Judiciário

Doutrina da ‘cegueira deliberada’: Juízes têm usado teoria estrangeira para fundamentar condenações na Lava Jato

Juízes que conduzem os processos da Operação Lava Jato vêm usando com frequência uma doutrina jurídica estrangeira para fundamentar condenações pelo crime de lavagem de dinheiro nos casos em que as provas apresentadas contra os acusados parecem mais frágeis.

Conhecida como teoria da cegueira deliberada e formulada pela primeira vez na Inglaterra no século 19, essa doutrina permite tratar como culpada uma pessoa que tenha movimentado dinheiro sujo sem ter conhecimento da natureza ilícita dos recursos, punindo-a com o mesmo rigor aplicado a quem comete esse crime conscientemente.

Desde o início da Lava Jato, há três anos, o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos que estão em Curitiba, e seu colega Marcelo Bretas, que atua no Rio, condenaram 121 pessoas por lavagem de dinheiro. Eles recorreram à doutrina importada em 13 casos até agora, conforme levantamento feito pela Folha.

Ao julgar essas ações, os juízes reconheceram que não havia provas de que os réus soubessem da ligação entre o dinheiro movimentado e a corrupção, mas os condenaram mesmo assim, argumentando que tinham motivo para suspeitar do que estavam fazendo e tinham consciência do risco de cometer crimes.

A legislação brasileira pune a lavagem de dinheiro quando o acusado sabe que o dinheiro é sujo e age com intenção de escondê-lo. Mas muitas situações não são claras assim, como no caso de alguém que aceita transportar uma mala de dinheiro roubado sem saber o conteúdo.

Nesses casos, a lei prevê punição quando se demonstra que o acusado tinha consciência do risco que corria, mesmo sem intenção de praticar um crime. Mas isso também é difícil de provar muitas vezes, e por essa razão os juízes têm recorrido à doutrina da cegueira deliberada.

Em 2015, o empresário Adir Assad e outras duas pessoas foram condenadas por repassar R$ 18 milhões destinados por uma empreiteira a funcionários corruptos na Petrobras. Não havia provas de que soubessem dos acertos feitos pela empresa na estatal, mas Moro os puniu mesmo assim.

“Ao concordarem em realizar as transações sub-reptícias, em circunstâncias suspeitas, sem indagar a origem, natureza e destino dos valores, com empreiteiras com contratos milionários com o poder público, assumiram o risco de produzir o resultado delitivo”, disse na sentença.

PERGUNTAS

De acordo com essa visão, uma pessoa que evita fazer perguntas que poderiam confirmar suas suspeitas deve ser punida da mesma forma que alguém com completa consciência da ilicitude de sua conduta, ou dos riscos assumidos.

O ex-marqueteiro petista João Santana e sua mulher, Mônica Moura, foram condenados com argumento parecido em fevereiro, num caso em que admitiram ter recebido US$ 4,5 milhões de um fornecedor da Petrobras na Suíça, mas disseram ignorar a origem ilícita dos recursos.

“A postura de não querer saber e a de não querer perguntar caracterizam ignorância deliberada e revelam a representação da elevada probabilidade de que os valores tinham origem criminosa e a vontade de realizar a conduta de ocultação e dissimulação a despeito disso”, disse Moro.

Assad e Santana mudaram suas estratégias de defesa após as primeiras condenações e passaram a admitir seus crimes. Moro e Bretas voltaram a condená-los por lavagem em outros processos, sem menção à teoria da cegueira.

Muitos advogados criticam o uso da doutrina por considerá-la incompatível com o sistema jurídico brasileiro, ao punir condutas que não são claramente caracterizadas pela legislação como criminosas.

“Isso amplia o poder dos juízes de decidir arbitrariamente e às vezes de forma casuísta, sem critérios muito claros”, diz o advogado Fabio Tofic Simantob, que defendeu Santana e outros réus na Lava Jato.

DESEQUILÍBRIO

Em suas sentenças, Moro tem citado a seu favor opiniões de integrantes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e de três ministros do Supremo Tribunal Federal que mencionaram a doutrina no julgamento do mensalão, Celso de Mello, Luiz Fux e Rosa Weber –que era assessorada por Moro nessa época.

“A teoria da cegueira deliberada desequilibra a balança da Justiça em favor da acusação, porque estreita o caminho para a defesa”, diz o advogado Spencer Toth Sydow, autor de um livro sobre a doutrina e contrário à maneira como tem sido adotada no país. “Com ela, o acusado não pode alegar ignorância, e o Estado não precisa buscar prova.”

Em pelo menos duas ocasiões, Moro absolveu pessoas acusadas de lavagem de dinheiro pelo Ministério Público argumentando que a teoria da cegueira deliberada não era aplicável em seus casos.

Ele fez isso ao julgar três funcionários da OAS envolvidos com as obras do apartamento que a empreiteira diz ter reformado para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e executivos da Engevix que assinaram contratos com o doleiro Alberto Youssef.

Para o juiz, nesses casos os acusados estavam apenas cumprindo ordens superiores, e não havia provas de que soubessem da origem ilegal dos recursos que movimentaram.

Condenados

ADIR ASSAD

Empresário

Acusação

Empresas ligadas ao grupo Setal contrataram empresas de Assad para repassar R$ 18 milhões em propina para funcionários da Petrobras

Defesa

Assad disse que estava afastado do dia a dia das suas empresas e não sabia que os contratos tinham relação com a corrupção na Petrobras

Sentença

Assad recebia pagamentos de suas empresas e sabia que praticavam lavagem de dinheiro, mesmo que não soubesse da corrupção, disse Sergio Moro

Pena *

8 anos e 4 meses

*

IVAN VERNON

Ex-assessor do PP

Acusação

Emprestou sua conta bancária para que o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) recebesse R$ 390 mil em propina de fornecedores da Petrobras

Defesa

Vernon afirmou que usava a conta para pagar despesas pessoais do deputado e não sabia que o dinheiro tinha origem num esquema de corrupção

Sentença

Corrêa foi cassado no escândalo do mensalão e, segundo Moro, Vernon tinha motivo para desconfiar que a origem do dinheiro era ilícita

Pena *

5 anos

*

JOÃO SANTANA

Ex-marqueteiro do PT

Acusação

Recebeu de um representante do grupo Keppel, fornecedor da Petrobras, US$ 4,5 milhões em uma conta secreta mantida com a mulher na Suíça

Defesa

Santana e a mulher admitiram o uso da conta para receber pagamentos do PT, mas disseram ignorar que a origem era a corrupção na Petrobras

Sentença

Moro reconheceu que não há prova de que eles soubessem da corrupção, mas concluiu que sabiam dos riscos que estavam correndo

Pena *

8 anos e 4 meses

*

ANA CRISTINA TONIOLO

Filha do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva

Acusação

Assinou contratos com três empresas usadas pela empreiteira Andrade Gutierrez para repassar R$ 3,4 milhões para Othon durante a construção de Angra 3

Defesa

Ana Cristina disse que se limitou a assinar os contratos por orientação do pai, sem saber que a origem do dinheiro era a Andrade Gutierrez, nem que era propina

Sentença

Para Marcelo Bretas, era fácil perceber que os contratos de consultoria eram fictícios, e Ana Cristina sabia que, ao assiná-los, corria o risco de praticar crimes

Pena *

6 anos

*

DELMO PEREIRA VIEIRA

Empresário

Acusação

A Andrade Gutierrez usou a empresa para desviar R$ 5,75 milhões para pagamentos de propina com dinheiro em espécie durante a construção de Angra 3

Defesa

O empresário admitiu que transportou dinheiro em espécie para funcionários da empreiteira, mas alegou desconhecer o destino dos recursos

Sentença

Bretas reconheceu que não há prova de que o empresário soubesse da corrupção, mas concluiu que ele sabia os riscos que corria ao transportar dinheiro assim

Pena *

4 anos e 6 meses

*Somente para o crime de lavagem de dinheiro nos casos em que a doutrina foi usada para justificar a condenação

Fonte: Processos na 13ª Vara Federal de Curitiba e na 7ª Vara Federal do Rio

Folha de São Paulo

 

Opinião dos leitores

  1. Só a ladroagem é que é nossa mesma. Só ladrões e esses teóricos do direito procurando "teses" na baixa da égua para justificar a santidade de seus bandidos de estimação!!!!!

  2. Já deu pra perceber o qual distorcida são essas informações é a quem elas interessam. Aqui temos uma reportagem que defende todo o mal que os corruptos, cretinos é bandidos tem feito ao nosso país. Pra esses senhores, a lava jato está exigindo que todo cidadão seja cumpridor da lei, não só o povão, mais todos mesmo independente de ser um grande empresário, governador, deputado, senador ou até mesmo um presidente. Ficar contra isso, já está dizendo quem são essas pessoas.

  3. Quem escreveu essas linhas tem interesse gritante.
    Então, uma pessoa que transporta uma mala de dinheiro precisa ter a informação que aqueles valores são ilícitos? Muito normal pessoas andarem por aí com malas com esse conteúdo né? Todo dia isso é feito.
    Tão imbecil que podemos usá-la para defender aquele traficante pego dentro de um carro com toneladas de maconha.
    Basta ele colocar cara de surpresa e dizer: eu não sabia que tinha maconha aí dentro. Pronto: o dito fica pelo não dito e todo mundo segue a vida.
    Qualquer macaco de laboratório sabe que dinheiro em mala não é normal, menos ainda lícito por uma razão que qualquer idiota conhece: se fosse não estaria ali, mas sim num banco sendo operado por meios legais e normais.
    Mas como somos o país que não apenas cultua a impunidade, estamos agora criando teorias que a sustentem diante da pequena fissura naquele paredão provocada pela Lava Jato.

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MULTA DE R$ 40 MILHÕES E 17 TEMAS: PGR assina delação de fundador da Reag que detalha crimes financeiros do Banco Master


Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) firmou um acordo de delação premiada com João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag. Nos depoimentos e materiais entregues, Mansur revelou novos detalhes sobre os crimes financeiros de Daniel Vorcaro e do Banco Master, além de delatar outros operadores do esquema. Trata-se da primeira colaboração oficializada pela PGR no âmbito da Operação Compliance Zero. A defesa do gestor preferiu não se manifestar.

O documento foi encaminhado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos próximos dias, Mendonça deve conduzir uma audiência para avaliar a espontaneidade da colaboração e os requisitos legais, etapa que antecede a homologação e valida o acordo como meio de prova. A proposta inicial apresentada por Mansur envolvia 17 eixos de investigação e o pagamento de uma multa de R$ 40 milhões.

A efetivação do acordo dificulta as tratativas para uma eventual delação do próprio Daniel Vorcaro. Embora o ex-banqueiro tenha alterado sua equipe jurídica na tentativa de retomar as conversas, investigadores demonstraram desinteresse, avaliando que Mansur forneceu informações mais inéditas e relevantes sobre o fluxo de recursos desviados pelo Master. A gestora Reag gerenciava fundos de investimento utilizados por Vorcaro para drenar dinheiro do sistema financeiro para fins pessoais e para o pagamento de propina.

Com informações do UOL.

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Álvaro domina debate da 98 FM, encurrala adversários e apresenta realizações e propostas


Foto: Gabriel Leite/98FM

Álvaro Dias (PL) impôs o ritmo do debate da 98 FM/Jovem Pan e deixou os adversários na defensiva. Cobrou de Allyson Bezerra (União Brasil) explicações sobre a Operação Mederi, desmontou a ligação de Cadu Xavier (PT) com o governo Fátima Bezerra e ancorou cada proposta em obra entregue.

O momento mais duro veio na cobrança sobre a Operação Mederi, investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema em contratos de medicamentos em Mossoró. Álvaro questionou os indícios apontados pela PF de que 15% seriam destinados ao então prefeito. “O senhor precisa explicar os desvios de medicamentos em Mossoró. Pela matemática de Mossoró, menos da metade dos medicamentos comprados era entregue”, afirmou. Voltou à carga em seguida: “O senhor não se envergonha de estar sendo investigado pela Polícia Federal? Fale a verdade. O senhor está mentindo. O senhor é um candidato de fantasia.”

Com Cadu, o desmonte foi político. “O senhor deveria ter adotado o nome Cadu de Fátima. Eu acho que o senhor vive em outro estado. O senhor não mora na cidade de Natal”, disparou, antes de contrapor números à crítica do petista: “Terminamos seis anos de gestão com 600 obras concluídas.”

Entre as entregas, defendeu a engorda de Ponta Negra — que preservou a praia e o Morro do Careca e sustentou o turismo e milhares de trabalhadores da região — e citou a Escola Municipal Padre Tiago Theisen, em tempo integral, na Zona Norte, com mil vagas, três refeições diárias, biblioteca, piscina e pista de atletismo. Na saúde, apresentou o Hospital Municipal de Natal, com leitos, UTI, centro cirúrgico e diagnóstico por imagem, como o maior investimento da história da saúde pública da capital — e o contrapôs à estrutura deixada por Allyson em Mossoró.

Na segurança, cobrou o avanço das facções e a incapacidade do governo estadual de enfrentar o crime organizado, defendendo prioridade para a área, fortalecimento das forças policiais e investimento em capacidade operacional. Na economia, apontou a revisão do Plano Diretor de Natal como medida que destravou investimentos e defendeu qualificação profissional conforme as vocações de cada região.

Álvaro encerrou o debate como o único a sustentar propostas em cima de obras entregues, apresentando a gestão em Natal como referência para o que pretende fazer no Governo do Rio Grande do Norte.

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“MENTIROSO E CANALHA”: Chefe da PF reage após ser citado por Daniel Vorcaro em oitiva na Papudinha


Foto: Igor Estrela/Metrópoles

Em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, seria o responsável pelo travamento de sua delação premiada. Segundo o banqueiro, a resistência ocorreu porque o chefe da corporação temia ser exposto pelas revelações. A oitiva aconteceu na última quinta-feira (27) na Papudinha, foi conduzida pelo juiz auxiliar João Azambuja e contou com a presença de procuradores e dos advogados de defesa Daniel Bialski e Engels Muniz.

Durante o registro, que foi gravado em vídeo e ata, Vorcaro fez menções a viagens e despesas que teriam sido custeadas em favor de Andrei Rodrigues, embora não tenha apresentado provas materiais na ocasião. O banqueiro também relatou ter sofrido supostas intimidações, torturas psicológicas e tratamentos desumanos durante transferências entre unidades prisionais.

Em resposta às declarações, Andrei Rodrigues classificou as acusações como mentiras e chamou o banqueiro de canalha em conversas com pessoas próximas. O diretor-geral da PF contestou a narrativa ao lembrar que foi o próprio Vorcaro quem escolheu cumprir prisão nas dependências da corporação, além de questionar por que o delator não formalizou o acordo diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com informações do Metrópoles

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CRISE NO STF: Lula se afasta de Alexandre de Moraes para proteger campanha, enquanto Flávio Bolsonaro cobra impeachment


Foto: Pedro Ladeira / Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na última terça-feira (1º) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a crise instalada na corte após a revelação de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Buscando demarcar distância de um aliado histórico para evitar contaminações em sua campanha de reeleição, o petista definiu com seu grupo político que a linha oficial será a de que ninguém está acima da lei.

No mesmo dia, Lula foi procurado pelo decano da corte, Gilmar Mendes, que alertou sobre a falta de apoio institucional à cúpula da Polícia Federal. O recado ocorreu em meio ao embate entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, responsável por determinar o relatório que expôs as conversas de Moraes com Vorcaro.

Enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, publicou vídeo afirmando que “o sistema apodreceu” e defendendo um código de ética para o Judiciário, a avaliação no entorno presidencial é de que Lula não deve levantar o tema voluntariamente, respondendo apenas se for questionado. Aliados recordam que o próprio petista já havia cobrado publicamente em abril que Moraes se declarasse impedido no caso do Banco Master, alertando-o para não jogar fora sua biografia.

As revelações de que Vorcaro consultou Moraes sobre uma possível fuga do país dias antes de ser preso somadas a um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e a instituição financeira geraram forte desgaste. Historicamente apoiado pelo STF, o governo federal vê o caso repercutir diretamente nas urnas. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) mostra Lula tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com 42% a 41% das intenções de voto.

Do outro lado, a oposição aproveitou o escândalo para intensificar pressões. Em comício realizado em Porto Alegre na noite de quarta-feira, Flávio Bolsonaro atacou duramente o ministro e o presidente, cobrando um posicionamento firme do governo. “Eu não sei se quem governa o Brasil hoje é o Lula ou o Alexandre de Moraes”, declarou o senador, exigindo a saída imediata do petista do cargo sob a acusação de omissão.

De acordo com a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, Lula manteve conversas com o presidente do Supremo, Edson Fachin; com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues; e com o ministro André Mendonça. Entre terça (1º) e quarta (2), o presidente também tratou do tema em duas reuniões realizadas no Palácio do Planalto.

A colunista relatou que Lula tem se mostrado preocupado com o rompimento entre Andrei e Mendonça, relator do inquérito do Banco Master. Ele teme o isolamento de Andrei, que se distanciou do ministro da Justiça, Wellington Silva, e do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

Em conversas individuais, Lula afirmou que não é de seu interesse alimentar a crise e que seu objetivo é ajudar a pacificar o ambiente.

Com informações da Folha de São Paulo e do Metrópoles

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Moraes segurou julgamento bilionário do Banco Master enquanto esposa mantinha contrato milionário


Fotos:  Reprodução / Gustavo Moreno/STF

O ministro Alexandre de Moraes pediu vista em novembro de 2024 em um processo de alto interesse do Banco Master, período em que sua esposa, Viviane Barci de Moraes, já havia firmado um contrato de R$ 131 milhões com a instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. O magistrado devolveu o caso ao plenário apenas em fevereiro de 2026, quando os pagamentos do ex-banqueiro à advogada já eram de conhecimento público. Questionado pela reportagem sobre eventual conflito de interesses, o ministro não respondeu.

O caso em questão é a Suspensão de Tutela Provisória 976, uma disputa bilionária entre a União e empresas sucroalcooleiras. O setor tenta viabilizar o pagamento antecipado de R$ 5 bilhões em precatórios a uma empresa específica. A Fazenda Nacional estima que uma decisão favorável abriria precedente para outras 26 companhias, gerando um impacto superior a R$ 100 bilhões aos cofres públicos. Em setembro de 2023, o STF vetou o pagamento por unanimidade.

Após recurso dos advogados, o então presidente da corte, ministro Luís Roberto Barroso, votou em 8 de novembro de 2024 para manter a decisão desfavorável às empresas. Foi nesse momento que Moraes pediu vista, paralisando o processo. A aquisição desses precatórios, títulos com baixo valor de mercado comprados e revendidos a bancos era uma das principais estratégias de Daniel Vorcaro para inflar o balanço patrimonial do Banco Master. Uma decisão favorável do STF traria ganhos expressivos à instituição.

A centralidade deste processo na agenda do banco foi confirmada indiretamente pelo ministro André Mendonça. Em nota na qual admite ter se reunido com Vorcaro em março de 2024, Mendonça afirmou que tratou exclusivamente da STP 976, pontuando que o caso estava paralisado na ocasião devido ao “pedido de vista de outro ministro”.

A tramitação do processo no STF registrou idas e vindas atípicas. Conforme o andamento oficial, Moraes tentou devolver a vista em 4 de fevereiro de 2025 e novamente em 14 de março de 2025, mas ambos os atos foram invalidados sob a justificativa de “lançamento indevido”. O julgamento virtual só foi efetivamente retomado a partir de 11 de fevereiro de 2026, culminando na derrota definitiva das empresas e na manutenção do entendimento favorável à União por unanimidade.

A controvérsia jurídica remonta aos anos 1980 e discute se a União deve indenizar empresas do setor sucroalcooleiro por prejuízos causados pelo tabelamento de preços do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Embora o STF tenha decidido em 2020 que o governo só deve pagar quem comprovar os danos, a revenda desses títulos a instituições financeiras manteve o tema vivo nos tribunais por mais de duas décadas.

Com informações da CNN Brasil

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[VÍDEO] ”O PT não sabe construir, só sabe destruir”, afirma Álvaro Dias a Cadu Xavier


Vídeo: Reprodução / 98FM Natal

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Álvaro Dias (PL) afirmou, durante debate promovido pelo Grupo Dial Natal, que concluiu quase 600 obras nos seis anos em que esteve à frente da Prefeitura do Natal. Ao confrontar Cadu Xavier (PT), Álvaro comparou as entregas de sua gestão com os oito anos do PT à frente do Governo do Estado.

“O PT não sabe construir, só sabe destruir. Conseguiu destruir o Rio Grande do Norte em oito anos”, afirmou Álvaro.

Na sequência, o candidato reforçou o contraste entre as duas gestões. “Candidato, o seu governo, do qual você faz parte, está terminando oito anos e não tem uma obra para mostrar à população, diferentemente de nós. Terminamos seis anos de gestão com quase 600 obras concluídas”, declarou.

Álvaro defendeu sua experiência administrativa em Natal como exemplo da capacidade de realizar obras e entregar resultados à população.

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Eleições 2026

Allyson foge de perguntas sobre investigação da PF e propinas em Mossoró e tenta desviar foco com revólver 38 de Álvaro

Durante debate da 98 FM/Jovem Pan Natal, Candidato do União evitou responder aos questionamentos sobre operação que atingiu sua gestão e exibiu foto de arma de Álvaro apreendida em 2023; episódio não resultou em prisão ou condenação. Foto: Ilustração

A investigação da Polícia Federal envolvendo a Prefeitura de Mossoró e suspeitas relacionadas a medicamentos da rede pública colocou Allyson Bezerra na defensiva durante o debate. Diante dos questionamentos sobre a operação que atingiu sua gestão, superfaturamento,
Corrupção e propina, o ex-prefeito evitou entrar no mérito das suspeitas e partiu para outro assunto.

Allyson resolveu fugir do tema exibindo uma foto de um revólver calibre 38 de propriedade de Álvaro Dias, apreendido em 2023, numa tentativa de deslocar o foco dos questionamentos que recebia.

O episódio envolvendo Álvaro, no entanto, não resultou em prisão nem condenação. Ele foi abordado, prestou esclarecimentos e seguiu viagem. O próprio relatório do inquérito da Polícia Federal registra que Álvaro não possui antecedentes criminais.

Segundo os esclarecimentos apresentados no procedimento, o revólver permanecia havia mais de 20 anos em uma propriedade rural da família, em Caicó, e acabou esquecido dentro de uma maleta. Álvaro reconheceu o ocorrido perante a PF e tratou do caso na Justiça.

O contraste marcou o embate: enquanto Álvaro era cobrado por um revólver 38 encontrado em uma maleta em 2023, sem prisão ou condenação, Allyson precisava explicar uma investigação federal atual envolvendo propinas em sua gestão e suspeitas relacionadas à saúde pública de Mossoró.

Ao final, permaneceu sem resposta a pergunta que Allyson tentou evitar: o que aconteceu com os medicamentos e recursos da saúde de Mossoró que estão na mira da Polícia Federal?

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Eleições 2026

[VÍDEO] Álvaro joga na mesa, durante debate da 98 FM/Jovem Pan: “Você recebia 15% de propina dos medicamentos”

Imagem: Reprodução

Álvaro Dias confrontou Allyson Bezerra com o relatório da Polícia Federal sobre desvio de medicamentos em Mossoró, durante o debate entre os candidatos a governador revalidado pela 98 FM e Jovem Pan Natal, na noite desta quarta-feira (2).

“O dono da Dismed disse que você recebia 15% de propina dos medicamentos que eram adquiridos pela Prefeitura e não eram entregues. Menos da metade dos medicamentos comprados era entregue.”

E cravou: “Você não se envergonha de a saúde de Mossoró estar sucateada, faltando medicamento, e você sendo investigado pela Polícia Federal?”

 

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Eleições 2026

[VÍDEO] URGENTE: Allyson debocha e interrompe adversários em debate; Cadu de Lula e Robério Paulino exigem respeito e candidato do PSol chama Alysson de “palhaço”

Imagem: Reprodução

Durante o debate entre os candidatos a governador revalidado pela 98 FM e Jovem Pan Natal, na noite desta quarta-feira (2), Allyson Bezerra (União Brasil) usou de deboche para interromper a fala de Cadu de Lula (PT), que no momento da interrupção dialogava com Robério Paulino (PSol).

Cadu exigiu respeito de Allyson, que também foi chamado de “palhaço” por Robério Paulino, o mediador do debate, Felinto Filho, precisou intervir e pedir que o candidato do União Brasil tivesse “educação básica” e o “respeito de ouvir a fala dos adversários”.

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“MACALLAN”: Saiba quanto custa uísque escocês frequente nas reuniões de Vorcaro

Foto: Divulgação/Forbes

As trocas de mensagens de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, analisadas pela PF (Polícia Federal) mostram que, nos encontros do empresário com políticos e autoridades, os convidados eram servidos de uísque da marca Macallan.

Em uma das conversas, que constam em relatório da PF tornado público na última terça-feira (1º) por André Mendonça, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pede que Ciro Soares, ex-defensor do Master, encaminhe algumas mensagens ao banqueiro.

Nelas, Gonet deseja felicitações a Vorcaro, afirma estar com saudades dele e manifesta querer tomar uísque e fumar charuto.

A Macallan é uma marca de uísque single malt da Escócia, considerada uma das mais prestigiadas e famosas do mundo. As bebidas destiladas produzidas na região Speyside já foram também consideradas as “mais caras do mundo”.

Em 2023, uma garrafa de uísque, armazenada desde 1926, foi leiloada por 1,2 milhão de libras (cerca de R$ 8 milhões).

Na internet, é possível encontrar a bebida no Brasil por valores entre R$ 500 e mais de R$ 60 mil.

Com informações da CNN

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