
Com a procuradora-geral, Raquel Dodge, sob ataque de diversas alas da corporação, o número dois da PGR, Luciano Mariz Maia, se levanta para condenar ofensiva da entidade que representa os investigadores. Para ele, o presidente da ANPR, José Robalinho, errou ao censurar a decisão de Dodge de ir ao STF contra a fundação que a Lava Jato tentava criar. “Todos respeitamos o direito de a associação se expressar como quiser, mas, neste caso, a posição foi corroborada por um ministro”, diz.
A tentativa da Lava Jato de Curitiba de criar uma fundação com dinheiro recuperado da Petrobras abriu fenda inédita na imagem de seus protagonistas e foi alvo de dura reprimenda no Supremo. A pedido de Dodge, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu na sexta (15) o acordo que viabilizava a entidade.
A ANPR criticou a iniciativa da procuradora-geral. “A associação, em princípio, se coloca na reivindicação de pautas corporativas e na defesa de agressões contra seus associados, mas não é comum a censura de escolhas que o procurador natural tenha feito”, rebate Maia.
Para o vice-procurador-geral, ao censurar o dispositivo escolhido por Dodge, Robalinho tentou “substituir a procuradora no seu mandato junto ao STF”. Ele diz que o MPF é um ambiente plural, mas que “a conduta exigida é de respeito às posições divergentes e de trabalho para a construção de consenso”.
A ANPR segue disposta a questionar a atuação de Dodge e vai pedir para acompanhar formalmente a ação da PGR contra a Lava Jato. Com isso, poderá fazer manifestações e memoriais.
A disputa a céu aberto no MPF está no radar do STF. Dodge recebeu elogios de três ministros na sessão de quinta (14). Um integrante do tribunal diz que os procuradores “vão se consumir sozinhos” se mantiverem a temperatura alta.
A solidariedade do STF a Dodge não a ajuda entre os pares. Procuradores que atuam em outras frentes de investigação, que não a Lava Jato em Curitiba, veem no inquérito aberto pelo Supremo contra fake news um ataque sem precedentes ao MPF.
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