Polícia

Foragido há 28 anos é preso após receber auxílio emergencial; benefício é pago a mais de 25 mil condenados, lista da CGU foi repassada para polícias

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em 1993, o vendedor Joel Theodoro Lopes, então com 32 anos, assassinou sua companheira, Iolanda Melo, com um espeto de churrasco e ateou fogo no corpo, encontrado dias depois abandonado em um local ermo da cidade de Guapó (GO). Procurado e condenado pela Justiça, ele sumiu do mapa sem deixar rastros. Não adquiriu bens, nem forneceu dados pessoais a quem quer que fosse. Até que, 27 anos depois, Lopes solicitou ao governo federal o auxílio emergencial, o benefício criado para ajudar vulneráveis durante a pandemia de covid-19 – e foi atendido.

Lopes recebeu R$ 3,9 mil em oito parcelas do auxílio (cinco de R$ 600 e três de R$ 300) em 2020. Neste ano, também foi contemplado com a nova rodada do benefício, e recebeu mais quatro parcelas de R$ 150 até ser capturado pela polícia em 19 de agosto, no município de São João da Boa Vista (SP). Uma quinta parcela foi enviada para depósito dois dias antes de sua prisão.

O auxílio emergencial acabou sendo uma peça-chave para a família de Iolanda, com ajuda do grupo de inteligência da Polícia Civil do Distrito Federal, descobrir o paradeiro de Lopes. Não só o auxílio emergencial estava vinculado ao município de São João da Boa Vista, mas também o telefone celular necessário para confirmar o cadastro no sistema do governo ainda era usado por ele.

O episódio está longe de ser um caso isolado. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), 25.891 beneficiários do auxílio em 2021 estão com mandado em aberto e são procurados pela Justiça. Os dados foram obtidos a partir de cruzamento com o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O resultado foi enviado às polícias e unidades regionais da CGU. Dos foragidos, pelo menos 300 foram capturados, mas o número pode ser maior porque os mandados de prisão são cumpridos por autoridades locais.

“O resultado dos cruzamentos foi encaminhado ao Ministério da Cidadania, gestor do programa de auxílio emergencial, para análise quanto à pertinência do cancelamento dos benefícios desses foragidos, à luz do entendimento consolidado de que as pessoas que possuem mandado de prisão em aberto não fazem jus ao benefício”, diz a CGU.

O Ministério da Cidadania afirma que as recomendações de órgãos de controle são analisadas, mas diz não ter detalhes sobre o cancelamento ou não desses benefícios. O auxílio de 2021 aproveitou o cadastro realizado no ano passado, ou seja, os 25.891 já recebiam a ajuda em 2020. No ano passado, a CGU mapeou mais de 27 mil foragidos contemplados. Os números mostram que pouca coisa mudou de lá para cá.

Embora o próprio auxílio tenha servido de ajuda para descobrir o paradeiro do criminoso, a jornalista Talita Melo de Carvalho, neta de Iolanda, questiona o critério de concessão. Nas investigações, foi detectado que Lopes usava o dinheiro até mesmo para pedir entrega de comida. “Ele estava recebendo auxílio emergencial. Qual é o critério? Por que ele não caiu (na avaliação)? Qual é o processo de aprovação para receber um auxílio desse?”, questiona Talita.

A prisão de Lopes é o desfecho de uma busca iniciada pela tia-avó de Talita ainda nos anos 1990, mas que, segundo a jornalista, não contou com muito empenho da polícia à época. Depois de convencer Iolanda a sair de Brasília, onde morava com a família, para Goiânia (GO), Lopes a assassinou, levou consigo joias que a então companheira comercializava e falsificou sua assinatura para vender o carro.

“Minha mãe e minha tia-avó começaram uma saga para encontrá-lo. Minha avó imprimiu vários cartazes com uma foto que achou, contratou detetive particular… Ela se esforçou muito e juntou tudo que pesquisou numa caixa. Tirou cópia do processo, de tudo. Ficaram mais um tempo tentando encontrar, e a polícia nunca achou. Então, arquivaram o caso”, conta ela.

Talita tinha pouco mais de um ano quando sua avó foi assassinada. Só depois que completou 20 anos, porém, é que soube a verdade sobre como o caso. “Passamos a vida inteira com meus familiares falando que ela tinha morrido do coração. Há uns seis anos, me contaram a história e fiquei com isso na cabeça. Até assimilar, demorou um pouco. Então, comecei a ver muitos casos de feminicídio, (pensava que) minha vó morreu assim, e esse cara está aí. Foi aí que eu perguntei para minha tia-avó, e ela falou que tinha a caixa”, diz ela, que tem hoje 29 anos.

Procurado, o Ministério da Cidadania listou uma série de ações integradas com outros órgãos para coibir fraudes, pagamentos indevidos e estruturar uma “trilha de auditorias”. Segundo a pasta, mais de 15 bancos de dados são utilizados para aferir se uma pessoa é elegível ou não ao benefício, entre eles o BNMP. “Essas informações alimentam o banco de dados de processamento da Dataprev, que faz mensalmente um novo processo de verificação da elegibilidade ao benefício”, diz a nota. A Cidadania, porém, não esclareceu se os beneficiários com mandado em aberto, apontados pela CGU, tiveram os repasses suspensos.

Até agora, o governo recuperou R$ 5,1 bilhões pagos indevidamente – devolvidos de forma voluntária pelos beneficiários. O auxílio já pagou mais de R$ 337 bilhões em ajuda a vulneráveis.

O advogado que acompanhou Lopes após a prisão informou que não atua na defesa do vendedor, a quem conheceu com outro nome, e disse que não se manifestaria sobre o caso.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. O que acho interessante é se divulgar os métodos usados pela inteligência da polícia. Isto é um desserviço ao país pois ensina aos bandidos como não serem presos.

  2. Bandido bom é bandido solto recebendo bolsa família e auxílio emergência . Esse governo acabou mesmo com roubo e corrupção.

    1. Lembrando que não foi o presidente que soltou o André do Rap, e que impediu a polícia de subir morro pra fazer o seu trabalho…

    2. O comentário sem lógica, o caro fugiu a 30 anos e o culpado é um governo que tem quase 3 anos

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Polícia

Cinco brasileiros são presos com ‘arsenal de guerra’ no Paraguai

Foto: Polícia paraguaia/Reprodução

Cinco brasileiros foram presos em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na região de fronteira com o Brasil, neste sábado (23). Com os homens foi encontrado um verdadeiro “arsenal de guerra”, de acordo com os oficiais paraguaios.

Fuzis, cartuchos, dinheiros, veículos, munições e até rádio de comunicação estão entre os objetos apreendidos. Veja a lista abaixo do que foi confiscado:

  • Dois fuzis, do tipo AK-47, com carregadores;
  • Seis carregadores para fuzil, do tipo AK-47;
  • Um fuzil, do tipo M4, com dois carregadores;
  • Inúmeras munições;
  • Uma pistola, da marca Glock, com dois carregadores;
  • Celulares;
  • Equipamentos de rádio comunicação;
  • Dinheiro.

A apreensão dos armamentos e outros objetos ocorreu em parceria entre as polícias do Paraguai e do Brasil, que atuam em conjunto na fronteira desde a série de execuções de várias pessoas na região.

 

A ação, deste sábado, foi encomendada pela polícia paraguaia, em Assunção. Entre os presos está Jefferson Kelvin Gonçalves de Oliveira, que tem ficha corrida na polícia do Brasil. O suspeito tem antecedentes de tráfico internacional de drogas e homicídio.

Os presos são:

  1. Jefferson Kelvin Gonçalves de Oliveira;
  2. Angelo Gabriel Pereira de Carvalho;
  3. Mizael Correa Viana;
  4. Luiz Gustavo Alvez Aguiar;
  5. Marcio Vinicius da Paixão Vieira.

Foto: Polícia paraguaia/Reprodução

Confirmado ao g1, por uma fonte da polícia paraguaia, os cinco presos teriam ido à Pedro Juan Caballero para incorporarem uma facção criminosa, que atua com tráfico de drogas na região de fronteira.

Os cinco presos foram enviados a Assunção, sob custódia da polícia do Paraguai. Todos devem responder por crime organizado.

Todas as armas foram enviadas para perícia. A polícia apura o envolvimento dos presos e a utilização dos objetos nos casos de execuções que assustaram a fronteira há duas semanas.

g1

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Mundo

Ilha na Espanha com vulcão em erupção há mais de um mês é atingida por terremoto de magnitude 4,9

Foto: DESIREE MARTIN/AFP

A ilha de La Palma, na Espanha, onde o vulcão Cumbre Vieja está em estado de erupção desde 19 de setembro, registrou neste sábado um terremoto de magnitude 4,9 na escala Richter uma uma profundidade de 38 quilômetros, sentido pela população.

O tremor, detectado pelo Instituto Nacional Geográfico (IGN, na sigla em espanhol), é o maior desde o início do enxame sísmico que antecedeu a erupção e durante sua duração.

Desde que um terremoto de 4,3 foi registrado hoje cedo, o IGN localizou 30, dos quais uma dúzia ultrapassou a magnitude 3.

O cone principal do vulcão desmoronou parcialmente – de acordo com o Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias, o arquipélago Atlântico onde está localizada La Palma -, e um sismógrafo IGN relatou uma emissão de fluxos de lava mais a oeste do cone secundário, que nas últimas horas sofreram vários transbordamentos de lava.

Os derrames alargaram a erupção mais preocupante neste momento, que está parada no bairro da cidade de La Laguna, com risco para edifícios e plantações.

Até agora, o vulcão devastou cerca de 900 hectares e destruiu cerca de 2,2 mil prédios, muitos deles residenciais, de acordo com dados do sistema de satélites Copernicus. Além disso, cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas desde o início da emergência.

UOL via EFE

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Denúncia

Presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo é alvo de nova denúncia por assédio contra ex-funcionária

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O presidente afastado da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, está sendo, mais uma vez, denunciado por assédio sexual. A denúncia, enviada esta semana para a Comissão de Ética da entidade, foi feita por um ex-funcionária que apresentou duas novas situações de assédio praticadas por Caboclo: uma na Copa América sediada no Brasil, em 2019, e outra durante uma viagem a trabalho para a Suíça junto com o dirigente. Em nota, a defesa de Rogério Caboclo negou as acusações.

A Comissão de Ética investiga outras três denúncias contra Caboclo, que está afastado do cargo até março de 2023. Duas das três denúncias são de assédio sexual apresentadas por duas mulheres, e a outra é de assédio moral feita por um dos diretores da CBF. Em nota, a defesa do presidente afastado afirma que o Conselho de Ética age “como um verdadeiro tribunal de exceção”, e que as decisões têm sido tomadas com parcialidade e de forma ilegal.

Em uma das situações apresentadas nesta nova denúncia, a ex-funcionária descreve que, durante a Copa América em 2019, ela foi obrigada a reservar quartos de hotel, em São Paulo, para acomodar acompanhantes do então presidente da entidade. Como as visitantes não tinham autorização para adentrar no hotel, ficava a cargo da funcionária buscá-las na recepção.

Na denúncia, ela relata ainda que, na mesma noite, Caboclo havia deixado um recado na secretária eletrônica do quarto da funcionária. Apesar da mensagem ser incompreensível, segundo consta no depoimento, era possível perceber que o dirigente estava em momentos íntimos com a acompanhante.

A ex-funcionária da CBF revelou também que, durante uma viagem para a Suíça ao lado de Caboclo, o dirigente a chamava para o quarto de hotel e buscava construir uma relação de intimidade com a colega de trabalho. Ela relata que, nesses encontros, Caboclo desabafava sobre a vida ou brincava na tentativa de ficar mais próximo dela, como quando pediu as pulseiras da funcionária pois queria usá-las.

A defesa afirma em nota que os relatos descritos pela ex-funcionária da CBF não configuram assédio. Bem como nas demais denúncias, novamente Rogério Caboclo está sendo acusado de trabalhar alcoolizado. Neste novo depoimento, a funcionária afirma que ele a fazia esconder garrafas de bebida no banheiro da sala da presidência, na sede da CBF.

Além disso, as acusações vêm à tona depois de uma suposta tentativa de quebrar o silêncio da ex-funcionária. Ela afirma que trabalhou na CBF até dezembro de 2019, quando Caboclo negou a ela uma oportunidade de trabalhar em outro departamento da entidade. No primeiro semestre deste ano, ela recebeu uma oferta para voltar a atuar na confederação para receber o dobro como salário. Ela entendeu que essa oferta era uma tentativa de silenciá-la e não aceitou o emprego.

IstoÉ

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Saúde

COVID: Brasil fecha semana epidemiológica com mortes diárias abaixo de 500; País registrou 318 mortes e 11,7 mil novos casos nas últimas 24h

O Ministério da Saúde divulgou os dados mais recentes sobre o coronavírus no Brasil neste sábado (23).

O balanço da semana epidemiológica, encerrado sempre aos sábados, mostra que, nos últimos 7 dias, os números diários de óbitos pela doença ficaram abaixo de 500.

Veja os dados:

– O país registrou 318 óbitos nas últimas 24h, totalizando 605.457 mortes;

– Foram 11.716 novos casos de coronavírus registrados, no total 21.723.559.

O Ministério da Saúde calcula que 20,8 milhões de pessoas já se recuperaram da covid-19.

O estado de São Paulo não divulgou dados neste sábado, por outro lado, Santa Catarina incluiu em seu boletim 1.513 casos represados.

A média móvel de óbitos nos últimos 7 dias é de 329, e a média móvel de novos casos é de 12.119.

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Política

Pacheco é anunciado pelo PSD como candidato à Presidência da República

Foto: reprodução/redes sociais

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, foi lançado hoje, 23, como candidato à Presidência da República pelo PSD. Ontem, ele publicou nas redes sociais que iria se filiar ao partido. O anúncio aconteceu durante evento do PSD, no Rio de Janeiro.

“Rodrigo Pacheco, o PSD e seus novos companheiros estão prontos para abraçar o seu projeto, para abraçar as suas propostas, para caminhar ao seu lado, não apenas para ser candidato na sua campanha, mas para que você seja um grande presidente da República, você tem todas as condições de vencer”, disse o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.

Pacheco evita falar em candidatura “meu cargo impõe limites”

Rodrigo Pacheco disse neste sábado, durante encontro regional do PSD, no Rio de Janeiro, que ocorreu em clima de pré-lançamento de sua candidatura à Presidência no ano que vem, que se sente “muito honrado” com os elogios e convovações dos colegas de partido, mas que seu cargo impõe “limites”.

“Essa questão da candidatura em 2022, tenho uma condição de presidente do Senado, de presidente do Congresso, que me impõe alguns limites em relação a essas abordagens”, disse Pacheco ao fim do evento. Em vários momentos do encontro, Pacheco foi citado por membros do partido como o candidato do PSD ao Planalto no próximo ano.

Com informações de Valor e UOL

Opinião dos leitores

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Saúde

Rússia registra quinto recorde seguido de mortes por Covid-19

Foto: EFE/EPA/MAXIM SHIPENKOV

A Rússia registrou neste sábado (23) o quinto recorde seguido de mortes diárias por Covid-19. 1.075 pessoas morreram nas últimas 24 horas.

Os Centros de Tratamento Intensivo (CTI) de vários hospitais russos estão no limite da capacidade, principalmente na capital Moscou.

Só um terço da população russa foi vacinada e é uma das taxas mais baixas da Europa.

Para tentar conter a escalada de casos e de mortes pela doença, o presidente Vladimir Putin decretou um megaferiado de uma semana para o início do mês que vem.

Desde junho, o país enfrenta uma nova onda da epidemia provocada pelo surgimento de variantes mais agressivas, o reduzido respeito ao uso de máscaras e uma lenta campanha de vacinação.

O balanço oficial de mortes no país desde o início da pandemia registra 229.528 vítimas fatais, o que faz da Rússia a nação mais afetada da Europa.

Mas os dados são considerados subnotificados: a agência de estatísticas Rosstat anunciou que o país havia registrado mais de 400.0000 mortes por Covid-19 até o fim de agosto.

Apenas um terço dos russos foram imunizados desde o lançamento da primeira vacina nacional, Sputnik V, em dezembro de 2020. Um fracasso que pode ser explicado sobretudo pela habitual desconfiança da população a respeito das autoridades.

Diante do cenário sombrio, as autoridades demoraram a reagir e impor medidas restritivas pelo temor de prejudicar uma economia já fragilizada.

O presidente Vladimir Putin decretou sete dias de recesso, de 30 de outubro a 7 de novembro, em uma tentativa de frear a propagação do vírus.

A prefeitura de Moscou, principal foco epidêmico do país, determinou o fechamento de todas as empresas e estabelecimentos comerciais não essenciais durante 11 dias a partir de 28 de outubro.

E várias regiões decidiram adotar passaportes sanitários.

Os críticos acusam Putin de não adotar medidas para combater a pandemia, enquanto o Kremlin alega que os europeus viajam em grande número à Rússia para receber a vacina Sputnik V, em vez de receber os fármacos aprovados pela União Europeia.

g1

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Política

CPI da Covid tem reta final com feridas abertas, acordo rompido e divergências em relatório

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

No momento decisivo da CPI da Covid, o grupo majoritário que comanda as ações do colegiado precisou enfrentar mais uma crise interna que colocou em risco a unidade para aprovar o relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A atuação de bombeiros e acordos para promover ajustes no relatório ajudaram a contornar momentaneamente o problema. O clima de tensão e disputas, no entanto, seguem nos bastidores, inclusive com a ameaça de defecções na votação do documento final da comissão, nesta terça-feira (26).

Na última quarta-feira (20), Renan leu o relatório final em uma sessão da comissão marcada por emoção e discursos de impacto. Foram ressaltados o caráter histórico da CPI e houve muitas promessas de justiça. Renan e o presidente Omar Aziz (PSD-AM) trocaram uma série de elogios.

O clima contrastava com os momentos que precederam a sessão. O chamado G7 havia mergulhado em uma grave crise por causa de divergências sobre o relatório e pelo seu vazamento.

Os integrantes do grupo apontam que havia um acordo para que Renan se reunisse individualmente com os senadores para discutir pontos do relatório.

Ainda na semana anterior à leitura do relatório, em uma reunião virtual na sexta-feira (15), os senadores deixaram claro que havia discordância sobre propor o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por genocídio da população indígena.

O relator escutou a demanda por mais debate a respeito do assunto e prometeu discutir o tema. Mais tarde no mesmo dia, porém, senadores explodiram em revolta ao lerem na imprensa os principais trechos do relatório final, que continha a tipificação de genocídio.

Embora a reação tivesse sido geral, deixando Renan isolado, as expressões de descontentamento mais fortes partiram justamente de Aziz.

“É de conhecimento dele [Renan]. Ele não vazou esse relatório sem saber que a gente queria discutir essa questão. Então, se você me perguntar se está tudo bem, não, não está tudo bem”, afirmou o presidente da CPI.

“Ia haver divergência? Ia. Mas [a gente chegaria] unificado. E não a imposição de um relatório achando que alguém é dono da verdade a essa altura do campeonato”, disse o senador.

Os membros do grupo majoritário afirmaram que por trás da reação a Renan estava um sentimento de traição, ciúmes, discordâncias técnicas e mesmo feridas antigas abertas.

Os senadores acusaram Renan de buscar protagonismo no momento decisivo da CPI da Covid. Aziz e Otto Alencar (PSD-BA) foram as principais vozes críticas ao relator no grupo de WhatsApp dos membros.

Em relação a Aziz, não foi o primeiro ponto de atrito com o relator. O presidente da CPI disse a colegas que ainda “não engoliu” o episódio do pedido de prisão do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten.

Aziz achava estar claro que havia um acordo de não determinar a medida contra o ex-secretário, mas foi surpreendido com o pedido de prisão de Renan, ato que rapidamente inflamou outros senadores. Ao presidente caiu o ônus de negar a prisão.

Outro ponto de discordância foi quando Renan tomou o lado do senador Eduardo Braga (MDB-AM), amazonense como Aziz.

O presidente da CPI exigiu apoio para aprovar requerimentos de quebras de sigilo e convocações de adversários políticos no Amazonas, sendo alguns deles aliados próximos de Braga.

Renan resistiu, e Aziz reagiu não pautando nenhum requerimento do alagoano na sessão seguinte da comissão. A relação entre os dois foi restabelecida, mas ainda com fissuras. Leia a matéria completa aqui.

FolhaPress

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Geral

VÍDEO: Homem usa jacaré para ameaçar outras pessoas durante briga em praia no RJ

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma cena inusitada em uma praia do Rio de Janeiro: dois homens brigam e um deles usa um jacaré como forma de ameaçar o outro. A discussão, segundo o Corpo de Bombeiros, aconteceu na quarta-feira (20) na Praia da Macumba, na Zona Oeste do Rio.

Nas imagens, é possível ver que um agente tenta apartar a briga, mas também é ameaçado com o animal, que é de pequeno porte.

A Defesa Civil disse que após o guarda-vidas conter a confusão, uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada, capturou o jacaré e o soltou em seu habitat natural, no Parque Natural Municipal de Marapendi.

g1

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Educação

Escolas estaduais do RN ainda têm 12 mil alunos sem aulas presenciais

Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

Pelo menos 12 mil alunos matriculados nas escolas públicas do Rio Grande do Norte ainda estão sem aulas presenciais, segundo dados da própria Secretaria Estadual de Educação.

As escolas foram autorizadas a funcionar 100% no formato presencial desde o dia 4 de outubro, mas 11 escolas da rede estadual de ensino continuam apenas com aulas remotas por causa de reformas nos prédios. As obras só devem ser concluídas em 2022, segundo a secretaria.

A diretora da Escola Estadual Nestor Lima explicou que técnicos foram ao colégio e deram um prazo para conclusão em dezembro deste ano, mas os serviços sequer começaram. Falta estrutura para receber os alunos.

Seis destas 11 escolas precisam de grandes obras, segundo o secretário de Educação, Getúlio Marques. Ele diz ainda que algumas das obras podem chegar a custar R$ 2 milhões. A previsão, segundo ele, é de que as reformas pendentes sejam concluídas até o início de 2022.

MP em ação

O Ministério Público do RN começou a fazer visitas técnicas às escolas estaduais de Natal para identificar os principais problemas. Depois das visitas, os promotores deverão elaborar um diagnóstico sobre a situação da rede pública. Os gestores estão respondendo um questionário e também estão sendo feitos registros em fotos e vídeos.

Com informações de g1-RN

Opinião dos leitores

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Diversos

“Não me sinto segura, nem satisfeita”, diz Pâmella Holanda após soltura de DJ Ivis

Imagens: reprodução

A influencer Pamella Holanda, ex-mulher de Iverson de Souza Araújo, o DJ Ivis, afirmou na manhã deste sábado (23) que toma “todas” as medidas de segurança, mas não se sente segura. A declaração foi feita em uma rede social após o DJ deixar a prisão na noite desta sexta-feira (22).

“Obviamente não me sinto segura, nem plenamente satisfeita com os atuais fatos, mas eu preciso honrar com meus compromissos profissionais e continuar com minhas obrigações pessoais, tomando todas as medidas possíveis por segurança, não só física, mas emocional”, disse.

A defesa de Pamella também divulgou uma nota neste sábado afirmando que “todas as medidas protetivas de urgência continuam em vigor” e que o músico “permanece proibido de ter qualquer convivência ou contato” com Pâmella, ou se aproximar dela e de seus familiares.

Pamella também agradeceu pelas mensagens de apoio e preocupação que tem recebido, e disse que está bem, “na medida do possível”.

“Mais do que na Justiça, confiamos em Deus. Que tem nos sustentado, dado forças e nos iluminado em todo e qualquer passo que damos. Eu e Mel somos uma”, escreveu.

DJ Ivis, foi solto na noite desta sexta-feira por volta das 22h20, após passar mais de três meses detido no Centro de Triagem e Observação Criminológica (CTOC), em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Advogados e familiares compareceram à penitenciária para aguardar a saída. No fim da tarde, a Vara Única da Comarca de Eusébio havia concedido liberdade ao artista.

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