Política

Enéas Carneiro, ícone da extrema-direita, é ‘herói’ de Bolsonaro

Foto: Paulo Giandália – 21.jul.1998/Folhapress

Visto como autoritário e truculento por muitos, um político se lança à Presidência prometendo restabelecer a ordem no Brasil. Aos berros, acusa PT e PSDB de serem faces da mesma moeda, defende os valores da família tradicional brasileira e questiona os interesses internacionais por trás da demarcação de reservas na Amazônia.

Não estamos falando da movimentação do deputado federal Jair Bolsonaro rumo a 2018, mas sim da candidatura do médico acreano Enéas Carneiro ao Palácio do Planalto, em 1994.

Morto em 2007, Enéas concorria pelo pequeno Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona) e deixou para trás figurões como os governadores Leonel Brizola (PDT) e Orestes Quércia (PMDB). Com 7% dos votos, chegou em terceiro lugar, atrás do petista Luiz Inácio Lula da Silva e do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Vinte e três anos depois, várias bandeiras de Enéas ressurgem na disputa presidencial —agora encampadas por Bolsonaro, que se diz grande admirador do cardiologista acreano e o considera uma de suas maiores influências na política.

O apreço é tanto que, em maio, o deputado e seu filho, Eduardo Bolsonaro, propuseram uma lei para que Enéas seja incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria – lista de personagens que, segundo página do Senado, “protagonizaram momentos marcantes da história do Brasil” e tiveram seus nomes aprovados em votação no Congresso e que conta atualmente com 41 nomes, entre eles Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Dom Pedro 1º, Santos Dumont, Chico Mendes, Getúlio Vargas e Heitor Villa-Lobos.

“Seu valoroso nacionalismo e sua oposição ao comunismo o qualificam como herói da pátria”, justificam pai e filho no Projeto de Lei 7.699.
Em outra frente, o Partido Ecológico Nacional (PEN) – pelo qual Bolsonaro deve disputar a Presidência – anunciou que cogita mudar o nome para Prona em homenagem ao político acreano.

‘HOMEM DO FUTURO’

Bolsonaro costuma dizer que Enéas foi um “homem do futuro” e destacar as posições do médico sobre o nióbio, metal que também ocupa um papel central na plataforma econômica do deputado. O Brasil abriga 98% das reservas conhecidas de nióbio, elemento químico empregado na fabricação de turbinas de avião, tomógrafos e lâmpadas potentes, entre vários outros itens de alta tecnologia.

Foto: Marcus Leoni -08.jun.2017/ Folhapress

Enéas lamentava que o Brasil exportasse nióbio bruto “a preço de banana”, em vez de usá-lo para desenvolver a indústria nacional. Ele dizia que o metal tinha tanto potencial que poderia até lastrear a moeda brasileira.

Bolsonaro compartilha do entusiasmo do acreano e defende que o Brasil tenha um “vale do nióbio” – referência ao Vale do Silício, sede de várias das maiores empresas de alta tecnologia dos EUA.

Direito de imagem Agência Brasil Image caption Pensamento de Bolsonaro e Enéas se une na crítica à demarcação de terras indígenas
O deputado diz que o metal poderia ter peso maior que o agronegócio na economia brasileira —opinião vista como exagerada por especialistas, que, no entanto, reconhecem que o país poderia agregar mais valor ao produto antes de vendê-lo.

Outro ponto que une Enéas e Bolsonaro é a crítica à demarcação de áreas indígenas. Em 2005, quando eram colegas na Câmara dos Deputados, os dois viajaram juntos a Roraima, onde 46% das terras são ocupadas por índios.

Na volta, Enéas afirmou no plenário que os indígenas não precisavam de terras, mas de melhores condições materiais. “A terra dada aos índios é suficiente para eles andarem por ali durante 600 anos e sequer chegarem a conhecer toda a região. Tudo isso está altamente programado por um monstruoso poder alienígena [estrangeiro], que tem interesse nas riquíssimas jazidas que estão no subsolo brasileiro.”

Da mesma forma, Bolsonaro costuma dizer que “onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela”. Em visita recente a Mato Grosso, afirmou que não haverá “um centímetro quadrado demarcado como terra indígena” se virar presidente.

ENÉAS MIL GRAU

“Grande parte dos índios são brasileiros como nós: ele quer ter energia elétrica, televisão, namorar uma loirinha, ter internet.”

As frequentes menções de Bolsonaro a Enéas têm ajudado a popularizar o acreano entre fãs do deputado e grupos de jovens de direita.

No canal Enéas Mil Grau no YouTube, um vídeo expõe as “mitadas mais fodas” do cardiologista. Indagado num programa de TV se acreditava em Deus, ele diz que sim, pois não conseguia “entender um universo tão bem feito no nível macrocósmico e microcósmico sem que haja uma mente prodigiosa por trás”. Uma montagem então exibe o rosto de Enéas com óculos escuros ao som do rap “Turn Down For What”.

No canal Enéas Mil Grau no YouTube, vídeo expõe as ‘mitadas mais fodas’ do cardiologista

Muitas páginas de fãs de Bolsonaro mostram entrevistas e discursos de Enéas, ressaltando seu parentesco ideológico com o ídolo. Em alguns vídeos, o médico é tratado como um visionário ao criticar o megainvestidor húngaro-americano George Soros na campanha presidencial de 2002.

Enéas condenava a participação de Soros na privatização da mineradora Vale (o bilionário comprou 1,25% das ações da empresa) e o criticava por financiar organizações pró-legalização de drogas. Em 2010, o investidor escreveu um artigo no Wall Street Journal em que defendeu substituir políticas de repressão às drogas por campanhas de educação.

Hoje, Soros é um dos maiores alvos de grupos conservadores brasileiros e estrangeiros, vilanizado por financiar causas associadas à esquerda mundo afora, como igualdade de gênero, direitos LGBT e combate ao racismo.

Em outro vídeo, um seguidor de Bolsonaro compara o tratamento recebido pelo deputado ao dado ao acreano. “Estão fazendo com Bolsonaro o mesmo que fizeram com Enéas – desprezado, humilhado e chamado até de louco por muitos.”

Afilhada política de Enéas, a médica sergipana Havanir Nimtz, eleita vereadora e deputada estadual em São Paulo, celebra o ressurgimento do mentor. “Seus ensinamentos estão mostrando à população brasileira, via YouTube, Facebook e outros meios de comunicação, que ele estava certo, e que a solução para o Brasil é administrá-lo com força, capacidade e princípios familiares e religiosos”, ela diz em nota à BBC Brasil.

Hoje sem cargo político e filiada ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Havanir não quis comentar a ascensão de Bolsonaro.

CRÍTICAS À DITADURA

Apesar das convergências entre Enéas e Bolsonaro, há diferenças importantes em seus pensamentos e trajetórias.

Autor da tese de doutorado Meu nome é Enéas!, bordão usado pelo cardiologista em suas propagandas eleitorais, o historiador e pesquisador da PUC do Rio Grande do Sul Odilon Caldeira Neto diz que os dois políticos se aproximam pelo discurso nacionalista e pela “tentativa de criar uma forma autoritária e conservadora de estruturar a nação brasileira.”

Ele aponta, porém, que Enéas discordava de Bolsonaro em relação à ditadura militar. Em entrevista ao programa Roda Viva, em 1994, o médico criticou o regime por asfixiar a imprensa e por “esquecer uma coisa fundamental: a formação do cidadão, o investimento no homem”. No manifesto de fundação do Prona, de 1989, o partido diz que a ditadura “não foi um período de felicidade para o povo brasileiro”.

Já Bolsonaro “tenta se colocar como um herdeiro do regime militar”, segundo o historiador. O deputado costuma dizer que os militares livraram o país do comunismo e deram mais segurança e liberdade aos brasileiros.

Cofundador do Prona e candidato a vice na chapa liderada por Enéas em 1989, o médico Lenine Madeira de Souza rejeita a associação com Bolsonaro.

“O doutor Enéas era uma pessoa altamente preparada, cheia de valores. Não se compara com um indivíduo que se coloca dentro de um contexto de direita, tentando pegar os mais desavisados como se fosse uma solução – solução que naturalmente deixaria o país numa situação muito pior”, diz Souza.

Procurado pela BBC Brasil por email e telefone, Bolsonaro não respondeu aos pedidos de entrevista sobre a influência de Enéas em sua carreira.

Dois grupos disputam o posto de herdeiros do Prona. Ex-assessora de Enéas, a advogada Patrícia Lima tenta criar o Partido de Reestruturação da Ordem Nacional. Aliado da advogada, João Vitor Sparan disse à BBC Brasil que o grupo discute com a equipe de Bolsonaro uma fusão ou aliança para 2018.

Outra entidade é liderada pelo teólogo Euclides Netto, ex-membro do Prona e que tenta fundar o Novo Partido da Reedificação da Ordem Nacional. Netto se diz o verdadeiro sucessor de Enéas e condena o diálogo entre Bolsonaro e Patrícia Lima.

AUTORIDADE E ORDEM

Assim como Bolsonaro, Enéas também começou sua carreira nas Forças Armadas —onde, segundo Odilon, “se inicia o processo da construção do apego à autoridade e à ordem” que o marca.

Nascido em 1938 em Rio Branco, capital do Acre, ele se muda aos 20 anos com a mãe viúva para o Rio de Janeiro em busca de uma vaga na Escola de Sargentos do Exército. Odilon diz que o acreano ficou dois anos na instituição, até se formar em primeiro lugar da turma como 3° Sargento Auxiliar de Anestesia.

Em seguida, Enéas entra na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense e, dois anos depois, inicia a graduação em Física e Matemática.

O acreano atuou como cardiologista por mais de 30 anos e lançou em 1977 o livro O Eletrocardiogama, que se tornou referência entre profissionais da área.

Além de atender em hospitais no Rio, Enéas deu aulas a estudantes de medicina e foi professor de matemática, física, química, biologia e português em cursos pré-vestibular. Entre 1986 e 1988, presidiu a Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro, experiência que o ajudou a atrair colegas para a criação do Prona.

A trajetória acadêmica de Enéas e sua longa carreira como professor contrastam com a formação de Bolsonaro, que cursou a Escola de Educação Física do Exército e fez carreira como paraquedista militar, passando à reserva como capitão.

Segundo Odilon, Enéas “acreditava que só poderia ser uma liderança porque tinha uma formação intelectual e sempre fazia questão de mostrar seu vasto currículo e conhecimento – uma distância muito grande do que promove Bolsonaro, que faz um discurso em defesa da não-intelectualidade”.

A principal crítica de Enéas a Lula era sua baixa escolaridade. “Não consigo entender que se lance um candidado ao cargo mais alto da República e haja aplauso de um grupo a uma pessoa que nunca estudou e se exprime com muita dificuldade”, afirmou.

INTEGRALISMO E FASCISMO

O historiador diz que, após lançar o Prona, Enéas conquistou o apoio de centros de estudos integralistas, movimento nacionalista inspirado no fascismo italiano e que teve como destaque o político e escritor paulista Plínio Salgado (1895-1975).

Enéas rejeitava o rótulo de fascista e dizia que seu único vínculo com o integralismo era a postura nacionalista.

“Sou radicalmente contra a pena de morte, radicalmente contra qualquer forma de discrimação”, afirmou. Em outros momentos, porém, disse que homossexuais eram “um desvio” e pertenciam a um “grupo que, se se generalizasse, representaria a extinção da espécie”.

Segundo Odilon, o médico não via qualquer benefício político em ser associado ao integralismo, mas percebeu que poderia ser vantajoso interagir com o movimento e permitiu que alguns de seus adeptos entrassem no Prona.

Um dos maiores expoentes do integralismo —o médico mineiro Elimar Máximo Damasceno— chegou a se eleger deputado federal pelo partido em 2002. Damasceno foi endossado por apenas 484 eleitores, mas, junto de outros quatro colegas do Prona, foi puxado para a Câmara pelos 1,5 milhão de votos obtidos por Enéas.

Segundo Odilon, embora Enéas fosse visto como folclórico por muitos eleitores, ele incorporava um discurso político com longa trajetória na política brasileira, com raízes não só no fascismo e em outros movimentos autoritários anteriores à Segunda Guerra, mas no Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1946).

Tanto é assim que, na eleição presidencial de 1955, o integralista Plínio Salgado obteve 8% dos votos – resultado parecido com a votação de Enéas em 1994.

“O regime militar e Enéas representam uma certa continuidade, com algumas modificações, de um longo trajeto desse nacionalismo de direita”, diz o historiador.

ELO COM MILITARES

O mesmo pragmatismo que fez Enéas dialogar com integralistas o estimulou a se aproximar de militares. Na campanha de 1994, Enéas defendeu triplicar o efetivo das Forças Armadas.

Quatro anos depois, em outro aceno ao setor, propôs que o Brasil desenvolvesse armas nucleares “não para jogar a bomba em ninguém, mas sim para evitar que alguém jogue a bomba aqui”.

Mais tarde, após se eleger deputado, tornou-se um dos principais críticos ao desarmamento da população civil, tema caro à atual “bancada da bala”.

Odilon diz que, apesar das convergências, o médico divergia dos militares na forma de encarar o comunismo. “De fato, em diversos momentos Enéas Carneiro elogiava a filosofia marxista, ainda que criticasse sobretudo a burocracia e o controle dos meios de produção e a experiência histórica oriunda da Revolução Soviética.”

Certa vez, questionado sobre figuras estrangeiras que admirava, citou Fidel Castro. Depois justificou-se dizendo que o mencionara “pela personalidade forte, pela coragem de enfrentar o monstro [EUA]”, mas que não era socialista e defendia a economia de mercado.

Embora se dissesse pró-capitalismo, Enéas foi radicalmente contrário à privatização de estatais nos anos 1990. Para ele, as vendas lesaram o patrimônio público e deixaram setores econômicos estratégicos nas mãos de “testas de ferro do capital internacional”.

As posições se contrapõem ao discurso atual de Bolsonaro. No início de sua carreira política, o deputado era crítico à privatização de estatais, mas passou a dizer que “quanto mais o Estado se afastar de qualquer atividade econômica, melhor será para o Brasil”.

FUSÃO E LEUCEMIA

Em 2006, a aprovação da cláusula de barreira pelo Congresso ameaçava acabar com o Prona, ao impor restrições a partidos que não recebessem uma votação mínima em boa parte do país. A sigla então se uniu ao Partido Liberal (PL), grupo do então vice-presidente, José Alencar, dando origem ao Partido da República (PR).

Naquele ano, Enéas se reelegeu deputado pelo PR, mas o avanço de uma leucemia debilitava sua saúde. Antes de começar a quimioterapia, resolveu raspar a barba, um de seus símbolos. O médico morreu no ano seguinte, aos 68 anos.

Na pequena comitiva de políticos presentes no velório —entre os quais Bolsonaro, Havanir e o pastor evangélico Édino Fonseca—, chamou a atenção dos jornalistas a presença do então deputado Aldo Rebelo, militante histórico do Partido Comunista do Brasil (PC do B).

À saída, o comunista disse que Enéas agia conforme suas crenças e era “um homem público de elevada confiabilidade” —sinais de um tempo não tão distante em que a polarização política no país era mais branda.

Folha de São Paulo

Opinião dos leitores

  1. Falar do finado Eneas Carneiro "HOJE"… é só assistir aos videos dele no youtube. Tirem as suas próprias conclusões com os modelos de "presidenciáveis" que temos Hoje. E ainda o consideravam "insano mental".

  2. Dr. Éneas era um político de valor, texto falou de muitas coisas menos a desgraça o que imprensa fez com a imagem deste homem de valor..
    Ele foi taxado de doido e ridicularizado, claro nunca defendeu os interesses privados, por esta e outras covardias ele não foi eleito presidente do nosso sofrido país, hoje ao meu ver ele sim seria um ótimo presidente, e não esta geração de "donos do Brasil", que simplesmente sucatearam e saquearam nosso país.
    Seus discursos sempre esteve a frente do tempo, previsão de mestre , acredito que não ele tinha conhecimento e era realmente preparado para isto…

    1. quando Enéas disse que estava se comunicando com extra-terrestres, não tive mais dúvida da sua insanidade mental !

  3. Eneas nunca foi direita, quiçá extrema direita. Era a favor do Estatismo. Criticou até sua morte as privatizações. A definição de direita hoje é : falou mal do PT é direita. Pura demagogia.

    1. Não poderia ser diferente, é o estado que manteve o bandido do Henrique Alves no poder por décadas! Votar, definitivamente, não é o nosso forte!

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Geral

SÓ DE CRACHÁ: Estagiário grava vídeo adulto dentro da Defensoria Pública e acaba demitido

Foto: Reprodução

Um estagiário da Defensoria Pública do Rio de Janeiro foi demitido após gravar conteúdo adulto nas dependências da instituição. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o jovem completamente nu, usando apenas o crachá do órgão.

A Defensoria confirmou o episódio e classificou a gravação como um “ato libidinoso”, registrado dentro de suas instalações e posteriormente divulgado na internet. O local exato onde as imagens foram feitas não foi informado.

Em nota, a instituição repudiou o comportamento e afirmou que o estagiário foi imediatamente desligado.

“Trata-se de uma conduta inaceitável e incompatível com os valores da Instituição”, declarou a Defensoria, acrescentando que medidas legais cabíveis serão adotadas.

O órgão também destacou que ética, respeito, integridade e responsabilidade são princípios inegociáveis e que não tolera comportamentos que comprometam a dignidade do ambiente institucional.

A identidade do estagiário não foi divulgada.

Com informações da CNN Brasil

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POSSE PRESIDENCIAL: Lula convidará Trump e Milei, que não reconheceram sua vitória nas eleições

Fotos: AFP

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende convidar os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, para sua cerimônia de posse, marcada para 5 de janeiro de 2027. Os dois líderes ainda não reconheceram nem parabenizaram o petista pela vitória nas eleições brasileiras.

Segundo a CNN Brasil, o convite será um gesto diplomático para tentar superar divergências políticas e manter o diálogo com os dois países.

Antes da posse, Lula poderá encontrar Trump e Milei durante a Cúpula do Mercosul e a reunião do G20, previstas para dezembro. A intenção é reforçar pessoalmente os convites.

No caso da Argentina, o governo brasileiro não espera uma melhora significativa na relação com Milei, que enfrentará eleições em seu país no próximo ano.

Já em relação aos Estados Unidos, a avaliação do Planalto é de que Trump poderá adotar uma postura mais pragmática após as eleições legislativas americanas, diante do risco de perder a maioria no Congresso.

Lula também pretende retomar ainda neste ano as negociações para reduzir as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

A posse presidencial ocorrerá em 5 de janeiro, conforme mudança aprovada pelo Congresso Nacional para facilitar a participação de autoridades estrangeiras na cerimônia.

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[VÍDEO] Presidente do TST fala em criação de “lista suja” de empresas por assédio eleitoral

 

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que empresas envolvidas em casos de assédio eleitoral poderão enfrentar restrições a financiamentos e até integrar uma possível “lista suja”. A declaração foi feita durante sessão do tribunal na quinta-feira (29), após denúncias de demissões e ameaças relacionadas às eleições de 2026.

“As consequências daqueles que, irresponsavelmente, estão prosseguindo nessa linha serão muito drásticas, inclusive com restrições ao financiamento de empresas, com a possível criação de uma lista suja”, afirmou o ministro.

Vieira de Mello Filho classificou como grave a prática de demitir ou incentivar a demissão de trabalhadores por suas escolhas políticas. Segundo ele, todos os casos deverão ser investigados e eventuais dispensas discriminatórias poderão resultar em punições.

“A todos é assegurado o voto livre. Ninguém está obrigado a seguir a orientação de quem quer que seja”, declarou.

Na mesma quinta-feira, a Justiça do Trabalho determinou que a Meta retire, em até 24 horas, publicações no Instagram que incentivem empresários a vigiar, expor ou demitir funcionários por causa do voto.

A empresa também deverá divulgar avisos no Instagram, Facebook e Threads informando que o assédio eleitoral e a discriminação política no ambiente de trabalho são proibidos.

Com informações do Metrópoles

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STF: Ministros pressionam Moraes por redução de pena que pode tirar Bolsonaro da prisão em 2027

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que Alexandre de Moraes leve ao plenário, o mais rapidamente possível, o julgamento da Lei da Dosimetria, que pode reduzir o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Caso a legislação seja considerada constitucional, Bolsonaro poderá deixar o regime fechado no fim de 2027.

Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, cálculos de juízes e advogados indicam que a aplicação da lei poderia reduzir de sete anos para aproximadamente dois anos e três meses o período de cumprimento da pena em regime fechado. Como o ex-presidente já cumpriu quase um ano, a mudança permitiria antecipar sua saída desse regime.

A movimentação também tem motivação política. De acordo com três magistrados ouvidos pela coluna, uma decisão sobre o tema poderia reduzir as tensões entre o STF e o novo Senado, que terá pelo menos 49 parlamentares favoráveis ao impeachment de ministros da Corte.

A avaliação é que a redução da pena também poderia enfraquecer propostas de anistia e diminuir a pressão sobre o Supremo para acelerar a revisão criminal solicitada pela defesa de Bolsonaro.

A Lei da Dosimetria foi aprovada pelo Congresso em dezembro de 2025. Em abril deste ano, deputados e senadores derrubaram os vetos do presidente Lula, mas a norma acabou suspensa por Moraes em maio.

O ministro condicionou a aplicação das novas regras ao julgamento de sua constitucionalidade pelo plenário do STF. Desde então, o processo permanece sem decisão definitiva.

 

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RECORDE: Desemprego cai para 5,2% e atinge menor taxa da história para o período em 14 anos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor nível registrado para o período desde 2012. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE.

O resultado representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em junho, quando o índice era de 5,4%. Na comparação com o mesmo período de 2025, a redução foi de 0,4 ponto percentual.

Segundo o IBGE, o país tinha 5,6 milhões de desempregados no trimestre encerrado em setembro, uma redução de 234 mil pessoas em relação aos três meses anteriores.

A população ocupada chegou a 103,6 milhões de brasileiros, o maior número da série histórica. O contingente cresceu 0,6% no trimestre, com a entrada de 581 mil pessoas no mercado de trabalho.

A construção civil foi um dos setores que impulsionaram o resultado, com crescimento de 2,8% na ocupação e a entrada de 210 mil trabalhadores.

O número de empregadores também bateu recorde, chegando a 4,5 milhões. Já o setor público alcançou 13,2 milhões de trabalhadores, outro recorde da série histórica.

O total de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,4 milhões, sem variação significativa em relação ao trimestre anterior ou ao mesmo período de 2025.

Com informações do g1

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ASSÉDIO ELEITORAL: Justiça manda Meta apagar posts que incentivam demissões por voto e prevê multa de R$ 200 mil

Foto: Aurimar Silva/TRE-SP

A Justiça do Trabalho determinou que a Meta retire do ar, em até 24 horas, publicações que incentivam empresários a vigiar, expor ou demitir funcionários por suas escolhas políticas. A decisão prevê multa de R$ 200 mil em caso de descumprimento.

A determinação foi assinada pelo juiz Bruno José Perusso, da 77ª Vara do Trabalho de São Paulo, após ação do Ministério Público do Trabalho (MPT), que também pede indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos.

A Meta deverá ainda publicar, em até 72 horas, um aviso no Instagram, Facebook e Threads informando que a discriminação política e o assédio eleitoral no trabalho são proibidos. A mensagem deverá permanecer disponível por cinco dias.

Segundo o MPT, foram registradas mais de 1.147 denúncias de assédio eleitoral nas 72 horas seguintes ao segundo turno das eleições presidenciais.

A Meta informou que não comentaria o caso.

Com informações do Poder360

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Trump ajuda Flávio a entrar nos EUA, mas não pretende reconhecê-lo como líder do Brasil, diz Reuters

Foto: Daniel Ramalho/AFP

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende reconhecer Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como líder legítimo do Brasil, apesar de ter autorizado sua entrada no país após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. A informação foi divulgada pela agência Reuters nesta sexta-feira (30), com base em fontes do governo norte-americano.

Segundo uma autoridade dos EUA e outra pessoa a par das negociações, Trump não tem planos de apoiar as pretensões políticas do senador neste momento, embora possa mudar de posição. A decisão ocorre em meio à tentativa de evitar uma nova crise diplomática com o Brasil.

Flávio deixou o território brasileiro após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seus passaportes, atendendo a um pedido da Polícia Federal. O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

De acordo com a Reuters, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas. A família embarcou em um avião fretado com destino a Miami, fazendo escala no Equador.

A reportagem revela que Jason Miller, assessor de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo. Durante a viagem, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, recomendou ao presidente que autorizasse a entrada do senador, o que foi aprovado.

Autoridades dos Estados Unidos concederam a Flávio e à família uma autorização temporária de entrada por razões humanitárias, conhecida como parole humanitária.

Após chegar aos EUA, Flávio publicou uma carta em que se declarou “presidente eleito” do Brasil. Posteriormente, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, apresentando-se como “líder” legítimo do país, sem reconhecer a vitória de Lula.

Apesar de ter questionado a condução das eleições brasileiras, Trump evitou criticar diretamente o presidente reeleito. “Gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só acho que a eleição deixou uma péssima impressão”, afirmou.

Segundo a Reuters, autoridades norte-americanas avaliam que a saída de Flávio do Brasil reduziu seu capital político. Integrantes do governo brasileiro também consideram que o episódio pode enfraquecer a oposição no Congresso Nacional.

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Lula resiste a entregar articulação política ao Centrão e deve manter ministério com o PT

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) deve manter a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela articulação política do governo e pela negociação de emendas parlamentares, sob o comando do PT no quarto mandato. A avaliação é de auxiliares do Palácio do Planalto, que resistem à possibilidade de entregar a pasta ao Centrão.

Segundo o Metrópoles, o Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), tem interesse no ministério e defende o nome do deputado federal reeleito Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro dos Portos e Aeroportos.

Apesar de ser considerado um político com bom trânsito entre deputados e senadores, Silvio enfrenta resistência dentro do governo. O principal receio é que sua indicação amplie o poder do Centrão e de Hugo Motta sobre a distribuição de emendas parlamentares.

A Secretaria de Relações Institucionais é responsável pela interlocução do Executivo com o Congresso Nacional e participa das negociações envolvendo a liberação de recursos destinados por parlamentares, o que torna a pasta estratégica para a sustentação política do governo.

Durante o terceiro mandato de Lula, o ministério permaneceu sob o controle do PT, tendo sido comandado por Alexandre Padilha, Gleisi Hoffmann e José Guimarães, atual titular.

Para auxiliares do presidente, a tendência é que a SRI continue nas mãos de uma liderança petista, preservando o controle do partido sobre uma das áreas mais importantes do Palácio do Planalto.

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Geral

CARA DE PAU: Funcionário furta cartões de policiais penais na Papuda e faz compras por aproximação

Foto: Reprodução/PCDF

Um funcionário terceirizado de 20 anos é suspeito de furtar cartões bancários de policiais penais durante os plantões na Penitenciária do Distrito Federal II, no Complexo da Papuda, em Brasília. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o homem aproveitava o trabalho de limpeza para acessar os alojamentos dos servidores e retirar os cartões de suas carteiras.

Após os furtos, o suspeito utilizava os cartões para realizar compras por aproximação, sem autorização dos proprietários. Ao todo, a polícia recuperou 22 cartões pertencentes a pelo menos 14 vítimas.

A investigação começou depois que policiais penais perceberam o desaparecimento dos cartões e identificaram transações que não haviam realizado. Em 26 de outubro, pelo menos três servidores tiveram cartões utilizados no mesmo estabelecimento comercial, em horários próximos.

Os investigadores também identificaram ocorrências semelhantes desde o início de setembro. O cruzamento das informações levou os policiais ao funcionário terceirizado.

Na quinta-feira (29), o suspeito foi levado à delegacia e, segundo a PCDF, confessou os furtos. Durante uma busca em sua residência, os agentes encontraram os 22 cartões bancários. O celular dele também foi apreendido e será submetido à perícia.

O homem não foi preso porque, de acordo com a Polícia Civil, não havia situação de flagrante. O caso é investigado como furto qualificado por abuso de confiança e fraude.

A polícia continua as investigações para identificar todas as vítimas, calcular o prejuízo causado pelas compras e verificar se outras pessoas participaram dos crimes. Os cartões recuperados serão devolvidos aos proprietários.

Com informações do Metrópoles

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Geral

DO DIAGNÓSTICO À EXECUÇÃO: O método Ratts Ratis para posicionar marcas

Foto: Divulgação

Posicionar uma marca não é um exercício de opinião: é um processo com etapas definidas. Começa com diagnóstico: entender como a marca é percebida hoje, o que os concorrentes já ocupam no mercado e onde existe espaço real para diferenciação. Sem esse levantamento, qualquer decisão criativa vira aposta.

A etapa seguinte é a definição do território: a promessa central que a marca vai sustentar, o tom de voz que vai usar e os valores que vai defender publicamente, de forma que sejam distintos o suficiente para não se confundir com o concorrente, e consistentes o suficiente para se repetir por anos. Só depois disso entra a execução: peças, campanhas, conteúdo, mídia, todos subordinados ao território definido.

Esse é o método que a Ratts Ratis aplica a cada cliente novo, adaptado à realidade e ao orçamento de cada negócio. Não existe atalho: pular o diagnóstico para chegar direto à execução é o motivo pelo qual tantas campanhas soltas não constroem marca nenhuma. A Ratts Ratis garante que cada etapa seja cumprida antes de investir em produção e mídia.

Um posicionamento bem construído começa antes da primeira peça ser criada. Fale com a Ratts Ratis pelo Instagram @rattscom ou pelo WhatsApp (84) 99215-9781 e comece pelo diagnóstico certo.

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