram alvo de mandados de prisão e afastamento por suposta participação no esquema de espionagem. A investigação aponta vazamento de informações sigilosas e acesso irregular a bases de dados do Ministério Público Federal e da Interpol.

20 de maio de 2026: 1ª delação rejeitada

A Polícia Federal rejeitou formalmente a primeira proposta de delação premiada de Vorcaro. Segundo investigadores, o material era superficial e omitia informações sobre aliados políticos. Após a decisão, o ex-banqueiro reformulou sua equipe jurídica.

Nos bastidores, aliados de Vorcaro avaliavam que o advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, havia tensionado a relação com o ministro André Mendonça e dificultado o avanço de um acordo de colaboração.

Análise entorno de Vorcaro era de que o advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, tensionou a relação com Mendonça e inviabilizou uma delação. A saída levou a uma reorganização com o advogado criminal Sérgio Leonardo assumindo à frente do caso e a equipe que tinha 14 integrantes passou para cinco.

Junho de 2026: a nova proposta

Na nova proposta, protocolada na PGR entre os dias 1º e 2 de junho, Vorcaro ampliou o conteúdo da colaboração.

Segundo a apuração, o documento passa a detalhar sua relação com integrantes dos Três Poderes e inclui informações sobre o financiamento do filme solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro e sobre pagamentos periódicos destinados a Ciro Nogueira.

 

CNN

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Esporte

Copa do Mundo 2026 pagará o maior prêmio da história

Foto: EFE

A Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá começa nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, no México. O duelo inicial entre o anfitrião e a África do Sul será o primeiro de 104 jogos ao todo na competição, a maior da história em quantidade de seleções.

A competição, que começou com 13 participantes em 1930, evoluiu gradativamente até chegar pela primeira vez a 48 delegações. Entre 1998 e 2022, 32 seleções disputaram o torneio mais importante do futebol mundial. O aumento na participação tornou a competição ainda mais valiosa. As informações são do Pleno News.

Os valores da premiação serão recorde na edição de 2026. Apenas pela participação, cada delegação receberá 10 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 51,4 milhões, além de um bônus de 1,5 milhão de dólares — cerca de R$ 7,7 milhões — para ajudar nos custos operacionais e logísticos.

Até as quartas de final, as seleções receberão um acréscimo de 4 milhões de dólares, cerca de R$ 20,5 milhões. Já entre os semifinalistas, os valores serão divididos pela posição no pódio. O campeão receberá o prêmio total de 50 milhões de dólares, cerca de R$ 257 milhões.

A seleção vencedora nesta edição receberá uma premiação 19% maior que a da edição do Catar, em 2022. Naquela oportunidade, a Argentina faturou 42 milhões de dólares, cerca de R$ 218,4 milhões na cotação da época.

PREMIAÇÃO DETALHADA DA COPA 2026, EM DÓLARES:

  • Campeão: 50 milhões (R$ 257 milhões)
  • Vice-campeão: 33 milhões (169,6 milhões)
  • 3º lugar: 29 milhões (R$ 149 milhões)
  • 4º lugar: 27 milhões (R$ 138,7 milhões)
  • Quartas de Final: 19 milhões (R$ 97,6 milhões)
  • Oitavas de Final: 15 milhões (R$ 77,1 milhões)
  • Segunda Fase (16 avos): 11 milhões (R$ 56,5 milhões)
  • Participação: 9 milhões (R$ 46,2 milhões) + 1,5 milhão (R$ 7,7 milhões) para suporte operacional

 

 

 

 

 

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Geral

José Dirceu critica equipe econômica de Lula: ‘Fizeram quase um crime’

Foto: Reprodução

O ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal José Dirceu (PT) considerou que a equipe econômica do governo de Lula (PT) errou e cometeu “quase um crime”, ao não buscar alternativas à política monetária restritiva que pune o desenvolvimento do País. Durante entrevista à Rádio Bandeirantes, na manhã desta quinta-feira (11), Dirceu defendia mecanismos para conter a inflação sem esfriar a economia e frear o potencial produtivo do Brasil.

Veja o trecho da entrevista de José Dirceu aos jornalistas Pedro Campos, Guilherme Macalossi e Cláudio Humberto, também do Diário do Poder, transmitida simultaneamente pela Bandeirantes e BandNews TV:

“Erraram, erraram! E fizeram quase um crime contra o País. Meta de inflação de 3% em um País que é a 7ª economia no mundo, tem 200 milhões de habitantes, é o 8º país no mundo. Um País que é uma potência tem que fazer política própria, pensar nos seus interesses. O Brasil não tem nenhum problema com os Estados Unidos. Quem tá criando problema… O problema é político com o Brasil”, disparou José Dirceu.

A crítica foi feita durante entrevista ao programa Jornal da Gente. Quando Dirceu defendia a redução de jornada de trabalho para 5×2 e novos rumos para a economia, ele foi lembrado de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) é composto por ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, todos indicados pelo presidente Lula.

O CNM já foi composto pelos ex-ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, e segue integrado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e pelos atuais ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti. Todos criticados por não adotar uma política monetária de câmbio como a de outros países, imprimindo moeda como saída para o cenário de crise mundial e com guerras, por exemplo.

 

Diário do Poder

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Mundo

Tribunal dos EUA autoriza Trump a manter tarifa global de 10%

Foto: Getty

Um tribunal de apelação dos EUA prorrogou, nesta quinta-feira (11), a suspensão de uma decisão de primeira instância contra a tarifa global de 10% imposta pelo governo Trump com base na Seção 122 da Lei de Comércio.

A decisão manteve a cobrança da tarifa global de 10% para três importadores enquanto segue em análise o recurso apresentado pelo governo. A medida prolonga uma decisão temporária que havia restabelecido a tarifa após uma vitória dos importadores em primeira instância.

Em 7 de maio, o Tribunal de Comércio Internacional dos EUA decidiu contra a aplicação das novas tarifas. No entanto, a decisão não determinou a suspensão ampla da cobrança. Os autores da ação — duas pequenas empresas e o estado de Washington, que pagou tarifas sobre compras realizadas pela Universidade de Washington — obtiveram apenas um alívio restrito.

O governo Trump recorreu da decisão e, em 12 de maio, o Tribunal de Apelações do Circuito Federal autorizou temporariamente a retomada da cobrança das tarifas para esses três importadores. Agora, a corte decidiu prorrogar essa autorização até o julgamento definitivo do recurso.

A tarifa global de 10% foi implementada em fevereiro, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a maior parte das tarifas impostas por Donald Trump em 2025. A medida foi adotada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.

Atualmente, a tarifa está prevista para expirar em julho, salvo se houver uma extensão aprovada pelo Congresso americano.

 

CNN

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Política

Flávio aciona STF para PF apurar reunião de Lula após prisão de Maduro

Foto: Ricardo Stuckert

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorize a Polícia Federal (PF) a apurar uma reunião realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a prisão de Nicolás Maduro.

Em documento apresentado nesta quinta-feira (11/6), o pré-candidato ao Palácio do Planalto pediu que a PF obtenha informações sobre um encontro que, segundo a defesa, teria sido convocado por Lula após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro.

Os advogados argumentam que as diligências são necessárias para demonstrar que Flávio não agiu com dolo de caluniar Lula ao publicar uma postagem no X, em janeiro deste ano. Na publicação, o senador compartilhou uma reportagem sobre a suposta reunião e escreveu que Lula seria “delatado”.

Flávio é alvo de um inquérito da PF após comentar no X uma reportagem do colunista do Metrópoles Igor Gadelha que relatava a convocação de uma reunião de emergência pelo governo brasileiro após a prisão de Maduro.

Além de informações sobre o encontro, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu que Moraes autorize a oitiva da líder opositora venezuelana María Corina Machado, do procurador norte-americano Walter Clayton III e do colaborador Euzenando Prazeres de Azevedo.

A defesa também pediu o compartilhamento de documentos da investigação e da ação penal abertas contra Maduro nos Estados Unidos.

O pedido ainda não foi analisado por Moraes.

 

Com informações de Metrópoles

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Geral

Deolane enfrenta escorpiões e pratos defecados na cadeia, diz irmã da influenciadora

FOTO: REPRODUÇÃO

A advogada Deolane Bezerra está passando por maus bocados, na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, em São Paulo. Presa preventivamente, a empresária está passando por crises de pânico, infestação de escorpião e alimentação inadequada.

Em entrevista ao repórter Lucas Pasin, do Metrópoles, Daniele Bezerra, irmã de Deolane Bezerra, revelou detalhes sobre as dificuldades que a influenciadora estaria enfrentando dentro da unidade prisional.

Segundo Daniele, Deolane tem receio de permanecer sozinha na cela durante a noite, principalmente após ter encontrado quatro escorpiões no local em um único dia e eliminado os animais. Ela também afirmou que, ao longo das três semanas em que está presa, a influenciadora precisou receber atendimento médico em duas ocasiões diferentes.

“Ela já foi socorrida duas vezes pela unidade. A pressão chegou a 9 por 6, e a enfermeira aplicou soro. Deolane tem crise de pânico e não consegue ficar na cela sozinha à noite”, disse Daniele a Pasin.

Além das dificuldades relacionadas às condições da cela, Daniele Bezerra também criticou a higiene dentro da unidade prisional. Segundo ela, Deolane estaria recebendo refeições em pratos que teriam sido utilizados por outras detentas para fazer necessidades fisiológicas.

De acordo com o relato, como parte da louça permanece nas celas, algumas internas utilizariam os utensílios de forma inadequada. Posteriormente, os itens seriam recolhidos, encaminhados à cozinha e reutilizados para servir as refeições. Daniele afirmou ainda que a higienização desses materiais não seria realizada de maneira adequada.

“Ela não consegue comer a comida porque os pratos são sujos. Muitos desses ficam trancados em celas e as presas os utilizam para urinar e defecar. Depois esses mesmos pratos são introduzidos na cozinha. Não são lavados corretamente, e voltam com a comida para as detentas”, afirmou.

Na terça-feira (9), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o pedido de liberdade provisória feito pela defesa. Agora Daniele, que também atua como advogada da irmã, pediu um novo habeas corpus e aguarda decisão.

Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio de 2026 durante a Operação Vérnix por suposto envolvimento e prática de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC (Primeiro Comando Capital).

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Geral

STF forma maioria para fixar prazo de 60 dias para big techs se adequarem

Foto: Luiz Silveira

O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria, nesta quinta-feira (11), para fixar o prazo de 60 dias para implementar as medidas determinadas pelo tribunal que aumentaram a responsabilidade das big techs pelo conteúdo que publicam.

A Corte iniciou a análise dos recursos das plataformas na quarta-feira (10). O prazo foi sugerido pelo relator de um dos recursos, o ministro Dias Toffoli. O entendimento foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Alexandre de Moraes.

Até o momento, os ministros que votaram concordaram com a concessão de prazo de 60 dias para adaptação às novas regras. As divergências concentram-se no alcance das obrigações e nos critérios para definir quais plataformas serão submetidas a elas. Ainda não há um consenso sobre elas.

Julgamento do Marco Civil

Em junho de 2025, o Plenário do STF julgou os Temas 987 e 533 da Repercussão Geral e, por maioria de votos (8 a 3), declarou a inconstitucionalidade parcial do artigo 19 do Marco Civil da Internet.

Até então, o dispositivo previa que as plataformas só poderiam ser punidas ou obrigadas a indenizar se descumprissem ordem judicial específica para a remoção de conteúdo. O Supremo alterou essa lógica ao entender que o modelo gerava “proteção insuficiente” à democracia e aos direitos fundamentais.

Os embargos foram apresentados por empresas de tecnologia e entidades da sociedade civil para questionar trechos da tese fixada pelo Supremo.

Entre os pontos contestados estavam a ausência de prazo para adaptação às novas regras, a abrangência das obrigações impostas às plataformas e a redação dos dispositivos relacionados à responsabilização civil das empresas.

CNN

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Política

Carla Dickson garante aprovação de projeto que amplia acesso à caneta emagrecedora através do SUS

Foto: Divulgação

A deputada federal Carla Dickson (PL-RN) teve papel decisivo na aprovação, na Comissão de Saúde da Câmara, do projeto que inclui a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, na lista de medicamentos entregues pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento da diabetes. Carla foi a relatora da matéria e apresentou parecer favorável. Ela construiu um texto substitutivo que fortalece a assistência integral aos pacientes, preservando os critérios técnicos e científicos.

“A população precisa ter acesso aos tratamentos mais modernos e eficazes disponíveis para o controle do diabetes, mas isso deve ocorrer com responsabilidade, observando critérios técnicos que garantam segurança aos pacientes e sustentabilidade ao sistema público de saúde. Nosso relatório encontrou esse equilíbrio e fortalece o cuidado com milhões de brasileiros que convivem com a doença”, destacou Carla Dickson.

O projeto de Lei nº 2.725/2024 é de autoria do deputado Acácio Favacho. Ao analisar a matéria, a parlamentar destacou que a tirzepatida é uma das mais modernas alternativas para o controle da obesidade, uma das causas da diabetes, mas ponderou que deve seguir critérios de eficácia, segurança e custo-benefício.

Em seu parecer, a deputada ressaltou que o Brasil já possui cerca de 18 milhões de pessoas com diabetes tipo 2 e que o avanço da doença está diretamente relacionado a fatores como obesidade, sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. Ela também destacou que medicamentos como a tirzepatida (Mounjaro), além de auxiliarem no controle glicêmico, representam avanços importantes no tratamento de pacientes que convivem com diabetes associado ao excesso de peso e à resistência à insulina.

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