Jornalismo

Interesse de Lula em regular mídia levanta temor de controle e censura, segundo especialistas

Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

O debate sobre a regulação da mídia, sonho antigo do Partido dos Trabalhadores, entrou com força na pré-campanha eleitoral, trazido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O petista tem declarado enfaticamente a intenção de, caso eleito, retomar o projeto de regulação idealizado em seu governo. Nenhum outro pré-candidato ao Planalto é favorável a instrumentalizar a mídia.

A CNN tentou insistentemente contato nos últimos dias com Lula e a presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann, para detalhar a iniciativa, mas não obteve resposta.

Em nota, a assessoria do petista afirmou que “ele defende uma discussão no Congresso sobre a atualização da lei de regulação dos meios eletrônicos de comunicação, cuja legislação no país data da década de 1960, nos moldes da regulação inglesa, alemã ou americana”.

Nem Lula nem o PT detalharam como seria a regulação da mídia nesses moldes num eventual novo governo do petista, mas declarações recentes do ex-presidente podem dar pistas.

“Eu vi como a imprensa destruía o Chávez [ex-presidente da Venezuela, morto em 2013]. Aqui eu vi o que foi feito comigo. Nós vamos ter um compromisso público de que vamos fazer um novo marco regulatório dos meios de comunicação”, disse em entrevista coletiva em São Luís (MA), em agosto de 2021.

Para o advogado e doutor em direito Marcos Bitelli — especialista em direito da comunicação, mídia e entretenimento —, o tema da regulação “vira e mexe aparece como uma ameaça no universo da política”, mas dificilmente deve prosperar pelo caráter inconstitucional das propostas.

“Essas ameaças que toda a hora a gente vê de regular a mídia muitas vezes acabam virando uma bravata, porque, no sentido jurídico, certamente a Suprema Corte vai julgar inconstitucional, como já fez em outros casos, como na Lei de Imprensa”, disse Bitelli à CNN.

Segundo o especialista, é muito improvável que a ideia de criar uma agência reguladora para controlar os grupos de comunicação prospere pelas próprias limitações impostas pela Constituição Federal. Ele cita o artigo 5º, que diz ser “livre a expressão da atividade de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

“A Constituição também diz, no artigo 220, que você não pode causar qualquer embaraço à manifestação por qualquer forma ou processo de comunicação. Qualquer pessoa pode utilizar um meio para fazer sua liberdade de expressão do pensamento, em particular a informação jornalística”, afirma.

Presidente do Instituto Palavra Aberta —organização que defende as liberdades de expressão e de informação —, Patrícia Blanco afirma à CNN concordar que a discussão sobre a regulação da mídia tem um propósito político.

“Muitas vezes a gente viu o termo ‘regulação de mídia’ ser utilizado como uma chantagem ou ameaça aos veículos de comunicação que estavam fazendo seu trabalho, seguindo os princípios da Constituição”, afirma.

Em outra entrevista em agosto de 2021, desta vez à rádio Metrópole FM da Bahia, Lula disse estar “ouvindo muito desaforo”: “Tem setores da imprensa que não querem que eu seja candidato. Porque, se eu voltar, vou regular os meios de comunicação deste país”.

Desde que saiu da prisão, no final de 2019, Lula já citou ao menos dez vezes o tema em falas com críticas à imprensa.

Patrícia Blanco aponta que expressões como “regulação de mídia, regulação de conteúdo ou controle social da mídia” aparecem “sem explicar de fato do que se tratava a proposta”.

Para ela, as discussões sobre a regulação precisam ter um objetivo claro baseado no princípio da “defesa intransigente da liberdade de expressão de imprensa, da valorização do jornalismo, do jornalista e do papel desse profissional para levar informação confiável que realmente auxilie o cidadão na hora de decidir”. “O cidadão bem informado vai fazer escolhas mais próximas de suas necessidades”, diz.

Críticas de adversários na pré-campanha

As falas genéricas de Lula sobre a regulação da mídia abriram margem para críticas de adversários ao longo da pré-campanha.

Em fevereiro, durante uma visita ao Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou esperar que a mídia não seja regulada “por qualquer Poder”. “Os senhores nunca me verão vir aqui neste Parlamento pedir regulação da mídia e da internet”, disse.

Em abril, o pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) classificou a proposta do petista de “uma aberração”. “Acho que a regulação da mídia que existe não precisa mudar: é o controle remoto”, afirmou.

Já o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) classificou a ideia de um “atraso para o Brasil e uma afronta à liberdade”, em publicações em suas redes sociais.

Neste mês, o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) disse, em entrevista à CNN, ser “absolutamente contra o controle social da mídia”, que chamou de volta disfarçada de censura. Ele questionou se haverá um “conselho de jornalistas indicado por partidos, por sindicatos para controlar o que a imprensa vai falar”.

As críticas extrapolaram o campo eleitoral e chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na primeira crítica pública de um ministro do tribunal à proposta de regulação da mídia de Lula, o ministro Luiz Fux deu a seguinte declaração na última quinta-feira (5), sem citar Lula:

“Um país onde a imprensa não é livre, onde a imprensa é intimidada, amordaçada, num país onde a imprensa é regulada, sendo a imprensa um dos pilares da democracia, nesse país com tantas restrições à liberdade de imprensa a democracia é uma mentira, e a Constituição Federal é uma mera folha de papel”, disse.

As tentativas de regulação

Ao longo do governo Lula (2003-2010), alguns projetos sobre a mídia foram elaborados e, segundo especialistas ouvidos pela CNN, poderiam servir de parâmetro para um eventual novo mandato. Em 2004, por exemplo, o governo Lula enviou ao Congresso a proposta para a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ).

O objetivo era “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão, prevendo punição a jornalistas. Após repercussão negativa — incluindo críticas da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) —, a Câmara dos Deputados enterrou a ideia.

Naquele mesmo ano, o Ministério da Justiça cancelou o visto do jornalista norte-americano Larry Rohter, correspondente no Rio de Janeiro do jornal The New York Times e autor de uma reportagem em que abordava supostos hábitos alcoólicos de Lula. O governo recuou após forte repercussão e manteve o visto do repórter, mas o episódio marcou o embate do governo com a imprensa.

Ainda em 2004, o projeto de Lei Geral do Audiovisual do governo Lula tentou avançar sobre regras para programas de TV e operadoras de telecomunicações, ao tentar criar a Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav). Encampado pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, e pelo próprio Lula, a ideia acabou abandonada pelo governo após uma série de críticas.

Brecha para censurar conteúdo

Mas o projeto mais polêmico e que também indica o tipo de regulação que o PT planeja fazer, segundo especialistas na área ouvidos pela CNN, é um documento confeccionado no final do segundo mandato de Lula.

Elaborada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, então chefiada pelo jornalista Franklin Martins, a proposta foi baseada em sugestões levantadas durante a Conferência Nacional de Comunicação, de 2009, para ser encaminhada ao Congresso durante a gestão de Dilma Rousseff (PT).

O anteprojeto previa, entre outros pontos, proibir monopólios e oligopólios na radiodifusão e a concessão de rádios e televisões a juízes e políticos, estabelecer o fim das propagandas religiosas no rádio e na televisão e forçar percentuais mínimos de produção regional.

Um dos objetivos seria atualizar o Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, que até hoje define regras para o funcionamento dos serviços de telecomunicação e radiodifusão no país. As concessões para a exploração dos serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens são distribuídas pela União por meio de processos licitatórios.

Um dos pontos mais polêmicos do anteprojeto era a criação da Agência Nacional de Comunicação Social Eletrônica (ANC), para regular empresas de radiodifusão, telecomunicações, TVs abertas e fechadas.

Alguns artigos do documento, como o 234, citam a proibição de conteúdos que incitem o ódio e a discriminação de raça, sexo, classe social, entre outros, o que é entendido por especialistas como uma brecha para a censura no conteúdo das empresas de comunicação.

Para o advogado Marcos Bitelli, todos os projetos de lei que buscam regular a mídia cometem o erro de repetir princípios da Constituição, como a proteção da criança e do adolescente, com a intenção de determinar o que não pode ser feito em relação a eles.

A própria Constituição, segundo ele, já é suficiente para defender a população de qualquer tipo de ódio e assédio por um meio da comunicação, e essa defesa não precisaria ser colocada na mão do governo ou do Estado.

“Nenhuma lesão de direitos escapará do Judiciário. Não precisa de um terceiro para fazer um regulamento para dizer o que é ódio e discriminação”, diz.

Patrícia Blanco, do Instituto Palavra Aberta, afirma que a criação de um único e exclusivo órgão que controle o debate público é “muito perigoso”. “Hoje ele pode estar a nosso favor, mas amanhã pode estar contra, pode decidir por ele mesmo seguindo os ventos”, afirma.

Ela defende que a participação da sociedade civil, ao trazer vozes diferentes, pode funcionar melhor do que um organismo único, que tem o risco de assumir o papel dos antigos censores ao determinar o que é verdadeiro ou falso ou o que é desinformação ou não.

Carolina Morales, presidente da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (ABRADi), também defende não ser necessário uma agência reguladora no âmbito da comunicação, tendo em vista que “a comunicação é transversal e não uma atividade fim”.

Segundo ela, o ecossistema da comunicação tornou-se tão diverso por causa da internet que um controle e uma prática diária de censura seria muito difícil. No caso das plataformas digitais, ela propõe que haja uma “educação do próprio usuário” como propagador de informações. “As entidades governamentais têm que entrar em determinadas temáticas, mas tem que deixar com que a sociedade possa discutir livremente algumas outras.”

Na mesma linha, Francisco Rebello, da Associação Brasileira de Imprensa e Comunicação (Abricom), defende que a decisão sobre o tema deve estar nas mãos do público. “Quem tem que ter o controle é o indivíduo que vai consumir a informação. Ele tem que ter a capacidade de discernir e buscar outros meios que possam te permitir decidir se aquilo é bom ou se é verdade”, afirma.

Procurado pela CNN, Franklin Martins afirmou que “não está falando com a imprensa” e que já tratou bastante do tema em outras entrevistas. Ele disse que o anteprojeto entregue à então presidente Dilma e engavetado pelo governo dela não traz “nada que possa ser chamado de censura à imprensa, como a mídia repetida e mentirosamente afirmou”.

Em 2014, em entrevista à TV Unesp, Martins afirmou que os grupos de mídia que exploram as concessões públicas no Brasil “não têm obrigações” e “fazem o que bem entendem”.

Ainda segundo Franklin Martins, as concessionárias precisam obedecer regras e serem punidas se não as cumprirem.

“Isso é assim no mundo inteiro”, disse. Ao falar sobre a regulação, o jornalista negou que a iniciativa fosse um tipo de “censura” ou de “ataque à liberdade de imprensa”.

Em entrevista a youtubers no final de abril, Lula citou o projeto de 2009 e afirmou que ele não era “do Franklin Martins ou do Lula”.

“Tinha mais de 3.000 pessoas que aprovaram aquele documento [na Conferência Nacional de Comunicação, em 2009] que nós transformamos numa proposta de regulação dos meios de comunicação. Você não vai regular revista, jornal, papel. O que a gente queria? Tem uma preocupação com a questão da internet, que ainda nós não sabemos o que fazer, e tem uma preocupação com o sistema de comunicação eletrônico”, afirmou Lula.

Segundo o ex-presidente, em “algum momento alguém vai propor fazer uma regulação”. “Se tá correto e a sociedade entende que tá correto e é assim mesmo, tudo bem, que fique assim. O que quero é abrir espaço. É preciso fazer regulação, adequar à necessidade da sociedade”, afirmou.

O projeto elaborado no governo Lula acabou engavetado por Dilma. Em 2021, a ex-presidente falou dos motivos que impediram o avanço da proposta em seu governo em uma nota publicada em seu site oficial. Ela reafirma que um projeto de lei que tratava da regulação econômica dos meios de comunicação era uma de suas “agendas” e não cita eventuais interferências no conteúdo.

“A ideia era fazer um amplo debate com setores da sociedade civil, da universidade, empresas e entidades ligadas à democratização da comunicação com o objetivo de impedir a concentração dos meios – jornal, rádio, TV e meios digitais propiciados pela internet — em mãos de poucas famílias, como ocorre desde meados do século 20 no Brasil”, escreveu a ex-presidente.

Segundo ela, as condições políticas para avançar na discussão sobre o tema no Congresso mudaram com a eleição do então deputado federal Eduardo Cunha, filiado à época ao MDB, para a Presidência da Câmara.

Dilma escreve que o então deputado, responsável por autorizar a abertura de seu processo de impeachment, “assumiu o compromisso de impedir a tramitação de qualquer projeto que tratasse da regulação econômica da mídia e também se dispunha a interditar qualquer debate”.

Temor de censura, uso político e tentativas de intervenção do Estado

O ex-deputado federal Miro Teixeira lembra que há mais de dois séculos se busca no Brasil regular a imprensa e destaca que regras sobre a atividade jornalística foram criadas ― com três leis de imprensa ― antes mesmo da primeira Constituição, promulgada em 1824.

Deputado constituinte e ministro das Comunicações no início do primeiro mandato de Lula, Miro Teixeira pondera que essa preocupação exacerbada de interferir na atividade jornalística é notadamente maior quanto mais autoritário for o governo. “Todo ditador, todo sistema totalitário se volta contra a imprensa”, diz.

Para o ex-ministro, não há necessidade de uma nova regulação da mídia, pois, em suas palavras, “a Constituição já regula” o tema.

O ex-ministro afirma que, respeitados os direitos individuais, tudo pode ser publicado, com meios possíveis de reparação em caso de erros. “E a própria Constituição já cria mecanismos de defesa”, avalia.

Teixeira ainda acredita que qualquer iniciativa no sentido de estabelecer mecanismos de controle receberá reações imediatas, como a busca pelo Judiciário para a manutenção de direitos.

O jornalista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Eugênio Bucci, que também foi presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) na gestão Lula, destaca que é preciso distinguir a discussão sobre a fixação de regras de mercado, como existem em outras áreas privadas, das tentativas de interferência no que é divulgado pela imprensa.

“Não pode haver o controle de conteúdo, porque isso seria uma intervenção inadequada e inaceitável do Estado”, pondera.

Bucci pontua que outros países democráticos que servem de referência ao Brasil contam com agências reguladoras de comunicação, capazes de disciplinar a atuação empresarial de forma a evitar monopólios e outros tipos de concentração e também para assegurar pluralidade e diversidade de vozes.

Ele reconhece que, na América Latina, o exemplo argentino de regulação da mídia foi desastroso, tendo em vista que a normatização se misturou com um contexto de perseguição política, mas cita o caso do Uruguai como uma referência exitosa.

Para o professor, muito pior do que a regulação em si é o uso, por políticos, da ameaça de regulação como instrumento de pressão ― ou outras práticas que têm sido recorrentes, como governantes conclamando empresários a suspenderem anúncios, ataques a profissionais e a menção à Lei de Segurança Nacional para acuar quem está fazendo o seu trabalho, dentro de parâmetros legais.

Quem também aponta riscos na discussão é Wilson Gomes, jornalista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele participou dos debates sobre a regulação de mídia eletrônica, ainda na gestão petista, e destaca que o problema do tema da regulação de mídia é que, “aproveitado como um pacote, pode esconder projetos ao estilo cavalo de tróia, com muitos subtemas diferentes”.

Para avançar, ele acredita que o assunto deveria ser fatiado, abordando questões como a propriedade cruzada de veículos de imprensa. “É um assunto cheio de armadilhas. Um fetiche para um lado e tabu para o outro”, salienta, alegando que seria impossível, na atual situação política brasileira, buscar um discurso sereno.

Linha tênue entre regulação e censura

Para Joana Zylbersztajn — advogada, doutora em direito constitucional e especialista em comunicação social e pesquisadora do tema —, o debate sempre foi um tabu no meio político, embora venha sendo tratado de forma séria e aprofundada no ambiente acadêmico.

Ela defende a importância da discussão justamente pela linha tênue que existe entre a regulação e a censura.

“Uma coisa é censura, outra é regulação. Qualquer direito fundamental pode ser regulado, inclusive para seguir sendo válido”, diz. Segundo ela, há diferentes graus de regulação feitos por países considerados livres e democráticos, com critérios, escopos e abrangências que variam.

“Às vezes você pode regulamentar só a parte de propriedade, mas também pode chegar à própria regulação de conteúdo e não ser uma censura”, afirma.

A advogada lembra que já existem formas de regulação de conteúdo no Brasil, como a classificação indicativa, que não determina o que pode ou não ser exibido, mas organiza e indica quais são os conteúdos adequados para cada faixa etária dentro de uma determinada faixa horária.

“A gente está falando de expressão, um direito fundamental que precisa ser protegido em sua máxima extensão, mas não é absoluto. Há limites inclusive para a proteção de outros direitos”, defende.

A advogada ressalta, porém, que a discussão sobre o tema precisa envolver a sociedade, as empresas, o Congresso e o Judiciário.

CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. 🇧🇷Ele deseja regular as mídias e principalmente as redes sociais porque sabe que nos roubos e desvios que ele e a gang participam vai ter sempre alguém informando.🇧🇷

  2. Blá…blá…blá… O povo quer é comida na mesa. Quem quer dá golpe militar é o bozo. Deixa de lorota! O salário mínimo perdeu foi valor durante esse desgoverno bolsonaro. A gasolina e o diesel aumentaram e por sequência os alimentos tb aumentarão. Chega logo outubro, 2023 está ancioso pra começar.

  3. Quem diabos vai lê um texto desse tamanho de um biriteiro, canalha, ladrão e corrupto desse, tenho mais o q fazer. No mínimo preparando mais algumas porcaria para o povo. Luladrao seu lugar é na prisão.

  4. Ao observar a realidade nos últimos anos, não há como não concordar com o Dr Mu: “basta ver a quantidade de jornalistas agredidos por essa turma e pelo próprio bolsonaro, que é citado como algo que defende a liberdade e a imprensa. O bolsonaro foi o presidente que mais atacou a imprensa, segundo levantamento da associação de jornalistas, 70% dos ataques sofridos pela imprensa, foram do bolsonaro e seu governo, só o bolsonaro é responsável por 23% desses ataques.
    E daí?
    E daí que sem uma clara e objetiva regulação das mídias em geral, jamais poderemos combater com eficiência os monopólios, as Fakes News e demais abusos cometidos pela a imprensa ou contra a imprensa. É claro que isso depois de uma grande discussão com a sociedade organizada, debates e estudos fundamentados e aprovados pelo Congresso Nacional, entre outras preocupações necessárias. O que não pode continuar é a comunicação social permanecer como uma terra sem lei onde tudo pode e nada pode, dependendo de quem é o interessado ou a vítima de perseguição organizada por patrulhas especializadas em destruir reputações de qualquer forma.

  5. Qual o problema nisso?
    Nós temos uma lei de meio que é de mais de 50 anos atrás, parece que, na cabeça desses dono$ da comunicação, nada mudou. A única preocupação deles é manter o monopólio/oligopólio que é proibido pela constituição. Então é mais que salutar que a sociedade discuta a regulação dos meios de comunicação, isso é salutar na proposta.
    O que não precisa ser regulado em sociedade?

  6. Quando se fala em regulação da mídia, logo os donos da comunicação no país joga os seus bichinho$ amestrados para atacar.

  7. Toda “regulação” nada mais é do que a limitação da liberdade, substituída pela vontade do Estado. Regulação é um mero eufemismo para censura. As leis brasileiras já prevem maneiras de punir eventuais excessos decorrentes da liberdade de expressão, que é um direito previsto na Constituição brasileiro. É para isso que existem os crimes de calúnia, injúria e difamação, bem como podem ser punidas as ameaças. “Regular” as comunicações é o sonho de todo ditador, prática constante em países comunistas (explícitos ou “enrustidos”).

  8. Quando se fala em regulação da mídia, logo os donos da comunicação no país joga os seus bochinho$ amestrados para atacar. Nós temos uma lei de meio que é de mais de 50 anos atrás, parece que, na cabeça desses dono$ da comunicação, nada mudou. A única preocupação deles é manter o monopólio/oligopolio que é proibido pela constituição. Então é mais que salutar que a sociedade discuta a regulação dos meios de comunicação, isso é salutar na proposta do Lula. Já existe regulamentação, mas de forma fragmentada, o que o texto esconde, porque a intenção é enganar os bichos de chifres que são numerosos, agressivos e barulhentos, o que já mostrou ser uma faca de dois gumes, basta ver a quantidade de jornalistas agredidos por essa turma e pelo próprio bolsonaro, que é citado como algo que defende a liberdade e a imprensa. O bolsonaro foi o presidente que mais atacou a imprensa, segundo levantamento da associação de jornalistas, 70% dos ataques sofridos pela imprensa, foram do bolsonaro e seu governo, só o bolsonaro é responsável por 23%dl desses ataques, mas a imprensa não regulada diz que o ditador é o Lula. O que os donos da comunicação (meia dúzia) querem é manter os seus domínios sobre o que o povo tem o direito de saber. O jornalismo hoje, é uma moeda de negócio, muitos mais sujos que tráfico de drogas, já que faz o tráfico de informações, que têm uma capacidade de destruição de milhões e bombas atômicas. Então existe a necessidade real da regulação e a sociedade não pode se esquivar de participar.

    1. Os tais “donos” da velha imprensa defendem o SEU candidato, o ditador corrupto e lavador de dinheiro, aliado de “coisas” como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Angola, China, Coreia do Norte e outras ditaduras mundiais, onde essa tal “regulação”, dentre tantas outras, é base instrumento fundamental para a opressão de seus povos. No Brasil, temos um presidente que defende verdadeiramente TODAS as liberdades LÍCITAS.

  9. Tem que regular aí é a volta da Sapupara e da Colonial e a volta do pagodão das engenharias na UF

    1. Kkkkk, é verdade…
      A garrafinhas de Ypióca, o velho celular,kkkkkkkkkkk

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Brasil

POR QUE SERÁ? Dario Durigan admite que governo discute rever “taxa das blusinhas”

Foto: Washington Costa

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu, nesta quarta-feira (6/5), existir discussão sobre a retirada da chamada “taxa das blusinhas”, que impôs a cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

A afirmação de Durigan foi realizada durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Durigan afirmou, no entanto, que não abre mão do programa Remessa Conforme, que estabeleceu regras para empresas estrangeiras que enviam produtos ao Brasil, garantindo a vigilância para o pagamento correto de impostos.

“A gente tem de olhar e fazer o debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. E aqui, o programa Remessa Conforme é algo que eu não abro mão. Está sendo discutido [o fim da taxa das blusinhas]”, afirmou o ministro.

A então ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou no fim de março que a arrecadação com a “taxa das blusinhas” foi de quase R$ 2 bilhões em 2025.

A discussão sobre a retirada da “taxa das blusinhas” pelo governo federal surgiu diante do desgaste da medida para a popularidade do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição para o cargo.

Levantamento da AtlasIntel mostra que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro do governo, enquanto 30% avaliam a medida como um acerto. O resultado ampliou a pressão interna por uma reavaliação da política. Por outro lado, o setor produtivo nacional defende a “taxa das blusinhas”.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, no último dia 22, um estudo no qual afirma que a taxa evitou a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados e ajudou a preservar mais de 135 mil empregos no país.

Metrópoles

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Saúde

“Quanto vale a vida de uma mulher no RN?” Professora que sofreu 7 AVCs luta por cirurgia no Walfredo Gurgel

Foto: Francielly Medeiros

Uma mulher de 38 anos está internada no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, aguardando autorização para a realização de uma cirurgia neurológica de urgência. Trata-se da professora de biologia Nara Iohanna Araújo Gomes, cuja situação tem gerado preocupação diante da necessidade imediata do procedimento.

Moradora de São Gonçalo do Amarante e mãe, Nara sofre de uma Malformação Arteriovenosa (MAV) e já enfrentou sete Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). O procedimento solicitado, uma embolização, é considerado vital para impedir que ela sofra um oitavo episódio e tenha sua vida colocada em risco novamente.

O caso de Nara Iohanna revela uma espera que já dura 10 anos. Desde o diagnóstico, a professora aguarda na fila do sistema Regula RN pela realização da cirurgia.

Atualmente, a mobilização da família buscam pressionar a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) para que a autorização seja emitida de forma imediata, garantindo a realização do procedimento no hospital onde ela já se encontra hospitalizada.

O drama da professora ganhou força nas plataformas digitais através de um vídeo-denúncia que convoca a sociedade a cobrar providências do Governo do Estado. Na publicação, a mensagem é incisiva sobre a urgência diante do descaso:

Quanto é que vale a vida de uma mulher no Rio Grande do Norte? Eu acabei de receber uma notícia de uma mulher de 38 anos que está na fila do regula RN aguardando uma cirurgia para que ela não tenha mais um AVC. Peço que compartilhem essa informação e marquem a Sesap para que Nara consiga fazer essa cirurgia o quanto antes”, destaca o apelo divulgado pelo perfil Pauta Local.

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Saúde

Pacientes voltam a enfrentar dificuldades após elevadores quebrarem no Walfredo Gurgel

Foto: Adriano Abreu

Dois elevadores do prédio Clóvis Sarinho, no Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, estão quebrados, sendo um desde terça-feira (5). No momento, apenas os elevadores do prédio antigo da unidade hospitalar estão funcionando. A informação foi confirmada à TRIBUNA DO NORTE pelo Sindsaúde. Por causa disso, de acordo com o Sindicato, pacientes que precisam transitar entre os dois prédios estão sendo “obrigados a sair pela área externa do hospital e passar pelo estacionamento”.

Uma visita técnica da empresa responsável pelo elevadores é aguardada até o final da tarde desta quarta-feira (6), segundo a direção do hospital. O Sindsaúde afirmou que muitos desses pacientes estão em cadeiras de rodas ou com dificuldade de locomoção. O Sindicato informou que a situação já está causando atrasos e até perda de exames previamente agendados, porque alguns pacientes não conseguem fazer esse deslocamento.

“Outro ponto grave é que, em caso de intercorrência, quando um paciente precisa ser transferido rapidamente de um andar para outro por exemplo, quando o médico solicita a descida imediata para o setor de politrauma, essa transferência também fica comprometida. Sem os elevadores funcionando, o deslocamento acaba acontecendo da mesma forma improvisada, passando pela área externa do hospital. Isso representa um risco enorme, especialmente no caso de pacientes críticos, que podem sofrer agravamento do quadro durante o transporte”, disse o Sindicato.

“Há preocupação real de que uma situação mais grave possa acontecer no meio desse trajeto. Portanto, trata-se de uma situação extremamente preocupante, que coloca pacientes e trabalhadores em risco, além de comprometer o funcionamento adequado do hospital”, pontuou o Sindsaúde em seguida. A TRIBUNA DO NORTE fez contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesap) e com a direção do hospital para obter um posicionamento.

No entanto, de acordo com Geraldo Neto, diretor do Walfredo Gurgel, é “aguardada uma visita técnica da empresa de manutenção até o final da tarde desta quarta-feira (6). Ele disse desconhecer a informação de que exames previamente agendados estão sendo perdidos, mas falou que, caso isso ocorra, “o procedimento será reagendado”.

A situação no Walfredo não é relativamente nova. No caso mais recente, em dezembro do ano passado, pacientes foram transferidos amarrados em macas ou cadeiras de rodas pelas escadas, entre setores, por conta do mesmo problema.

Confira a nota completa da Sesap:

“Informamos que, nesta terça-feira (05), o elevador do Hospital Clóvis Sarinho apresentou falha em seu funcionamento, sendo imediatamente acionada a empresa responsável pela manutenção do equipamento.

A equipe técnica fez uma avaliação inicial, identificou a necessidade de substituição de peça específica, a qual não se encontra disponível no estado neste momento, impossibilitando a correção imediata do problema.

Hoje (06), a equipe técnica retornará à unidade para apresentar um posicionamento oficial quanto ao prazo necessário para a realização do serviço corretivo.

Ressaltamos que, enquanto perdurar a indisponibilidade do elevador, as equipes assistenciais e administrativas estão adotando medidas contingenciais, com redirecionamento de fluxos e reorganização interna, a fim de minimizar impactos e garantir a continuidade da assistência aos pacientes.

Seguiremos acompanhando a situação de forma contínua e manteremos todos devidamente informados.”

Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

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Jornalismo

ATÉ VOCÊ MARCOS? O Sucessor de Allyson: como PF e MPF descrevem o papel do novo prefeito de Mossoró no esquema de propinas da saúde

Por: Blog do Dina

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal identificaram Marcos Antônio Bezerra de Medeiros como o “ponto de contato” entre a distribuidora de medicamentos Dismed e a Prefeitura de Mossoró no esquema investigado pela Operação Mederi. Gravações captadas em escuta ambiental no escritório da empresa, em Serra do Mel, registraram os sócios da Dismed discutindo o pagamento de propina ao então vice-prefeito e o planejamento de financiar sua campanha eleitoral com dinheiro desviado de contratos públicos de saúde. Marcos Medeiros é prefeito de Mossoró desde o dia 27 de março de 2026, quando Allyson Bezerra renunciou para disputar o governo do estado.

Foto: Reprodução

Se os indícios levantados pela investigação federal se confirmarem, Marcos Medeiros pode responder por corrupção passiva — pena de dois a doze anos de reclusão — e por integrar organização criminosa, conforme a Lei 12.850/2013. Nas peças em que PF e MPF ajuízam perante o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, lista-se o seu nome entre os 28 investigados alvejados nos mandados de busca e apreensão cumpridos em 27 de janeiro de 2026.

O Blog do Dina apurou o conteúdo da representação criminal, documento que ainda não havia sido analisado publicamente com foco no papel de Marcos Medeiros no esquema.

A defesa de Marcos Medeiros foi procurada para comentar essa reportagem. O Blog do Dina enviou perguntas a partir das dúvidas abertas com o papel descrito pelos investigadores sobre Marcos. Em resposta, a defesa enviou a seguinte nota:

Marcos Medeiros, por sua defesa, reafirma que não praticou qualquer irregularidade no exercício de suas funções e confia que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos pela Justiça.

Antes de ser eleito vice-prefeito de Mossoró em outubro de 2024, Marcos Medeiros ocupou cargos no coração administrativo da saúde municipal. Foi secretário substituto da Secretaria Municipal de Saúde e secretário interino do Fundo Municipal de Saúde — os postos que, segundo o MPF, eram a engrenagem central do esquema investigado.

A Dismed, distribuidora de medicamentos com sede em Mossoró, recebeu R$ 13,6 milhões da Prefeitura de Mossoró entre 2021 e 2025. O pico foi em 2024: R$ 5,86 milhões em um único ano.

Dismed recebeu R$ 5,86 mi de Mossoró em 2024 — o maior volume da série

Valores pagos pela Prefeitura de Mossoró à Dismed Distribuidora de Medicamentos, por período. O pico de 2024 ocorreu enquanto o inquérito policial da Operação Mederi já corria há quase um ano.

IPL Inquérito aberto em 24/11/2023 → contratos em 2024 atingem o pico histórico → Marcos Medeiros é escolhido como vice de Allyson

Fonte: Representação Criminal nº 0006371-27.2025.4.05.0000 (TRF-5), com base em dados do TCE-RN. Valor de 2025 refere-se ao período até mai/2025 (data das escutas ambientais). Período 2021–2023 representa valor agregado (R$ 4,82 mi total; breakdown anual pendente de confirmação via TCE-RN).
A representação criminal de que Marcos e outros envolvidos são alvos descreve o papel do atual prefeito de Mossoró nesses contratos sem meias palavras:

“Mencionado como ponto de contato com os sócios da Dismed, circunstância confirmada pelos registros de mensagens e ligações de WhatsApp.”

A Polícia Federal abriu o inquérito em 24 de novembro de 2023. Investigava uma distribuidora de medicamentos que havia movimentado dezenas de milhões de reais junto a prefeituras do Rio Grande do Norte — e cujos sócios mantinham contato com o servidor que controlava os contratos dentro da Secretaria de Saúde de Mossoró.

Em 2024, enquanto o inquérito corria, a Dismed recebeu o maior volume de recursos de sua história junto à prefeitura: R$ 5,86 milhões em um único ano — o pico de uma série que somaria R$ 13,6 milhões entre 2021 e 2025.

Foi nesse mesmo ano que Allyson Bezerra escolheu Marcos Medeiros como seu candidato a vice-prefeito.

Marcos venceu as eleições de outubro de 2024. A investigação seguia em sigilo. Os contratos com a Dismed continuaram.

A rede de conexões da Operação Mederi — núcleo de Mossoró

Relações documentadas entre investigados, empresa e órgão público, conforme Representação Criminal nº 0006371-27.2025.4.05.0000 (TRF-5).

Passe o cursor sobre os nós para ver detalhes. Arraste para reorganizar.

Fonte: RepNotCrim 0006371 (pgs. 36, 98, 100, 307, 309, 311) + IPL Parte 2 (pgs. 703–705). Conexões baseadas em evidências documentais: escutas ambientais, registros de WhatsApp, análise financeira do TCE-RN e COAF.

Em 6 de maio de 2025, os sócios da Dismed, Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares, estavam no escritório da empresa em Serra do Mel. Conversavam sobre os contratos de Mossoró — um milhão e meio de reais que a prefeitura havia pago à distribuidora — e simulavam, em voz alta, o que diriam a Marcos em um encontro que planejavam ter com ele.

A transcrição da escuta ambiental registra Oseas narrando o que diria ao então vice-prefeito:

“MARCOS, eu queria combinar com você duas coisas: do jeito que tá não tá ganhando eu nem você! Desse aqui eu fui em cima, fui abaixo, fui em cima, fui abaixo e deu pra arrumar cem conto pra vocês, tá certo? Tô tirando do meu lucro! Agora, MARCOS, eu queria que… tá aqui, um milhão e meio se fosse como a gente trabalhava antes você botava duzentos e tantos no bolso, meu filho!”

O MPF não deixou a frase passar sem interpretação. Na análise de prova, o órgão registra: “A referência a ‘como a gente trabalhava antes’ sugere claramente um relacionamento pretérito entre as partes, presumivelmente quando MARCOS ANTÔNIO ocupava função na Secretaria de Saúde. A menção a valores que ‘você botava duzentos e tantos no bolso’ indica que havia recebimento de valores por parte de MARCOS ANTÔNIO BEZERRA DE MEDEIROS em período anterior.”

O que as escutas registraram sobre Marcos Medeiros

Trechos das gravações ambientais no escritório da Dismed em Serra do Mel (mai/2025), reproduzidos na Representação Criminal nº 0006371-27.2025.4.05.0000.

MARCOS, eu queria combinar com você duas coisas: do jeito que tá não tá ganhando eu nem você! Desse aqui eu fui em cima, fui abaixo, fui em cima, fui abaixo e deu pra arrumar cem conto pra vocês, tá certo? Tô tirando do meu lucro! Agora, MARCOS, eu queria que… tá aqui, um milhão e meio se fosse como a gente trabalhava antes você botava duzentos e tantos no bolso, meu filho!

Contexto: Oseas Monthalggan simula o que diria a Marcos em reunião planejada. A frase “como a gente trabalhava antes” levou o MPF a concluir que havia repasse anterior, quando Marcos estava na Secretaria de Saúde.

Ele vai cobrar o valor. Eu tenho que dar aqui a você duzentos mil de PROPINA hoje. Aí eu pago cem (R$ 100.000,00) você está entendendo e cem… você guardando pra sua CAMPANHA.

Quem fala: José Moabe. O MPF classificou esta fala como não deixando “muita margem a outras interpretações”.

Vai tirando esse dinheiro e guardando. Quando for no final, quando for pra começar tá aqui MARCO, aqui é um extra pra você.

Plano total: acumular R$ 500 mil ao longo de um ano para a campanha de Marcos. Quando Moabe mencionou a campanha de Allyson ao governo do estado, Oseas respondeu: “Pra dele, homi!” — distinguindo os dois destinatários.

Transcrições reproduzidas a partir da Informação Policial nº 99/2025, incorporada à Representação Criminal nº 0006371-27.2025.4.05.0000 (TRF-5, págs. 36, 100, 307). Escuta ambiental autorizada judicialmente no escritório da Dismed em Serra do Mel/RN.

Dias depois, os mesmos interlocutores voltaram ao tema. Em uma sequência de três gravações, Oseas e Moabe discutiram a estratégia para financiar a campanha eleitoral de Marcos — que, naquele momento, exercia o cargo de vice-prefeito de Mossoró há quatro meses e era apontado como o sucessor natural de Allyson Bezerra na prefeitura.

Moabe propôs uma conta que, segundo o MPF, “não deixa muita margem a outras interpretações”:

“Ele vai cobrar o valor. Eu tenho que dar aqui a você duzentos mil de PROPINA hoje. Aí eu pago cem (R$ 100.000,00) você está entendendo e cem… você guardando pra sua CAMPANHA.”

E mais adiante, na mesma conversa:

“Vai tirando esse dinheiro e guardando. Quando for no final, quando for pra começar tá aqui MARCO, aqui é um extra pra você.”

Oseas confirmou: “Pra campanha!”

O plano total era acumular R$ 500 mil ao longo de um ano — dinheiro reservado para a campanha de Marcos. Quando Moabe mencionou a campanha de Allyson ao governo do estado, Oseas foi direto: “Pra dele, homi!” — distinguindo os dois destinos.

A PF, ao analisar as gravações, identificou “MARCO” como “provavelmente o atual vice-prefeito da cidade de Mossoró/RN, Marcos Antônio Bezerra de Medeiros, futuro candidato a cargo eletivo e destinatário de valores a título de propina a ser oferecida pelos representantes da Dismed Distribuidora.”

O que tornaria o caso de Marcos Medeiros distinto dos demais é uma linha registrada nos autos: os contatos entre ele e Oseas não cessaram quando ele deixou a Secretaria de Saúde.

Os autos da investigação revelam a troca de mensagens e ligações pelo WhatsApp entre o sócio da Dismed e o então vice-prefeito. “Tais diálogos”, registra o documento, “ocorreram já no ano de 2025, quando Marcos Antônio já havia assumido como vice-prefeito e não ocupava mais nenhuma função na Secretaria de Saúde.”

O MPF avalia: “A manutenção do contato, mesmo após a mudança de função administrativa, sugere que o relacionamento transcende questões meramente administrativas ou profissionais.”

A representação criminal descreve o papel estrutural de Marcos Medeiros no esquema com uma precisão que vai além das escutas:

“A contribuição de Marcos Antônio Bezerra de Medeiros na estrutura seria a de servir como ponto de contato e interlocução entre as empresas fornecedoras e a administração municipal. Durante o período em que ocupou cargos na Secretaria de Saúde, teria facilitado as contratações e mantido o fluxo de pagamentos que beneficiava o esquema. Após assumir como vice-prefeito, teria continuado, conforme referido naqueles diálogos, como interlocutor relevante, o que sugere manutenção de sua influência sobre as decisões relacionadas aos contratos.”

Em 27 de janeiro de 2026, quando a Polícia Federal cumpriu os mandados da fase ostensiva da Operação Mederi, dois endereços em Mossoró foram alvos de busca e apreensão vinculados ao nome de Marcos Medeiros. Um mandado de busca pessoal também foi expedido em seu nome.

Cinquenta e nove dias depois, Marcos Bezerra de Medeiros tomava posse como prefeito de Mossoró.

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Cidades

CARTAS MARCADAS? Licitação de publicidade do Governo está parada há quase 40 dias

Foto: Reprodução

O Governo do RN realizou a abertura dos envelopes da licitação de publicidade no dia 30 de março de 2026, ou seja, há quase 40 dias, e até hoje não julgou as propostas das agências participantes.

Diversas agências do RN e de todo o Brasil participaram do certame, entregaram suas propostas e aguardam o julgamento. Já são quase quarenta dias e o julgamento das propostas sequer se iniciou. Serão escolhidas 5 agências para atender às demandas do Governo, uma outra para o Detran e mais uma para o Idema.

Uma licitação deste porte exige meses de trabalho por parte das agências, que mobilizam suas equipes e investem pesado para apresentar um trabalho de excelência na concorrência.

O Governo do RN, além de não julgar as propostas e nem dar sequência ao certame, sequer deu uma satisfação oficial às quinze agências participantes, deixando todo mundo no escuro.

O que está acontecendo? Tem alguma carta marcada? Estão querendo anular a licitação? Por qual motivo? Alguém que deveria entrar ficou de fora? A sociedade (
e os órgãos de controle quer saber.

Fica só a pergunta, será que o publicitário Bruno Oliveira está no meio?

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Política

MEIO/IDEIA: Flávio tem 45,3% e Lula 44,7% no 2º turno

Foto: Reprodução

Levantamento da Meia/Ideia divulgado nesta 4ª feira (6.mai.2026) mostra que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem 45,3% das intenções de voto em um eventual 2º turno. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pontua 44,7%. Os 2 estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro, de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa entrevistou 1.500 pessoas em todo o Brasil de 1º a 5 de maio de 2026. O grau de confiança do levantamento é de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-05356/2026. Custou R$ 27.600 e foi pago pelo Canal Meio. Leia a íntegra (PDF – 4,47mB).

A pesquisa testou um cenário de 1º turno. A Meia/Ideia perguntou: “Em qual desses candidatos você votaria para presidente da República se a eleição fosse hoje?”. Eis como os entrevistados responderam:

Poder360

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Política

Vereador Rafael Correia propõe censo animal em Extremoz para fortalecer políticas públicas

Foto: Divulgação

O vereador de Extremoz, Rafael Correia, apresentou ao Poder Executivo Municipal uma importante proposição legislativa solicitando a realização de um censo populacional de animais de pequeno e grande porte em todo o município.

A proposta, encaminhada à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e ao Centro de Zoonoses, visa mapear com precisão a realidade da população animal na cidade, incluindo cães, gatos, cavalos, bovinos e outros animais de relevância.

De acordo com o parlamentar, a iniciativa é essencial para garantir a formulação de políticas públicas eficazes e direcionadas. “Não se consegue fazer políticas públicas sérias sem dados concretos. Precisamos conhecer a realidade do município para agir com responsabilidade e eficiência”, destacou Rafael Correia.

O levantamento também prevê a identificação específica dos chamados “pets comunitários” animais em situação de rua bem como sua distribuição territorial dentro do município.

A proposta ainda sugere que, caso o município não disponha de equipe técnica suficiente, seja realizada a contratação de empresa especializada para a execução do estudo, assegurando qualidade e precisão nos dados coletados.

A indicação reforça a necessidade de transparência, recomendando que os dados obtidos sejam amplamente divulgados à população, servindo de base para ações estratégicas nas áreas de saúde pública, controle de zoonoses, campanhas de castração e programas permanentes de bem-estar animal.

Rafael Correia tem se destacado pela atuação firme em defesa da causa animal no município. Ao longo de seus mandatos, o parlamentar já foi autor de diversas iniciativas legislativas voltadas ao tema, como a lei que proíbe o uso de fogos de artifício com estampido, protegendo animais e pessoas sensíveis ao barulho, além de pleitos importantes como a solicitação de implantação de um hospital veterinário municipal.

A proposta do censo animal surge como mais um passo estruturante para consolidar políticas públicas modernas e eficazes, alinhadas às necessidades da população e ao respeito aos animais.

Opinião dos leitores

  1. Tu já ouviu falar no Censo Agropecuário, mané?
    Vai lá, sai por aí contando galinhas, subindo na empresa poleiros. Homi, vai no procurar revitalizar a mono produção do grude que hoje mais parece chiclete tupiniquim…

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Acidente

Homem morre ao sofrer choque enquanto manuseava bomba no interior do RN

Foto: Reprodução

Um homem morreu após sofrer um choque elétrico enquanto manuseava uma bomba d’água na zona rural do município de Ouro Branco, no Seridó Potiguar. O caso aconteceu nessa terça-feira (5). A vítima foi identificada inicialmente como Joaquim Silva.

Segundo as informações, ele havia saído de casa para o local onde costumeiramente fazia esse manuseio. Com a demora dele para voltar, familiares decidiram ir atrás e encontraram o homem já sem vida.

Portal da Tropical

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Brasil

MEIO/IDEIA: 39,4% dos brasileiros defendem nome técnico para vaga no STF

Foto: Reprodução

A próxima indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao STF (Supremo Tribunal Federal) deveria ser de um nome técnico e sem ligação com o governo, segundo 39,4% dos brasileiros. Os dados são da pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (6).

O levantamento aponta também que 37% dos brasileiros defendem que o presidente mantenha uma indicação de cunho político e ligações com o governo.

Para 13,2% dos brasileiros, a vaga aberta do STF deve ser negociada com o Senado. Outros 5% acreditam que uma mulher deve ser indicada. Do total de entrevistados, 5,4% não souberam responder.

Metodologia

A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores em todo o território nacional, entre os dias 1 e 5 de maio. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. O código de registro no TSE é BR-05356/2026

CNN

Opinião dos leitores

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Política

R$ 100 mil de cachê em evento com verba pública levam Daniela Mercury ao banco dos réus

Foto: Reprodução

A cantora Daniela Mercury se tornou ré em uma ação judicial que investiga o uso de recursos públicos em um show realizado no Dia do Trabalhador de 2022, em São Paulo. O caso envolve o pagamento de cachê de R$ 100 mil à artista e apura se houve irregularidades na contratação e no contexto da apresentação, conforme informações do Diário do Poder.

De acordo com informações do processo, o evento ocorreu em 1º de maio de 2022, na Praça Charles Miller, e teria custado cerca de R$ 170 mil aos cofres públicos, sendo R$ 100 mil destinados à cantora. Outros artistas e a produtora responsável também são citados na ação.

Segundo os autos, a investigação busca esclarecer se houve uso indevido de recursos públicos em um evento que, conforme alegações apresentadas no processo, teria assumido caráter político fora do período eleitoral.

A ação foi movida pelo deputado estadual Gil Diniz, que aponta possíveis irregularidades e classifica o caso como um “showmício”. O processo segue em tramitação na Justiça paulista.

Em manifestação no processo, a defesa da produtora responsável pela contratação afirma que não houve ilegalidade e sustenta que eventuais posicionamentos da artista durante a apresentação estão amparados pela liberdade de expressão.

Opinião dos leitores

  1. Imaginem as prefeituras de nosso estado pagando até 1 milhão para o cantor ficar citando o nome do prefeito a cada musica que canta.

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