AstraZeneca nega que eficácia da vacina é de 8% para maiores de 65 anos

Os jornais alemães Handelsblatt e Bild afirmaram em reportagens divulgadas nesta 2ª feira (25.jan.2021) que o governo do país espera que a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e Oxford contra o novo coronavírus só tenha 8% de eficácia em pessoas com 65 anos ou mais. De acordo com ambos, o uso do imunizante só deve ser aprovado para pessoas abaixo da faixa etária.

A biofarmacêutica nega percentual baixo de eficácia em idosos. Em nota divulgada pela DW, a empresa afirmou que a informação é “completamente incorreta”. A AstraZeneca também declarou que “em novembro, divulgados dados na The Lancet demonstrando que adultos mais velhos mostraram uma forte resposta imunológica à vacina, com 100% desenvolvendo anticorpos específicos contra o coronavírus depois da 2ª dose”.

O estudo em questão indicava eficácia de 62% a 90%, a depender da dose aplicada. Em dezembro, a eficácia geral foi estimada em 70%. Assim como no caso de outras vacinas, não há dados sobre eficácia para faixas etárias específicas. Os números divulgados pela biofarmacêutica foram alvos de críticas da comunidade acadêmica. Houve um erro metodológico: parte dos voluntários só recebeu meia dose na 1ª aplicação, quando o previsto era uma dose inteira.

A testagem em idosos também foi limitada. Apenas 12% dos voluntários tinham mais de 55 anos, nos estudos que mediram a eficácia.

O Handelsblatt e o Bild atribuiram as informações que divulgaram a fontes do governo alemão, sem divulgar nomes.

O uso emergencial da vacina da AstraZeneca/Oxford já foi aprovada no Brasil, Índia e Reino Unido. As agências reguladoras de cada país não fizeram ressalvas para pessoas com mais de 65 anos.

A vacina da AstraZeneca foi a 1ª aposta do governo brasileiro, que já comprou 100 milhões de doses por R$ 1,9 bilhão. O país recentemente importou 2 milhões de doses do imunizante da Índia e pretende adquirir mais 10 milhões até fevereiro.

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