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Uma vulva de 33 m de altura, 16 m de largura e 6 m de profundidade tornou-se alvo daquela que pode ser apontada como a primeira polêmica no mundo das artes em 2021. A obra “Diva”, de autoria da artista plástica pernambucana Juliana Notari, foi inaugurada no fim da semana passada, no parque artístico-botânico Usina de Arte, no município de Água Preta, em Pernambuco.
Desde então, a instalação se transformou em pivô de uma série de discussões envolvendo temas como feminismo, racismo, transfobia e preservação ambiental. No epicentro do imbróglio, Juliana celebra a possibilidade de um debate em torno de sua criação.
— ‘Diva’ é uma vulva, mas também uma ferida. E, de fato, abriu feridas profundas, expondo também muitos comentários misóginos e machistas – desabafa Juliana.

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A instalação, aliás, chamou atenção de nomes do setor cultural, como o cineasta Kleber Mendonça Filho e a cartunista Laerte Coutinho, que manifestaram nas redes sociais sua opinião sobre a obra. O assunto chegou a repercutir, inclusive, na imprensa internacional.
Entenda melhor a concepção, a construção e as polêmicas envolvendo “Diva”.
A artista
Juliana Notari nasceu no Recife, Pernambuco, há 45 anos. Artista e pesquisadora na área de artes, é doutoranda e mestre em Artes Visuais pela Uerj e trabalha com as mais diversas linguagens (instalações, performances, vídeos, fotografias, desenhos e objetos) com abordagem multidisciplinar. Foi indicada em 2018 e 2019 ao Prêmio PIPA, um dos mais importantes ligados à arte contemporânea no Brasil.

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O local
A Usina de Arte é um parque artístico-botânico inspirado em Inhotim (MG), inaugurado há cinco anos, na cidade de Água Preta, localizado na Zona da Mata Sul, em Pernambuco. A entrada é gratuita e o espaço a céu aberto está em funcionamento, seguindo protocolos sanitários de distanciamento.
Ele ocupa o terreno onde funcionava uma antiga usina de açúcar, falida nos anos 1980. A iniciativa de ressignificar o local partiu do casal Ricardo e Bruna Pessoa de Queiroz, herdeiros da propriedade.
“Diva” é a primeira obra inaugurada da 2ª edição do Projeto de Residências Artísticas, fruto de um convênio da Usina de Arte com o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, o Mamam, no Recife.
A obra
Indicada pelo Mamam como a primeira residente da 2ª edição do projeto da Usina de Arte, Juliana iniciou seus trabalhos com “Diva” em janeiro de 2019, mas com a eclosão da pandemia, o processo foi interrompido. A retomada se deu já no segundo semestre de 2020, e a obra foi inaugurada finalmente no dia 30 de dezembro.
“Diva” é uma peça de “land art”, termo que se refere à arte que é construída em terrenos naturais. Juliana conta que a necessidade de esculpir as curvas de forma detalhada impediram a utilização de uma escavadeira. Sendo assim, foi mobilizada uma equipe com mais de 20 homens para chegar aos 6 m de profundidade e delinear os 33 m de altura e 16 m de largura.

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— O sentimento ao ver a obra finalizada foi de puro alívio, com certeza. Praticamente fiquei morando por um ano no parque, virei amiga de toda a equipe. Mas rolou uma exaustão física.
“Diva” é recoberta por concreto armado e resina, e, descartado o tempo de interrupção pela pandemia, demorou 11 meses para ficar pronta. Sua construção teve até o acompanhamento de um engenheiro civil, Roberto Gatis.
No post em que apresenta sua criação, Juliana conta que a obra foi construída a partir de um “esforço hercúleo embaixo do sol a pino, em meio a muita música e piada”. A artista diz querer “dialogar com questões que remetem à problematização de gênero a partir de uma perspectiva feminina aliada a uma cosmovisão que questiona a relação entre natureza e cultura na nossa sociedade ocidental falocêntrica e antropocêntrica”.
As polêmicas
Assim que as fotos de “Diva” começaram a circular nas redes, algumas polêmicas surgiram em torno da obra. Uma delas diz respeito a uma foto publicada no perfil de Juliana, em que a artista aparece cercada pelos trabalhadores que escavaram o terreno, todos negros.
“Achei linda sua estética de mulher branca rica com mão de obra de homens negros no background”, ironizou um perfil no Twitter, ao compartilhar a referida foto.

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Para Juliana, o registro, de fato, reafirma uma lógica de trabalho que marca, especialmente, a região onde fica localizada a usina. Por ali, prosperou a monocultura da cana de açúcar, também caracterizada pela exploração de negros escravizados.
— A gente sabe: quem faz os trabalhos precarizados são os negros. A arte não está à parte do sistema social e reproduz os mesmos problemas sociais do Brasil. — argumenta a artista — Essa foto expõe um sistema ainda escravista, mas real.
Em outra vertente crítica, há também os que classificaram a obra como transfóbica e genitalista, por relacionar a dita “perspectiva feminina” a um órgão genital, apartando de tal representatividade, por exemplo, as mulheres trans.
Em sua defesa, a artista diz acreditar que “não se trata de uma disputa”. Na visão de Juliana, a vulva é apenas uma das várias potências de um corpo humano, e sua obra dialoga com as pessoas que vivenciam essa força do órgão.
— Ela não anula o pênis, ou as pessoas que não têm vulva — opina — A vulva e o sangue menstrual sempre despertaram medo, são tabu, a sociedade luta para que a vagina seja limpinha e disfarçada. Mas é preciso lembrar que todo mundo passa pela vagina para nascer. Em “Diva”, levamos essa potência de vida para a terra, onde a gente morre, é enterrado.

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E ainda em uma terceira via de críticas mais objetiva, Juliana vem enfrentando questionamentos sobre um suposto contato da resina com o solo, o que poderia levar a uma contaminação do bioma.
Em sua defesa, a artista argumenta que o espaço utilizado para a construção de “Diva” é uma terra já seca e castigada pelo fogo, uma vez que servia para a monocultura de cana.
— Muitas vezes, quando se instala uma peça em Inhotim, alguma árvore é removida. Nem foi esse o meu caso. Aquele lugar ali tinha apenas barro, com mato ainda crescendo — diz Juliana — Na verdade, aquele lugar é uma grande ferida na terra. E nem água acumula, pois há um sistema interno de canalização. Essa acusação de poluição chega a ser um pouco hipócrita.
Repercussão internacional
Em questão de dias, Juliana Notari viu sua publicação no Facebook ser compartilhada mais de 12 mil vezes, com mais de 25 mil comentários. No Instagram, seu post já tem mais de 11 mil curtidas. “Diva” virou pauta para a imprensa internacional, como no jornal britânico “The Guardian”, além de publicações na China, Tailândia e Japão.
No Brasil, a artista ganhou elogios de figuras ilustres, como o diretor de “Bacurau”, Kleber Mendonça Filho. “Viva Juliana Notari, por botar homens pra fazer um b* de 30 metros na Zona da Mata pernambucana, em plenos anos Bolsonaro. As reações à obra são espelho, um sucesso”, escreveu o cineasta no Twitter.
A cartunista Laerte Coutinho também utilizou seu perfil na rede social para celebrar “Diva”: “Me parece mais o que a própria artista menciona: vulva/ferida. Na terra. Há bastante o que pensar nesse trabalho. O modo como ela menciona e agradece o trabalho das pessoas que o tornaram possível é digno”.

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Por outro lado, Juliana também se tornou alvo de comentários odiosos de perfis radicais de direita. Uma reação, aliás, que não são novidade para a artista. Em 2003, na Galeria Vermelho, em São Paulo, ela apresentou a performance “Dra. Diva”, em que ela abriu fendas nas paredes e depois jogou sangue de boi para depois inserir espéculos de aço inoxidável.
Em 2014, com “Mimoso”, Juliana participou de uma performance em que era arrastada nua por um búfalo na ilha de Marajó, no Pará. No ato seguinte, o animal foi castrado e a artista comeu seus testículos em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, que veio a ser retirada do ar pela empresa.
Juliana diz que gosta de ser criticada, de ver suas obras levarem “porrada”. Mesmo com alguns efeitos colaterais: após a repercussão de “Diva”, alguns posts com obras mais antigas foram denunciados ao Instagram, que removeu as publicações.
— Eu vejo os comentários mais raivosos e não deixo me afetar de jeito algum. Sinto que “Diva” mexeu com o medo e o desejo de muita gente, uma repressão quase ancestral.
O Globo
Imagine se algum artista querer criar uma obra sobre a perspectiva masculina.
Para mim isso não é obra de arte, é gente querendo aparecer e ser holofote, se tivesse usado o dinheiro para alimentar famintos seria bem mais humano e amenizaria a fome de alguns
Tem cara de Louca mesmo, deve ter levado muito chifre e ficou assim.
Isso é a foto de pixuleco de 4 pés após sua atividade matinal no jumentário de adoradores de criminosos corruptos, só que ele tá sem nenhuma prega, a última que foi embora foina delação de palloci.
Imagine quando inventarem a “rola” gigante e quiserem encaixá-la ai.. Aí sim terá feridas…
Isso, para quem gosta, é bom demais.
Deslizando nesse morro quero essa cavidade visitar
Vou entrar bem devagar e suas paredes inspecionar
Uma gruta curiosa que encanta a muita gente
Mas tenho que respeitar
Quem pensa diferente
CALÍGULA corre longe
de coisa dessa natureza
Ele prefere a musculatura
dos sobrinhos com certeza.
Lá não tem gruta umedecida
Não tem buraco
Para deslizar
O negócio é mais cumprido
Não gosto nem
de pensar
Chega ABSALÃO ! Bora fazer o queijo criatura
O leite já foi tirado rapaz .
Aí papai !
Cacá muito caridoso
Toma conta da ninhada
Os sobrinhos a cada dia
Realmente, "'Ela' abriu feridas profundas". Que o diga a Guerra de Troia.
É impressão minha, ou isso tá parecendo um “OTIUQIRP” gigante?!
Dona Juliana Varginal está tendo seus momentos de glória midiática. "Obra" completamente dispensável.
Aí sim pode se chamar de racha!!!
É o que se chama de apelar pra polêmica fácil. Vou inventar uma agora: pichar passaralhos no muro dos quartéis para protestar contra Bolsonaro… Pintar ou esculpir algo elaborado e belo ninguém quer.
Objetivo de 2021, assim que cair chuva, irei a Água Preta , tomar um banho dentro dessa "Divona" assim muito bem batizada pelo Tico de Adauto.
Diva nunca é demais, seja Divinha ou Divona, vamos colorir esse Mundo com Divas, cada qual que divulgue a sua Diva, assim teremos um Mundo mais divino.
Cadê aqueles comentaristas assíduos que só falam em sobrinhos, maridos, descaderados, parece que a Divona deixou todos empolados.
Poluição ambiental.
Poderia fazer isso em prédios ou qualquer outra construção.
Não tem graça nenhuma.
Pra quê isso??
Já sei!!
Coisa de esquerdistas.
Essa Sra tem que sair no galo da madrugada pelada, aí sim, a coisa começa a ganhar sentido.
Mas a tal obra, nada mais é do que uma obrada.
Grande.
De encher caminhão.
Tem assuntos muito mais interessantes a ser mostrado ao público brasileiro…. Mostra aí o ânus do povo quando os bandidos, que estão soltos. aponta uma arma para a cabeça de um inocente…
Parabéns a essa grande artista..
..despertar é necessário …criar culturas de debates mais ainda , o arcaico ainda impera nas cabeças imbecis.
?????????
Devo ser arcaico mesmo. Arte resl se faz com o propósito da elevação,, de transcender o comum. Arte 'muderna' tem até bosta enlatada. Literalmente. Qualquer porcaria pra 'chocar a sociedade' virou um monte de pastiche bocó.
Esquerda é bagunça e baixaria .
Isso é a arte da esquerda…
Essa é a "valorização" da mulher da esquerda.
Inclusive no funk onde as mulheres são chamadas de cachorras e vão "descendo" até o chão.
O povo precisa acordar.
Que “Divona” enorme!!!