Cidades

Procuradores pedem que STF “enquadre” Gilmar Mendes

Em carta aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), atacou o ministro Gilmar Mendes. A maior entidade de procuradores do País, responsável pela lista tríplice a cadeira de Procurador-Geral da República, defendeu a força-tarefa da Operação Lava Jato do Rio e criticou a ‘desenvoltura’ com que Gilmar Mendes ‘se envolve no debate pública, fora dos autos’.

O embate entre Gilmar Mendes e o Ministério Público ganhou dimensões elevadas quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a suspeição do ministro no caso do bilionário Eike Batista.

Confira:

Em nossa língua pátria, “supremo” é o que está acima de todos os demais. É o grau máximo. Em nossa Constituição, evidentemente não por acaso, a Corte que Vossas Excelências compõem é a cúpula do Poder Judiciário. É a responsável, portanto, por dizer por último e em definitivo o direito. Seus componentes – Vossas Excelências – estão acima de corregedorias, e respondem apenas a suas consciências. E assim tem de ser, em verdade, posto nosso sistema jurídico.

Isto traz, todavia, permitam-nos dizer, enorme responsabilidade, pois nos atos, nas decisões, no comportamento e nos exemplos, Vossas Excelências são e têm de ser fator de estabilidade. Vossas Excelências são, em larga medida, a imagem e a pedra em que se assenta a justiça no País.

De outra banda, o Tribunal – em sábia construção milenar da civilização – é sempre um coletivo. Cada um de seus componentes diz o direito, mas é o conjunto, a Corte, que o forma e configura, pela composição e debate de opiniões. O erro é da natureza humana. Mas espera-se – e sem duvida nenhuma logra-se – que o conjunto de mulheres e homens acerte mais, aproxime-se mais da Justiça. É lugar comum, portanto – e seria incabível erro pretender argumentar isso com o STF, que tantas vezes na história recente provou ter perfeita consciência de seu papel fundamental no País; aqui vai o ponto apenas porque necessário para a compreensão dos objetivos da carta – que a instituição, o Tribunal, é maior do que qualquer de seus componentes.

Postas estas premissas, instamos a que Vossas Excelências tomem o pedido público que se segue como um ato de respeito, pois assim o é. É do respeito ao Supremo Tribunal Federal e do respeito por cada um de seus componentes que exsurge a constatação de que apenas o Supremo pode conter, pode corrigir, um Ministro da própria Corte, quando seus atos e exemplos põem em dúvida a credibilidade de todo o Tribunal e da Justiça. Não se pretende aqui papel de censores de Membros do Supremo. Não existem corregedores do Supremo. Há a própria Corte. Só o próprio Tribunal pode exercer este papel.

Excelentíssimos Ministros, não é de hoje que causa perplexidade ao País a desenvoltura com que o Ministro Gilmar Mendes se envolve no debate público, dos mais diversos temas, fora dos autos, fugindo, assim, do papel e do cuidado que se espera de um Juiz, ainda que da Corte Suprema. Salta aos olhos que, em grau e assertividade, e em quantidade de comentários, Sua Excelência se destaca e destoa por completo do comportamento público de qualquer de seus pares. Magistrados outros, juízes e membros do Ministério Público, de instâncias inferiores, já responderam a suas corregedorias por declarações não raro bem menos assertivas do que as expostas com habitualidade por Sua Excelência. Não existem corregedores para os Membros do Supremo. Há apenas a própria Corte. Mas a Corte é a Justiça, e não se coaduna com qualquer silogismo razoável propor que precisamente o Supremo e seus componentes estivessem eventualmente acima das normas que regem todos os demais juízes.

Nos últimos tempos Sua Excelência, o Ministro Gilmar Mendes, parece ter voltado a uma de suas predileções – pode-se assim afirmar, tantas foram às vezes que assim agiu -, qual seja, atacar de forma desabrida e sem base instituições e a membros do Poder Judiciário e do Ministério Público, do Procurador-Geral da República a Juízes e Procuradores de todas as instâncias.

Notas públicas diversas já foram divulgadas para desagravar as constantes vítimas do tiroteio verbal – que comumente não parece ser desprovido de intenções políticas – do Ministro Gilmar Mendes. Concentremo-nos, então, na última leva de declarações rudes e injustas – atentatórias, portanto, ao dever de urbanidade – de Sua Excelência, que acompanham sua atuação como relator de Habeas Corpus de presos na Operação Ponto Final, executada no Rio de Janeiro.

Relator do Caso no Supremo, o Ministro Gilmar Mendes não só se dirigiu de forma desrespeitosa ao Juiz Federal que atua no caso, afirmando que, “em geral, é o cachorro que abana o rabo”, como lançou injustas ofensas aos Procuradores da República que oficiam na Lava Jato do Rio de Janeiro, a eles se referindo como “trêfegos e barulhentos”. Na mesma toada, insinuou que a a posição sumulada – e perfeitamente lógica – de não conhecimento de recursos em habeas corpus quando ainda não julgado o mérito pelas instâncias inferiores estaria sendo usada como proteção para covardia de tomar decisões. Com esta última declaração Sua Excelência conseguiu a proeza de lançar, de uma só vez, sombra de dúvida sobre a dignidade de todas as instâncias inferiores e mesmo a seus colegas de Tribunal, vale dizer, lançou-se em encontro à credibilidade de todo o Poder Judiciário.

Estas declarações trazem desde logo um grave desgaste ao STF e à Justiça brasileira. Nestas críticas parece ter esquecido o Ministro o dever de imparcialidade constante nos artigos 252 e 254 do Código de Processo Penal bem como na Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 8º), no Pacto de Direitos Civis e Políticas e na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Ademais, as declarações são absolutamente injustas.

Senhores Ministros, em nome dos Procuradores da República de todo o Brasil reforçamos aqui o apoio aos membros da Força-Tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que realizam um trabalho grandioso no combate à corrupção naquele Estado, que notoriamente já foi muito vilipendiado por violentos ataques aos cofres públicos. O trabalho da Força-Tarefa, que atua com elevada técnica, competência e esmero, já revelou o grande esquema da atuação de organização criminosa no Estado do Rio de Janeiro e continua obtendo resultados expressivos, com recuperação, aos cofres públicos, de centenas de milhões de reais desviados; bloqueio de outras centenas milhões em contas e bens apreendidos; bem como condenações e prisões de agentes públicos e particulares responsáveis pelo enorme prejuízo que esquema de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro que a criminalidade organizada estatal causou às instituições e à população do Estado do Rio de Janeiro.

É sempre importante lembrar que, muito do que foi comprovado pela Força-Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro é consequência da relação promíscua e patrimonialista de agentes públicos e empresários, que resultaram em enorme prejuízo aos cofres públicos e a demonstração de que para as instituições sejam republicanas e imparciais é fundamental que não se confundam relações pessoais com as coisas públicas.

Da mesma forma, a Justiça Federal e o Juiz Federal que cuida do caso no Rio de Janeiro têm sido exemplares em técnica, isenção, imparcialidade e coragem, em trabalho observado e aplaudido por todo o Brasil.

Adjetivos descabidos lançados às instituições é comportamento comum em excessos cometidos por agentes políticos que confundem o público e o privado. Não são esperados, contudo, de um Juiz.

Um fato a mais, todavia, separa as declarações e atos do Ministro Gilmar Mendes neste caso de outros em que se lançou a avaliações públicas não cabíveis. Um conjunto sólido e público de circunstâncias indica insofismavelmente a suspeição do Ministro para o caso, vale dizer, sua atuação (insistente) na matéria retira credibilidade e põe em dúvida a imparcialidade e a aparência de imparcialidade da Justiça.

Gilmar Mendes foi padrinho de casamento (recente) da filha de um dos beneficiados, com a liberdade por ele concedida. Confrontado com este fato por si só sobejamente indicativo de proximidade e suspeição, por meio de sua assessoria o Ministro Gilmar Mendes disse que “o casamento não durou nem seis meses”, como se o vínculo de amizade com a família, cuja prova cabal é o convite para apadrinhar o casamento, se dissolvesse com o fim dele. A amizade – que determina a suspeição – foi a causa do convite, e não o contrário.

Em decorrência deste e de outros fatos – advogado em comum com o investigado, sociedade e notórias relações comerciais do investigado com um cunhado do Ministro, tudo isto coerente e indicativo de proximidade e amizade – o Procurador-Geral da República, após representação no mesmo sentido dos Procuradores da República que atuam no caso, apresentou nesta semana pedidos de impedimento e de suspeição do Ministro Gilmar Mendes ao STF. Conforme a arguição, há múltiplas causas que configuram impedimento, suspeição e incompatibilidade do ministro para atuar no processo, considerando que há entre eles vínculos pessoais que impedem o magistrado de exercer com a mínima isenção de suas funções no processo

Já disse a Corte Europeia de Direitos Humanos que “não basta que o juiz atue imparcialmente, mas é preciso que exista a aparência de imparcialidade; nessa matéria inclusive as aparências têm importância.” Viola a aparência de imparcialidade da Suprema Corte brasileira a postura do ministro que, de um lado, e no mesmo processo, lança ofensas e sombras sobre agentes públicos, inclusive seus colegas, ataca decisões judiciais de que discorda, e finda por julgar pai de apadrinhado e sócio de cunhado.

Espera-se o devido equilíbrio – e aparência de equilíbrio e de imparcialidade, que são também essenciais – no comportamento de um Juiz, com a responsabilidade de julgar de forma equidistante dos fatos e das pessoas diretamente beneficiadas no caso. Da mesma forma é sempre o caminho correto o devido respeito entre as instituições do Ministério Público e do Poder Judiciário, e entre instâncias do próprio Poder Judiciário.

Senhores Ministros, apenas o Supremo pode corrigir o Supremo, e apenas a Corte pode – e deve, permitam-nos dizer – conter ação e comportamento de Ministro seu que põe em risco a imparcialidade. Um caso que seja em que a Justiça não restaure sua inteira imparcialidade, põe em risco a credibilidade de todo Poder Judiciário.

Não é a primeira vez que é arguida a suspeição do Ministro Gilmar Mendes, e mais uma vez Sua Excelência – ao menos por enquanto – recusa-se a reconhecer ele mesmo a situação que é evidente a todos.

O exemplo e o silêncio dos demais Ministros e da Corte não são mais suficientes. Com a devida vênia, a responsabilidade para com o Poder Judiciário impõe enfrentar o problema.

A ação do Supremo no caso é essencial para que a imagem e a credibilidade de todo o sistema judiciário brasileiro não saiam indelevelmente abalados. A eventual inação, infelizmente, funcionará como omissão.

A ANPR representa mais de 1.300 Procuradoras e Procuradores da Republica, e confia, como sempre, no Supremo Tribunal Federal.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DA REPÚBLICA (ANPR)

Opinião dos leitores

  1. A quadrilha mais inexcrupulosa q tomou conta do país com o suporte e anuência dos coxas!

    1. Petista encantado pelo encantador de Burros kkk não vê um palmo à frente kkk

  2. A Lava Jato entregou o Brasil "à mais irresponsável organização criminosa" que já comandou o País que está em rota de destruição econômica que vem sendo promovida a velocidade estonteante.
    A população segue inerte como se estivesse hipnotizada enquanto nossas riquezas escoam em direção aos rentistas e as mega petrolíferas americanas.

  3. Senhores procuradores, povo Brasileiro, não se iludam com o STF São todos da mesma Laia. o Brasil só tá assim porquê têm esses Lixos pra soltar os bandidos ricos, a solução é os Militares fecharem esse supremo de Ratos.

  4. Ministra Carmen mostre q é contra a corrupção. Declare esse sujeito impedido de atuar nos casos de Eike e Barata.

  5. Rapaz depois dessa beleza de carta aberta aos Ministros do STF,algo não seja feito para ao menor dar um "se ligue" no Gilmar….Nunca antes no Supremo,fatos próximos dos q diariamente este senhor protagoniza de forma vergonhosa aconteceu…Vamos aguardar a manifestação dos "pares",caso contrário,endossam o q ele vem fazendo…..

  6. Será que finalmente alguém vai ter autoridade para dizer ao ministro Gilmar Mentes PORQUE NO TE CALLAS?

  7. Finalmente alguma providência contra este cancer!!!
    É imunda a tuação desse sujeito, indigno de estar no STF!

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Disputa pelo Governo do Ceará: Aliados de Elmano veem vantagem de Ciro no debate sobre segurança

 Divulgação/Reprodução

O entorno do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), avalia que o ex-ministro e adversário Ciro Gomes tem ao menos uma vantagem clara sobre o petista: o debate sobre segurança pública e combate ao crime organizado.

Na avaliação de aliados de Elmano, Ciro projeta imagem de linha-dura ao tratar do tema. Outra característica apontada é a capacidade do ex-governador de comunicar de forma mais clara suas propostas para enfrentar o crime organizado no estado.

Como exemplo, pessoas próximas a Elmano citam o evento em que Ciro confundiu um gesto feito por um apoiador com um símbolo associado à facção criminosa Comando Vermelho e pediu que ele fosse preso. “Meu irmão, você tá querendo ser preso? Vai começar aqui. O cara tá fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele”, disse Ciro.

O episódio ocorreu durante o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará no dia 16 de maio. Na ocasião, Ciro foi imediatamente corrigido por pessoas da plateia e por sua esposa, Giselle Bezerra, e pediu desculpa ao apoiador.

À época, o próprio Ciro publicou vídeo nas redes sociais dizendo que, entre os apoiadores, a reação foi interpretada como sinal de sua “obsessão de combater a criminalidade”, já entre a oposição, um indicativo de que a “impulsividade” o domina.

Metrópoles 

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Dívida pública em alta vai exigir negociação de medidas logo após as eleições

Prédio do Ministério da Fazenda e Receita Federal na avenida Prestes Maia, em São Paulo • ITACI BATISTA/AE/ESTADÃO CONTEÚDO

O crescimento da dívida pública para o mesmo patamar da época da Covid-19 vai exigir a negociação de medidas ainda neste ano pelo próximo presidente eleito para entrarem em vigor nos primeiros três meses de 2027.

A avaliação de economistas ouvidos pela Folha é que o salto de quase 11 pontos percentuais da dívida bruta durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva torna urgente a discussão das medidas robustas de ajuste nas contas públicas pelos candidatos que disputam o Palácio do Planalto.

O diagnóstico dos especialistas é que o tema não terá influência direta na escolha do voto dos eleitores no pleito de outubro, mas será usado pela oposição para pressionar Lula.

Os adversários do petista têm criticado a política fiscal do governo e o aumento do endividamento público, mas até agora ainda não apresentaram nada de concreto.

O estoque da dívida bruta saltou de 71,7% em dezembro de 2022 para 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho deste ano, alcançando R$ 10,8 trilhões. Um incremento de 10,2 pontos percentuais ao longo de três anos e meio do governo Lula 3.

Na época da Covid-19, os gastos do governo federal aumentaram para fazer frente ao impacto da emergência sanitária na economia e na vida dos brasileiros.

Ao contrário de 2022, quando a equipe do presidente Lula negociou a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que elevou em cerca de R$ 168 bilhões as despesas do Orçamento da União, agora o sinal terá que ser o contrário: de aperto com corte das despesas obrigatórias.

A IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão técnico vinculado ao Senado que promove a transparência das contas públicas, projeta que a dívida bruta deve chegar a 95,7% do PIB no último ano do próximo governo e ultrapassar o patamar de 100% em 2032, se nada for feito para conter o crescimento das despesas.

Daqui a dez anos, o endividamento do país estaria em 115% do PIB. A probabilidade de o estoque da dívida ultrapassar 90%, entre 2026 e 2030, é de 80%, de acordo com a IFI.

“Às vezes as pessoas não conectam as coisas. O sinal maior disso tudo são as próprias taxas de juros. O maior devedor da economia é o governo e isso põe pressão nas taxas de juros, que se manifesta também no dia a dia da política fiscal expansionista”, diz o economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

Para ele, o problema não é somente o tamanho da dívida, mas o fato de ela estar crescendo muito rápido, sem a realização de superávit primários nas contas do governo, o que acaba refletindo em taxas de juros de 8%, 9% em termos reais.

“A relação dívida e PIB só vai crescer e isso é um fator de grande estresse em potencial. Mas neste momento, como as coisas da economia andam bem, desemprego muito baixo, o país cresceu de fato nos últimos três anos, acho que está encomendada uma decepção, um susto quando esse assunto começar a aparecer, e as tensões do mercado continuarem a aumentar”, ponderou.

A economia brasileira, afirma ele, já vive um quadro “no mundo do crédito” extremamente delicado, tanto para as pessoas físicas, quanto para as empresas, além do próprio governo.

Na sua avaliação, o governo Lula, favorito para ganhar as eleições, está dando todos os sinais de que não está muito preocupado, apesar das indicações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a representantes do mercado, de reforço no arcabouço fiscal em 2027. Como mostrou a Folha, o movimento do ministro recebeu críticas nos bastidores de uma ala do governo e do PT.

Fraga diz que a sinalização precisa partir do presidente Lula. “Ele [Durigan] fez alguns comentários, eu acho que pelo menos isso, mas a experiência mostra que enquanto não vem lá de cima fica difícil acreditar que vai acontecer na intensidade necessária. Isso pode mudar, mas no momento não há elementos.”

META FISCAL PURA

O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, prevê que o próximo presidente eleito terá que fazer o ajuste no primeiro trimestre, sem tempo a esperar. “Qualquer que seja o presidente, ele vai ter que chegar com medidas [depois das eleições] para o primeiro trimestre, apresentar um plano de voo para o país e construir maioria para levar”, diz.

“Tem que ter uma reforma que está contratada para o primeiro trimestre, que era um conjunto de medidas que passa por revisar gastos tributários, revisitar a questão da Previdência, fazer a reforma administrativa não tanto para ganho fiscal.”

Ele defende a manutenção do arcabouço fiscal pelo próximo governo, mas com a adoção “meta fiscal pura” de resultado das contas públicas sem os descontos e abatimentos. Ou seja, o governo assume o compromisso de fechar as contas no valor exato prometido, sem descontar gastos que normalmente ficam de fora das regras fiscais.

“A vida com ela é”, afirma ele ao fazer uma comparação com a série de contos de Nelson Rodrigues.

Pestana diz que as projeções da IFI apontam que em 2027, sem mudanças, o Orçamento da União já estará 100% engessado.

O Brasil, ressalta o executivo da IFI, convive há 13 anos com déficit primário —uma trajetória hoje a ser corrigida. O chefe da IFI inclui nessa conta o último ano do governo Bolsonaro, quando as contas públicas registraram pequeno superávit. “Havia vários passivos para baixo do tapete”.

Segundo ele, economistas, especialistas, gerentes de fundo, fundos de investimento que conversam com a IFI não prestam mais atenção nas metas fiscais, mas na curva da dívida, o que confirmaria que na análise econômica não importa tanto a foto, mas o filme.

“Seja lá quem for o vencedor, será importante que ele se debruce e adote medidas ainda em novembro, dezembro, por exemplo, para afetar o salário mínimo de 2027”, diz Fábio Giambiagi, especialista em contas públicas da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ele avalia que o tema endividamento público e medidas fiscais não fará parte de um debate profundo na eleição, mas ponderou que o momento de fazer o ajuste é primeiro ano de governo.

Para Giambiagi, o presidente Lula, se eleito, se quiser de fato poderá tomar as medidas de ajuste fiscal, que não fez no seu terceiro mandato. “O presidente Lula faz o que ele quiser. E o PT vai ter que aceitar. O que o presidente pedir do partido, o PT vai dar”, diz ele ao comentar as resistências.

Além de mudanças no Fundeb e na correção do salário mínimo, Giambiagi defende a revisão do BPC (Benefício de Prestação Continuada). “Esse é um debate difícil, mas imprescindível de ser dado, porque não é possível que o benefício continue aumentando mais de 10% ao ano num país cuja população aumenta em números redondos em 1% ao ano”, diz.

Estadão

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Senador americano divulga informações sobre possível origem da Covid-19

Informações sobre a origem da Covid-19 foram divulgadas a partir do diário pessoal de Anthony Fauci, principal conselheiro médico do presidente Biden durante a pandemia (Foto: EFE/EPA/MICHAEL REYNOLDS)

O senador republicano Rand Paul divulgou milhares de páginas do diário pessoal do médico Anthony Fauci, que atuou como um dos principais conselheiros do presidente Donald Trump e do ex-presidente Joe Biden na resposta à Covid-19. As revelações detalham a disputa política no período da pandemia, entre 2019 a 2022, e as possíveis origens da doença.

A divulgação ocorreu antes do cientista participar nesta quarta-feira (29) de uma audiência no Senado sobre suas ações durante esse perído. Informações divulgadas pela emissora CNN apontam que Fauci invocou seu direito à Quinta Emenda da Constituição americana, que protege contra a autoincriminação.

O senador republicano Rand Paul, que atua como presidente do Comitê de Segurança Interna do Senado, intimou o ex-conselheiro de saúde a comparecer na audiência como parte da investigação do painel sobre as origens do vírus que provocou a pandemia.

O congressista defende a teoria de que a doença surgiu de um vazamento no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, em vez de ter sido transmitido naturalmente de animais para humanos. Ao lado de aliados, ele acusa Fauci e outros funcionários do governo democrata de enganarem o público e o Congresso sobre a origem do surto ao não darem espaço para a hipótese.

Relação tensa com Trump e obsessão com a imprensa

Entre os trechos do diário extraídos estão críticas ao presidente Donald Trump. A pandemia teve início ainda durante seu primeiro mandato, o que permitiu a Fauci trabalhar ao lado de Trump durante o primeiro ano do surto.

O cientista do Instituto Nacional de Saúde reclamou em particular das “conversas desconexas” que teve com o líder republicano, além de ter ficado com uma certa obsessão pela cobertura midiática sobre seu papel nesse período.

No primeiro contato que tiveram, na Sala de Situação, em 29 de janeiro de 2020, o cientista relata que o presidente Trump o tratou respeitosamente, com elogios.

Ele escreveu: “O Presidente entrou e a primeira coisa que disse ao me olhar foi: ‘Anthony, você é realmente uma pessoa famosa. Meu bom amigo Lou Dobbs… me disse que você é uma das pessoas mais inteligentes, experientes e excepcionais que ele conhece.’ Ele então ficou por 20 minutos e me fez a maioria das perguntas. Fiquei surpreso e muito satisfeito, e os assessores ficaram claramente impressionados e admirados.”

Em fevereiro, no entanto, a situação começou a mudar. Ele escreveu que Trump o havia telefonado para falar sobre a situação da covid, e Fauci disse que o “encorajou a não minimizar a gravidade da situação, pois, se piorasse, pareceria que ele estava acobertando algo. … Achei que ele tivesse entendido o que eu disse, mas, no dia seguinte, ele minimizou a situação novamente.”

Em dois escritos posteriores, Fauci escreveu sobre estar cada vez mais cansado dos “discursos desconexos” de Trump. Além de alternar entre elogios e críticas ao presidente, o médico demonstrou uma certa obsessão com a mídia. O médico fez anotações sobre as inúmeras entrevistas e aparições que concedeu durante a pandemia. Ele chegou a usar o temo “Fauci 5”, uma referência a quando apareceu em todos os cinco principais telejornais matinais de domingo.

Gazeta do Povo

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Seridó de Fé: Álvaro Dias participa da tradicional Procissão de Sant’Ana em Caicó

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, participou, na tarde deste domingo, da tradicional Procissão de Sant’Ana, em Caicó. A celebração marca o encerramento da Festa de Sant’Ana e reúne milhares de fiéis que percorrem as principais ruas da cidade.

Durante o percurso, Álvaro caminhou ao lado dos fiéis e acompanhou um dos momentos mais tradicionais do calendário religioso do Seridó. Ao longo da tarde, também concedeu entrevistas e falou sobre o significado da celebração para a história e a cultura da região.

“Mais um ano retorno ao encerramento da Festa de Sant’Ana, participando desta procissão tão tradicional. Hoje é um dia especial para renovar a minha fé e celebrar uma tradição que faz parte da história de Caicó e do Seridó”, ressaltou.

A Procissão de Sant’Ana encerra a programação religiosa da festa, considerada uma das mais tradicionais do Rio Grande do Norte. O evento reúne, anualmente, milhares de fiéis, moradores e visitantes, consolidando-se como um dos principais acontecimentos do calendário religioso e cultural do estado.

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Geral

BTG/Nexus: Lula empata com Flávio Bolsonaro e Caiado no 2º turno

Montagem com fotos de Stuckert, Luis Nova e Kebec Nogueira

A Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (3) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança numérica sobre seus adversários na corrida pela Presidência da República no que diz respeito ao primeiro e ao segundo turnos das eleições. É o primeiro levantamento divulgado após as convenções partidários que oficializaram as candidaturas dos principais nomes para as eleições 2026.

Nas projeções para o primeiro turno, o petista supera o seu principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), por 41% a 37%, e mostra uma recuperação do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É a menor distância entre ambos desde abril, segundo a série histórica do instituto.

Enquanto Lula caiu um ponto percentual em relação à amostra anterior, de 27 de julho, Flávio subiu 4 pontos. A diferença, que era de 9 pontos percentuais, caiu para 4 pontos e configura empate técnico, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

No 2º turno

Já no segundo turno, Lula mantém a dianteira, mas empata tecnicamente com Flávio, com 46% a 45% (era 47% a 43%), e com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 46% a 42% (era 45% a 43%).

O petista abre distância para o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 46% a 40% (era 46% a 42%). Contra o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato pelo partido Missão, Renan Santos, Lula mantém praticamente a diferença da pesquisa anterior, com 47% a 37% (era 47% a 39%).

Metodologia

Foram ouvidos 2.002 eleitores entre os dias 31 de julho e 2 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo, com intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa BTG Pactual/Nexus está registrada no TSE sob o número BR-02874/2026.

Metrópoles 

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Geral

Motociclista sem CNH e com moto adulterada é preso durante Operação Zero Álcool em Extremoz

Divulgação / CPRE

Três condutores foram presos por embriaguez ao volante durante uma fiscalização da Operação Zero Álcool, realizada na noite deste sábado (1º), em Extremoz, na Grande Natal. A ação ocorreu na Avenida Pedro Vasconcelos e foi conduzida pelo Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE).

Entre os flagrantes, um homem de 27 anos foi abordado enquanto conduzia uma motocicleta com sinais de adulteração. Segundo o CPRE, ele também não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O motociclista foi submetido ao teste do etilômetro, que apontou índice de 0,67 mg/l de álcool por litro de ar alveolar. O valor configura crime de trânsito, conforme o Código de Trânsito Brasileiro.

Tribuna do Norte

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Geral

Milei volta a chamar Lula de ‘ladrão’ e ‘corrupto’

Foto : Luis Robayo / AFP

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo, 2, uma semana depois de declarações do argentino provocarem uma crise diplomática entre os dois países. Em entrevista ao canal LN+, Milei chamou Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”.

“É um ladrão, é um corrupto, foi condenado por ser ladrão e corrupto, ficou preso, por isso também é verdade o que disse sobre ser presidiário”, afirmou. Milei alegou ainda que Lula teria sido libertado por uma “falha administrativa do processo” e não por ser inocente.

As condenações de Lula na Operação Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, após a Corte concluir que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos. Com isso, o petista recuperou os direitos políticos. O STF também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex do Guarujá.

Ao ser questionado sobre as declarações feitas anteriormente contra Lula, Milei voltou a sustentar as acusações. “A pergunta é: eu menti?”, disse.

Os primeiros ataques ocorreram durante a oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência do Brasil, em evento realizado em São Paulo. O senador enfrentará Lula nas eleições de outubro.

As falas levaram o governo brasileiro a chamar para consultas o embaixador do País em Buenos Aires. O Itamaraty também convocou o representante argentino em Brasília para manifestar “repúdio” e cobrar explicações pelas declarações contra Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Durante a semana, o governo argentino tentou reduzir a tensão. O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, afirmou que não havia possibilidade de rompimento das relações com o Brasil, principal parceiro comercial da Argentina.

Neste domingo, porém, Milei retomou os ataques e acusou Lula, sem apresentar provas, de promover “interferência política” na Argentina e em outros países da região.

O argentino também reclamou das reações às suas declarações e afirmou que críticas feitas a ele pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, não provocaram repúdio semelhante.

“Quando me insultam, está tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado. O pior é que eles acusam com mentiras, e eu respondo com verdades”, declarou.

Lula, de 80 anos, oficializou neste domingo sua candidatura a um quarto e último mandato. Milei ainda não lançou formalmente sua candidatura à reeleição, mas tem intensificado o discurso de confronto antes da disputa presidencial argentina, marcada para outubro de 2027.

Estadão

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Geral

Amiga de Lulinha fez mais de 40 visitas fora da agenda a órgãos do governo Lula

Roberta Luchsinger esteve em mais de 40 reuniões em órgãos do governo federal

 Foto: @RoLuchsinger via X

Sem registros oficiais, a lobista Roberta Luchsinger fez mais de 40 visitas a órgãos do governo federal desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023. Por lei, reuniões com autoridades precisam ser informadas nas agendas dos agentes públicos que participam dos encontros.

Em duas oportunidades, a lobista esteve no Palácio do Planalto e no gabinete do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, acompanhada do então sócio de Lulinha. Os encontros não foram registrados nas agendas oficiais.

Fábio Luís é alvo de inquérito aberto nesta quinta-feira, 30, a pedido da PF, que apura se ele utilizou a influência do pai para defender interesses empresariais com a administração pública. Segundo a Polícia Federal, a atuação dele contou com a ajuda de Luchsinger e se concentrou no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência.

Em nota, a defesa de Luchsinger afirmou que ela representa, de forma regular, seus clientes em órgãos e agências da administração pública federal, estadual e municipal. A defesa de Lulinha disse que o filho do presidente não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o governo Lula.

Levantamento feito pelo Estadão com base na Lei de Acesso à Informação mostra que, do início do terceiro mandato de Lula até abril de 2024, a lobista esteve 42 vezes em órgãos do governo federal — 41 fora da agenda. Não há registo de visitas depois desse período. O então sócio de Lulinha, Fernando Bittar, participou de dois deles. Em outras 13 oportunidades, ela esteve acompanhada de executivos da Duosystem, do Grupo Bringel, da World Cannabis e da Unigel (nesta última, se apresentou como namorada do diretor de relações governamentais e nora do presidente do conselho de administração da companhia). Nas demais, foi sozinha.

A Unigel afirmou que nunca contratou a lobista e que ela não tem parentesco com integrantes da empresa (leia mais abaixo). Duosystem e Grupo Bringel não responderam à reportagem.

O governo nega ter havido desdobramentos contratuais a partir de reuniões de Luchsinger. O Estadão tentou contato com Bittar por meio do advogado Marco Aurélio Carvalho, que afirmou tê-lo contatado e informou que ele não falaria à reportagem. A defesa de Roberta Luchsinger disse que ela e Bittar “nunca firmaram qualquer negócio juntos”.

O gabinete de Wellington Dias foi o local do governo mais frequentado por Luchsinger. Foram 17 visitas no período. No dia 9 de março de 2023, a empresária foi sozinha à pasta e levou presentes ao ministro. Apesar de o encontro não ter sido incluído na agenda oficial, o momento foi fotografado pelo cerimonial.

Nas imagens, é possível vê-la entregar ao chefe da pasta uma caixa de bombons da marca suíça Sprüngli e uma cópia do livro O Alquimista, do escritor Paulo Coelho. A edição de colecionador, em capa de couro e desenhos dourados, é rara e contém o autógrafo original do autor.

Quatro visitas de Luchsinger ao gabinete de Dias foram acompanhadas por Efrain Saavedra, gerente comercial da Duosystem.

De acordo com pessoas que participaram de agendas com a lobista, ela trabalhou para implantar os serviços da Duosystem no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Social.

Trocas de mensagens obtidas por investigadores indicam que Luchsinger e Ribas de Oliveira mantinham relação comercial.

Em abril de 2024, ela retornou ao gabinete de Dias na companhia de Fernando Bittar, então sócio de Lulinha. Eles passaram pela catraca privativa de acesso à sede do ministério às 15h52 e saíram às 16h43. Segundo a pasta, “a pauta tratou de uma apresentação de propostas sobre sistemas integrados para o aperfeiçoamento dos serviços prestados pelo ministério”, mas negou ter havido algum desdobramento administrativo.

Apenas uma reunião de Luchsinger em órgãos do governo federal foi registrada em agenda oficial, em outubro de 2023, quando ela levou o presidente e o diretor comercial de um de seus clientes, a Duosystem, para exibirem um programa de gestão digital de leitos hospitalares na Secretaria de Atenção Primária à Saúde. O objetivo era incorporá-lo ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Assistiram à apresentação o então chefe do órgão Nésio Fernandes, a secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, e o então secretário-executivo adjunto Elton Bandeira.

Fora da agenda oficial, Luchsinger foi ao Ministério da Saúde outras 16 vezes. Os locais em que foi mais assídua nas visitas à pasta foram os gabinetes de Fernandes e do então secretário-executivo do ministério Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, com quem ela se reuniu, em março de 2024, na companhia de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

Nesse encontro, o “Careca do INSS” tratou dos negócios da World Cannabis, por meio da qual ele pretendia comercializar medicamentos produzidos a partir do canabidiol. A advogada Vitória Bragança Senergio, que atuava para o empresário, e a ex-diretora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Alessandra Soares também participaram.

Uma das linhas de investigação da PF é que Lulinha atuou para que o governo autorizasse a comercialização de cannabis medicinal. Na representação, a Polícia Federal fala em acesso ao gabinete presidencial.

Investigadores também apuram a natureza da relação comercial de Luchsinger com o “Careca” no âmbito da Operação Sem Desconto. Uma das empresas dela, a RL Consultoria, recebeu R$ 1,5 milhão do empresário, que está preso. A força-tarefa apura ainda se parte dos valores repassados a ela teve Lulinha como beneficiário.

Em diálogo extraído por investigadores de um celular, o “Careca do INSS” pede a um funcionário o repasse de R$ 300 mil a Roberta Luchsinger a título de pagamento para “o filho do rapaz”, possível alusão a Lulinha, segundo a PF.

Amiga de Lulinha leva empresário ao Ministério da Saúde

Outra visita de Luchsinger ao Ministério da Saúde, realizada em setembro de 2023, tinha como objetivo levar Sergio Roberto Bringel, CEO do Grupo Bringel, à Secretaria de Atenção Primária.

O empresário, com quem ela também foi três vezes ao Planalto, tem contratos com o governo federal desde 2010. Desde 2023, as companhias do conglomerado de Bringel firmaram R$ 7,8 milhões em contratos na Saúde. Atualmente, seu maior cliente no governo federal é o Grupo Hospitalar Conceição (GHC). A estatal, vinculada ao Ministério da Saúde, administra hospitais federais no Rio Grande do Sul e fez dois contratos no valor de R$ 3 milhões com a MIC Steriliza, controlada por uma holding da família Bringel, a partir do início do atual mandato de Lula.

O empresário também foi com Luchsinger ao Planalto três vezes. As visitas de Bringel com Luchsinger ao Planalto começaram em 9 de março de 2023, quando foram ao gabinete de Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais. As outras duas ocorreram no dia 22 daquele mês e no dia 17 de abril de 2024. Contudo, não há informações de qual autoridade os recebeu nas ocasiões.

A empresária também passou pelo gabinete do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em julho de 2023 sem que seu nome constasse em qualquer agenda oficial. De acordo com a assessoria do banco, ela participou de reunião com executivos da Unigel, uma gigante do setor químico, em que foi discutido possível apoio financeiro à construção de uma fábrica de hidrogênio verde. O projeto, no entanto, não foi adiante.

“O financiamento não avançou e, portanto, não houve qualquer investimento do BNDES no projeto. Como banco de desenvolvimento, faz parte da rotina da instituição a realização de reuniões com empresas para a discussão sobre financiamentos. A senhora Roberta Luchsinger acompanhou a comitiva da empresa Unigel, na condição de familiar de um dos dirigentes da empresa”, disse a estatal em nota.

Ela se apresentou como namorada do diretor de relações governamentais, Leo Slezynger, e nora do presidente do conselho de administração da companhia, Henri Slezynger.

O que dizem os citados

A Unigel afirmou à reportagem que Luchsinger não tem parentesco com membros da empresa e negou tê-la contratado para prestar quaisquer serviços.

“A Unigel esclarece que a Sra. Roberta Luchsinger nunca manteve qualquer relação contratual com a companhia, jamais a representou institucionalmente e nunca recebeu qualquer remuneração da empresa. Da mesma forma, a Unigel nunca contratou serviços de relações governamentais prestados pela Sra. Roberta Luchsinger”, disse, por nota.

A Duosystem não se manifestou até a conclusão da reportagem. O Estadão tentou contato com o Grupo Bringel pelos telefones da empresa, mas não obteve retorno.

Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou que as agendas no Planalto “não produziram qualquer desdobramento administrativo, contratual ou regulatório decorrente desses encontros”.

A defesa de Roberta Luchsinger afirmou que ela e Bittar nunca firmaram qualquer negócio juntos. Sustentou que “eventuais presenças de terceiros em agendas de trabalho se relacionam ao exercício de sua atividade profissional de representação institucional, não havendo nada de irregular a esclarecer quanto a esse ponto”.

Informou ainda que a empresária representa seus clientes em órgãos e agências da administração pública federal, estadual e municipal. “É natural e esperado que uma profissional dessa área mantenha contato recorrente com diferentes ministérios, autarquias e entidades públicas, no exercício regular de sua atividade e no interesse legítimo dos clientes que representa.”

O Ministério da Saúde disse, em nota, que seus integrantes “recebem, em acordo com as regras da administração pública, representantes de diversos setores da saúde para apresentação de novas tecnologias e soluções” e negou ter havido desdobramentos contratuais a partir das reuniões com Luchsinger.

Afirmou que o Grupo Bringel já havia firmado contratos com o GHC em governos anteriores. “Os contratos foram celebrados diretamente pelas unidades, por meio de pregão do tipo menor preço, sem a participação da área de compras do Ministério da Saúde”, disse.

O Ministério do Desenvolvimento Social ressaltou que nenhuma reunião de Wellington Dias com Roberta Luchsinger resultou em qualquer ato administrativo. Destacou que o chefe da pasta mantém com ela “relação de amizade de longa data”.

Segundo a assessoria do ministério, a visitas dela “ocorreram, em sua maioria, durante passagens por Brasília para outros compromissos, quando fazia visitas breves de caráter pessoal ao ministro”.

Estadão

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Morre aos 98 anos, Ana de Sena Medeiros, mãe de ex-presidente da OAB no RN

Reprodução / Redes sociais

 

Morreu neste domingo (2), em Natal, aos 98 anos, Ana de Sena Medeiros, mãe do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB-RN), Aldo Medeiros. A informação foi divulgada pelo próprio filho nas redes sociais.

Na publicação, ele informou que a mãe faleceu às 17h25 deste domingo e agradeceu, em nome dos irmãos Ana Débora, José Arnaldo, Hilda e Luiz, as manifestações de solidariedade. O velório será realizado nesta segunda-feira (3), em Parelhas, no Seridó potiguar, onde Ana de Sena Medeiros também será sepultada. O horário ainda será definido.

Aldo Medeiros é advogado há mais de 30 anos, graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e em Economia pela PUC-RJ. Ele presidiu a OAB/RN nos triênios 2019-2021 e 2022-2024.

Atualmente, Aldo Medeiros é conselheiro federal da OAB e presidente da Comissão Nacional de Exame de Ordem do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Na trajetória institucional, também integrou o Tribunal de Ética e Disciplina, foi conselheiro estadual e vice-presidente da OAB/RN.

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Ministério Público do Ceará recomenda que Colégio Salesiano de Juazeiro do Norte deixe de exigir presença de alunos em missas

Reprodução / Google

O Ministério Público do Ceará (MPCE) emitiu uma recomendação contra o Colégio Salesiano São João Bosco, tradicional instituição católica privada em Juazeiro do Norte, devido à realização de cultos e rituais religiosos no ambiente escolar.

A Promotoria de Justiça determinou que a escola deixe de exigir a presença de alunos em missas e celebrações católicas. A direção tem um prazo de 20 dias para comprovar a flexibilização das normas, sob pena de responder judicialmente.

De acordo com o MPCE, o objetivo é evitar que alunos sejam constrangidos a participar de práticas religiosas, respeitando a diversidade de convicções no ambiente escolar. O órgão fundamentou a cobrança na liberdade constitucional de crença.

A determinação prevê que a instituição, fundada na década de 1940, crie uma programação de estudos alternativa para os estudantes que optarem por não participar dos rituais durante o horário letivo. A medida visa garantir que não haja prejuízos nas notas ou no aprendizado, blindando os alunos contra eventuais constrangimentos institucionais.

Em nota, a direção do Salesiano defendeu publicamente sua proposta pedagógica, ressaltando que sua essência é historicamente ligada à atividade pastoral e confessional.

A escola afirmou que segue firme no propósito de oferecer um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso, unindo excelência acadêmica, desenvolvimento humano e os valores que inspiram a formação de “bons cristãos e honestos cidadãos”.

Tese Jurídica 

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