PEGUE CHUPETA: Espanha, Reino Unido e Alemanha defendem acordo UE-Mercosul e isolam Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, assumiu publicamente um desafio na abertura do encontro do grupo de países ricos do G7 (Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Canadá): prometeu “medidas concretas” ao final das discussões de polêmicos temas pelos líderes presentes no balneário de Biarritz. As queimadas na Amazônia, introduzidas de última hora no cardápio da cúpula, têm destaque no visor presidencial francês. A aposta do anfitrião enfrentará, no entanto, um G7 dividido, em uma reunião conhecida por não tomar ações decisivas. O presidente americano, Donald Trump, é reconhecido por seu pouco apreço à causa ecológica. Berlim e Londres já se manifestaram contra colocar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) na disputa ambiental com o governo brasileiro, discurso também partilhado por Madri.

Macron impôs a questão do meio ambiente e da urgência climática no centro dos debates em Biarritz em um pronunciamento ontem aos franceses, pela televisão:

— Nesta questão, vocês sabem de nossas discordâncias com certos países, particularmente com os EUA. Mas quis que este G7 seja útil e, portanto, devemos responder ao apelo do oceano que está atrás de mim, aqui em Biarritz, e ao chamado da floresta que queima atualmente na Amazônia, de uma forma muito concreta.

O presidente definiu a questão amazônica como um tema de todos, sem esquecer da extensa fronteira da Guiana com o Brasil. “Nós somos amazônicos”, afirmou.

— Sobre a Amazônia, vamos lançar não somente um apelo, mas uma mobilização de todas as potências que estão aqui, mas em associação com os países da Amazônia, para investir. Primeiro, para combater as queimadas e ajudar o Brasil e todos os demais países atingidos. Depois, para investir na no reflorestamento, para permitir aos povos nativos, às ONGs, aos habitantes desenvolver as boas atividades, preservando esta floresta que necessitamos, porque é um tesouro de biodiversidade e um tesouro para nosso clima, graças ao oxigênio que emite e ao carbono que absorve.

Impasse sobre mercosul

Como instrumento de pressão, Macron recorreu ao pacto comercial entre o Mercosul e a UE, assinado em junho após duas décadas de negociações: se o governo brasileiro não respeitar as exigências do Acordo de Paris sobre clima, a França não ratificará o acordo. A iniciativa francesa recebeu o apoio de países de menor peso político, como a Irlanda e a Finlândia, mas foi acolhida com reservas pela Alemanha, de Angela Merkel e o Reino Unido, de Boris Johnson.

Berlim criticou a atitude do governo brasileiro em relação à Amazônia e ao meio ambiente, mas afirmou que impedir o acordo UE-Mercosul “não é a resposta apropriada ao que se passa atualmente no Brasil”, segundo um porta-voz. Com uma queda de 0,1% da economia no segundo trimestre, e dependentes de suas exportações, os alemães defendem o acordo como “um sinal forte a favor de um comércio fundado sobre regras e contra o protecionismo”, com “normas ambientais e sociais elevadas”, e consideram que um eventual fracasso “não contribuiria a reduzir o desmatamento da floresta tropical no Brasil”.

Ao chegar em Biarritz, o premier britânico Boris Johnson adotou um tom similar, alfinetando o líder francês:

— Há todo tipo de pessoas que utilizará qualquer desculpa para interferir no comércio e frustrar os acordos comerciais, e não quero ver isso.

O governo espanhol também aderiu ao grupo dos contrários ao rejeitar a obstrução do acordo UE-Mercosul. “Consideramos que é justamente aplicando as cláusulas ambientais do acordo que se poderá mais avançar, e não propondo um bloqueio de sua ratificação que isolaria os países do Mercosul”, disse Madri por meio de um comunicado.

Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, também presente em Biarritz, disse não acreditar que o pacto entre o Mercosul e a UE possa avançar enquanto a Amazônia continuar ardendo:

— Claro que apoiamos o acordo entre a UE e o Mercosul, mas é difícil imaginar um processo de ratificação enquanto o governo brasileiro permite a destruição da Amazônia.

O GLOBO

Como o Brasil virou vilão ambiental em 1 mês

Em pouco mais de um mês, o governo Bolsonaro – que já recebia críticas pontuais de outros países desde o início do ano por sua atuação ambiental – azedou de vez o humor estrangeiro após uma sequência de ataques a dados científicos, a instituições e a pessoas. Até ONGs foram acusadas de botar fogo na floresta e governadores foram chamados de coniventes com o problema. Mas enquanto o presidente buscava arrumar culpados por “prejudicar o Brasil lá fora”, foram os problemas reais, como desmatamento e queimadas, e suas falas polêmicas que mudaram a imagem do Brasil no exterior.

É o que analisam alguns especialistas em ambiente, agricultura e relações internacionais ouvidos pelo Estado para tentar responder a uma dúvida: como chegamos a esse ponto? Para alguns deles, era uma tragédia anunciada desde o período eleitoral, quando Bolsonaro fazia discursos inflamados contra o que ele chama de “indústria da multa” por parte de órgãos ambientais e tinha planos como não demarcar mais nenhuma terra indígena, acabar com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e sair do Acordo de Paris.

Os dois últimos não aconteceram, mas várias outras medidas tomadas desde o começo da gestão talvez respondam à pergunta. Já no começo do ano, houve mudanças na estrutura do ministério. O Departamento de Florestas e de Combate ao Desmatamento virou somente Departamento de Florestas. Mudanças climáticas perderam espaço na pasta.

“Bolsonaro mudou inteiramente a abordagem em relação ao ambiente”, comenta o diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro do Meio Ambiente e da Fazenda, que cita a tentativa de fusão do ambiente com o Ministério da Agricultura como ponto de partida do que chama de “sinais evidentes de afrouxamento da política ambiental”.

Para Ricupero, a colocação de militares nas chefias do Ibama e do ICMBio e frequentes atos de desmoralização de fiscais e de técnicos dos dois órgãos, por parte de Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pioraram o cenário.

“O fiscal que multou Bolsonaro (por pesca em uma unidade de conservação no Rio) foi punido. Quando o Ibama destruiu equipamentos apreendidos em uma operação contra madeira ilegal, em consonância com a lei, Bolsonaro teve um acesso de cólera, e Salles depois foi se encontrar com madeireiros”, lista Ricupero.

“O presidente contestou os dados sérios de desmatamento do Inpe e demitiu seu diretor. E seu filho Flávio apresentou no Senado um projeto de lei para acabar com a Reserva Legal (dispositivo do Código Florestal que protege parcelas de floresta dentro de propriedades rurais)”, continua.

O resultado mais evidente disso, além da alta de desmatamento e de queimadas apontadas pelo Inpe, é a redução no número de autos de infração. Até o final de junho, tinham sido aplicadas 5.826 multas, contra 7.326 no mesmo período do ano anterior. É o valor mais baixo desde 2015. Completam o quadro os dados de desmatamento e de queimadas. Os alertas feitos pelo sistema Deter, do Inpe, indicaram um aumento de 49,45% no desmatamento entre agosto do ano passado e julho deste ano, na comparação com os doze meses anteriores. E o número de queimadas no País até esta sexta-feira era o mais alto desde 2013.

Pedidos de informações sobre a quantidade de ações de fiscalizações que estavam sendo realizadas pelo Ibama neste ano nunca foram atendidos. Mas o Estado apurou com técnicos do instituto que neste ano não foi autorizado nenhum acionamento do Grupo Especial de Fiscalização no combate ao desmatamento. O GEF é uma espécie de tropa de elite do Ibama, que combate o crime organizado e agem principalmente em Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Por outro lado, não foi mais autorizada a aplicação de lei que previa a destruição de instrumentos do crime.

“O governo alega que os recursos são insuficientes, mas temos de lembrar que dos recursos que vinham de doações, como o Fundo Amazônia, Bolsonaro está abrindo mão, colocando obstáculos inventados. Que credibilidade tem um governo que diz a (Angela) Merkel (premiê alemã) que pegue o dinheiro e use para reflorestar a Alemanha? Os estrangeiros têm razão. Em 50 anos, essa é a maior crise de imagem e de política externa que já tivemos”, diz Ricupero.

Piora progressiva

A pesquisadora Mercedes Bustamante, da UnB, que faz parte de uma coalizão de cientistas que vêm fazendo manifestações de teor científico analisando impactos de ações do governo, pondera que alguns indicadores já vinham piorando nos últimos anos, como a taxa de desmatamento – que desde 2013 flutua com tendência de alta após ter chegado ao seu nível mais baixo em 2012.

O governo Temer também enfrentou mobilização internacional quando sugeriu abrir para exploração a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca). Por outro lado, mantinha no âmbito internacional o discurso pelo combate às mudanças climáticas e o então ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho ofereceu o Brasil, em 2017, para ser sede da Conferência do Clima da ONU neste ano. Quando Bolsonaro foi eleito, a oferta foi retirada por Temer e a reunião agora será no Chile.

“Já havia sinais de que a situação ambiental estava mudando, mas o governo Temer ainda era mais cioso das relações entre os países. A forma como a gestão Bolsonaro conduziu a situação do Fundo Amazônia foi muito ruim. Um chefe de Estado tem de justificar num momento de crise como estava aplicando o dinheiro para conseguir combater o desmatamento, mas simplesmente falou para pegarem o dinheiro de volta”, afirma Mercedes.

Roberto Rodrigues, do GV-Agro, argumenta que também houve falhas na forma como a imagem do agronegócio foi passada para o exterior. Segundo ele, “comunicamos mal” que a agricultura do Brasil se expandiu no últimos anos com avanço tecnológico, com a produtividade crescendo 5 vezes mais do que a área plantada. “Mas desmatamento, queimadas, mesmo numa taxa normal, não são aceitáveis. E o governo precisa para isso ter ações específicas.”

Para ele, a questão das queimadas pode ter sido o que faltava para piorar os ânimos de produtores europeus que não estavam felizes com o acordo entre Mercosul e União Europeia. “Naturalmente, o  problema dos incêndios deu argumentação para esses grupos, de aumentarem a pressão, o que é legítimo. Ao deixarmos vazar dessa forma, demos o argumentos que faltavam pra eles.”

Quatro perguntas para Carlos Nobre, climatologista e colaborador do Instituto de Estudos Avançados da USP

1. Qual a diferença da queimada hoje para as anteriores? Tivemos anos muito ruins. Em 2004, o desmate alcançou 27 mil km², um recorde. Mas isso não traz alívio, ao contrário. De lá pra cá, tínhamos entrado em outra trajetória. Até 2014 tínhamos reduzido o desmate em 75%.

2. Outro argumento é a estação seca, que favorece queimadas. 

A estação está normal, até menos seca que a média. Diferente de 2016, por exemplo, com uma megasseca em razão do El Niño forte e muitas queimadas. Não dá para usar o clima para explicar o que há hoje.

3. Qual é a explicação?

Os sistemas mostram alta do desmate, de 20%, de agosto de 2018 até agora, especialmente nos últimos meses. E aí vem o pior fator: a mudança política. É como voltar aos anos 70, quando o desmate era política pública. Para retirar empréstimo do banco, tinha de comprovar seu lote desmatado e queimado. Tínhamos superado isso. Houve demarcação de terras indígenas. Desde a Eco-92, o País se posicionou na sustentabilidade. Houve combate à explosão do desmate em 2003, 2004 e 2005, com fiscalização, inteligência, quadrilhas desbaratadas. Isso, simbolicamente, foi para o lixo.

4. Qual o ponto a partir do qual não se evita que a Amazônia vire savana?

Quando de 20% a 25% da floresta estiver destruída. Já destruímos de 15% a 17%. Pelas taxas atuais, chegaríamos a esse ponto dentro de 20 a 30 anos.

ESTADÃO CONTEÚDO

Após Fundo Amazônia, país pode perder bilhões sem ação ambiental

A Amazônia tem potencial bilionário e, por isso, os riscos de perda financeira relacionada à floresta também são bilionários. A prova disso é o Fundo Amazônia, atualmente paralisado após ações e acusações por parte do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

Até o momento, cerca de US$ 1,3 bilhão em doações foram recebidas pelo fundo, com pouco menos da metade do valor já desembolsado.

A paralisação do fundo ocorreu após Salles tentar mudar os mecanismos de gestão do fundo e acusar supostos indícios de irregularidades financeiras em projetos de ONGs —o ministro afirmou ter analisado ¼ dos contratos e não apresentou documentos, citando dados isolados.

A verba no Fundo Amazônia tinha diversas destinações, inclusive o combate aos crescentes incêndios na Amazônia que desembocam na atual crise política e ambiental.

O Ibama, pelo PrevFogo, recebeu mais de R$ 14 milhões para ações contra queimadas.

O dinheiro em questão foi destinado à compra de equipamentos de proteção para os brigadistas e de combate ao fogo, motobombas, mangueiras, reservatórios de água e geradores de energia, além de caminhões e caminhonetes para transportar as equipes.

A Operação Awá, na terra indígena Araribóia, é um exemplo de ação que usou verbas do fundo e auxiliou na proteção de áreas de tribos isoladas.

Outro contrato do fundo, de pouco mais de R$ 19 milhões e que tem como parte a ONG Centro de Trabalho Indigenista, visa exatamente a proteção de povos indígenas isolados.

Parte do objetivo do projeto, iniciado em 2014, é a pesquisa de 20 referências não confirmadas de índios isolados na Amazônia, além de melhorias na interlocução com indígenas e populações que vivem no entorno de povos isolados.

As atividades citadas têm parceria com a Funai (Fundação Nacional do Índio).

A despeito da afirmação de Bolsonaro de que o fundo servia apenas a ONGs, outros órgãos governamentais e governos estaduais e municipais se beneficiavam dele. Como a Folha mostrou recentemente, por exemplo, R$ 359 milhões foram usados pelos estados amazônicos para implementar o Código Florestal.

A monetização ou capitalização da floresta em pé —proposta de Salles para evitar desmatamentos— também já ocorre com ajuda de dinheiro do fundo. O Acre teve aprovado em 2010 um projeto de R$ 57 milhões para incentivar financeiramente práticas sustentáveis, como manejo florestal de produtos relacionados à madeira e reflorestamento de áreas degradadas.

Ideia semelhante é aplicada no Bolsa Floresta, projeto que recebeu, ao todo, cerca de R$ 50 milhões direcionados a pequenos empreendimentos sustentáveis na floresta, visando ajudar o aumento de escala das iniciativas, com equipamentos, obras, planos de negócio, desenvolvimento de produtos, certificações e assistência técnica.

Mas o dinheiro que entra na floresta não vem só do Fundo Amazônia, como mostrou a  Alemanha recentemente ao suspender verbas que iriam para projetos amazônicos diante da falta de resultados.O mesmo aumento do desmate que levou Berlim a cortar financiamento, resignada diante da política ambiental hostil do governo, pode tirar muito mais dinheiro do país.

Estão em jogo futuras negociações no GCF Fundo Verde do Clima, mecanismo regido pelo Acordo de Paris (2015) que permite a países em desenvolvimento captar dinheiro de países ricos para mitigar a emissão de gases-estufa.

O Brasil fechou a primeira negociação nesse âmbito, que prevê o fluxo de US$ 96 milhões para o país, referentes à redução do desmatamento verificada entre 2014 e 2015.

“E o problema não se restringe à mitigação da mudança climática, porque o Brasil, como um dos países mais afetados, também poderia solicitar recursos para adaptação à mudança climática”, explica Carlos Eduardo Young, economista da UFRJ especialista em ambiente.

Segundo ele, o aquecimento global deve trazer perdas de produtividade em culturas como feijão e milho, o que qualificaria o país a acessar recursos internacionais de compensação —desde que demonstre avanço na redução de emissões por desmate.

“Mas se o governo federal não tem uma relação de confiança com o potencial doador, o recurso não será oferecido. Ou é até possível que o recurso venha, mas para ONGs e governos estaduais ou municipais.”

Se o desmatamento sair de controle, outra fonte financeira relevante que pode secar é a malha filantrópica internacional, afirma Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, que atua captando recursos para projetos socioambientais no Brasil.

“No auge do período em que os índices de desmatamento estavam caindo, o país captava muitos recursos internacionais, da ordem de R$ 100 milhões por ano, mas agora entra muito menos”, afirma.

Não há, porém, levantamento específico para estimar o fluxo desse dinheiro, que é muito fragmentado. Uma política ambiental fracassada na Amazônia também pode afugentar recursos nacionais de filantropia, hoje da ordem de R$ 3 bilhões ao ano, diz Toni.

“Algo como 7% ou 8% disso estava indo para projetos na Amazônia, mas esses recursos podem ganhar outro destino”, afirma a economista.

“O dinheiro filantrópico é hiperconservador. Os doadores querem ver o recurso empregado de maneira que comprovadamente melhore a vida das pessoas naquela região. Se não há garantias, muitos podem preferir colocar dinheiro em um projeto em São Paulo, na avenida Paulista, que eles sabem que funciona.”

A perda de investimento pode ser apenas uma fração daquilo que uma política ambiental ineficaz representaria para o comércio do país.

O acordo entre União Europeia e Mercosul, se for comprometido pelo desmatamento da Amazônia, poderia provocar perdas substanciais.

Segundo Young, altos índices de desmatamento (que resultam em emissão de CO²) podem solapar também a ambição do Brasil de exportar etanol para a Europa, que vê nos biocombustíveis uma saída para cortar o consumo de combustíveis fósseis, algo que o Acordo de Paris exige.

O Brasil teria de provar ainda que a dinâmica fundiária da expansão e capitalização da cana-de-açúcar não vai forçar a fronteira agrícola da pecuária a avançar na floresta.

Uma mancha na imagem ambiental do país —como a que parece se instalar com a atual crise— pode afetar até a exportação de madeira certificada “que não tem culpa nenhuma do desmatamento”.

“Um segundo potencial recurso que não está sendo contabilizado é o da nova economia do mercado de carbono —a economia da floresta em pé— na qual o Brasil nunca apostou”, afirma Ana Toni.

Os mercados de carbono do tipo “cap-and-trade”, num cenário avançado de implementação do acordo do clima, preveem que países sem opções para reduzir emissões possam “comprar” cortes de emissão de lugares como a Amazônia, que em contrapartida se comprometeria em manter o carbono das árvores nas árvores.

“Se, no mercado internacional o preço da tonelada de carbono atingir US$ 20 ou US$ 30, basta multiplicar esse valor pela biomassa da Amazônia para que se tenha uma ideia do montante envolvido.”

Esse potencial dinheiro que o país tem a perder não leva em conta perdas de médio e longo prazo com a deterioração dos serviços ambientais.

A presença de floresta gera captação de água e regulação de clima local que, uma vez perdidos, têm impacto direto na agropecuária, inclusive em biomas fora da Amazônia.

Segundo Ana Toni, um dos problemas da atual gestão ambiental do Brasil é pensar que a preservação de floresta é cara e não ver a economia ambiental de forma integrada, nem no contexto do Acordo do clima de Paris.

“Quanto custa ao governo manter a floresta em pé? É preciso fortalecer o Ibama, o ICMBio, o Inpe? É preciso ter Bolsa Verde, Bolsa Família?” diz Ana Toni. “Se você souber o custo, você tem como pensar na proteção da Amazônia como um business plan para negociar com mecanismos multilaterais e bilaterais os recursos para cobrir esse custo.”

FOLHAPRESS

‘Dói na alma ver brasileiros não enxergando campanha contra nossa soberania’, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar das queimadas na Amazônia e afirmou em seu Twitter neste sábado, 24, que “dói na alma ver brasileiros não enxergando a campanha fabricada contra a nossa soberania na região”. Na mesma postagem, há um vídeo com trecho de uma entrevista do General Eduardo Villas Boas, concedida ao jornalista Pedro Bial em setembro de 2017.

Villas Boas conta de uma operação da época em que comandava a Amazônia e foi avisado por um comandante de batalhão que o rei da Noruega estava em uma aldeia indígena. “Há um déficit de soberania”, disse o General na entrevista, ressaltando que a Amazônia tem 84% da floresta preservada, enquanto na Europa, somente 0,3%. “Nenhum país europeu tem autoridade para nos ensinar em como tratar do meio ambiente”, disse ele na entrevista.

TAPETÃO? ABC ainda aposta no STJD para permanecer na Série C

Oficialmente rebaixado, o ABC ainda aguarda o julgamento de uma ação contra o Treze no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para saber se permanece na Série C do Brasileirão ou se vai mesmo para a Série D no ano que vem.

Com término do campeonato, o ABC ficou com 18 pontos, um a menos que o Treze. Só que o ABC move uma ação contra o Treze pela suposta escalação irregular do atleta Breno Calixto e do treinador Celso Teixeira na partida contra o Confiança, em que o time paraibano venceu e rebaixou o time potiguar.

Caso o STJD julgue procedente a denúncia do ABC, o Galo de Campina Grande perde os pontos da partida e passa a ser rebaixado, garantindo a permancência do Mais Querido na Série C.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Júlio Almeida disse:

    Não conseguiu permanecer em campo por total incompetência e aí quer decidir no tapetão!! Vergonha!!!! Tomara que não julguem procedente a reclamação!!!

  2. Luiz Fernando disse:

    Eu acredito em sacy perêrê

  3. José Corcino disse:

    Quem é punido é o treinador, não o clube!!!!!

  4. Bolso disse:

    Vai não, vc não vai não, viu, vai não vc não vai não, vc é ABCD. vc vai pra D.

ABC vence Globo e todos os times do RN vão jogar a Série D em 2020

Foto: Oscar Xavier

O ABC venceu o Globo pelo placar de 2 a 0, neste sábado (24), no Estádio Barretão. Com o resultado, o Globo também é rebaixado e se juntará ao ABC e ao América na Série D do ano que vem.

Os gols que selaram o destino do Globo na Série D foram marcados por Wallyson e Jefinho faz o segundo do ABC. O América já estava na Série D. Já o ABC foi rebaixado com uma rodada de antecedência, no final de semana passado.

A Série D é a última divisão do futebol brasileiro.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Pedro disse:

    Pior teu time, o mequinha de Japeganga, lembre comemorativo de rapadura, o teu time já pasta na série d a 04 anos.

  2. Zé priquito disse:

    Não são todos os clubes do RN que irão jogar a Série D. O Alecrim por exemplo não vai disputar a competição em questão. Apenas Abc, América, Globo e Potiguar irão disputar a Série D. Os demais clubes do RN não possuem competência para tal.

  3. Zé priquito disse:

    Veio ganhar tarde e atrasado, agora o futebol do RN é Demais.

  4. Bosco disse:

    Concordo com o torcedor do mequinha, realmente o ABC não foi competente, porque não conseguiu permanecer na terceirona, enquanto isso o mequinha se mantém firme.

  5. Pêu disse:

    Mais o ABCD quer ganhar no tapetão, vcs vão ganhar no tribunal com certeza, uma peruca pra assistir os jogos na série D. kkkkkk vcs vão passar uns 10 anos na D kkkkkkkkkkkkk. Chora frasqueira.

    • Henrique disse:

      E teu mekinha de japecanga que queria a vaga do juazeirense, lembra? Vai dormir que é melhor série D eterna.

    • VTNC disse:

      PAQUITA CONFORMADA NÉ !!!

    • César disse:

      acredito que quem tem que chora é vcs americanos que se confirma a queda do ABC, é menos uma vaga e vcs vão amargar mais um ano na D.

    • Be disse:

      BCD, né? Pra "A" nunca foram.

    • Ronaldo disse:

      Tenho ate pena dessas paquitas que ja estão mortas faz 5 anos e ainda ficam querendo achar uma brecha pra poder zoar no p.. dos outros

    • MequinhaD disse:

      A regra é clara, o treinador não podia ter ido a campo, e Peu? Teu c. é meu. Fiquem sozinhos na D.

Tabata Amaral: ‘Tem muito machismo nas críticas que recebi’

Ameaçada de expulsão pelo PDT por ter votado a favor da reforma da Previdência, a deputada Tabata Amaral (SP) atribui muito das críticas que recebeu ao machismo. “Se eu não fosse uma mulher de 25 anos, ninguém estaria afirmando que A, B, C ou D disseram como eu voto”, afirmou ela ao Estado.

“Tem pessoas que não acreditam que eu tenha inteligência e capacidade de decidir o meu próprio voto.” Sobre o risco de ser expulsa, respondeu que, se isso acontecer, vai procurar uma legenda que tenha como prioridade a pauta da Educação. “Recebi convites informais de vários partidos.”

Segunda parlamentar mais jovem da atual Legislatura, Tabata costuma dizer que se espelha na deputada americana Alexandria Ocasio-Cortez, do partido Democrata. Descendente de porto-riquenhos e eleita pela força das redes sociais, Alexandria é a mulher mais jovem a ocupar uma cadeira no Congresso nos EUA.

Embora atuante, Tabata diz que lida com as redes de forma ponderada. “As redes não são um fórum democrático para ouvir as pessoas e tomar decisão. Para mim, as redes servem mais para comunicar o seu mandato, ser transparente.”

Estadão Conteúdo

Não tenho problema nenhum com Moro, diz Bolsonaro sobre sua ingerência em ministros

Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem/Fotoarena/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado (24) ter ingerência sobre todos os ministros, ao ser perguntado se o ministro Sergio Moro (Justiça) tinha carta branca em seu governo.

“Olha, carta branca. Eu tenho poder de veto em qualquer coisa, se não eu não sou presidente. Todos os ministros têm essa ingerência minha e eu fui eleito para mudar. Ponto final”, disse, ao deixar o Palácio da Alvorada.

O presidente disse não ter nenhum problema com Moro, em meio a um enfraquecimento do titular da Justiça. “Não tenho problema nenhum com o Moro. Cada hora levantam uma coisa. Uma hora era Marcelo Álvaro Antonio [Turismo], o Onyx [Casa Civil] também”, disse.

Como mostrou a Folha neste sábado, Bolsonaro mudou seu discurso em relação à época em que escolheu o ex-juiz da Lava Jato para sua equipe ministerial e disse que ele teria carta branca.

A recente interferência na Polícia Federal é apontada internamente como a mais emblemática da falta de poder do ex-juiz no cargo atual, mas episódios com teor semelhante se acumularam ao longo de mais de oito meses de governo.

Apesar dos ataques à sua prometida autonomia, Moro permanece calado.

A PF é subordinada a Moro, também enfraquecido em meio à divulgação de mensagens que mostram sua atuação em parceria com os procuradores em diferentes processos da Lava Jato e que colocaram em xeque sua atuação como juiz federal.

Moro ainda tem sofrido seguidas derrotas no Congresso, onde tramita o pacote de medidas anticrime encaminhado por ele no início do governo.

Quando confirmou o convite ao então juiz federal, em novembro de 2018, Bolsonaro disse em entrevistas que tinha combinado com Moro que ele teria “liberdade total” para atuar no combate à corrupção e ao crime organizado.

Em uma das manifestações, o então presidente eleito citou a escolha do chefe da Polícia Federal como uma das atribuições do ministro da Justiça.

Os últimos oito dias foram de crise entre Bolsonaro, Moro e a PF, após o presidente atropelar a instituição e anunciar a troca do superintendente no Rio de Janeiro.

Em sua última declaração sobre o assunto, na última quinta-feira (22), o presidente ameaçou até trocar o comando do órgão, hoje a cargo de Maurício Valeixo.

Valeixo virou delegado-geral por escolha de Moro. Os dois se conhecem há vários anos e trabalharam juntos na Operação Lava Jato.

Folhapress

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Luciano disse:

    Moro fez o trabalho sujo para limpar o terreno para o bolsonaro ganhar as eleições (todo mundo sabe, até as pedras da lagoa, que Lula ganharia as eleições mesmo preso se tivesse sido candidato )
    Agora, terminado o serviço, Moro recebeu o pagamento, ganhando o Ministério da Justiça, mas se tornou um bode no meio da sala, que vem perdendo odos os pideres e servindo como papagaio de pirata, representando a um paoel ridiculo, mesmo atuando para impedir as investigações sobre o Queiroz, sua mulher Miclelle e o seu filhinho Flavio Bolsonaro.
    Haja corrupção nessa família, além do caso Marielle é mesmo da Facada suspeita, seguirem caminhos estranhos e suspeitos. A cocaína no avião ninguém fala mais, os apartamentos e mansões dos milicianos no RJ tb já esqueceram.

  2. Mendes disse:

    O MURO exemplo de imparcialidade para PRESIDENTE e o PROCURADOR que tem o nome de remédio para vice em 2022 e QUEIROZ ministro da economia kkk

  3. Anderson disse:

    Se Sergio Moro confirmar a existência de atritos com Bolsonaro, pode acreditar que é verdade. Neste caso, Bolsonaro estaria peitando alguém maior que ele e colocando a sua possível reeleição em risco, pra não dizer inviabilizando. Entretanto, acreditar nesses jornais de esquerda beira a insanidade.

  4. Eu disse:

    #MORO2022

  5. Mendes disse:

    Foi eleito para mudar de LADO. Toda sociedade brasileira sempre combateu a prática do NEPOTISMO e essa SUMIDADE denominada de BOZO está fazendo de tudo para nomear a outra SUMIDADE o seu filho como embaixador dos EUA. Com a maior cara de PAU dizendo que não é NEPOTISMO KKKK

    • Lsv disse:

      Certíssimo. Melhor ainda é colocar no lugar do Ministro das Relações Exteriores.
      Esperem voltar e fazer do jeito de vocês.

Moro autoriza envio da Força Nacional para combater desmatamento

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, autorizou hoje (24) o uso de efetivo da Força Nacional para apoiar o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no combate ao desmatamento ilegal no Pará e em Rondônia. A autorização está em uma portaria assinada pelo ministro e terá validade até 31 de outubro. O efetivo que será usado na operação ainda não foi definido, segundo a pasta.

“O ministro da Justiça e Segurança Pública resolve autorizar o emprego da Força Nacional de Segurança Pública em apoio ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, em caráter episódico e planejado, nas ações de combate ao desmatamento ilegal da floresta Amazônica, nos locais de alertas de desmatamento identificados pelo sistema DETER/INPE, no estado do Pará e no estado de Rondônia, em atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”, definiu a portaria que será publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (26).

Mais cedo, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse que a adesão dos governos locais é importante para que o trabalho do Executivo federal de combate a crimes ambientais e a incêndios florestais não se limite às áreas federais.

Ontem (23), o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que autoriza o emprego das Forças Armadas no combate aos incêndios na Floresta Amazônica. O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) vale para áreas de fronteira, terras indígenas, unidades federais de conservação ambiental e outras áreas da Amazônia Legal.

Agência Brasil

Para Macron, Amazônia é ‘bem comum’ e pede ‘mobilização de potências’ contra desmatamento

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado (24), durante pronunciamento para lançar o início da cúpula do G7, que uma das suas prioridades no evento será mobilizar “todas as potências, em parceria com os países da Amazônia”, para combater o desmatamento e investir no reflorestamento.

“A Amazônia é nosso bem comum. Estamos todos envolvidos, e a França está provavelmente mais do que outros que estarão nessa mesa [do G7], porque nós somos amazonenses. A Guiana Francesa está na Amazônia”, afirmou Macron, em cadeia nacional.

As queimadas na Amazônia foram inseridas na pauta do G7, cúpula das sete grandes economias mundiais, que vai até segunda-feira (26) em Biarritz, no sudoeste da França.

“Vamos lançar uma mobilização de todas as potências que estão aqui, em parceria com os países da Amazônia, para investir na luta contra os incêndios que estão em curso e ajudar o Brasil e todos os outros países que são atingidos. Depois, investir no reflorestamento e permitir aos povos autóctones, às ONGs, aos habitantes desenvolverem atividades preservando a floresta, que nós precisamos”, explicou o francês.

Segundo Macron, a Amazônia “é um tesouro de biodiversidade e um tesouro para o nosso clima, graças ao oxigênio que ela emite e ao carbono que ela captura”.

A manutenção do regime de chuvas e a biodiversidade, a floresta amazônica não pode ser considerada o pulmão do mundo porque ela consome a maior parte do oxigênio que produz, segundo estudos científicos. O oxigênio da atmosfera é produzido principalmente pela flora marítima.

G1

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. gilberto ivan disse:

    O problema com a França não é a Amazônia pegando fogo e sim o perigo da entrada dos países do Mercosul com seus produtos na Europa, a preocupação é que a França perca mercado, por isso o falatório besta desse Presidente Francês. Especulou o referido presidente não assinar o livre acordo comercial com o países da América do Sul, o que de pronto vários Presidentes falaram que esse acordo não tem volta.

  2. Antonio Turci disse:

    Bem comum uma ova. A Amazônia Brasileira é do BRASIL. Vade retro "Manè" Macron. De quiser um pedaço da Amazônia vá cuidar da Guiana Francesa.

  3. Rogeriojp disse:

    Estão querendo nos saquear outra vez. A maioria da Amazônia é brasileira e ela nos pertence. Aqui não seu bosta francês.

  4. natalsofrida disse:

    Manda essa bicha doida cuidar da merda que seus antepassados fizeram.

  5. Guilherme Luiz Bier disse:

    Boa tarde .

    Vale para a Torre Eiffel,Arco do Triunfo e o Palácio de Versalhes .

  6. avelino costa disse:

    E A FRANÇA -É BEM DE QUEM SEU , VAI CUIDAR TU TEU QUINTAL COMUNISTA SAFADO.

Pequenos negócios criaram 95% das vagas em julho, diz Sebrae

O presidente do Sebrae, Carlos Melles, disse que esses empreendedores são a alavanca para a economia e vitais para a geração de emprego e renda no país. Segundo Melles, é mais um motivo para que o país invista em melhoria do ambiente de negócios do setor, diminuição da burocracia e incentivo à competitividade.

Os pequenos negócios do setor de serviços foram os que mais criaram vagas (20 mil). Os destaques foram o ramo imobiliário, com 15,2 mil empregos, e o setor da construção civil, com 14 mil postos.

São Paulo liderou a geração de empregos em julho, com mais 12,8 mil vagas, seguido por Minas Gerais, com 7,5 mil. A Região Sudeste teve o maior volume de novos postos (20 mil), seguido pelo Centro-Oeste, com 6,7 mil vagas.

Google impõe restrição a discussões políticas entre funcionários

O Google emitiu novas diretrizes que limitam a discussão entre funcionários sobre política e outros temas não relacionados ao trabalho, em uma grande mudança para uma empresa que há muito se orgulha de um debate aberto e de uma cultura interna livre.

A companhia Alphabet, matriz da Google, disse em um memorando público na sexta-feira (23) que os funcionários não devem gastar tempo debatendo questões não relacionadas ao trabalho, e evitar xingamentos, entre outros comportamentos desencorajados.

O Google também disse que indicará funcionários para moderar os famosos quadros de mensagens internos da empresa, em vez de permitir que voluntários o façam —reconhecendo que as discussões saíram de controle.

The Wall Street Journal

‘Essa história de que a Amazônia pertence à humanidade é bobagem’, diz Ricardo Salles

Foto: Marcos Corrêa/PR
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está no olho do furacão que atingiu o Brasil nas últimas semanas, por causa da divulgação de informações preocupantes sobre o desmatamento na Amazônia, e que se intensificou nos últimos dias, impulsionado pela proliferação de queimadas na região. Em entrevista ao Estado, Salles, de 44 anos, fala sobre a repercussão internacional dos dois fenômenos, as críticas à política do governo para a Amazônia e a proposta de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental.

A questão do desmatamento na Amazônia ganhou uma grande repercussão nacional e internacional e está provocando danos à imagem do País no exterior. Como o senhor vê as críticas à política do governo para a Amazônia?

Nós precisamos ter em mente que durante trinta anos o Brasil seguiu uma agenda ambiental que não soube conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação. A Amazônia é uma região muito rica em recursos naturais, em biodiversidade, mas com uma população muito pobre, um índice de desenvolvimento humano muito baixo. São mais de vinte milhões de brasileiros que vivem na Amazônia e a maioria vive muito mal: sem saúde, sem educação adequada, com índice de saneamento baixíssimo, com problemas enormes de desenvolvimento. Em alguns índices, a situação é pior que a do Nordeste. É por isso que temos de encontrar uma maneira inteligente de tratar a questão, que reconheça a importância da sustentabilidade, da conservação, do cuidado ambiental, mas dê dinamismo econômico em escala e em impacto suficiente para toda aquela população. Não bastam pequenos projetos-piloto, que são interessantes do ponto de vista de incubação de ideias, mas que, ao longo de trinta anos, desde a Constituição de 1988, não conseguiram agregar valor para a população que vive lá.

Como o senhor avalia a repercussão que o desmatamento e as queimadas na Amazônia estão tendo no País e no exterior?

Até certo ponto é natural que, neste momento de mudança de comportamento, de discussão das atividades econômicas da Amazônia, haja essa instabilidade. Há incompreensão de uma parcela do público e sem dúvida alguma parte da repercussão internacional se deve à desinformação. Até porque não bloqueamos nenhuma política pública ou interrompemos nada do que vinha sendo feito até agora para justificar essa mobilização. Mas é preciso levar em conta também que outra parte dessa campanha contra o Brasil vem de entidades ambientalistas, de ONGs que estão descontentes com o fim dos recursos fartos que elas recebiam, porque nós estamos fechando a torneira. Elas vão fomentando essa campanha internacional que não é nada boa para o Brasil. A gente sabe disso. Mas nem tudo que sai lá fora tem respaldo na realidade aqui dentro. Há uma grande diferença entre os fatos e as versões.

Não é só o pessoal das ONGs que está criticando o governo. Até a revista The Economist, que é respeitada em todo o mundo, publicou recentemente uma reportagem de capa sobre o desmatamento na Amazônia.

Tem muita gente séria que tem um entendimento incompleto ou enviesado sobre o que a gente está tentando fazer. A fórmula para lidar com isso é informação. Por isso, estou indo no final de setembro com o presidente a Nova York e Washington. Logo em seguida, vou a alguns países da Europa para fazer esse esclarecimento. Vamos mostrar tudo o que o Brasil já faz e tudo que queremos fazer. Aqueles que tiverem disposição para ouvir e debater certamente vão mudar, em alguma medida, de opinião. Macron quer tirar dividendos políticos da Amazônia, porque não cumpriu as metas de redução de emissões do Acordo de Paris.

O presidente Macron está querendo tirar dividendos políticos da situação sobretudo no momento em que suas próprias políticas ambientais não estão sendo bem-sucedidas, em especial no que se refere ao não cumprimento das metas de redução das emissões de carbono previstas no Acordo de Paris.

Parece que há intenção de ambientalistas do Brasil e do exterior e também de governos de transformar a Amazônia em “patrimônio da humanidade”, de congelar aquilo como uma espécie de “pulmão planetário”. Como o senhor vê essa proposta?

A Amazônia não é pulmão do mundo. Isso já foi dito e reconhecido. A Amazônia tem o seu ciclo fechado. Ela emite o que ela mesma consome. Agora, ela tem um papel importante de regulação hidrológica, das chuvas, a história dos “rios voadores” que irrigam a agricultura no resto do Brasil. Tudo isso é verdade. Então, ela tem uma função importante para a questão climática aqui no Brasil. Ela é um patrimônio brasileiro. Essa história de que pertence à humanidade é uma bobagem. Nós temos soberania sobre a Amazônia. Somos nós que temos de escolher um modelo, que tem de ser viável economicamente, de proteção da nossa floresta. Somos nós que temos de escolher e somos nós que temos de implementar. Todo o cuidado com a Amazônia que inspira atenção do mundo inteiro é bem-vindo, mas a autonomia de fazer isso é da população brasileira.

Um dos fatores que contribuíram para intensificar a percepção negativa em relação ao Brasil foi a demissão do presidente do Inpe, Ricardo Galvão. O governo alegou que os dados de desmatamento divulgados pelo Inpe, que sempre foram uma referência no Brasil e no exterior, não refletiam a realidade e foram usados politicamente. Por que, de repente, os dados do Inpe não servem mais?

Em primeiro lugar, a gente precisa reconhecer que o desmatamento vem aumentando na Amazônia desde 2012 e ganhou maior fôlego desde 2015. Aliás, foi o próprio Ricardo Galvão, agora ex-presidente do Inpe, que disse isso publicamente. Então, o desmatamento não começou nem passou a crescer no governo Bolsonaro, ao contrário do que querem fazer crer alguns canais da imprensa e algumas referências na área ambiental. Em segundo lugar, deve-se considerar que o Inpe trabalha com dois sistemas para mapear o desmatamento. O sistema anual de desmatamento, chamado Prodes, faz um cálculo na virada de julho para agosto a cada ano e compara a situação com o mesmo período do ano anterior. O Prodes deste ano ainda não saiu. O outro sistema do Inpe é o Deter, que faz o chamado alerta de desmatamento. É um aviso de que determinada região está tendo um aumento de desmatamento. Mas o próprio site do Inpe diz com todas as letras que o Deter, cujos dados saem a cada 15 dias, não se presta a mensuração de desmatamento. Se ele não se presta a medir volume de desmatamento, não se presta tampouco a comparar, por exemplo, dados de julho de 2018 com julho de 2019. Quem faz essa comparação temporal é só o Prodes, porque segue critérios e parâmetros que permitem a comparação. O Deter simplesmente diz que uma região está tendo desmatamento. Só isso.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Antonio Turci disse:

    Ministro Nota 10 (dez), Dr. Ricardo Sales.

  2. Pedro Alves disse:

    Esse palerma desse BozoNero, que outros palermas colocaram lá, não nos deixa um dia sem passar vergonha. Corrupto, incompetente, grosseiro, Brasil à deriva econômica e social e ainda abre a boca toda hora pra renovar a catilinária de sandices. O ministro ambiental é um criminoso condenado por improbidade administrativa ano passado, mas parece que quanto mais inferiores são no padrão moral mais arrogantes são as falas de dissuasão e ignorância. Talvez um dia saiamos desse lodaçal, mas essa luta será muito árdua.

  3. J. Dantas disse:

    Não votei e jamais votarei em extremista de esquerda ou direita louca. Me parece que a questão da Amazônia, é para encobrir algumas ações que estão dando certo e a abertura dos segredos do BNDS essa semana. A Amazônia é dominada e saqueada por ONGs estrangeiras, garimpeiros e indígenas. Sempre foi abandonada pelos governantes e no momento não é diferente. Temos os Americanos na Colômbia e os Russos na Venezuela, só esperando uma oportunidade. Os brasileiros devem esquecer suas loucuras ideológicas e defenderem a Amazônia do Brasil, pois depois será tarde.

  4. Allan Laranjeiras disse:

    Não se cansam de passar vergonha e de falar bobagens…hahahaha

  5. Lobo disse:

    Brasil com índices de desemprego insuportável, miséria generalisada, violência endêmica, década de economia estagnada, guerra urbana, um caos social, nisso o mundo dá as costas e trata com desdém. Agora, focos de incêndios naturais ou alguns provocado pela desinformação, aí não, o mundo se revolta contra o Brasil, alguns paises até se intitulam como donos, mesmo tendo devastado suas terras, para exploração econômicas, sem respeitar o ecosistema. Isso se chama estupidez

  6. Riva disse:

    É só mais uma
    E o Queiroz?
    E os 117 fuzis?
    E a milícia?
    E a Micheque?
    E o laranjal do PSL?
    E os 6 MILHÕES no cartão corporativo?
    E os carguinhos p/família?
    E os 200 mil da JBS?
    E o Coaf?
    E o aparelhamento da PF?
    E o caixa 2 do Ônix?
    E as rachadinhas?
    E as mansões a preço de banana?

    • avelino costa disse:

      JUNTANDO TUDINHO NÃO DEU A ROUBALHEIRO DO COMUNISTA lula E SEU BANDO. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    • avelino costa disse:

      Tá falando do molusco ? Vai mofar na cadeia !

    • Cidadão disse:

      Ainda, tá chorando?
      Quer bubu?

    • Cidadão disse:

      Ainda tá chorando?

    • Esquerda mi mi mi disse:

      Saudades dos tempos de Lula & Odebrecht!
      Bons tempos…

    • Pêu disse:

      E os empréstimos do BNDES a ditadores vizinhos?
      E a refinaria de Pasadena?
      E os mais de 200 bilhões recuperados pela lava jato?
      E os 13 milhões de desempregados?
      E os aloprados?
      E os mensaleiros?
      E o Baruque?
      Eo Zé dirceu?
      E o Antonio Palocci?
      E o maior ladrão do mundo?
      E o …
      Eo etc etc etc…
      Homi vai contar os postes da Cosern, se ocupe em alguma coisa.
      Mimimimimi
      Tchau corruptos. É melhor Jair se acostumando Ta??

    • Jorge disse:

      Tão imbecil quanto idolatrar Lula é idolatrar Bolsonaro. Político é para ser cobrado, não idolatrado!

  7. Lourdes Siqueira disse:

    Eu queria muito que essas OBGs viessem a público dizer porque não "salvaram" a Amazônia durante todos esses anos que receberam fortunas dos países donos do mundo. Agora que ficaram sem a mamata, a Amazônia vai ser exterminada do mapa. Vai ver como vivem os ribeirinhos da Amazônia. Se não fosse a mínima assistência do governo através das Forças Armadas já teriam sucumbido dentro da lama nas palafitas. Cadê as ONGs?
    Mamaram, mamaram e agora se estreparam.

Praias da Grande Natal estão próprias para banho neste fim de semana

As praias de Natal e da região metropolitana estão próprias para banho durante este fim de semana, segundo indica o boletim de balneabilidade feito pelo Programa Azul e divulgado nesta sexta-feira (23). O programa monitora 33 locais de banho, entre praias, balneários e lagoas localizadas na Grande Natal.

O novo relatório tem validade até a próxima quinta-feira (29), quando um outro será divulgado com a nova análise. O boletim da balneabilidade inclui praias de Natal, Extremoz, Parnamirim e Nísia Floresta.

A classificação que define a propriedade do banho da praia leva em conta a quantidade de coliformes fecais encontrada nas águas. A análise é baseada em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O boletim Programa Azul é feito em parceria pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do RN (Funcern).

G1

Queimadas disparam e multas ambientais despencam no governo Bolsonaro

O Ibama aplicou um terço a menos de multas a infratores ambientais em 2019 do que no mesmo período do ano passado, segundo dados do próprio órgão.

A queda no número de autuações coincide com um aumento dos registros de desmatamento e de incêndios florestais em 2019. Considerando todos os tipos de infração ambiental em todo o país, o Ibama diminuiu em 29,4% as autuações até esta sexta-feira (23), quando comparado com o mesmo período de 2018.

Segundo servidores, ex-servidores, autoridades e ambientalistas, a queda no número de multas está ligada a sinais emitidos pelo governo federal desde o começo do ano contra supostos excessos na fiscalização e a trocas de profissionais em postos-chave do Ibama.

Até 19 de agosto deste ano, o Brasil registrou 72,8 mil focos de incêndio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi criado em 1989 e é a autarquia federal responsável por aplicar a Política Nacional de Meio Ambiente —que baliza as ações do governo para a área. O Ibama é ligado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e possui poder de polícia na área ambiental, atuando inclusive em áreas de particulares.

Já o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi criado em 2007 e tem por função cuidar das unidades de conservação (UCs) federais. Dentro delas, o ICMBio exerce poder de polícia ambiental.

O que o levantamento da BBC News Brasil mostra é que o Ibama tem aplicado menos multas em geral – a queda é ainda mais acentuada quando se trata de crimes contra a flora (queimadas, desmatamento ilegal etc.), e na Amazônia.

Do começo de 2018 até o dia 23 de agosto daquele ano, o Ibama aplicou 9.771 multas de todos os tipos —não só relacionados a crimes contra a flora, mas também à pesca ilegal, caça, biopirataria e vários outros. Mas, do começo de 2019 até esta sexta-feira (23), foram 6.895 multas: uma queda de 29,4%.

Nos crimes contra a flora, a redução foi de 38,7% no mesmo período: de 4.138 no ano passado para 2.535 agora, em todo o país.

A queda no número de multas também se verifica quando o levantamento leva em conta apenas as ocorrências nos nove Estados brasileiros que integram a Amazônia Legal (AC, AP, AM, MT, PA, RO, RR, TO e MA). Em todos os tipos de infração, a queda foi de 25,6%. E quando se considera só os crimes ambientais contra a flora nesses Estados, a redução é ainda mais drástica: de 42,4%.

Do começo de 2018 até 23 de agosto, o Ibama emitiu 2.817 multas por crimes contra a flora nos 9 Estados da Amazônia legal. No mesmo período deste ano, foram apenas 1.627.

Os dados são públicos e podem ser checados no site do Ibama(o órgão orienta os interessados a usar o navegador Mozilla para acessar a base).

Os números do Ibama são consistentes com as observações de quem trabalha com o problema todos os dias.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Amo os Minions disse:

    🦗 🦗 🦗

Bolsonaro indica nomes para Cade e atende a senadores

O presidente Jair Bolsonaro cedeu a pressões de senadores e indicou nesta sexta-feira, 23, cinco novos nomes para integrar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo o Estadão/Broadcast apurou, pelo menos dois deles foram negociados diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) – os dos advogados Luiz Augusto Hoffmann e Lenisa Rodrigues Prado, esta última indicada para ocupar o cargo de procuradora-geral do órgão que cuida da concorrência entre empresas no País.

Além deles, Bolsonaro indicou para o conselho o também advogado Sérgio Costa Ravagnani e o economista Luiz Henrique Bertolino Braido. O atual superintendente-geral do órgão, Alexandre Cordeiro, foi reconduzido ao cargo. Todos os indicados passarão por sabatina em comissão do Senado e precisam ter seus nomes aprovados pelo plenário da Casa.

A indicação de Cordeiro foi defendida por senadores, mas, desde o início do ano, ele tem se aproximado da equipe econômica por causa de negociações de acordos com a Petrobrás. Ainda há uma vaga no conselho, que também deverá ser preenchida por indicação do Senado.

A decisão de seguir os pedidos apresentados pelos senadores vem em um momento em que os parlamentares devem avaliar a possível indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o “filho 03” do presidente, para ser embaixador do País nos Estados Unidos.

No início do mês, num primeiro movimento, Bolsonaro retirou dois nomes que haviam sido apresentados por ele em maio e não teriam agradado aos senadores – eles haviam sido escolhidos pelos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça, Sérgio Moro. Alcolumbre demonstrou resistência aos conselheiros escolhidos pelo presidente e “segurou” a tramitação até que o Planalto recuasse.

Parlamentares avaliaram que o presidente do Senado atendeu a demandas de aliados próximos nas escolhas para o Cade. Questionado na quarta-feira passada sobre se uma indicação para o órgão sairia do Senado, Alcolumbre foi irônico: “Daqui? Agora me deu medo”.

Nesta sexta-feira, em nota, Alcolumbre afirmou que as indicações ao Cade ou a qualquer outra agência reguladora “são prerrogativa exclusiva do Executivo”. “Todos os nomes indicados serão devidamente sabatinados no Senado, onde os indicados poderão provar suas capacidades.”

Agência Brasil

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Everton Freitas disse:

    Óbvio, até pq vale tudo para colocar o filho idiota na embaixada… Pode esperar alguns bilhões liberados para esses senadores tb!