Família quer juri popular para policiais acusados de matar Gabriel

Marcada para o último dia 20, a primeira audiência judicial do processo dos policiais militares acusados de assassinar Giovani Gabriel de Sousa Gomes, de 18 anos, foi adiada para fevereiro, conforme dados do Processo Nº 0101672-40.2020.8.20.0124 que tramita na 1ª Vara Criminal de Parnamirim. Quatro policiais serão julgados pelo sequestro, assassinato e ocultação de cadáver do jovem, que teve o corpo encontrado no dia 14 de junho do ano passado, na zona rural de São José do Mipibu. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN), o adiamento aconteceu para que seja feita a anexação de mais provas ao processo, para que os materiais possam ser analisados em tempo hábil pela defesa dos acusados.

Segundo o MPRN, a mudança na data da primeira audiência, que servirá para ouvir as testemunhas do caso, não deverá impactar no processo. “São pouco mais de duas semanas de adiamento. Então, normalmente isso não afeta o processo, considerando que ainda existirão muitos atos a serem praticados até seu término. O processo ainda está no começo”, informou o órgão.

A denúncia dos policiais foi feita pelo órgão ministerial no dia 20 de outubro de 2020. Foram denunciados quatro policiais lotados no 8º Batalhão de Polícia Militar, localizado em Goianinha, que teriam participado direta ou indiretamente do sequestro que culminou na morte de Giovani Gabriel.

Os policiais são Paullinelle Sidney Campos Silva, 41 anos; Bertoni Vieira Alves, 36 anos; Valdemi Almeida de Andrade, 38 anos; e Anderson Adjan Barbosa de Souza, 39 anos, que estão presos preventivamente desde setembro de 2020.

Segundo a denúncia do MPRN, à qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso, os policiais, “imbuídos por motivo fútil”, segundo o MP, efetuaram disparos contra Giovani Gabriel, que morreu no local. Em seguida, os policiais “ocultaram seu corpo no interior de um matagal existente na zona rural de São José de Mipibu/RN, a fim de dificultar sua localização”.

Segundo o órgão ministerial, as provas existentes comprovam a autoria e materialidade do crime. Além de cinco testemunhas, que afirmam ter visto o momento em que o jovem saiu correndo da mata dizendo ter sido confundido com outra pessoa pela polícia, a denúncia traz também informações obtidas a partir de imagens da câmera de segurança de uma residência próxima ao local do sequestro e da quebra do sigilo telefônico dos policiais, que revelou não apenas sua localização exata no momento do crime, mas também que eles permaneceram em contato ao longo do sequestro. A quebra de sigilo foi solicitada pela Polícia Civil ao longo das investigações.

Na última terça-feira (19), familiares e amigos de Giovani Gabriel organizaram um ato para chamar atenção da sociedade para o caso e pedir que os acusados sejam levados a júri popular. Segundo Hélio Miguel Santos Bezerra, um dos advogados que presta assistência jurídica à família por meio do Escritório Popular, o júri popular se trata de um momento processual, que aconteceria apenas depois das primeiras audiências do caso, agora marcadas para os dias 8, 9 e 10 de fevereiro.

“É um momento processual em que os acusados já vão ser julgados porque existem indícios muito fortes de que eles realizaram a execução. É por isso que estamos nos movimentando para isso”, explicou Hélio Miguel Santos Bezerra. Segundo ele, nos depoimentos dados até o momento pelos policiais militares acusados do homicídio, eles negam ter executado o jovem, e dizem “não se lembrar” do que estavam fazendo na manhã do dia 5 de junho. “Esse é um processo que tem todos os indícios: quebras telefônicas, provas técnicas da localização dos policiais, foto e vídeo da viatura no local, além de um elemento motivador para o crime, que foi o assalto sofrido pela companheira do irmão de um dos policiais”, destacou o advogado.

No primeiro dia de audiência, serão ouvidas as testemunhas de acusação. No segundo dia, as testemunhas de defesa e, por fim, os réus, no terceiro dia. “A partir daí, o juiz vai analisar toda a documentação, as oitivas, e vai decidir se eles vão ou não a júri popular”, explicou o advogado. Segundo ele, o adiamento do início das audiências foi feito por zelo ao processo e para garantir a oportunidade de defesa aos acusados.

Leia matéria completa na Tribuna do Norte.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Sergio Nogueira disse:

    Sem entrar no mérito, na verdade passando bem longe dele, por qual razão nunca divulgam nomes de bandidos presos e neste caso divulgaram o nome completo e idade dos PMs presos?
    Eu acho que deveriam divulgar sempre o nome de qualquer um, mas não entendi porque divulgam num caso e não divulgam no outro.

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