Diversos

Jeito de jogar futebol diz algo sobre cada país, afirma jornalista inglês

O argentino Nicolás Tagliafico (dir.) tenta bloquear chute do francês Kylian Mbappé durante partida das oitavas de final da Copa da Rússia, no último dia 30 – Ricardo Mazalan/Associated Press

Para jornalista que escreveu livro sobre história da tática no futebol, a maneira pela qual cada país aborda o esporte diz algo sobre como a nação se vê. Ele afirma, porém, que a conexão entre caráter nacional e estilo de jogo não é direta nem imutável.

Escritores como Eduardo Galeano e Albert Camus observaram que o esporte tem a capacidade de revelar a verdade do indivíduo. Podemos conversar e desenvolver hipóteses sobre certo e errado, sobre os limites da moralidade, mas é em campo, onde não há tempo para pensar, onde as ações são instintivas, que a realidade de nossas teorias é testada.

Sob pressão, com o defensor se aproximando, nós nos jogamos ao chão? Pedimos escanteio mesmo que tenhamos sido os últimos a tocar na bola? Agarramos a camisa do atacante, pelas costas do juiz, quando ele está escapando da marcação?

O exame que o futebol oferece, porém, não é apenas de moralidade; é sobre quem somos. Quando precisamos de um gol desesperadamente, continuamos trocando passes ou lançamos a bola na área e contamos com a sorte de um rebote? Temos fé em nossa habilidade ou nos deixamos atrair por algo mais primitivo? Confiamos em nossos colegas de time ou tentamos resolver o problema sozinhos? Aceitamos a responsabilidade ou nos escondemos?

O futebol talvez seja a única empreitada cultural universal, a única atividade pela qual o mundo todo se interessa e em que todos jogam pelas mesmas regras. A maneira pela qual cada país aborda o esporte, portanto, diz algo sobre a nação, sobre como ela se vê e sobre os valores aos quais confere importância.

A questão do estilo nacional fascina o futebol desde que a primeira partida internacional foi disputada, entre Inglaterra e Escócia em 1872. O esporte era basicamente uma correria, combinando trombadas e dribles, mas os escoceses, percebendo que os ingleses eram muito maiores e os sobrepujariam no físico, começaram a trocar passes para manter a bola longe dos adversários.

O resultado foi o desenvolvimento do estilo escocês do futebol de passes, tão distinto e efetivo que os primeiros clubes de futebol profissionais da Inglaterra (Preston North End, Sunderland e Aston Villa) conquistaram seu sucesso nas décadas de 1880 e 1890 em larga medida pela importação de jogadores da Escócia.

A Escócia continua a ser reverenciada pelo seu jogo de passes? Não, mas é revelador que, quando o país fracassou na busca de uma vaga para a Copa da Rússia, seu treinador, Gordon Strachan, tenha atribuído a culpa a fatores genéticos —exatamente a mesma falta de estatura que levou os escoceses a desenvolver o passe 150 anos atrás.

O aspecto físico, porém, é apenas uma das muitas maneiras pelas quais os estilos nacionais se desenvolvem —e, com a imigração crescente e a melhora na nutrição mundial, é razoável presumir que essas diferenças diminuirão com o tempo. Muita coisa no estilo nacional de futebol de cada país é mais sutil e tem a ver com filosofias e personalidades.

Diversos países são obcecados por jogar de uma determinada maneira.

A Holanda, por exemplo, recua sempre aos times do Ajax do começo da década de 1970 e à sua grande seleção de 1974.

Se o time não jogar no 4-3-3 e se não privilegiar a posse de bola e a pressão sobre a saída de bola adversária, com alas genuínos jogando bem abertos, pelo menos metade do país protesta contra essa traição (segundo o escritor e jornalista David Winner, o estilo deriva da obsessão por espaço que caracteriza a sociedade holandesa desde que o país começou a recuperar terras do mar a fim de acomodar a expansão de sua população).

A Espanha, graças à influência de Rinus Michels e Johan Cruyff no Barcelona, hoje talvez jogue um futebol mais holandês que o da Holanda. Todo o sucesso dos espanhóis nos últimos dez anos —duas Eurocopas e uma Copa do Mundo— surgiu depois que o país abandonou seu estilo nacional, “la furia roja” —a fúria vermelha, uma abordagem baseada em energia e agressividade—, e adotou o modelo holandês.

E isso talvez seja um indicador de que discussões sobre estilo nacional devem ser tratadas sempre com cautela. É fácil recair em estereótipos ou presumir que um estilo nacional de jogo e um “caráter” nacional, se é que isso pode existir, são imutáveis: que os italianos sempre jogarão na defesa, que os alemães sempre serão eficientes, que os uruguaios sempre serão raçudos…

A relação da Inglaterra com sua história parece particularmente complexa. Quando o futebol é aprendido na lama e na chuva, talvez seja natural que ele priorize a força física e a resistência, que tenha pouco espaço para a sutileza, especialmente se o embate corpo a corpo serve tão bem à percepção do caráter nacional como avesso a qualquer coisa astuta ou intelectual demais.

É o futebol das fábricas, dos estaleiros e das minas, os lugares onde o esporte primeiro se desenvolveu e nos quais solidez, confiabilidade e perseverança são as virtudes mais apreciadas.

Mas também é fato que, quando a porção central do gramado vira um lodaçal —como era o caso na Inglaterra, em outubro—, os jogadores mais habilidosos precisam jogar pelas pontas. É por isso que, até mesmo nos anos 50, o ponta tendia a ser o jogador mais talentoso em campo, e é por isso que o jogo se baseava em ataques pelas laterais e cruzamentos para um centroavante grandalhão.

Desde a chocante derrota para a Hungria por 6 a 3 em 1953, a primeira sofrida em Wembley diante de um adversário estrangeiro, há a sensação de que a Inglaterra necessita abrir mão de suas tradições e desenvolver um jogo que envolva mais posse de bola, mais habilidade, um estilo menos direto.

O relacionamento entre a seleção de um país e o “caráter nacional” raramente é simples e direto. Há momentos em que é possível ver conexões entre o ambiente político prevalecente e a abordagem tática de uma equipe nacional, mas a relação muitas vezes é complexa.

A Itália de Vittorio Pozzo, que ganhou duas Copas na década de 1930, por exemplo, claramente exibia uma musculatura que refletia a celebração das virtudes militares pelo regime fascista. Mas nem todas as seleções que representam países com governos de extrema direita jogam assim, como é evidente para qualquer um com o mínimo de conhecimento sobre o futebol brasileiro.

A Argentina oferece um raro exemplo de estilo nacional que exprime de maneira muito autoconsciente o caráter nacional.

Quando os britânicos se retiraram da Argentina nos anos imediatamente anteriores à Primeira Guerra Mundial, deixaram para trás um país jovem e imigrante, com cerca de 1 milhão de espanhóis, 800 mil italianos, 400 mil europeus do norte da Europa, 400 mil árabes e cerca de 100 mil britânicos, irlandeses, franceses e alemães. Essas pessoas pouco tinham em comum, e por isso surgiu um processo consciente para definir o que significava ser argentino.

Em 1912, o poeta Leopoldo Lugones definiu o argentino em contraposição ao britânico. À época, o Reino Unido controlava o país na prática. Os britânicos introduziram as cercas de arame, que tornaram a pecuária muito mais eficiente e solaparam o poder dos gaúchos, os heróis dos pampas, romantizados na primeira grande obra da literatura argentina, “Martín Fierro”. O gaúcho, disse Lugones, é o verdadeiro argentino: prático, astucioso, durão.

O futebol argentino também podia ser apresentado em oposição ao inglês. Os britânicos aprenderam o jogo nos vastos gramados de suas escolas, onde resistência e força física eram vitais. Os argentinos aprenderam em terrenos baldios de suas favelas, espaços apertados, superlotados, com superfícies irregulares e nos quais não havia professores para interferir se as coisas ficassem feias.

O que importava ali era habilidade técnica, mas também a capacidade de cuidar de si mesmo. Assim, o elemento mais procurado era o “pibe”, o moleque dos cortiços —e o que era ele senão uma representação urbana do espírito gaúcho?

Mas, no geral, o relacionamento entre estilo e caráter nacional é indireto, plástico, vislumbrado em relances e ecos, em parte porque estilo de jogo e caráter nacional são em si tão nebulosos. A recente Copa do Mundo serve como exemplo. A notícia tática importante, para muitos, foi a eliminação prematura dos dois últimos campeões, Espanha e Alemanha, que praticam um jogo baseado em posse de bola.

Havia diferenças significativas entre a seleção de Vicente del Bosque em 2010 e a de Jogi Löw em 2014, mas ambas basearam seu sucesso na industrialização da produção de talentos jovens (como fez a França) e em garantir que os atletas saídos de suas academias tivessem boa formação técnica e fossem capazes de reter a posse de bola. Para os dois países, isso representou uma grande mudança em relação à maneira de jogar que adotavam na década de 1940.

Também é fato que Espanha e Alemanha fracassaram agora em larga medida porque não conseguiram converter posse de bola em boas oportunidades de gol. Talvez isso signifique que os oponentes aprenderam a combater quem busca dominar a bola, mas não que o futebol de posse de bola tenha se tornado obsoleto.

Para começar, Manchester City, Barcelona e Bayern de Munique —os três clubes mais apegados ao estilo de Pep Guardiola, que serviu de base ao sucesso espanhol— venceram os campeonatos de seus países na temporada mais recente.

O que essas eliminações significam é que Espanha e Alemanha tiveram uma Copa ruim —a primeira prejudicada pela demissão do treinador Julen Lopetegui na véspera do torneio, a segunda solapada por panelinhas e pela complacência do time.

A campeã França jogou uma forma antiquada de futebol, baseada em manter estruturas defensivas, que lembra a maneira pela qual o time venceu a Copa do Mundo de 1998, com Didier Deschamps, atual treinador da equipe, como capitão. É um estilo distintamente francês? Talvez, mas certamente não o estilo praticado pela mais amada das seleções do país, aquela que Michel Platini capitaneava nos anos 80.

O que é um lembrete útil de que os estilos nacionais são escorregadios e de que a conexão entre o caráter nacional e a tática em campo é oblíqua e raramente tão simples quanto os estereótipos podem nos levar a crer.

Jonathan Wilson, jornalista inglês, é autor de “A Pirâmide Invertida – A História da Tática no Futebol” (ed. Grande Área) e editor da revista trimestral The Blizzard.

Folha de São Paulo

 

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Judiciário

TCE suspende contrato do Nogueirão e aponta suspeitas de irregularidades na gestão Alysson Bezerra

Foto: Reprodução 

A contratação realizada pela gestão do prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra, para a construção do novo Estádio Nogueirão e do Centro Administrativo Municipal foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) após identificação de indícios graves de irregularidades no processo licitatório.

A decisão ocorre após auditoria da Diretoria de Controle de Infraestrutura e Meio Ambiente (DIA), que apontou falhas que vão desde o descumprimento de exigências legais até a inviabilidade econômica do modelo proposto. Diante dos achados, a equipe técnica recomendou medida cautelar para suspensão imediata da licitação.

Entre as principais irregularidades identificadas está o não envio da documentação ao TCE com antecedência mínima de 120 dias, prazo obrigatório para análise prévia de legalidade. A auditoria também constatou a ausência de uma Matriz de Alocação de Riscos no edital — item exigido pela nova Lei de Licitações — o que compromete a segurança jurídica do processo e afasta potenciais investidores.

Outro ponto considerado crítico é a falta de fundamentação dos valores apresentados. Segundo o TCE, não há memória de cálculo nem pesquisa de mercado que justifique os preços e avaliações imobiliárias utilizados na modelagem do projeto.

A análise financeira do contrato acendeu ainda mais o alerta da Corte de Contas. Os cálculos indicam que seriam necessários 333 meses — quase 28 anos — apenas para amortizar o investimento inicial, sem qualquer pagamento de outorga ao município nesse período. Considerando uma taxa de retorno de 8%, o modelo projetado geraria prejuízo estimado de R$ 12 milhões ao investidor.

“O empreendimento se mostra completamente inviável”, aponta o relatório técnico, destacando que o contratado teria como resultado um prejuízo significativo ao longo da execução.

O contrato prevê uma concessão de 35 anos à iniciativa privada, com investimento estimado em R$ 40,9 milhões. Em contrapartida, parte de um terreno público seria permutada para viabilizar a construção do Centro Administrativo de Mossoró — operação que também entrou no radar do TCE pela falta de justificativas técnicas consistentes.

Além disso, o Tribunal alertou que a ausência de documentos inviabilizou o acompanhamento adequado do processo, configurando risco à legalidade da contratação e possibilidade de danos ao erário.

Com a decisão, o processo licitatório fica suspenso até nova deliberação do TCE, aumentando a pressão sobre a gestão municipal e colocando sob questionamento um dos principais projetos estruturantes da administração Alysson Bezerra.

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Mundo

Irã descarta reabrir Estreito de Ormuz em troca de cessar-fogo temporário

Foto: Stringer/Anadolu via Getty Images

Autoridades do Irã indicaram que não há disposição para reabrir o Estreito de Ormuz em troca de um cessar-fogo temporário no conflito em andamento na região.

Segundo um alto funcionário iraniano, o país avalia que os Estados Unidos ainda não demonstraram compromisso com um acordo definitivo, o que dificulta qualquer avanço nas negociações imediatas.

Uma proposta apresentada pelo Paquistão prevê um acordo em duas etapas, com um cessar-fogo inicial seguido por um entendimento mais amplo em até 20 dias. O plano, no entanto, ainda está sendo analisado por Teerã, que resiste a pressões externas e prazos considerados rígidos.

A tensão aumentou após ameaças do presidente Donald Trump, que condicionou novos ataques à reabertura da passagem estratégica, essencial para o fluxo global de petróleo e gás.

Enquanto as negociações avançam lentamente, a região segue sob instabilidade, com novos bombardeios registrados e impactos diretos no mercado energético mundial, já que o bloqueio do estreito afeta uma das principais rotas comerciais do planeta.

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Geral

Lula articula no STF para tentar anular quebra de sigilo de Lulinha

Foto: Reprodução

Movimentações nos bastidores indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca reverter no Supremo Tribunal Federal a decisão que autorizou a quebra de sigilo do filho, Fábio Luís Lula da Silva, no âmbito das investigações relacionadas ao caso do INSS.

A medida foi determinada pelo ministro André Mendonça, a partir de pedido da Polícia Federal do Brasil, e envolve dados bancários, fiscais e telemáticos. Interlocutores apontam que há pressão para que a decisão seja revista dentro da própria Corte.

Nos bastidores políticos, aliados do governo também comemoraram o enfraquecimento da comissão parlamentar que tratava do tema, após a desarticulação da CPMI do INSS e a não prorrogação dos trabalhos. A movimentação foi interpretada como uma vitória estratégica para o Planalto.

Relatos indicam ainda que o presidente acompanhou de perto as articulações políticas nas últimas semanas, cobrando atuação de parlamentares do PT para barrar o avanço das investigações no Congresso.

O caso segue em disputa tanto no campo político quanto jurídico, com expectativa de novos desdobramentos envolvendo decisões do STF e possíveis recursos relacionados à quebra de sigilo.

Com informações do Diário do Poder

Opinião dos leitores

  1. Uma verdadeira vergonha,sinceramente esse país está sem rumo,o que me admira é assistir pessoas instruídas apoiar esse governo,os analfabetos eu até que relevo,os que tem maiores nível de sabedoria passa a ser piores que os demais.

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Geral

Eduardo Bolsonaro elogia PF em casos Master e INSS, mas nega mérito ao governo Lula

Foto: REUTERS/Jessica Koscielniak

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro avaliou positivamente a atuação da Polícia Federal do Brasil nas investigações envolvendo o Banco Master e o INSS, mas criticou o governo do presidente Lula, afirmando que não há mérito da atual gestão no avanço das apurações.

A informação é do colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles. Na avaliação do ex-parlamentar, o trabalho recente da PF contribui para recuperar a credibilidade da instituição, que, segundo ele, teria sido afetada por decisões ligadas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Eduardo também contestou a autonomia da corporação no cenário atual, defendendo que, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Polícia Federal teria atuado com mais independência. Para ele, hoje haveria influência política nas investigações.

Ao comentar a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o ex-deputado afirmou que a medida só ocorreu por pressão da CPI e da opinião pública, e não por iniciativa do governo federal.

As declarações foram feitas em meio ao embate político sobre a condução das investigações, que também envolve críticas de aliados do governo e discussões sobre a independência das instituições no país.

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Esporte

Laguna estreia com empate na Série D após reação no segundo tempo

Foto: Raphael Oliveira

O Laguna iniciou sua caminhada na Série D do Campeonato Brasileiro com empate em 1 a 1 diante do Central Sport Club, em duelo disputado na tarde deste domingo (5), pelo Grupo 8 da competição.

A equipe pernambucana saiu na frente ainda no primeiro tempo. Aos 12 minutos, o atacante Luiz Paulo aproveitou cruzamento de Jackson, se antecipou à marcação e abriu o placar para o time de Caruaru.

Na volta do intervalo, o Laguna conseguiu reagir rapidamente. Em lance dentro da área, o goleiro Milton Raphael se chocou com o atacante Natanael, e o árbitro marcou pênalti. Na cobrança, Erivélton bateu com tranquilidade para deixar tudo igual.

Com o resultado, o time potiguar soma seu primeiro ponto na competição nacional e aparece na quarta colocação do grupo após a rodada inicial.

O próximo compromisso será no domingo (12), às 16h, contra o ABC Futebol Clube, no Estádio Frasqueirão, em Natal.

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Geral

Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos cinco anos e triplicou patrimônio

Foto: Divulgação/STF

Levantamento com base em registros de cartório aponta que o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, ampliaram de forma significativa o patrimônio imobiliário nos últimos anos.

Atualmente, o casal possui 17 imóveis avaliados em cerca de R$ 31,5 milhões. Desde 2017, quando Moraes assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, o crescimento patrimonial chega a 266%, considerando que, à época, os bens somavam R$ 8,6 milhões distribuídos em 12 propriedades.

A maior parte da expansão ocorreu nos últimos cinco anos, período em que foram investidos R$ 23,4 milhões na aquisição de imóveis em cidades como Brasília e São Paulo, com pagamentos realizados à vista, segundo os documentos.

Os dados também indicam que, ao longo de quase três décadas, o casal realizou compras que totalizam R$ 34,8 milhões em 27 imóveis, embora parte deles tenha sido vendida posteriormente. Isso explica a diferença em relação ao patrimônio atual.

Boa parte das aquisições recentes foi feita por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa utilizada para administração dos bens da família. A sociedade é formada por Viviane e os filhos do casal, enquanto Moraes não aparece formalmente como sócio, embora o regime de comunhão parcial de bens inclua o patrimônio no conjunto familiar.

Entre os negócios mais relevantes estão a compra de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, por R$ 12 milhões, e imóveis de alto padrão em São Paulo e Campos do Jordão. As transações incluem pagamentos elevados feitos por transferência bancária e PIX.

Além da evolução patrimonial, também houve crescimento na atuação profissional do escritório Barci de Moraes Advogados, comandado por Viviane. O volume de processos em tribunais superiores aumentou nos últimos anos, assim como contratos firmados com instituições financeiras.

Procurados, Moraes e Viviane não se manifestaram sobre os dados até o momento.

Com informações do Estadão

Opinião dos leitores

  1. E o problema era os imóveis que todo mundo que tem o sobrenome Bolsonaro comprou no período de 30 anos

  2. Funcionário público federal nomeado e uma advogada sem muita relevância.
    Queria aprender essa mágica.
    Em quanto isso, um caba deu 500 contos pro evento do 8 de janeiro, tá condenado a 14 anos de prisão.
    Que doideira?
    Brasil sil sil sil…

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Economia

Senado banca R$ 2,5 milhões em passagens de executiva para viagens internacionais

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Levantamento com base em dados oficiais aponta que o Senado Federal do Brasil destinou cerca de R$ 2,5 milhões para custear passagens em classe executiva para parlamentares em missões internacionais ao longo de 2025.

A informação é do colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles. Entre os maiores gastos estão os senadores Irajá Abreu, Ciro Nogueira e Eudócia Caldas. Juntos, os três somaram aproximadamente R$ 197 mil em bilhetes nessa categoria.

Um dos casos de maior custo ocorreu em outubro, quando Irajá viajou para Moscou, na Rússia, com despesas de cerca de R$ 68 mil. Já Ciro Nogueira desembolsou R$ 67,4 mil em passagens para Nova York, onde participou de um evento internacional. No caso de Eudócia, a viagem à China, com visitas técnicas a centros de pesquisa e hospitais, custou R$ 61,5 mil.

As regras da Casa permitem que despesas com transporte aéreo, tanto no Brasil quanto no exterior, sejam custeadas pelo Senado quando se tratam de missões oficiais. A responsabilidade pela emissão e escolha das passagens é do próprio parlamentar.

Apesar de não haver uma proibição explícita quanto à classe dos bilhetes, há uma orientação para que sejam escolhidas opções consideradas mais vantajosas, levando em conta critérios como economia de recursos, conveniência parlamentar e limites orçamentários.

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Geral

Banco Central impõe sigilo de 8 anos sobre documentos do caso Banco Master

Foto: REUTERS/Adriano Machado

Documentos ligados à liquidação extrajudicial do Banco Master foram classificados como secretos pelo Banco Central do Brasil, com prazo de sigilo estabelecido em oito anos. A restrição foi confirmada em resposta a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI).

A justificativa apresentada pela autoridade monetária aponta que a divulgação imediata poderia afetar a estabilidade financeira, econômica e monetária do país. A decisão de classificar os documentos partiu do presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda em novembro de 2025, o que estende o sigilo até novembro de 2033.

Além da questão econômica, o Banco Central também argumenta que o acesso público às informações poderia comprometer atividades de inteligência e investigações em andamento, especialmente aquelas relacionadas à prevenção e repressão de irregularidades no sistema financeiro.

O tema, no entanto, já entrou no radar do Tribunal de Contas da União. O ministro Jhonatan de Jesus solicitou à autoridade monetária que detalhe quais trechos realmente precisam permanecer sob sigilo ou se há possibilidade de liberação parcial dos documentos.

A liquidação do Banco Master foi decretada em novembro de 2025 após a identificação de uma grave crise de liquidez e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Na ocasião, além do banco principal, outras instituições do conglomerado também foram atingidas pela medida.

Mesmo representando uma fatia pequena do sistema financeiro, o caso levantou preocupações sobre governança e fiscalização, o que mantém o tema em evidência entre órgãos de controle e no debate público.

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Geral

VÍDEO: Padre interrompe missa e chama ato político de “canalhice” durante Páscoa em cidade do RN

 

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Vídeo: Reprodução/Instagram @bznoticias

O clima de fé do Domingo de Páscoa foi interrompido por uma situação inusitada e polêmica no município de Ouro Branco, no Seridó potiguar.

Durante a celebração na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, o padre Amaurilo precisou parar a missa após o barulho provocado por uma “motocada”, acompanhada de paredão de som e fogos de artifício nas proximidades do templo. A movimentação fazia parte de um ato político em apoio à chapa formada por Fátima Araújo e Denis Rildon, que disputam a eleição suplementar marcada para 17 de maio.

Visivelmente incomodado, o sacerdote utilizou o microfone para criticar a situação e classificou o episódio como “canalhice”, destacando a falta de respeito com o momento religioso e com os fiéis presentes. A reação repercutiu rapidamente e ganhou destaque dentro e fora da cidade.

O episódio ocorre em meio a um cenário político tenso, após a cassação do ex-prefeito Samuel Souto, que levou à convocação de uma nova eleição no município.

O próprio padre já vinha alertando sobre excessos comuns em períodos eleitorais, defendendo medidas para regulamentar o uso de paredões de som e fogos de artifício na cidade, especialmente em áreas próximas a igrejas e eventos religiosos.

Com informações de BZNoticias

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Geral

Câmara dos EUA diz que Moraes persegue adversários de Lula

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Um documento elaborado pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos aponta que o ministro Alexandre de Moraes teria adotado medidas de censura direcionadas a adversários políticos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto no Brasil quanto no exterior.

A informação é do colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles. De acordo com o relatório, controlado por parlamentares do Partido Republicano, há indícios de que decisões judiciais teriam como alvo opositores do atual governo. O texto afirma que Moraes estaria tentando silenciar críticos e restringir manifestações políticas contrárias ao presidente.

Entre os casos citados, o comitê menciona ações envolvendo Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o documento, entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, o ministro teria expedido ordens contra o ex-parlamentar, que atualmente reside nos Estados Unidos e defende sanções contra Moraes.

A análise também ressalta que Eduardo Bolsonaro tem atuado internacionalmente para pressionar autoridades norte-americanas a adotarem medidas contra o ministro do Supremo. O tema ganhou repercussão dentro do Congresso dos EUA e passou a integrar discussões sobre liberdade de expressão e regulação de plataformas digitais.

Além disso, decisões recentes do magistrado voltaram a colocar o caso em evidência. Moraes determinou que Eduardo prestasse esclarecimentos sobre um vídeo gravado com apoiadores no exterior, que, segundo o próprio ex-deputado, seria exibido ao pai durante o período em que ele cumpre prisão domiciliar e está impedido de utilizar redes sociais.

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