Denúncia bloqueia bens de irmão de Baleia Rossi e cita entrega de R$ 1 milhão em dinheiro vivo

Uma das principais pendências judiciais do entorno de Baleia Rossi (MDB-SP), candidato à presidência da Câmara, envolve pagamentos em espécie em benefício de uma empresa que tinha a mulher dele como sócia e que pertence ao irmão do deputado. Paulo Luciano Tenuto Rossi é réu desde o ano passado em ação penal eleitoral em São Paulo acusado de receber da Odebrecht R$ 1 milhão em dinheiro vivo pago durante a campanha de 2014 por trabalhos da produtora Ilha Produção Ltda, que pertencia também a Vanessa da Cunha Rossi, esposa de Baleia.

O irmão, conhecido como Palu, também está com parte de seus bens bloqueados em decorrência desse processo, juntamente com o ex-candidato a governador Paulo Skaf (MDB), que é presidente da Fiesp (federação das indústrias de São Paulo). Skaf e Paulo Luciano são acusados no processo, aberto em maio pelo juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois.

De acordo com a denúncia da Promotoria Eleitoral de São Paulo, a Odebrecht se comprometeu com o MDB a destinar R$ 6 milhões à campanha de Skaf naquele ano por meio do Departamento de Operações Estruturadas, divisão responsável por pagamentos dissimulados apelidada de “departamento de propinas”. Dessa quantia prometida, diz a denúncia, R$ 1 milhão em espécie acabou indo para Paulo Luciano, na época contratado pela candidatura para a produção de vídeos por meio da Ilha Produção.

Vanessa Rossi e Baleia não são alvos da denúncia dos promotores e dizem não ter nenhuma relação com as acusações feitas. Ela foi sócia da Ilha Produção no período em que ocorreram os pagamentos e se desligou da firma em 2017. Baleia foi fundador da empresa, que anteriormente se chamava Whale Produções, e se retirou da sociedade em 2003, quando sua esposa passou a integrar o quadro de sócios.

A produtora ampliou sua atuação em campanhas políticas no início da década passada. Da candidatura de Skaf, em 2014, recebeu formalmente R$ 3,25 milhões, segundo a prestação de contas oficial entregue à Justiça Eleitoral na época.

A denúncia considera que, por trás do pagamento de R$ 1 milhão em espécie, havia a intenção da empreiteira de potencializar ganhos irregulares com o poder público, cooptando pretendentes a cargos eletivos. Argumenta que, como a finalidade era ilícita, os valores circulavam por meio de doleiros e em espécie, com uso de codinomes e senha, o que visava ocultar a prática das autoridades. Na época, ainda era legal a doação empresarial para candidatos. Para se enquadrar nas regras, porém, o pagamento da Odebrecht deveria ser registrado à campanha de Skaf, e o comitê do candidato, então, deveria remunerar a empresa fornecedora. Como isso não aconteceu, o Ministério Público entende que houve o crime eleitoral de caixa dois.

Contra Paulo Luciano, pesam registros de entregas de dinheiro da Odebrecht em duas ocasiões na época da campanha.

“Hotel merak Paulo a senha e trilho entregar 500 mil”, diz mensagem enviada por um dos envolvidos no pagamento, citada na denúncia.

Leia matéria completa na Folha.