Banco Central vai reformular programa que financia pagamento de salários para auxiliar empresas e evitar demissões

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central (BC) deve anunciar na próxima semana uma reformulação no programa de financiamento do pagamento de salários. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira que os recursos devem atingir empresas maiores do que o previsto inicialmente.

Segundo Campos Neto, há um entendimento dentro do governo de que o programa não atingiu o objetivo de auxiliar as empresas a pagar os salários e evitar demissões. Dos R$ 40 bilhões que foram disponibilizados, apenas R$ 1,9 bilhões já foram tomados por empresas.

Um dos problemas observados foi o do escopo do programa. Inicialmente voltado para pequenas e médias empresas, Campos Neto afirmou que a maior parte dos recursos foi tomado pelas maiores empresas que se encaixavam no programa. Ou seja, as empresas menores não conseguiram ou não se interessaram pelo financiamento.

— Isso mostra que esse produto folha de pagamento dentro do universo bancário é mais concentrado nas empresas que têm mais faturamento do que as que tem menos. A ideia é expandir para cima, vai sofrer alguns ajustes nesse sentido.

Um segundo problema apontado pelo presidente foram as exigências do programa, que determinava, por exemplo, que as empresas que tomassem o crédito não poderiam demitir.

— O fato de não poder demitir ninguém fez com que algumas empresas achassem o programa muito restritivo e decidirem não entrar.

Intervenções no câmbio

Campos Neto disse que o Banco Central estava preparado para fazer uma atuação mais forte no câmbio antes da trajetória de queda que durou seis dias.

— Até estávamos preparados em algum momento para fazer uma intervenção maior. Acabou que o câmbio voltou recentemente um pouco, entendo que é uma variável que vai continuar volátil.

O presidente do BC ressaltou que a autoridade monetária continuará atuando da maneira como estava fazendo, entendendo que o “câmbio é flutuante”, mas que, em alguns momentos, se descola do risco.

O Globo