Conselheiro de segurança dos EUA diz que chinesa Huawei terá acesso a dados de empresas e do Governo se for escolhida para 5G

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

O conselheiro de Segurança dos Estados Unidos, Robert O’Brien, disse que se o Brasil escolher a empresa chinesa Huawei para implantação da tecnologia 5G no país, os dados do governo e de empresas brasileiras poderão ser “decifrados” pelos chineses.

A frase foi dita em reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), à qual o Estadão/Broadcast teve acesso. Na reunião, que teve a participação virtual de cerca de 70 empresários, O’Brien disse recomendar “fortemente” que os parceiros dos norte-americanos adotem fornecedores “confiáveis”.

“Se vocês terminarem com a Huawei na sua rede 5G, haverá ‘backdoors’ e a capacidade de decifrar quase todos os dados que são gerados em qualquer lugar do Brasil, seja pelo governo, na frente de segurança nacional, seja por empresas privadas em suas habilidades de inovar e desenvolver novos produtos”, afirmou. “Backdoors” ou “porta dos fundos”, em inglês, é o método usado para ter acesso às informações dos usuários contornando medidas de segurança.

O conselheiro acusou a China de usar ataques cibernéticos para roubar propriedade intelectual em todo o mundo e disse que os Estados Unidos abrem um novo caso de espionagem contra a empresa a cada 10 horas. “Estamos preocupados que os chineses vão mirar locais que não têm softwares [de proteção contra ataques] tão difíceis como os dos Estados Unidos. Estamos preocupados de que cada vez mais a China vai se virar para países como o Brasil, especialmente se eles se apossarem de sua rede 5G”, completou

Segundo O’Brien, os Estados Unidos podem trabalhar conjuntamente com o governo brasileiro para defender o país dos ataques cibernéticos. “Nós podemos trabalhar juntos contra países que irão roubar ao invés de comprar ou pagar pela nossa tecnologia. Acredito que vamos trabalhar próximo dos militares brasileiros e do governo brasileiro para defender o Brasil no mundo cibernético.

Em meio a uma guerra comercial com a China, os Estados Unidos vem fazendo forte campanha contra a Huawei e pressionam, desde o ano passado, para que ela seja banida da licitação para escolha de empresas para implantação da rede 5G no país.

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G. Em ambiente controlado, as redes 5G podem ter velocidades de até 1 gigabit por segundo (Gbps). Assim, permite um consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. Além disso, promete reduzir para menos da metade a latência, tempo entre dar um comando em um site ou app e a sua execução – dos atuais 10 milissegundos para 4 ms. Em algumas situações, a latência poderá ser de 1 ms, importante, por exemplo, para o desenvolvimento de carros autônomos.

Em visita ao Brasil, o conselheiro terá, nesta terça-feira, 19, reunião com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, para tratar de segurança e há expectativa de que a questão do 5G seja discutida. O’Brien encontrará amanhã, também o presidente Jair Bolsonaro.

Estadão Conteúdo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Observando. disse:

    E se a tecnologia 5G for a americana, os americanos juram q nao teram dados do governo e das empresas. E eu acredito.

    • Acorda Brasil disse:

      Comparar uma democracia livre onde as empresas são auditadas e transparentes com essa da China que é uma Estatal por debaixo dos panos é coisa de comunista ignorante. Eu lembro que ninguém é obrigado a opinar, as vezes calar é sua maior contribuição.

    • Gustavo disse:

      Não existe tecnologia americana disso, seu bobinho: o que os EUA defendem é que democracias usem tecnologia 5G de outras democracias. A mais popular destas é a da Ericsson, da Suécia, nada americana…

  2. Chico disse:

    Só quem pode ter esse acesso são os EUA. Os Bolsominios, que não estudam, leem e não tem um pingo de intelectualidade, piram quando alguém dos EUA falam.

  3. Manoel disse:

    Quem espiona a gente é os EUA, como ficou provado em 2015 no governo Dilma.

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