Vestida com uma fantasia de burro e absorventes internos pendurados nas orelhas como brincos, a atriz francesa Corinne Masiero usou o palco do prêmio César -o mais prestigioso do cinema na França – para protestar contra a falta de apoio ao setor cultural em meio à pandemia do coronavírus.
Masiero, 57, subiu no palco para apresentar o prêmio de melhor figurino. Enquanto discursava, ela despiu seu traje equino, revelando um vestido manchado de sangue e, então, ficou totalmente nua. Em seu peito e costas estavam escritos “Sem cultura, sem futuro” e “Devolva-nos a arte, Jean”, em recado direito ao primeiro-ministro francês Jean Castex. Ela foi aplaudida pelos colegas no auditório.
Esse ano, a cerimônia do César foi realizada com distanciamento social e plateia reduzida, obedecendo às medidas sanitárias. Ao longo de todo o evento, houve o tom de reivindicação e indignação da classe artística francesa, cada vez mais frustrada pela relutância do governo em marcar uma data para a reabertura de salas de cinema e teatro, museus, galerias e casas de show, fechados desde 30 de outubro do ano passado.
A comediante Marina Fois, uma das mais populares do país, abriu a cerimônia com um discurso em que também criticou a condução da pandemia. “O governo confinou nossos jovens, fechou nossos cinemas e teatros e proibiu shows para poder abrir igrejas”, afirmou.
Enquanto a entrega do César acontecia, manifestantes ocuparam o icônico Teatro Odeon pela oitava noite seguida. O protesto ecoava as reivindicações durante o ‘Oscar francês’ e também exigia a reabertura de espaços culturais e mais apoio financeiro ao setor. (Reuters)
FOLHAPRESS

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