Jornalismo

Deputados ‘youtubers’ irritam colegas e escancaram desordem de base aliada

Deputados do PSL fazem lives em redes sociais durante a votação do destaque que retirou o Coaf do Ministério da Justiça, na quarta (23) – Pedro Ladeira/Folhapress

 

“Está iniciada a votação”, anuncia o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), às 20h15 de quarta-feira (22). O que está em jogo é a retirada do Coaf, conselho que fiscaliza atividades financeiras suspeitas, da alçada do ministro Sergio Moro, na Justiça.

Os governistas querem evitar a mudança para a pasta da Economia. E sacam suas armas: de repente o plenário da Casa se inunda com celulares de todos os tipos e tamanhos, gravando vídeos para redes sociais.

A gravação de Carla Zambelli (PSL-SP), feita ao lado da Major Fabiana (PSL-RJ), teve 32 minutos de duração, 14 mil comentários e 5.000 curtidas. Já a de Hélio Lopes (PSL-RJ) teve 23 minutos, 2.000 likes e 3.400 comentários. O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), e a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), também estavam online.

Na Câmara, porém, o placar não é tão favorável: por 228 votos a 210, o Coaf foi retirado do ministério de Moro. A medida segue para o Senado.

A votação desta semana é a epítome de um fenômeno que tem tomado os corredores de comissões e do plenário em 2019: o crescimentos dos parlamentares “youtubers”, que preferem falar para suas bases do outro lado da tela a articular com seus pares.

O problema é que tão característica da 56ª legislatura quanto o frenesi das redes sociais é a irritação de parte dos deputados (entre veteranos e novatos, ressalte-se) com a bancada das redes.

Durante a cena da deliberação da MP 870, que decidiu pela transferência do Coaf para o Ministério da Economia, até parlamentares jovens se mostraram chocados com a quantidade de lives.

“Rapaz, quando eu cheguei aqui eu fazia sempre uma livezinha por semana, e o pessoal me achava esquisito”, comenta um tucano da ala dos cabeças-pretas, como são chamados os mais novos do partido. Quando a reportagem diz que ele tinha sido vanguarda nas tendências do Parlamento, ouve como resposta: “Não quero ser vanguardista disso não.”

Outro passa apressado, com uma proposta de emenda para a reforma da Previdência nas mãos. “Não vai fazer live?”, perguntam jornalistas. “Eu não, vou ali pegar assinatura que eu ganho mais”, responde o deputado, membro de um dos partidos de centro.

Os parlamentares levaram até um pito de Maia. “Eu peço só que, daqui para frente, o parlamentar que for à tribuna utilize a tribuna sozinho. A imagem com cinco, seis, sete ou oito parlamentares no entorno não é a imagem que deve ser passada para a sociedade”, afirmou, depois que Filipe Barros (PSL-PR) discursou ladeado por correligionários devidamente aparelhados com seus celulares.

Em discurso inflamado pouco depois, o líder do DEM, Elmar Nascimento (BA), reclamou: “Isso aqui não é um circo em que as pessoas pegam o celular para ficar transmitindo”, disse. Pouco antes, outro líder do centrão, Arthur Lira (PP-AL) também tinha ido ao microfone reclamar dos “internautas de plantão”.

Não são só os governistas, obviamente, que utilizam as redes sociais para interagir com suas bases. Também nesta quarta-feira, a deputada Marília Arraes (PT-PE) criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, em uma live no Facebook.

“Ele não pode vir à Câmara para bater boca com deputado. Isso é papel do Parlamento. Quando um membro do Executivo vem aqui é para prestar contas”, disse para seus seguidores, um fonezinho branco em mãos.

Da mesma maneira, na terça-feira (23), em sessão esvaziada de debates, um deputado esbravejava contra o prefeito de Londrina. Era Boca Aberta (PROS-PR), que chegou a ficar vermelho na tribuna, gritando que o político local beijava bebês e depois “dava um pé na bunda do povo”. Enquanto isso, um assessor filmava todo o discurso. Terminada a bravata, desceu da tribuna calmamente, como se nada tivesse ocorrido.

O teatro de discursos não foi inventado por deputados desta legislatura, é certo. O problema, dizem colegas, é que os novatos do PSL têm atrapalhado o governo do qual fazem parte. O partido tem a segunda maior bancada da Câmara, com 54 integrantes —boa parte deles eleita com base sólida nas redes sociais.

É que há uma velha máxima no Legislativo: oposição é plateia, governo é placar. Isso significa que a oposição deveria usar mais o microfone —e as redes— que o governo. A primeira teria o dever de jogar para a plateia, de denunciar e fazer barulho. Já à base de apoio do presidente caberia articular para conseguir resultados no placar interno, fazendo avançar a agenda do Executivo.

É sobre esse ponto que deputados simpatizantes do governo Jair Bolsonaro (PSL) se dizem exasperados. Um dos principais alvos de reclamações, mesmo dentro do PSL, é o líder do governo na Câmara. O deputado Major Vitor Hugo usou as redes sociais para atacar parlamentares do centrão nas semanas seguintes à votação da medida provisória da reestruturação dos ministérios na comissão especial.

O resultado foi uma irritação dos partidos que os levou a cancelar a votação de MPs na semana passada, ameaçando a reforma —se não for aprovada no Senado até 3 de junho, a medida provisória que dá ao governo a configuração atual perde a validade.

Da mesma maneira, o deputado entrou em choque com o presidente da Casa, Rodrigo Maia, ao divulgar charges em que criticava o Parlamento.

Aliados de Vitor Hugo dizem que o saldo político para ele foi positivo, ainda que as consequências internamente sejam ruins. Antes desconhecido, o parlamentar hoje tem 42 mil seguidores no Twitter —número que, dizem, começou a subir depois que ele adotou postura mais combativa na rede social.

As críticas à postura do PSL não vêm de agora. Desde o início da Legislatura membros de outros partidos que simpatizam com pautas econômicas do governo vêm reclamando que são “atacados gratuitamente”.

Um dos casos terminou no Conselho de Ética: em março, Coronel Tadeu (PSL-SP) chamou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) de “assassino de policiais” durante sessão sobre a reforma da Previdência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Gerou um furdunço e acabou recebendo uma representação no conselho.

Deputados do PSL admitem que o partido tem que melhorar a articulação política, mas dizem que quando ficam muito tempo sem postar em suas páginas são cobrados pelo eleitorado. Uma deputada governista afirmou que chegou a ser criticada e chamada de petista por ficar dias sem falar sobre a oposição nas redes sociais.

Eles também defendem que, dessa maneira, conseguem estar mais conectados aos anseios do público em geral. “Todos nós aqui estamos recebendo uma enxurrada de mensagens pelo WhatsApp, Facebook e todas as mídias sociais”, disse o deputado Filipe Barros durante a votação do Coaf. “Essa é a realidade: nós devemos satisfação e respeito ao povo brasileiro. Essa é a vontade da população.”

Para a pesquisadora do Núcleo de Instituições Políticas e Eleições da USP Joyce Luz, o uso exacerbado de redes sociais gera um problema para o Parlamento, onde a tomada de decisão deve ser coletiva. “Se em cada votação o deputado for checar com a sua base, você não vai ter decisão em conjunto e nem chegar em acordo para avançar com as propostas”, diz.

Segundo a pesquisadora, o público em geral tende a achar que as redes sociais o aproximam da política. Isso acontece porque, de um lado, há políticos que não prestam contas para seus eleitores e, de outro, havia pouco interesse na política por parte da população.

Ela alerta, porém, que as redes sociais podem dar uma impressão falsa de democratização. “Quem tem acesso à internet, e à internet naquela votação?”, questiona. “Se o parlamentar achar que só aquelas pessoas que assistem à live naquele momento são a sua maioria, podemos estar excluindo uma parcela do eleitorado na tomada de decisões.”

FOLHAPRESS

Opinião dos leitores

  1. Ver esse tal de Alexandre Frota se apresentando como "arauto da moralidade" chega a ser hilário, kkkkkkkkkkkkkkk. Mais uma da série : "seria cômico , se não fosse trágico".

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Geral

VÍDEO: Chuvas intensas alagam ruas e causam transtornos em Assú nesta segunda-feira (13)

Imagens: Reprodução

Uma forte chuva atingiu o município de Assú, no Oeste potiguar, na noite desta segunda-feira (13), provocando alagamentos em ruas e avenidas e causando transtornos a motoristas e moradores, segundo registros locais e relatos de quem circulava pela cidade. O volume de água chamou atenção em diferentes pontos do município.

Em diversos trechos de Assú, foi possível observar vias tomadas pela água, dificultando a passagem de veículos. Em imagens registradas no local, há motoristas enfrentando ruas alagadas e áreas com acúmulo significativo de água, além de registros de pedestres lidando com pontos de alagamento mais intensos.

De acordo com a Emparn, a semana deve seguir com previsão de chuvas em todas as regiões do RN. O órgão indica céu parcialmente nublado e possibilidade de precipitações pelo menos até o próximo sábado (18), mantendo o alerta para novas ocorrências.

Segundo o Núcleo de Meteorologia da Emparn, a região do Alto Oeste potiguar deve concentrar os episódios de chuva mais intensos, com possibilidade de trovoadas principalmente na terça-feira (14). As condições atmosféricas são consideradas favoráveis para continuidade das precipitações.

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Geral

“Está me matando”: Mãe chora ao ver filho ser preso pela segunda vez em ação policial

Imagens: Reprodução/Instagram/Charles Pessoa

Um vídeo divulgado pelo delegado Charles Pessoa, da Polícia Civil do Piauí, mostra o momento em que uma mãe reage, em prantos, à prisão do próprio filho pela segunda vez. O registro foi compartilhado nas redes sociais nesta quarta-feira (13).

De acordo com o delegado, o jovem já havia sido preso anteriormente. As imagens foram feitas durante a condução do suspeito em uma viatura, enquanto a mãe acompanha a ação e demonstra desespero com a situação.

No vídeo, a mulher relata sofrimento com a reincidência do filho e faz um desabafo emocionado. Segundo o delegado, o caso expõe o impacto das ações criminosas dentro do ambiente familiar.

Ainda nas imagens, o delegado repreende o suspeito e afirma que “o crime não compensa”, orientando o jovem a valorizar a família e evitar envolvimento com atividades ilegais, conforme registrado na gravação.

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Judiciário

Cármen Lúcia defende mais transparência no STF e diz que Corte “não pode ficar como está”

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta segunda-feira (13) que o STF precisa avançar em transparência e declarou que o modelo atual “não pode ficar como está”. Segundo a ministra, ampliar a transparência e a comunicação das decisões é importante para fortalecer o Judiciário.

Para ela, mudanças nesse sentido beneficiam tanto a imagem da Corte quanto o funcionamento interno do tribunal.

Cármen Lúcia reconheceu que o STF vem adotando medidas ao longo dos últimos anos para melhorar esse aspecto. Ainda assim, avaliou que há espaço para avanços e que o processo de aperfeiçoamento precisa continuar. “Não significa que não tenha muito a aperfeiçoar. Acho que temos”, afirmou.

De acordo com informações do próprio STF, a ministra foi designada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, para relatar a proposta de criação de um Código de Ética para o tribunal. A iniciativa, segundo relatos, enfrenta resistência entre parte dos ministros.

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Política

TCU indica arquivamento de pedido sobre contrato envolvendo Lewandowski e Banco Master

 Foto: Reprodução

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou o arquivamento de uma representação que pedia apuração sobre contrato entre o Banco Master e um escritório ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Segundo os auditores, o caso não envolve recursos públicos e, por isso, não se enquadra na competência do tribunal.

De acordo com o parecer técnico, os valores pagos pelo banco ao escritório têm natureza privada, sem impacto sobre o erário. Por esse motivo, o TCU entende que não há base legal para atuação no caso.

O documento afirma que, embora a situação possa, em tese, levantar questionamentos sobre possível conflito de interesses, a análise desse tipo de questão cabe à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Comissão de Ética Pública da Presidência. Ainda segundo os auditores, não foram apresentados elementos que comprovem influência direta em ato de gestão pública.

Conforme apuração da Folha de S.Paulo, o escritório Lewandowski Advocacia recebeu ao menos R$ 6,1 milhões do Banco Master entre novembro de 2023 e agosto de 2025. O período coincide parcialmente com a passagem de Lewandowski pelo Ministério da Justiça, entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026.

Em nota e declarações públicas, o ex-ministro afirma que se desligou do escritório antes de assumir o cargo, seguindo as exigências legais. Já a defesa do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao banco, sustenta que os contratos foram firmados dentro de parâmetros técnicos e regulares.

O parecer da área técnica ainda será analisado pelo ministro relator Augusto Nardes e pelos demais integrantes do TCU, que devem decidir sobre o arquivamento definitivo do caso.

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Polícia

VÍDEO: Mulher cai de passarela na BR-101 em Parnamirim após grade ceder

Imagens: Reprodução/98 FM Natal

Uma mulher de 35 anos caiu de uma passarela na BR-101, em Parnamirim, na Grande Natal, na tarde desta segunda-feira (13). A queda ocorreu após a estrutura de proteção ceder, gerando preocupação sobre a segurança no trecho, conforme informações da 98 FM Natal.

Segundo testemunhas, a vítima tentava desviar de outra pessoa que atravessava a passarela quando houve o impacto na grade, que teria se rompido, conforme relatos de quem presenciou a situação. Ela estava acompanhada de uma criança no momento do acidente e foi socorrida e encaminhada ao Hospital Walfredo Gurgel, em Natal.

Até a última atualização desta matéria, não havia confirmação oficial sobre o estado de saúde da mulher. O trecho foi isolado por equipes do DNIT e da PRF, conforme apurado.

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Política

EUA dizem que Ramagem pode ser expulso após visto vencido

Foto: Agência Câmara

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) informou que o ex-deputado federal Alexandre Ramagem pode ser deportado do país por permanecer com visto vencido. A informação consta em documento obtido pelo site Metrópoles, após a prisão dele em Orlando, nesta segunda-feira (13).

De acordo com o DHS, Ramagem entrou nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025 com visto de turista (B-2), com autorização de permanência até 10 de março de 2026. Segundo o órgão, ele continuou no país após o prazo permitido, o que o torna sujeito à remoção conforme a legislação migratória americana.

Ainda segundo as autoridades americanas, ele foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e encaminhado a um centro de detenção por questões migratórias. O documento cita que a permanência irregular motivou a medida.

Ramagem teve o mandato de deputado federal cassado pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, conforme registros oficiais. De acordo com investigações da Polícia Federal, ele deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos.

O Ministério da Justiça informou que formalizou, em 30 de dezembro de 2025, o pedido de extradição à Embaixada do Brasil em Washington. O caso segue em tramitação junto às autoridades americanas, responsáveis por analisar a situação migratória e eventuais desdobramentos.

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Judiciário

Moraes determina perda de cargo de cinco PMs condenados pelo 8/1

Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou nesta segunda-feira (13) a perda do cargo de cinco policiais militares condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial do Distrito Federal, conforme informações da CNN .

Foram atingidos pela decisão Fábio Augusto Vieira, Klepter Rosa Gonçalves, Jorge Eduardo Naime Barreto, Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra e Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues. Segundo a publicação oficial, todos já haviam sido condenados pela Justiça.

De acordo com o STF, o grupo foi condenado em 2025 a 16 anos de prisão, em regime inicial fechado, além da perda dos cargos públicos. Em março, a Corte já havia determinado a prisão dos cinco policiais.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os militares não teriam atuado para impedir os ataques às sedes dos Três Poderes, mesmo com informações prévias sobre o risco de invasões.

A decisão de execução imediata das penas foi tomada após o trânsito em julgado do processo, ou seja, quando não há mais possibilidade de recursos. Conforme o STF, os policiais devem se apresentar à Corregedoria da PM do Distrito Federal para os procedimentos legais.

Opinião dos leitores

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Geral

Polícia Federal diz que prisão de Ramagem decorreu de cooperação internacional com os EUA

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal informou que a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem ocorreu a partir de cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos. Ramagem foi preso nesta segunda-feira, em Orlando, na Flórida, por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) dos Estados Unidos. No site oficial do ICE consta que ele está sob a custódia do órgão.

“A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA. O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, informou a PF em nota.

Ramagem foi condenado no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de estado. A sentença foi aplicada no mesmo processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o aliado e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que mora nos Estados Unidos, Ramagem foi detido “após uma abordagem policial em Orlando, inicialmente por uma infração leve de trânsito e, na sequência, encaminhado ao ICE — procedimento comum na Flórida”.

“Essa é, neste momento, uma questão meramente imigratória. Porém, o status de Ramagem é LEGAL: ele possui um pedido de asilo pendente, protocolado há tempos e ainda sob análise, o que lhe permite permanecer legalmente nos Estados Unidos até a decisão final do caso — que é demorada, mas tem tudo para ser deferida”, escreveu Figueiredo..

Segundo o influenciador, a sua expectativa é que o ex-deputado seja liberado.

“O trâmite do ICE também é burocrático e depende da formalização no sistema do órgão para que os próximos passos sejam dados nesta direção”.

O Globo

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Geral

Vetos ao PL da Dosimetria podem beneficiar cerca de 150 presos do 8 de janeiro

Foto: Joedson Alves/Agência Brasil

A Associação das Vítimas e Familiares do 8 de Janeiro (Asaf) estima que cerca de 150 presos pelos atos de 8 de janeiro podem ser beneficiados caso o Congresso derrube os vetos ao PL da Dosimetria na próxima semana.

Segundo a entidade, a nova lei pode permitir a progressão para o regime aberto, dependendo da interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) em cada caso.

Dados do STF, atualizados até dezembro, apontam 638 condenados: 279 por crimes graves e 359 por delitos menos graves. Do total, 141 estão em regime fechado — sendo 29 em prisão preventiva, 112 definitiva e 44 em domiciliar.

A Asaf afirma que os números podem ter mudado desde então, com novas prisões e progressões de regime.

A eventual derrubada dos vetos não terá efeito automático. Após a publicação da lei, caberá ao STF analisar individualmente os pedidos de revisão das penas.

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Geral

Banco Central alerta para superendividamento e cita “problema crescente”; relatório mostra quase 130 milhões de pessoas com algum tipo de débito bancário

Foto: REUTERS/Adriano Machado

O Banco Central classificou, nesta segunda-feira (13/4) o superendividamento como “um problema crescente” no país, em meio a concessões de empréstimos pessoais sem garantia e um comprometimento ​de renda cada vez maior das famílias ​com cartões de crédito.

Dados do Relatório de Cidadania Financeira, divulgados nesta segunda-feira (13/4), mostram que o país já soma quase 130 milhões de pessoas com algum tipo de débito bancário, o que evidencia a dimensão do desafio para a economia.

Esse cenário de superendividamento tende a se agravar em momentos de juros elevados, como o atual, dificultando a recuperação financeira das famílias.

“O impacto psicológico das dívidas na vida das pessoas é profundo e abrangente. Estudos mostram que o endividamento excessivo está associado a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. A preocupação constante com as contas a pagar e a sensação de impotência diante das dívidas podem levar a problemas de sono, baixa autoestima e até mesmo a conflitos familiares”, diz o BC.

Na avaliação da autoridade monetária, o quadro reflete um ambiente de crédito mais caro e maior dificuldade das famílias em equilibrar o orçamento. O alto nível de comprometimento da renda com dívidas tem limitado a capacidade de consumo e aumentado o risco de inadimplência, especialmente entre as faixas de menor renda.

O BC também destaca que o problema vai além do volume de endividados e envolve casos mais graves, em que o consumidor já não consegue pagar suas dívidas sem comprometer despesas básicas.

Com informações de Metrópoles

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