Economia

Bolsonaro sanciona projeto de lei para ajudar setores de turismo e entretenimento

Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro sancionou um projeto de lei que cria um programa de apoio aos setores de turismo e entretenimento. As medidas incluem renegociação de dívidas tributárias e o direcionamento de parte dos recursos do programa de crédito a micro e pequenas empresas (Pronampe).

A isenção de tributos como PIS/Cofins para essas atividades foi vetada pelo presidente, mas o Ministério da Economia prometeu estudar alternativas para isentar pequenas empresas que estejam enfrentando maior dificuldade.

A sanção da lei foi anunciada em entrevista coletiva no Palácio do Planalto por Jair Bolsonaro, ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes. Na época da aprovação, no início de abril, cálculos preliminares de consultores da Câmara apontavam que a proposta poderia ter impacto de até R$ 4 bilhões nas contas do governo, ampliando a necessidade de o Ministério da Economia arrumar mais espaço no Orçamento.

Com os vetos, esse efeito deve ser menor, embora haja a promessa de reavaliação de algumas medidas, como a isenção de tributos. “Nos próximos dias ou nas próximas semanas, buscaremos atender quase na integralidade o que foi aprovado na Câmara”, disse Bolsonaro.

Ao lado do presidente, Guedes também reforçou que o setor de eventos foi um dos mais atingidos e está com dificuldades de levantar, por isso Bolsonaro pediu “medidas especiais”. “Só mais um pouco de paciência dessa turma aí, estamos indo para resgatar”, afirmou. Segundo o ministro, os eventuais vetos são no sentido de “aperfeiçoamento” da lei.

Entre as empresas beneficiadas pela lei estão hotéis, cinemas, casas noturnas, casas de shows, eventos e espetáculos, parques temáticos, de diversão e aquáticos, atrações turísticas, empresas que realizam ou comercializam congressos, feiras, festas, shows, festivais, espetáculos, simpósios, eventos esportivos, sociais, promocionais ou culturais, além de entidades sem fins lucrativos e buffets sociais e infantis.

O texto aprovado pelos congressistas reduzia a zero, pelo prazo de 60 meses a partir da sanção da lei, as alíquotas de contribuições como PIS/Pasep, Cofins, CSLL e IRPJ para o setor. Porém, o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, disse que a isenção de tributos foi vetada porque o governo precisaria compensar a perda de arrecadação com a elevação da carga tributária sobre outros setores. Nos moldes da medida aprovada pelo Congresso, a compensação necessária seria elevada, explicou o secretário, sem especificar valores.

“Estamos correndo para ter uma solução que funcione para o setor (redução de imposto)”, disse Costa, ressaltando que a alternativa seria para reduzir imposto para as empresas pequenas que mais sofreram. “O volume de compensações com alternativa seria menor”, afirmou.

O projeto também estabelecia medidas para compensar a perda de receitas do setor relacionadas à covid-19. Seria uma indenização para as empresas que tiveram redução de mais de 50% em seu faturamento em razão da covid-19 entre 2019 e 2020. O valor a ser pago ao conjunto de companhias será limitado a R$ 2,5 bilhões, e será calculado com base na folha de salários das empresas registrada no dia 20 de março. Não foi detalhado se essa parte da ajuda foi vetada ou sancionada.

Uma das principais medidas sancionadas no programa é a possibilidade de parcelamento de débitos de empresas com o governo, como dívidas tributárias, não-tributárias e com o FGTS. O desconto será de até 70% sobre o total da dívida, e o prazo para quitá-la será de até 145 meses – exceto para débitos previdenciários, que terão 60 meses. Não serão exigidas entrada nem garantias. A negociação, porém, só valerá para empresas que comprovarem dificuldade de pagamento.

Também será assegurado um direcionamento de 20% do Pronampe ao setor de turismo e eventos. Como a equipe econômica prevê um aporte de R$ 5 bilhões no fundo de garantias do Pronampe, cerca de R$ 1 bilhão iria para esses dois segmentos. Segundo Costa, o valor é suficiente dada a demanda rastreada pelo governo, embora haja pressão no Congresso para ampliar esse valor. Haverá ainda recursos de outro programa de crédito, o PEAC.

“O governo tem defendido R$ 5 bilhões para Pronampe, isso seria suficiente”, disse. Segundo o secretário, só será possível ampliar o volume de financiamentos concedidos com base nessa garantia porque a inadimplência dos créditos do programa está baixa e, mesmo ampliando carência para 11 meses, mais da metade não pediu dilatação do prazo para pagamento.

O deputado Efraim Filho (DEM-PB), coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Comércio, Serviço e Empreendedorismo, afirmou que o projeto do Pronampe será votado pela Comissão de Desenvolvimento da Câmara na quarta-feira, 5, pela manhã. Segundo ele, o relator no colegiado, o deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA), deverá manter o texto como o aprovado pelo Senado. Após isso, ele espera que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), leve a medida para o plenário na quarta à tarde ou na quinta-feira, 6.

Costa afirmou que, nos estudos internos do Ministério da Economia, ficou comprovado que o setor de eventos foi um dos mais afetados e, por isso, terá medidas especiais, além dos programas horizontais, ou seja, para todos os segmentos. O principal deles é o BEm, que permite redução de jornada e salário ou suspensão de contratos de trabalhadores. O ministro Paulo Guedes disse ainda que o governo pretende antecipar o 13º salário dos aposentados do INSS, o que deve ajudar a injetar recursos na economia.

O secretário especial disse ainda que, no cenário atual da pandemia, “alguns eventos já podem começar, desde que seguindo protocolos”. “É algo que depende da responsabilidade e da decisão de prefeitos e governadores”, disse.

Bolsonaro, por sua vez, citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defendeu reabrir a economia “com segurança” no último dia 1º de maio. “Eu até aproveito o momento para cumprimentar o Fernando Henrique, que disse que o comércio tem que abrir, tem que voltar a funcionar, coisa que eu falava desde março do ano passado. Mas é bem vindo esse reconhecimento por parte da maior liderança que tem o PSDB”, disse Bolsonaro.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Mais uma fez o governo federal quer ajudar o que os incompetentes locais não consegue ao menos tentar fazer.

  2. Veja que para o PETRALHA se não for comunista NÃO PRESTA. SÃO RADICAIS , LADRÕES, CORRUPTOS E MAIORIA NÃO GOSTA DE TRABALHAR. AGORA EU FICO PENSANDO o que ACONTECERIA O PARTIDO DAS TREVAS TOMASSE O PODER E O BAÚ SECASSE , como o governo do PT iria tratar esses mamadores de tetas e vagabundos sem querer trabalhar.

  3. E a governadora Fátima do PT, esta fazendo o que pela economia do RN? Alias, o que essa senhora fez até agora em qualquer área? Na saude, fez o que? Na educação? Na infra-estrutura do estado? Quando seu governo vai começar?

  4. Enwuanto vemos governadores como Fátima do PT perseguindo quem quer trabalhar, fechando em presas e escolas, destruindo a economia e o sustento das pessoas, vemos o presidente Bolsonaro agindo na direção oposta. Preocupado com a saúde, com a liberdade, com os direitos e com o ganha-pão do povo brasileiro, tentando amenizar a triste situação das pessoas prejudicadas pelo autoritarismo e falta de sensibilidade de governantes que só pensam em politicagem, no poder, em destruir o Brasil tentando com isso atacar seu governo. Ainda bem que temos um presidente como ele.

  5. Esse Presidente e um Bosta mesmo…esta todo santinho…dando uma de bom moço.. educado…ENGANAR OS BESTAS SO OS DA LAIA DELE.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

[VÍDEO] Ministra do TSE que proibiu TV Globo de mostrar púlpito vazio declarou voto em Lula


Vídeo: Reprodução/Revista Veja

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornou-se o centro de intensos debates políticos nesta sexta-feira (2) após proibir a TV Globo de exibir o púlpito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vazio durante o debate realizado na última quinta-feira (1º). A decisão gerou repercussão nos bastidores e chamou atenção para o perfil e o histórico profissional da magistrada – que já gravou vídeo declarando voto no presidente Lula. 

Nomeada por Lula para uma vaga de ministra substituta ou efetiva no TSE em 1º de agosto de 2025 com mandato de dois anos, Estela tem passagens recentes pela administração federal. No atual governo, ela atuou como secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante a gestão de Flávio Dino, período em que ganhou projeção nacional por sua postura firme na regulação e no combate a abusos das grandes empresas de tecnologia (big techs).

Posteriormente, integrou a equipe da Presidência da República como assessora especial na assessoria internacional, liderada pelo ex-chanceler Celso Amorim. No próprio TSE, atuou como assessora no gabinete da Presidência em 2025, sob a gestão da ministra Cármen Lúcia.

Perfil e Formação

Especialista em direito digital e inteligência artificial, Estela Aranha possui uma carreira acadêmica e institucional sólida. É graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) desde 1999 e mestre em Direito Constitucional pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa).

Entre suas atuações de destaque, constam a participação no Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre Inteligência Artificial e a presidência das comissões de Proteção de Dados do Conselho Federal da OAB no Rio de Janeiro (OAB-RJ), além de ter coordenado núcleos de estudos no IBCCRIM. Na área educacional, acumulou passagens como professora convidada em instituições de peso, como FGV, Mackenzie, EMERJ e IDP.

Com informações da CNN Brasil

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

VOX BRASIL: Flávio Bolsonaro lidera 2° turno contra Lula com 48,2% a 45,2%


Fotos: Ricardo Stuckert/Agência Senado

Uma nova pesquisa do instituto Vox Brasil, divulgada nesta sexta-feira (2), aponta um cenário de forte acirramento na corrida presidencial. Em um eventual segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 48,2% das intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 45,2%.

Como a vantagem de 3 pontos percentuais de Flávio sobre Lula está dentro da margem de erro do levantamento que é de 2,15 pontos percentuais, os dois candidatos figuram em empate técnico. Brancos e nulos somam 2,5%, e eleitores que não sabem ou não opinaram representam 4,1%.

Nas demais simulações de segundo turno testadas pela pesquisa, o presidente Lula mantém a liderança. Contra o governador Ronaldo Caiado (PSD), o petista pontua 46,3% contra 42,1% do adversário. Já em uma disputa frente a frente com Augusto Cury (Avante), Lula abre ampla vantagem, marcando 46,8% ante 33,1% do escritor e psiquiatra.

Cenário de Primeiro Turno

Na disputa estimulada para o primeiro turno, a corrida segue igualmente equilibrada. Flávio Bolsonaro aparece ligeiramente à frente com 41,2% das intenções de voto, seguido de perto por Lula, que registra 40,4%.

Atrás dos líderes, os demais concorrentes aparecem distantes:

  • Ronaldo Caiado (PSD): 3,3%

  • Renan Santos (Missão): 2,2%

  • Zema (Novo): 1,3%

  • Augusto Cury (Avante): 1,2%

  • Edmilson Costa (PCB): 0,2%

Os candidatos Wilson Grassi (Democrata), Leonardo Avalanche (PRTB), Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU) e Samara (UP) não pontuaram. Votos em branco, nulos ou em nenhum somam 3,2%, enquanto 7% dos entrevistados não souberam ou preferiram não opinar.

Metodologia

O levantamento do instituto Vox Brasil ouviu 2.100 eleitores em todo o país entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro de 2026. A margem de erro geral da pesquisa é de 2,1 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

O estudo está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00148/2026.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

“BATEU EM RETIRADA”: Caiado acusa Lula de provocar cancelamento do debate da Globo

Ronaldo Caiado (PSD) acusou Lula (PT) de provocar o cancelamento do debate da TV Globo, que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º). Para ele, as decisões judiciais que mudaram as regras do programa foram uma “afronta à democracia brasileira”.

“O Lula provocou tudo isso. Ele foi provocado pelo Flávio na minha cidade, em Goiânia, dizendo: ‘Vai lá que eu vou lhe enfrentar’. E bateu em retirada”, declarou Caiado.

A Globo cancelou o debate após receber decisões do TSE e do STF que alteraram regras previamente acordadas. Lula já havia recusado o convite, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) desistiu horas antes e alegou “censura”.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

[VÍDEO] Multidão lota o largo do Atheneu para o último comício de Álvaro Dias no 1º turno em Natal

Em clima de festa e emoção na reta final da campanha, Álvaro Dias (PL) realizou, nesta quinta-feira (1º), seu último comício em Natal antes do primeiro turno. Com o Largo do Atheneu lotado, o candidato ao Governo do Rio Grande do Norte chegou caminhando no meio do povo, abraçando apoiadores e sendo recebido por caravanas e lideranças de várias regiões do Estado.

Ao lado de Álvaro estavam o prefeito Paulinho Freire, a vice-prefeita Joanna Guerra, o candidato ao Senado Coronel Hélio e os candidatos a deputado federal General Girão, Carla Dickson, Coronel Brilhante, Sargento Gonçalves e Nina Souza, além de candidatos a deputado estadual, prefeitos, vereadores e outras lideranças.

Ao falar sobre a decisão de realizar o último comício, Álvaro destacou a importância de encerrar a campanha perto da população. “As pessoas me aconselharam a não fazer o último comício, e eu disse: eu tinha que fazer. Eu não podia encerrar essa campanha política sem fazer o que fiz hoje aqui: chegar abraçado à população, apertar as mãos dos nossos amigos da cidade de Natal”, declarou.

Emocionado, Álvaro falou da caminhada eleitoral e da esperança que encontrou nas ruas. “Não poderia sair dessa campanha sem ver a esperança do povo do Rio Grande do Norte, abraço por abraço, sorriso por sorriso. Vamos juntos mudar o Estado do Rio Grande do Norte”, afirmou.

Ao final, Álvaro agradeceu aos apoiadores que o acompanharam durante a campanha e encerrou a noite em meio às manifestações de carinho do público.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

CENSURA: Globo afirma que “decisões judiciais” que levaram a cancelamento do debate “representam uma interferência indevida na liberdade dos veículos de imprensa”

Foto: Reprodução / Jornal Nacional

A Globo afirmou que “as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate” com os candidatos a presidente, previsto para esta quinta-feira (1º), “causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais”.

“Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite”, informou a emissora, que lembrou da sua “longa tradição na organização de debates eleitorais”.

“Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia”, destacou a Globo.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

[VÍDEO] “NÃO VOU COMPACTUAR COM A CENSURA”: Flávio Bolsonaro denuncia interferência do Judiciário nas eleições de 2026

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não vai “compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições [de 2026]”. A declaração se deu depois que ele anunciou a decisão de não participar do debate que estava previsto para ocorrer nesta quinta-feira (1º) na TV Globo.

O candidato convocou os eleitores a decidirem a disputa presidencial já no primeiro turno. “Vamos resolver esse negócio já nesse domingo agora para que a gente possa dar um recado claro de que o Brasil tem jeito e ninguém aguenta mais essa situação de sequestro que a nossa democracia enfrentou”, disse ele.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Brasil

URGENTE: Globo cancela debate presidencial após decisões do TSE e STF e desistência de Flávio

Reprodução

A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência de República que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º). O encontro seria o último antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).

O cancelamento ocorreu após uma sequência de decisões judiciais. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a emissora de mostrar o púlpito vazio de Lula (PT), enquanto Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão), contrariando decisões anteriores de Cármen Lúcia e Kassio Nunes Marques.

Lula já havia informado que não compareceria. Depois da decisão sobre o púlpito, Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu e alegou “censura”. Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estavam confirmados.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

EDITORIAL BG: A toga tomou o lugar dos candidatos no debate da Globo

Arte Metrópoles

O debate presidencial da TV Globo, marcado para a noite desta quinta-feira (1º), foi atropelado pelo Judiciário antes mesmo de começar. Em poucas horas, decisões de ministros passaram a determinar o que a emissora poderia mostrar e até quem deveria estar no palco. A Justiça deixou de garantir as regras da eleição para interferir diretamente na organização de um programa jornalístico.

Primeiro, a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado ao presidente Lula (PT), que decidiu não comparecer ao último debate antes do primeiro turno. A magistrada entendeu que a imagem poderia pressionar candidatos a participar, embora o comparecimento seja facultativo.

O argumento não convence. Mostrar o lugar vazio de um candidato convidado não é censura, punição nem constrangimento ilegal. É informar ao eleitor que aquele candidato escolheu não estar ali. Lula tem o direito de faltar, mas a emissora e o público também têm o direito de registrar sua ausência. Depois da decisão, Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar e classificou a medida como “censura”.

Para piorar ainda mais, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, determinou que a Globo incluísse Renan Santos (Missão) no debate. A decisão contrariou entendimentos anteriores da ministra Cármen Lúcia e do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.

O Missão possui apenas um deputado federal, enquanto a legislação assegura a participação aos candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. As regras da Globo permitiam que a emissora, diante da desistência de um convidado, chamasse outro candidato bem colocado na pesquisa Quaest, mas deixavam claro que isso ocorreria a seu exclusivo critério. Gilmar transformou uma possibilidade editorial em obrigação judicial.

Gilmar passou por cima dos dois colegas de STF e decidiu, sozinho, quem deveria participar de um debate promovido por uma empresa jornalística. Isso não é um detalhe jurídico. É uma interferência direta na liberdade de imprensa e no processo democrático.

Hoje, um ministro determina quem entra no debate. Outro decide qual imagem pode aparecer. Amanhã, o que impedirá o Judiciário de estabelecer as perguntas, escolher os temas ou definir o formato mais conveniente?

Em defesa da liberdade de imprensa e por respeito à democracia, a emissora deveria cancelar o debate. Essa seria uma resposta dura, mas necessária, diante de decisões que desmontaram as regras acertadas previamente e transformaram um encontro entre candidatos em um espetáculo comandado por ministros.

Debate eleitoral deve ser decidido por regras públicas, pela lei e pela autonomia jornalística, não pela vontade de uma toga.

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

[VÍDEO] DESESPERO: Robério expõe estratégia esquerdista para tentar barrar avanço da direita no RN


Em um pronunciamento após retirar sua candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte, Robério Paulino (PSOL) explicitou o cálculo eleitoral que levou a esquerda a concentrar forças em torno de Cadu Xavier (PT) para tentar impedir o avanço da direita no Estado. De olho na eleição presidencial, o partido preferiu deixar de lado suas convicções na disputa pelo Governo.

A declaração de Robério nas redes sociais deixa exposta a estratégia de transferência de votos para Cadu com o objetivo de impedir que Álvaro Dias, que Robério classificou como candidato da “direita radical”, chegue ao segundo turno e funcione como palanque para Flávio Bolsonaro no RN.

O pronunciamento revela a dimensão nacional que a esquerda atribui à disputa no RN.

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

Interferência cruzada do Judiciário esvazia regras, transforma debate da Globo em circo e impõe o cancelamento

Reprodução

A sucessão de intervenções diretas da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal transformou o aguardado debate presidencial da TV Globo em um cenário de completa insegurança jurídica, restando à emissora apenas uma alternativa viável para preservar sua autonomia: o cancelamento do confronto marcado para esta quinta-feira (1).

O colapso do formato começou a se desenhar quando a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a emissora de utilizar o tradicional púlpito vazio para representar a ausência do presidente Lula (PT), determinando ainda que os demais concorrentes pudessem direcionar perguntas ao petista mesmo sem a sua presença física no estúdio. Em paralelo, o STF determinou a inclusão do candidato do Missão, Renan Santos, no debate, atropelando critérios jornalísticos e normas estabelecidas previamente pelo canal.

Diante de um cenário onde regras são reescritas de última hora em Brasília e o principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), já havia anunciado sua desistência em protesto contra a censura.

Com informações do Metrópoles 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *