Depois de cinco meses, um dos protagonistas do escândalo dos precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, George Leal, desabafou ao Novo Jornal, mostrando um perfil bem diferente do que vinha sendo apresentado. Agora, o casal Ubarana se coloca como vítima.
Já no início do texto do jornalista Dinarte Assunção, há uma declaração de Leal dizendo que até hoje eu não viu nenhum jornal mostrar o outro lado da história. Esta fale cabe uma pergunta: Mas que outro lado seria este?
Em seguida Leal fala em perseguição pessoal e relata que o TJ está tratando a ex-chefe do setor de precatórios a pão e água. Realmente, depois de gastar milhões do dinheiro público em viagens, deve ser bem complicado ficar alguns meses sem receber o salário humilde de funcionária pública.
Por último, esquecendo que os desembargadores estão sendo penalizados dentro na instância que lhes cabe, o marido de Carla Ubarana fala em tratamento desigual.
Ora, se o casal não tivesse cometido o grave delito, dificilmente estaria passando pelo que passa hoje. Eles foram do céu ao inferno, sabendo exatamente o que estavam fazendo e os riscos que corriam. Agora, não adianta chorar o leite derramado.
A deleção premiada feita pelo casal ajudou primeiramente eles ou será que eles fizeram isso por dever de justiça?
Leia o texto principal da matéria do Novo Jornal:
Família Ubarana quer justiça
Dinarte Assunção – Especial para o NOVO JORNAL
CINCO MESES APÓS ter sido deflagrada a operação que revelou o maior escândalo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, um dos principais atores envolvidos no caso, o empresário George Leal, rompeu o silêncio para denunciar o que diz ser um tratamento diferenciado aos acusados de participarem do desvio de mais de R$ 14 milhões do setor de precatórios.
E, segundo Leal, o silêncio no qual viveu até agora se deu não por sua vontade ou da sua esposa, a ex-chefe da Divisão de Precatórios do TJ, Carla Ubarana, mas porque durante todo esse período, conforme alega, o casal foi julgado e condenado pela imprensa, que nunca se propôs a publicar sua versão com o mesmo destaque com que estampou as notícias sobre os desvios de recursos.
Manchete após manchete, a confiança do casal na imprensa foi diminuindo. Ontem, porém, George Leal falou por telefone com o NOVO JORNAL.
“Até hoje eu não vi nenhum jornal mostrar o outro lado da história. Foi cometido um delito, assumimos a culpa e pagamos com excesso. Tudo que tínhamos, entregamos, por orientação do advogado. A delação foi a maior do Brasil, e quem disse isso foi Eliana Calmon (corregedora nacional de Justiça do CNJ). E se foi a maior do Brasil, significa que corremos risco de vida”, desabafou.
Para Leal, não resta dúvida de que está acontecendo uma perseguição pessoal. “Outras pessoas envolvidas não estão tendo os problemas que temos, estão com vida normal. O Tribunal está tratando Carla a pão e água, tirando até o salário desde janeiro. A desembargadora (Judite Nunes, presidente do TJ) agora anulou o processo. O juiz do processo diz na sentença que ela (Carla Ubarana) está apta a receber o dinheiro, só não pode ir ao Tribunal”.
Ele reclama do processo disciplinar que tramita no TJ para demitir Carla Ubarana, que, segundo ressalta, nunca foi ouvida nesse caso. “Tirar o salário dela é uma questão pessoal. Ela nunca foi chamada sequer para dar alguma explicação lá no Tribunal. A impressão que temos é de que há perseguição”.
Embora não tenha citado nomes, ao protestar contra o tratamento diferenciado George Leal manda o recado de que, enquanto a esposa amarga a situação de não receber salário, os desembargadores Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz (também envolvidos no escândalo) continuam embolsando seus proventos, mesmo tendo sido afastados do Poder Judiciário potiguar pelo Conselho Nacional de Justiça.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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