Os candidatos apoiados pelos governos venceram apenas três das últimas 20 eleições presidenciais realizadas em países da América do Sul, segundo levantamento do g1.
Desde 2018, apenas Paraguai e Equador registraram vitórias governistas, sendo que o Paraguai foi o único país a repetir o feito, com duas vitórias consecutivas do Partido Colorado.
Eleições mais recentes
As eleições mais recentes, realizadas na Colômbia e no Peru, terminaram com a vitória de candidatos da oposição. Em diversos países, os governos chegaram ao fim do mandato com baixa popularidade ou envolvidos em escândalos, e, em alguns casos, sequer lançaram candidatos.
O levantamento destaca que a derrota de governistas nem sempre representa uma alternância entre esquerda e direita, já que as mudanças de poder ocorreram em diferentes espectros políticos.
Venezuela fora
A pesquisa considerou apenas os países independentes da América do Sul que realizaram eleições reconhecidas pela comunidade internacional. A Venezuela ficou de fora por não ter eleições consideradas livres e justas.
Veja o desempenho do governismo do continente nas últimas eleições:
- 2018 – Paraguai: vitória governista
Horacio Cartes entregou o poder a Mario Abdo Benítez, ambos do Partido Colorado, de direita.
- 2018 – Colômbia: governismo não ganha
Juan Manuel Santos (considerado centrista) entregou o poder para Iván Duque, do Centro Democrático (direita). Duque se opôs ao acordo de paz que Santos costurou com os guerrilheiros das Farc e se aliou a Álvaro Uribe, com quem Santos havia rompido anos antes.
- 2018 – Brasil: governismo não ganha
Michel Temer (MDB) passou a faixa para Bolsonaro (então no PSL). O candidato do MDB, Henrique Meirelles, teve apenas 1,20% dos votos válidos no primeiro turno, e o partido liberou seus filiados para apoiar quem quisessem no segundo turno.
- 2019 – Argentina: governismo não ganha
Mauricio Macri, liberal não peronista, perdeu a reeleição para Alberto Fernández, peronista de esquerda, apoiado por Cristina Kirchner.
- 2019 – Uruguai: governismo não ganha
Tabaré Vázquez, de esquerda, perdeu para Luis Lacalle Pou, da direita liberal.
- 2020 – Bolívia: governismo não ganha
Jeanine Áñez, de direita, era presidente interina e cumpria mandato-tampão após queda de Evo Morales. Ela passou a faixa para Luis Arce, então aliado de Morales.
- 2021 – Equador: governismo não ganha
O então presidente Lenín Moreno havia se distanciado da esquerda “correísta” de seu antigo aliado, Rafael Correa e se tornado um político de centro-direita durante seu mandato. Impopular, Moreno não teve representante governista nas eleições. Guillermo Lasso venceu o correísmo “raiz” de seu rival, Andrés Arauz.
- 2021 – Peru – governismo não ganha
Francisco Sagasti, escolhido presidente pelo Congresso porque o cargo estava vago após anos de instabilidade política, era do Partido Morado, de centro. Foi sucedido por Pedro Castillo, representante da esquerda conservadora.
- 2021 – Chile: governismo não ganha
Gabriel Boric, de esquerda, foi eleito sucessor de Sebastián Piñera, direitista.
- 2022 – Colômbia: governismo não ganha
Iván Duque, de direita, foi sucedido pelo esquerdista Gustavo Petro, que já havia sido seu rival na eleição anterior.
- 2022 – Brasil: governismo não ganha
Jair Bolsonaro (PL) tentou a reeleição, mas perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em votação apertada.
- 2023 – Paraguai: vitória do governismo
Mario Abdo Benítez passou a faixa para Santiago Peña, ambos do Partido Colorado, de direita.
- 2023 – Equador: governismo não ganha
Guillermo Lasso convocou eleições antecipadas após perda de apoio por escândalos de sua administração. Ele não apoiou nenhum candidato e seu partido tampouco apresentou uma candidatura. O vencedor do pleito, Daniel Noboa, é do mesmo espectro político.
- 2023 – Argentina: governismo não ganha
O kirchnerismo (peronismo de esquerda), no poder com Alberto Fernández, lança Sergio Massa como candidato, mas ele perde para Javier Milei, de direita.
- 2024 – Uruguai: governismo não ganha
Yamandú Orsi, da esquerda, vence o candidato da direita e apoiado por Lacalle Pou, Álvaro Delgado.
- 2025 – Bolívia: governismo não ganha
Luis Arce perde as eleições para Rodrigo Paz, de direita, e encerra um ciclo de 20 anos de vitórias eleitorais da esquerda no país.
- 2025 – Equador: vitória do governismo
Daniel Noboa obtém a reeleição, desta vez para um mandato completo.
- 2025 – Chile: governismo não ganha
Gabriel Boric não consegue eleger sua correligionária Jeannette Jara, e José Antonio Kast, que havia perdido a disputa anterior, leva a direita novamente ao Palacio de la Moneda.
- 2026 – Peru: governismo não ganha
Em mais um período de extrema instabilidade política, Keiko Fujimori é eleita para suceder a José Maria Balcázar, congressista escolhido para preencher um mandato-tampão.
- 2026 – Colômbia: governismo não ganha
Gustavo Petro apoia Iván Cepeda nas eleições, mas ele perde o segundo turno para Abelardo de la Espriella, candidato à direita do espectro político.
Com informações de g1

Comente aqui