Diversos

Em ‘agonia’, sindicatos demitem e vendem imóveis para sobreviver

Reforma trabalhista encerrou obrigatoriedade de pagamento da contribuição sindical (Everson Bressan/Futura Press/Folhapress)

Vigente há um ano, a reforma trabalhista ainda não trouxe resultados relevantes em termos de geração ou formalização de empregos. Enquanto especialistas dizem que o tempo é curto para medir seus resultados práticos, uma das consequências da nova legislação já pode ser observada nitidamente: a crise dos sindicatos. Com o fim da obrigatoriedade do pagamento da contribuição sindical, essas entidades hoje enfrentam dificuldades financeiras sem precedentes, recorrendo à venda do próprio patrimônio e à demissão de funcionários para se manterem.

Antes da mudança, trabalhadores eram obrigados a colaborar anualmente com um dia de salário em benefício do sindicato de sua respectiva categoria. Atualmente, o pagamento é optativo. Segundo dados do Ministério do Trabalho, os valores pagos por meio de imposto sindical caíram cerca de 85% (no acumulado de janeiro a setembro, foram arrecadados 1,9 bilhão de reais, em 2017, e 276 milhões de reais, em 2018). Apesar da queda brusca na receita, o número de sindicatos teve leve alta, de 16.517 no último ano para 16.663 na parcial mais recente.

De um lado, sindicalistas denunciam um “crime”, enquanto apoiadores do fim da arrecadação compulsória se dizem em defesa da “liberdade” do trabalhador. “A legislação eliminou o custeio dos sindicatos, sem nenhuma transição ou verba que substitua, foi um crime. Seguimos dando assistência jurídica gratuitamente, promovemos uma série de atividades coletivas, fazemos negociações que beneficiam tanto associados quanto não associados… e não podemos ter nosso custeio”, expõe Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

O sindicato presidido por Patah é justamente um símbolo do momento delicado: apesar de contar com uma base de mais de 450 mil trabalhadores e quase 80 anos no existência, enfrenta dificuldades para se viabilizar financeiramente e vendeu uma sede na rua Santa Ifigênia, região central de São Paulo, por 10,3 milhões de reais no último mês de junho. A venda ocorreu pouco antes de o STF votar a questão do fim do imposto obrigatório, mantendo o padrão de contribuição facultativa. “Estamos nos adaptando à nova ordem, diante desse crime de não haver tempo de transição e toda a demagogia de que ‘nada pode ser obrigatório’. A política veio para cima do movimento sindical”, desabafa.

Deputado combate ‘monopólio’ e quer ‘darwinismo sindical’

Autor do projeto de lei que incluiu o item sobre a contribuição sindical na reforma trabalhista, o deputado federal Paulo Martins (PSC-PR) classifica como “patéticos” os argumentos dos sindicalistas. “Isso é ridículo, que tempo de transição eles pedem? Recebem dinheiro desde 1937, não se prepararam? Não deu tempo? O que eles querem é a manutenção da ‘teta’. Desmamar é mais difícil do que procurar retomar a ‘teta’ para continuar mamando. Querem subterfúgios jurídicos para manter esse regime que era um sustentáculo para aparatos do poder”.

Suplente na legislatura anterior, Martins foi eleito para um novo mandato e prepara projetos relacionados ao tema a serem apresentados já no início de 2019: “primeiro nós acabamos com esse absurdo de imposto compulsório, o trabalhador tem que pagar por aquilo que acha útil, é uma questão de liberdade. O próximo passo é dar fim à unicidade sindical. Essa história de que quando um sindicato recebe autorização de representar uma categoria, não podemos ter outro na mesma área. É assim que o sindicalista vira um ‘rei’, tem o monopólio e quem está descontente não tem opção. Quero que haja concorrência e o trabalhador possa escolher ser representado pelo sindicato que cobrar menos e entregar mais, ou até mesmo nem ter sindicato. Isso é liberdade, é o que chamo de ‘darwinismo sindical’, os melhores sobrevivem”.

Martins diz que as medidas não visam acabar com a representação social, mas sim aprimorá-las. “Acabando com o ‘monopólio’ de alguns, estamos lutando pela liberdade dos próprios sindicatos, e o trabalhador poderá contribuir voluntariamente se for bem representado. Sindicatos são importantes quando de fato lutam por direitos coletivos, mas o problema é quando atuam como braço de um partido. Foi assim com Getúlio Vargas, e por isso mesmo foi criado o imposto sindical. Depois se tornaram braço do `lulopetismo`, se focam na política e prejudicam os trabalhadores”, avalia. “A própria CUT e o Lula defendiam o fim da contribuição sindical no passado, entendiam que com imposto os sindicatos se tornariam aparelhos do governo.”

Sindicatos demitem funcionários e vendem imóveis

Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas nega qualquer contradição no discurso da entidade. “A CUT é sim contra o imposto sindical, nasceu dizendo isso. Mas defendemos que outra forma de contribuição seja discutida com os trabalhadores para que continuem sendo representados. Os sindicatos não conseguem sobreviver apenas com seus associados no Brasil, um país onde trabalhadores são pressionados e podem ser demitidos quando se sindicalizam. Se houvesse autonomia, talvez não precisássemos de outra fonte, mas existe perseguição”, afirma.

Freitas relata uma queda de arrecadação de cerca de 80% da CUT no último ano, o que culminou em um plano de demissão voluntária com a saída de aproximadamente 45% dos funcionários em âmbito nacional. Como medida para levantar recursos, a entidade tenta a venda da sua sede no Brás, centro de São Paulo. No início do ano, houve negociação do terreno com a Igreja Mundial do Poder de Deus, liderada pelo pastor Valdemiro Santiago, que estaria disposta a pagar 40 milhões de reais pelo imóvel.

“Houve essa negociação com a igreja, o que seria bom para as duas partes, mas não se concretizou. Hoje estamos em busca de novos interessados, queremos mudar para um lugar mais barato, não acho que diminuir a estrutura seja um grande problema. O mais grave é não ter recursos para lutar pelos direitos dos trabalhadores, temos todo um custo para contratar advogados, por exemplo. Ou para fazer um comício, que necessita de estrutura de som e demanda gastos com gasolina. Sem arrecadação, perdemos essa condição”, conta o sindicalista.

Organizada de forma similar à CUT e dependente de contribuições dos próprios sindicatos, a Força Sindical viu sua arrecadação despencar de 50,9 milhões de reais, em 2017, para 4,7 milhões de reais, neste ano. O quadro de funcionários caiu de 150, com atuação em todo o Brasil, para 16 – todos em São Paulo. Segundo o secretário-geral da organização, João Carlos Gonçalves, o “Juruna”, a sede, localizada no bairro paulistano da Liberdade, hoje se encontra à venda, seguindo o exemplo do resto da classe.

“Estão criminalizando o poder do trabalhador. O sindicato atende a todos os trabalhadores e suas conquistas beneficiam a todos. A reforma trabalhista se propôs a fortalecer o negociado sobre o legislado, mas quebrou as instituições que representam os trabalhadores na negociação. No momento temos que cortar custos, demitir funcionários e até médicos que atendem nos ambulatórios”, comenta Juruna.

Projeto propõe regulamentar a cobrança assistencial

Vinculado à Força Sindical, o deputado Bebeto Galvão (PSB-BA) é autor de proposta que regulariza a contribuição negocial, projeto apoiado por grande parte do movimento sindical como uma alternativa à queda de receitas. A finalidade se assemelha ao projeto de lei descrito a Veja pelo deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), ex-ministro do Trabalho na época da aprovação da Reforma Trabalhista.

“A reforma trabalhista não previa alteração na estrutura sindical, mas houve pressão de um clube de parlamentares, pois os sindicatos são a parte do movimento social brasileiro que mais realiza críticas sobre posições políticas. Da forma que ficou, o poder econômico prevalece sobre o equilíbrio das negociações entre patrões e empregados. Os defensores dizem que a reforma trabalhista fortalece os sindicatos, que podem negociar praticamente tudo: jornada de trabalho, férias, PLR… mas como vão fazer isso tudo se a lei impõe limites para que eles se financiem?”, questiona o deputado.

A proposta prevê que seja regularizada a “contribuição negocial”, também denominada como “assistencial”, já estipulada por alguns sindicatos. O valor seria aprovado anualmente, em assembleia à qual todos os trabalhadores de uma categoria seriam convocados, podendo variar a uma cobrança mensal de 0,1% a 1% do salário. No mesmo dia da assembleia, trabalhadores opostos à cobrança aprovada poderiam apresentar uma carta que os isentaria do pagamento. Os ausentes não teriam ferramentas para impedir a taxação, de acordo com o projeto original.

“A contribuição negocial não é impositiva, o trabalhador presente na assembleia pode se opor a pagar, e o valor é votado anualmente de acordo com as conquistas do sindicato. Assim, damos autonomia coletiva e permitimos que os sindicatos se sustentem financeiramente. Deve haver ampla publicização para que os trabalhadores estejam cientes e compareçam às votações, afinal as conquistas da categoria não são apenas dos sindicalizados. Quem se omitir, também deve ter responsabilidades”, pondera Galvão.

Contrário ao projeto, o deputado Paulo Martins (PSC-PR) considera a proposta “um abuso”: “as assembleias não conseguem reunir toda a categoria, é impossível. Com a contribuição negocial elas estabelecem uma pena para quem não estava presente. Qualquer contribuição que você impõe é uma pena, um sacrifício financeiro. Isso é ilegal e certamente os tribunais superiores vão derrubar. De forma nenhuma pode haver algo impositivo, devemos proporcionar liberdade ao trabalhador – decidir se vai querer pagar ou não”.

Entidades buscam reverter quadro com “modernização”

Na visão de Vagner Freitas, da CUT, apenas com pressão popular medidas em prol dos sindicatos poderão ser aprovadas no Congresso Nacional. “Temos um Congresso altamente conservador, dominado pelos empresários, e o próximo será assim também. Sabemos qual é o interesse dos congressistas, que é diferente do dos trabalhadores, mas a pressão vinda de fora pode mudar a opinião deles. A Reforma da Previdência está aí de exemplo: eles querem votar, mas não têm coragem porque o povo é contra. A mesma coisa vale para a questão do financiamento sindical, que só terá eco no Congresso caso os trabalhadores entendam que é uma questão importante para eles, já que apenas os sindicatos lutarão por seus direitos”.

Todos os sindicalistas ouvidos pela reportagem criticam o que chamam de “prática anti-sindical” em andamento no país. “Não podemos aceitar que os trabalhadores desconheçam os sindicatos e o que eles fazem, mas querem que seja assim. Muitas empresas estimulam os funcionários a manterem distância dos sindicatos, como se fossem inimigos. Houve caso de quem pagou ônibus para os trabalhadores irem até o sindicato assinar carta de oposição à contribuição”, relata Ricardo Patah, da UGT.

Diante da crise financeira, as entidades têm se mobilizado para se fortalecer. A própria UGT inicia, ainda em novembro, uma série de reuniões regionais para debater a “reestruturação sindical”, visando atrair novos associados. Eventos como os mutirões de emprego têm sido utilizados para divulgação dos trabalhos sindicais e campanhas de filiação.

Embora não abram detalhes sobre as medidas que adotarão, os sindicatos querem buscar um trabalho conjunto de renovação para sobreviver. “Só com as contribuições normais, não vamos conseguir subsistir. Precisamos de outro tipo de prestação de serviços, temos que nos modernizar. Estamos discutindo algumas modalidades que existem fora do Brasil, mas são questões ainda iniciais e que são temas polêmicos dentro dos próprios sindicatos. O que não podemos é depender desse Congresso conservador e governo fascista, temos que nos solidarizar”, indica o presidente da CUT.

Veja

 

Opinião dos leitores

  1. Vida longa ao conterrânio Rogério Marinho. Se ficar provado que é igual a turma da Lava-Jato que seja punido. Algo de bom ajudou a fazer , REFORMA TRABALHISTA ( falta alguns ajustes ) .
    Vou continuar sindicalizado ao Sindicato dos Médicos, espontâniamente. Temos uma ótima diretoria.

  2. Novos tempos. Esse pessoal foi acostumado a não trabalhar e virarem sindicalistas profissionais. Agora acabou a mamata da contribuição sindical e do recebimento imoral da verba petista que através desses mamutes elegiam os mesmos para os diversos cargos públicos. Só para citar alguns exemplos, Lula, Mineiro e Fátima.

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Luto

Morre aos 71 anos Hosmedito Cavalcanti Júnior, líder da Comunidade Vida Nova

Foto: Divulgação

Faleceu na noite desta segunda-feira (23), aos 71 anos, Hosmedito Cavalcanti Júnior, conhecido como Júnior de Gina, Assistente-Geral da Comunidade Católica de Casais Vida Nova. A informação foi confirmada por membros da própria comunidade, que lamentaram profundamente a perda.

Reconhecido como um dos primeiros servos da missão, Júnior teve atuação marcante ao longo de sua trajetória, contribuindo significativamente para a evangelização e formação de casais e famílias. Seu trabalho incluiu atividades de gestão, pregação, ensino e acompanhamento espiritual, sendo considerado uma referência dentro da comunidade.

Segundo relatos de integrantes da Vida Nova, sua dedicação e compromisso com a fé impactaram diretamente a vida de muitos participantes, deixando um legado de serviço e entrega religiosa.

Hosmedito deixa a esposa, Gina, três filhos, dois netos e uma ampla rede de amigos e fiéis que foram tocados por sua caminhada de fé. A Comunidade Vida Nova destacou, em nota, o sentimento de gratidão pela vida e missão do líder, ressaltando a saudade deixada entre os membros.

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Política

REAL TIME BIG DATA: No MT, Flávio supera Lula em cenários de 1º turno

Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) supera o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenários de primeiro turno na disputa pelo Palácio do Planalto no Mato Grosso. É o que aponta pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (24).

No primeiro quadro avaliado pelo levantamento, Flávio tem 46% das intenções de voto, contra 30% de Lula. Na sequência, surge o goverandor do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 3%. Na segunda-feira (23), ele desistiu de concorrer à Presidência da República.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), registra 2%, e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), 1,0%. O empresário Renan Santos (Missão) não pontuou. Votos em branco e nulos são 8%. Outros 10% não souberam responder.

No segundo panorama, Flávio mantém os 46%, ante 31% de Lula. A seguir, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e Romeu Zema assinalam 2% cada. Por sua vez, Aldo Rebelo soma 1,0%. Renan Santos não pontuou novamente.

Votos em branco e nulos totalizam 8%. Ao mesmo tempo, 10% não souberam responder.

No terceiro e último cenário testado, Flávio marca 45%, enquanto Lula tem 30%. Em seguida, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece com 5%. Romeu Zema tem 2%, e Aldo Rebelo, 1,0%. Mais uma vez, Renan Santos não pontuou.

Votos em branco e nulos correspondem a 8%. Já 9% não souberam responder.

Metodologia
Foram ouvidas 1.600 pessoas no Mato Grosso entre os dias 21 e 23 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%.

CNN

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Política

Escritório de mulher de ministro do STJ acusado de assédio é ‘reincidente’ em ‘transações atípicas’

Foto: Sérgio Amaral/STJ

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou movimentações financeiras consideradas atípicas em uma conta vinculada ao escritório de advocacia da advogada Katcha Valesca de Macedo Buzzi, esposa do ministro Marco Buzzi, atualmente afastado do Superior Tribunal de Justiça por acusações de assédio sexual.

De acordo com o documento, o escritório é classificado como “reincidente” em alertas e apresentou movimentações muito acima da capacidade financeira declarada. Enquanto registros antigos indicavam uma média mensal de cerca de R$ 58 mil, a conta chegou a movimentar mais de R$ 1,3 milhão por trimestre, com um pico de R$ 2,6 milhões em apenas um mês.

O Coaf também destacou resistência por parte dos responsáveis em fornecer documentos e esclarecer a origem dos recursos. Segundo o relatório, os sócios evitavam contato e não apresentavam informações solicitadas pelas instituições financeiras, o que aumentou o nível de alerta.

Entre as operações analisadas, chamou atenção uma transferência de cerca de R$ 2,9 milhões feita pelo Banco Pan ao escritório, além de um repasse superior a R$ 500 mil a uma empresa de consultoria que já apareceu em investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro.

Em nota, a defesa de Katcha Buzzi afirmou que ela deixou a sociedade do escritório há cerca de um ano e que não tinha acesso à gestão financeira. Também alegou que a relação entre advogados e clientes é protegida por sigilo e que eventual quebra dessas informações sem autorização judicial seria ilegal.

O caso se soma a outras citações recentes envolvendo pessoas próximas ao ministro, ampliando a pressão sobre o magistrado, que já é alvo de apurações no Conselho Nacional de Justiça. Até o momento, não há comprovação de envolvimento direto de ministros em irregularidades, segundo investigações em curso.

Com informações do Estadão

Opinião dos leitores

  1. Parece que a justiça brasileira tá enxergando mais do que águia 💰💰💰💰💰, Na verdade, não é tola, como fala um certo cidadão.

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Política

STF esvazia CPMI do INSS e livra ao menos 10 nomes de depoimentos

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Decisões do Supremo Tribunal Federal têm provocado forte reação no Congresso ao desobrigar investigados de prestar depoimento à CPMI do INSS. Até agora, ao menos dez nomes considerados estratégicos para as apurações foram liberados de comparecer ao colegiado.

O caso mais recente envolveu a empresária Leila Pereira, que teve a oitiva cancelada após decisão do ministro Gilmar Mendes. Antes dela, outros investigados como Daniel Vorcaro também haviam garantido no STF o direito de não comparecer.

A lista inclui empresários, políticos e dirigentes de entidades, como Maurício Camisotti, Thiago Schettini, Danilo Trento e Aristides Veras. Em alguns casos, os habeas corpus foram concedidos por ministros como André Mendonça e Flávio Dino, o que, segundo parlamentares, compromete o avanço das investigações.

O presidente da comissão, Carlos Viana, tem criticado duramente as decisões, classificando-as como interferência do Judiciário nas atribuições do Legislativo. Além das dispensas, a CPMI também enfrentou obstáculos com a suspensão de quebras de sigilo autorizadas pelos parlamentares.

Apesar dos embates, uma decisão recente de Mendonça deu novo fôlego aos trabalhos ao determinar a prorrogação da CPMI. A medida foi comemorada pela cúpula da comissão, que agora tenta retomar o ritmo das investigações e ampliar o foco, principalmente sobre o esquema de crédito consignado.

O clima entre Congresso e STF, no entanto, segue tenso, com a comissão prometendo insistir na convocação de testemunhas e buscar alternativas para avançar nas apurações mesmo diante das decisões judiciais.

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Economia

Diesel dispara, ameaça safra e crise no combustível já pressiona preço dos alimentos

Foto: Btudio / Shutterstock.com

A disparada no preço do diesel e as restrições de oferta já começam a afetar diretamente o agronegócio brasileiro, justamente no período crítico entre a colheita e o plantio da segunda safra. O cenário é reflexo da alta internacional do petróleo, impulsionada pela escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Produtores de diversas regiões, do Sul ao Centro-Oeste, relatam dificuldades para abastecer máquinas e garantir o transporte da produção. O impacto atinge desde o arroz do Rio Grande do Sul até a soja e o milho do Centro-Oeste, além das usinas de açúcar e etanol de São Paulo.

O problema já chegou às bombas. Dados da Agência Nacional do Petróleo apontam que o diesel ficou cerca de 19,4% mais caro desde o início do conflito, pressionando o custo do frete, que subiu entre 10% e 12%. Esse efeito em cadeia preocupa o governo, que vê risco direto de alta nos preços dos alimentos, especialmente carnes, já que o milho — base da ração animal — também pode encarecer.

Além do campo, serviços públicos também sentem o impacto. Levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul indica que quase metade das prefeituras consultadas enfrenta dificuldades para manter veículos e máquinas em operação por falta de combustível.

Diante da crise, o governo federal tenta reagir com medidas emergenciais, como redução de tributos, reforço na fiscalização de preços e discussão sobre linhas de crédito para produtores. Ainda assim, o temor é de que o diesel caro se transforme em mais um fator de pressão no bolso do consumidor nos próximos meses.

Opinião dos leitores

  1. O Brasil é autossuficiente em petróleo. Vamos “abrasileirar” os preços. (Lula da Silva). Kkkkk

    1. LULA É O MAIOR ESTELIONATO ELEITORAL DE TODO UNIVERSO, ATÉ A JUMENTADA SABE DISSO, NÃO CONCORDA QUEM É DESONESTO INTELECTUAL.

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Geral

CV incendeia empresa de internet por recusa em pagar “taxa” e escancara avanço do “pedágio digital” do crime

Foto: Reprodução

Um ataque criminoso contra uma provedora de internet em Japeri-RJ expôs o avanço de facções sobre serviços básicos nas periferias. A empresa teve a estrutura incendiada após se recusar a pagar uma “taxa” imposta por integrantes do Comando Vermelho.

A ação, tratada como retaliação direta, evidencia uma nova frente de atuação do crime organizado: a exploração de serviços essenciais. Em diversas regiões do país, grupos criminosos já impõem cobranças ilegais para permitir a operação de internet, gás, transporte e até segurança privada.

Moradores acabam sendo diretamente afetados. Sem acesso à internet após o ataque, comunidades ficam ainda mais isoladas, enquanto empresas enfrentam um dilema: pagar para operar ou correr o risco de perder tudo. A prática tem sido chamada, informalmente, de “pedágio digital”.

O fenômeno não se restringe ao Rio de Janeiro e já é observado em outros estados, como Ceará, Bahia e Pará. Especialistas apontam que a extorsão recorrente tem se tornado uma fonte de renda significativa para facções, muitas vezes superando atividades tradicionais como o tráfico de drogas.

O caso reforça o alerta sobre a expansão do poder paralelo em áreas onde o Estado tem presença limitada, ampliando o controle do crime sobre a economia local e o cotidiano da população.

Opinião dos leitores

  1. ESTÃO MUITO À VONTADE NO GOVERNO DO PT. NÃO É À TOA QUE A “VITÓRIA” DO NINE FOI COMEMORADA NOS PRESÍDIOS IGUAL A CONQUISTA DE CAMPEONATO.

  2. Ai o sapinho de 09-dedos não quer que seja confirmado ações de TERRORISMO pelos EUA. Tem que atacar essas organizações criminosas com todo o RIGOR necessario. Condenação, Prisão por muitos anos.

  3. E ainda, esse governo “do amor”, insiste em não classificar esses marginais de terroristas e sim de vítimas da sociedade. Nosso país está dominado literalmente por uma ORCRIM! Ou mudamos ou seremos escravos da marginalidade. O poder está nas mãos do povo de bem que ainda resta neste país. #L NÃO! Não votem na esquerda! Não votem em corruptos! Não votem em ficha suja! Precisamos mudar o rumo do nosso amado Brasil.

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Geral

VÍDEO: Fábio Dantas defende Ezequiel Ferreira ao Senado e vê deputado como “candidato de todos” no RN

Vídeo: Reprodução/Instagram @98fmnatal

O ex-vice-governador Fábio Dantas voltou a defender publicamente a candidatura do deputado Ezequiel Ferreira ao Senado nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Repórter 98, ele afirmou que o parlamentar pode surgir como um nome capaz de unificar diferentes forças políticas no estado.

Segundo Dantas, Ezequiel reúne um diferencial raro no cenário atual: trânsito entre grupos ideológicos distintos. Para o ex-vice-governador, o presidente da Assembleia Legislativa pode se consolidar como um “candidato de todos”, dialogando com setores da esquerda, da direita e do centro.

A avaliação é de que essa capacidade de articulação pode ser decisiva em uma disputa majoritária, especialmente em um ambiente político fragmentado. Dantas destacou que, caso consiga reunir essas afinidades, Ezequiel terá força para construir uma candidatura competitiva ao Senado.

O ex-vice-governador também lembrou que já defende esse cenário há mais de um ano e reforçou a importância estratégica da vaga no Senado. Na visão dele, a experiência política e a atuação do deputado em pautas sociais e econômicas pesam a favor de uma eventual candidatura.

Nos bastidores, o movimento é visto como mais um passo na articulação para 2026, com Ezequiel ganhando força como possível nome de consenso no Rio Grande do Norte.

Com informações de 98 FM

Opinião dos leitores

  1. Este deputado ezequiel é um dos responsaveis pelo desastre administrativo no RN, apoiou incondicionalmente essa desgovernadora INCOMPETENTE, ai agora aparece de paraquedas com essa pretença candidatura ao senado. Fora já, os candidatos já estão postos e ele não merece essa postulação.

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Política

Reunião secreta escancara crise e aprofunda divisão interna no STF

Foto: Fellipe Sampaio/STF

Uma reunião reservada no Supremo Tribunal Federal, realizada no último dia 12 de março, expôs o clima de tensão entre ministros e aprofundou o racha interno em meio às repercussões do caso envolvendo o Banco Master.

O encontro foi articulado por Gilmar Mendes junto ao presidente da Corte, Edson Fachin. Inicialmente restrita aos dois, a reunião ganhou novos participantes poucos minutos depois, com a entrada de Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Nos bastidores, parte dos ministros cobra de Fachin uma postura mais firme na defesa da imagem do tribunal, especialmente diante de suspeitas que envolvem colegas como Moraes e Dias Toffoli. O presidente, porém, tem adotado um discurso de autocontenção, o que vem sendo interpretado como indireta e gerando incômodo dentro da Corte.

As divergências também passam pela condução institucional da crise. Ministros pressionam para que Fachin assuma protagonismo e lidere uma resposta conjunta, enquanto criticam a aposta do presidente em pautas individuais, como a proposta de criação de um código de ética para magistrados.

Após o encontro, decisões de integrantes do STF foram vistas como reveses a investigações em curso sobre o Banco Master. Ao mesmo tempo, Fachin articulou internamente para acelerar o julgamento que manteve a prisão de Daniel Vorcaro, numa tentativa de conter o desgaste público.

O episódio evidencia um tribunal dividido sobre como reagir à crise e reforça o clima de desconfiança entre ministros em um dos momentos mais delicados recentes do Judiciário brasileiro.

Com informações da CNN

Opinião dos leitores

  1. Tem que cairem todos, provisoramente, nomeia-se ministros do stj e depois se providencia nomeações de gente decente para o STF, enquanto se providencia mudanças na Lei para ser ministro do STF, com concurso publico por exemplo, egresso da magistratura superior sem indicação nenhuma de politicos. Competencia, saber juridico e ilibada conduta como é por exemplo nos EUA e outor Paises desenvolvidos.

  2. a imagem negativa e desse ou daquele ministro que pratica crimes e nao do tribunal em si. quem tem que provar que nao praticou crimes sao os citados ou acusados, CHEGA de jogar os maus feitos em baixo do tapete, porque incriminar, indiciar e prender pobre é fácil. tem que passar a limpo toda essa sujeira e condenar os culpados doa a quem doer, independente do poder que exerce. SE TODOS SÃO IGUAIS PERANTE AS LEIS. cadeia para os culpados.

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Geral

VÍDEO: Janja expõe rotina e vídeo de Lula malhando viraliza nas redes

 

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Vídeo: Reprodução/Instagram @metropoles

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva publicou um vídeo que chamou atenção nas redes sociais ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante um treino de musculação. “Domingo começou forte!!! Aliás, todo dia é assim!”, escreveu na legenda.

Nas imagens, Lula aparece realizando exercícios de pernas com pesos e vestindo uma bermuda do Corinthians, time pelo qual torce. A intensidade da atividade surpreendeu internautas e impulsionou a repercussão do vídeo.

A prática de exercícios físicos faz parte da rotina do presidente, que já declarou acordar por volta das 5h para treinar diariamente.

O presidente completará 81 anos em outubro, em meio ao período eleitoral.

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Geral

Obra emperra e dragagem do Porto de Natal é adiada mais uma vez

Foto: Adriano Abreu

A dragagem do Porto de Natal sofreu um novo atraso e agora deve começar apenas na segunda quinzena de abril. Inicialmente prevista para janeiro e depois remarcada para março, a obra segue travada por entraves técnicos e burocráticos.

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, o adiamento ocorre por pendências envolvendo aprovações junto ao Idema e à Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte. Os projetos ainda passam por validações finais antes da liberação definitiva.

Orçada em R$ 54,5 milhões, a obra é considerada essencial para aumentar a competitividade do terminal potiguar. O serviço será executado pela DTA Engenharia, responsável pela ampliação do calado e melhoria das condições de operação.

Com o novo atraso, o próprio governo já admite impacto no cronograma final. A previsão mais recente indica que os trabalhos devem se estender até agosto, adiando a entrega que antes era esperada entre junho e julho.

A dragagem é vista como peça-chave para permitir a chegada de navios maiores, ampliar rotas comerciais e melhorar o escoamento de cargas. Apesar disso, novas exigências ambientais e operacionais ainda podem gerar custos extras e atrasos adicionais na obra.

Com informações da Tribuna do Norte

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