Judiciário

Juízes punidos com aposentadoria por desvios receberam R$ 10 milhões em apenas 6 meses

Aposentados compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 47 magistrados tiveram um rendimento bruto de cerca de R$ 10 milhões em 6 meses. Os juízes e desembargadores e até um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) perderam os cargos entre 2008 e 2018 por venda de sentença, desvio de recurso, tráfico de influência, conduta negligente e outras faltas disciplinares.

As informações foram obtidas pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação e também pelos portais da Transparência do CNJ, dos Tribunais de Justiça e do Estado da Paraíba.

O CNJ foi criado por Emenda Constitucional em 2004 e instalado no ano seguinte. Até abril deste ano, o Conselho havia julgado 57 casos envolvendo juízes – alguns foram punidos mais de uma vez.

A Lei Orgânica da Magistratura (Loman), de 1979, prevê a aposentadoria compulsória como a mais grave das penas disciplinares a um juiz vitalício – advertência, censura, remoção compulsória e disponibilidade. Após a punição, os magistrados mantêm os salários ajustados ao tempo de serviço.

Entre novembro do ano passado e abril deste ano, magistrados aposentados compulsoriamente chegaram a ter rendimentos brutos que ultrapassam os R$ 100 mil.

Suspeito de participar de esquema que teria desviado R$ 70 milhões dos cofres públicos de Rondônia, o ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado Sebastião Teixeira Chaves recebeu o valor mais alto da lista e levou uma aposentadoria bruta de R$ 415.972,81 em seis meses. Os valores variaram entre R$ 33.518,22 e R$ 88.232,41.

Dois ex-desembargadores, um do Tribunal Regional do Trabalho da 14.ª Região (TRT-14) e outro do Tribunal Regional do Trabalho da 3.ª Região (TRT-3), receberam R$ 120.927,78 e R$ 109.481,56 respectivamente.

O magistrado ligado ao TRT-14 foi punido em 2017. De acordo com o CNJ, o desembargador, então corregedor do Tribunal, deslocou uma ação trabalhista do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rondônia (Sintero) contra a União da 2.ª para a 7.ª Vara para manter o controle da ação de mais de R$ 5 bilhões e ‘satisfazer interesse pessoal’.

A aposentadoria bruta do desembargador alcançou R$ 293.455,31 entre novembro de 2018 e abril deste ano. Os valores variaram de R$ 30.605,18 a R$ 120.927,78.

Em 2011, o CNJ puniu o desembargador do TRT-3. O magistrado foi acusado pela Procuradoria Regional do Trabalho da 3.ª Região de atuar em benefício de um escritório de advocacia que atuava perante o tribunal e, em troca, morar em um apartamento de luxo pagando R$ 200 de aluguel.

O desembargador recebeu uma aposentadoria bruta de R$ 293.331,28 em seis meses. O rendimento mensal mínimo alcançou R$ 35.787,92.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, um juiz se torna vitalício após dois anos no cargo e apenas perde o posto por sentença judicial transitada em julgado. A aposentadoria compulsória pode ser aplicada pelo Tribunal de atuação do magistrado ou pelo próprio órgão.

O CNJ informa que o juiz pode ser aposentado compulsoriamente por ‘desídia com deveres do cargo, conduta imprópria ao decoro da função (na vida pública ou privada) e trabalho insuficiente’. Atraso excessivo em decisões e despachos, parcialidade e tráfico de influência também podem ocasionar faltas funcionais.

“A aposentadoria libera-o para qualquer função. O aposentado, porém, deve esperar três anos antes de advogar no juízo ou tribunal onde atuava. Ser excluído do quadro por sanção impede o juiz de ocupar função de confiança ou cargo de comissão no Judiciário”, afirma o Conselho em seu site.

“A condenação pode levar, ainda, à declaração de inidoneidade pela Ordem dos Advogados do Brasil, o que veda inscrição como advogado. O condenado fica também inelegível por oito anos. Mesmo a condenação à pena máxima não obsta a investigação de condutas não apuradas no procedimento. Caso se tratem de fatos distintos, o magistrado pode, inclusive, voltar a receber a mesma sanção.”

Na lista de aposentados compulsoriamente pelo CNJ até abril, dois magistrados haviam sido punidos três vezes. Um juiz do Maranhão foi considerado culpado em um procedimento que apurava por negligência em um pedido de indenização e outros dois por omissão e parcialidade no julgamento de processos contra empresas de grande porte.

Em seis meses, o magistrado recebeu um rendimento bruto de R$ 198,6 mil. O maior valor foi depositado em janeiro, R$ 34,5 mil.

Entre 2012 e 2015, um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) também foi punido três vezes. O magistrado foi alvo de apuração por receber cópias de documentos sigilosos de inquérito do STJ e repassar a advogados, em vez de encaminhar o caso aos órgãos competentes para apurar o vazamento do material, por determinar urgência no pagamento de um precatório devido à empresa Parque dos Alpes em troca de vantagens financeiras e por participação em esquema de venda de decisões judiciais.

A aposentadoria bruta do desembargador alcançou R$ 258.498,15 em seis meses. Em novembro do ano passado, o magistrado recebeu R$ 67,5 mil.

Segundo o CNJ, o juiz condenado a qualquer pena pode tentar anular a punição. O Conselho afirmou, via Lei de Acesso à Informação, que, atualmente, há 8 aposentadorias compulsórias sob revisão.

As primeiras aposentadorias compulsórias começaram a ser aplicadas pelo CNJ em 2008. Dois anos depois, o então ministro do STJ Paulo Geraldo de Oliveira Medina foi punido sob acusação de beneficiar, por meio de sentenças, empresas que solicitavam liberação de máquinas caça-níqueis à Justiça.

Entre janeiro e abril deste ano, o ministro aposentado recebeu R$ 183 mil brutos. Em janeiro foram R$ 59 mil. Nos três meses seguintes, R$ 41 mil.

Opinião dos leitores

  1. O cara rouba e tem como prêmio aposentadoria remunerada. Só no Brasil mesmo. Na China levava uma bala na cabeça.

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Geral

Com meses de atraso, Congresso deve avançar com Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 nesta semana

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O Congresso Nacional deve finalmente avançar nesta semana na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, após meses de paralisação no calendário orçamentário. A Comissão Mista de Orçamento (CMO) marcou para terça-feira (2) a análise do parecer do relator, Domingos Neto (PSD-CE). A expectativa é de votação em sessão do Congresso na quarta (3).

O avanço ocorre após sucessivos adiamentos motivados por impasses políticos e pela dependência de votações fiscais consideradas essenciais pelo governo.

A LDO define prioridades, metas e a base da Lei Orçamentária Anual (LOA), influenciando gastos obrigatórios, investimentos e programas sociais.

O atraso pressiona o planejamento do Executivo e repete o cenário do ano anterior, ampliando críticas ao desgaste do processo orçamentário. A aprovação nesta semana abriria caminho para a fase final da negociação da LOA de 2026, permitindo ajustes nas estimativas de receitas e parâmetros macroeconômicos.

Nos bastidores, integrantes da CMO afirmam que o clima político está mais favorável, com esforço do governo para acelerar pautas fiscais e pressão do Congresso por uma definição.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, condicionou o avanço da LDO à aprovação de medidas que reduzam gastos tributários — entre elas, o projeto que aplica corte linear em benefícios fiscais, considerado crucial para o cumprimento das metas do arcabouço fiscal.

Se o calendário for mantido, deputados e senadores devem concluir ainda nesta semana um dos principais entraves da agenda orçamentária.

Com informações de CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. O Congresso Nacional é uma vergonha em todos os sentidos. Só deveriam entrar de férias ou recesso após aprovação do orçamento.

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Geral

Governo Lula reduz projeção do salário mínimo de 2026 para R$ 1.627

Foto: Natália Filippin/g1

O governo federal revisou para baixo a estimativa do salário mínimo de 2026. A projeção caiu de R$ 1.631 para R$ 1.627, segundo atualização enviada pelo Ministério do Planejamento ao Congresso.

A redução reflete o comportamento da inflação, que vem subindo menos que o esperado. Como o INPC — índice usado para calcular o reajuste — deve fechar o ano abaixo da estimativa inicial, o aumento do mínimo também será menor.

Se o novo valor se confirmar, o salário mínimo de 2026 terá alta de cerca de 7,2% sobre o piso atual (R$ 1.518).

O valor final deve ser conhecido nos próximos dias, após a divulgação oficial do INPC. A diferença, porém, não deve ser significativa em relação à projeção de R$ 1.627.

A fórmula de correção considera:

  • a inflação acumulada em 12 meses até novembro (INPC);

  • o crescimento do PIB.

Pelas regras do arcabouço fiscal, o reajuste não pode ultrapassar 2,5% acima da inflação.

Com informações de g1

Opinião dos leitores

  1. Nossa que queda brusca de 4 reais…kkkkkk
    Ainda assim o enorme reajuste de 6 reais que o Bolsonaro deu em 2019 foi melhor…kkkkk
    #voltaMito
    #saudadedoMito
    🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

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Geral

Brasil vira alvo de críticas após COP30 ao adotar medidas que contradizem discurso climático

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Logo depois de assumir o comando da COP30, o Brasil passou a enfrentar desgaste internacional ao sancionar medidas internas vistas como contrárias ao discurso de transição energética. O país apresentará, em 2026, um plano para orientar a transição dos combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento, mas a coordenação já nasce pressionada: na semana seguinte à conferência, o governo prorrogou o uso do carvão até 2040 e o Congresso derrubou vetos ao novo marco de licenciamento ambiental, reacendendo dúvidas sobre a liderança brasileira na agenda climática.

A COP30 aprovou o chamado Mecanismo de Belém, que orienta uma transição global justa e prevê cooperação internacional, recursos e requalificação de trabalhadores de regiões dependentes de combustíveis fósseis. Também houve promessa de triplicar os fundos para adaptação climática até 2035. Mas o Brasil enfrentou resistência ao tentar inserir nas decisões formais um roteiro global para transição dos fósseis — movimento puxado por Lula e Marina Silva, mas criticado por negociadores que temeram politização excessiva e perda de neutralidade da presidência brasileira.

As decisões domésticas ampliaram o desgaste. A prorrogação das usinas a carvão contrariou o Ministério do Meio Ambiente e deve custar até R$ 107 bilhões aos consumidores até 2040, segundo o Instituto Arayara. Já o novo licenciamento ambiental, flexibilizado após queda de 63 vetos no Congresso, reacendeu alertas de inconstitucionalidade e risco às metas climáticas. Especialistas lembram que o STF já reconheceu o Acordo de Paris como tratado de direitos humanos, o que permite contestar leis internas que enfraqueçam a política climática nacional.

Entre pressões políticas e obrigações climáticas, o governo tenta equilibrar segurança energética, empregos e compromissos internacionais. Para ambientalistas, porém, a manutenção do carvão e o afrouxamento do licenciamento colocam em xeque a credibilidade do país enquanto líder global da transição. Caberá ao Brasil construir, até 2026, o “mapa do caminho” da COP30 — enquanto tenta resolver contradições internas que desafiam seu próprio discurso climático.

Com informações do Poder 360

Opinião dos leitores

  1. A FLOP 30 foi um grande desperdício de dinheiro público. Foi um evento pra Janja esbánjar e o povo lascado pagar.

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Política

Moraes pressiona defesa de Heleno e exige prontuários, exames e toda a evolução médica do general

Foto: Ton Molina/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu colocar sob lupa o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa do general Augusto Heleno e exigiu uma série de documentos médicos antes de tomar qualquer decisão. Heleno, condenado por suposta participação em um plano golpista atribuído pela Corte ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, está detido desde terça-feira (29) no Comando Militar do Planalto, em Brasília.

A defesa informou que o general convive com demência mista — incluindo Alzheimer — desde 2018. A declaração levou a Procuradoria-Geral da República a se posicionar a favor de que Heleno cumpra a pena de 21 anos em casa, citando razões humanitárias. Mesmo assim, Moraes quer uma devassa completa no histórico clínico do militar.

A decisão do ministro, publicada neste sábado (29), dá cinco dias para que a defesa apresente:

• o exame inicial de 2018 que teria indicado sinais de Alzheimer ou demência mista;
• todos os prontuários, relatórios, laudos médicos, avaliações neuropsicológicas e psiquiátricas produzidos desde então;
• comprovação de consultas, datas, médicos responsáveis e evolução do quadro nos últimos seis anos.

Moraes ainda destacou que o período alegado da doença coincide justamente com a época em que Heleno comandou o GSI no governo Bolsonaro. O ministro quer saber se o diagnóstico foi oficialmente informado ao serviço médico da Presidência ou a qualquer órgão do governo federal na época.

Todo o material ficará sob sigilo, segundo o despacho, por envolver dados sensíveis da vida privada do general.

PGR defende prisão domiciliar

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, opinou pela concessão do benefício. Ele afirma que a jurisprudência do próprio STF admite o regime domiciliar para condenados com doenças graves que demandem tratamento impossível de ser oferecido em ambiente prisional adequado.

Ao comunicar o Exército sobre sua condição, Heleno anexou um relatório médico mencionando perda de memória recente, hipertensão e prisão de ventre. No exame de corpo de delito, porém, a médica responsável afirmou que o general estava lúcido, com sinais vitais normais e aparência condizente com a idade — relatando apenas dor nas costas como queixa atual.

Com informações da CNN

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Geral

Antes de ser preso, Vorcaro encomendou iate de mais de meio bilhão de reais

Foto: Fábio Vieira/Estadão

Antes de ver seu império financeiro ruir, Daniel Vorcaro — ex-dono do Banco Master — havia encomendado um iate avaliado em mais de R$ 500 milhões (cerca de 100 milhões de euros) em um estaleiro europeu. A embarcação, símbolo do estilo de vida extravagante do banqueiro, nunca chegou às suas mãos: o luxo ficou no papel enquanto a Justiça o alcançava. A informação é do colunista Lauro Jardim, do O Globo.

Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias dentro do Banco Master. Dias depois, o banco foi colocado em liquidação extrajudicial, agravando a crise e deixando credores sob expectativa do Fundo Garantidor de Créditos.

Neste sábado (29), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou a soltura do empresário, que agora cumpre medidas cautelares — tornozeleira eletrônica, proibição de sair do país e veto a qualquer atividade no sistema financeiro. A PF já havia bloqueado bens e acessado documentos que detalham o rastreamento de recursos da instituição.

A situação do iate segue indefinida: segundo pessoas próximas à negociação, a construção estava em fase avançada, mas não será liberada ao ex-banqueiro enquanto durar o imbróglio judicial que envolve o Master e seus ex-executivos. A queda de Vorcaro, que há poucos meses circulava como um dos nomes mais agressivos do mercado financeiro, se tornou um dos capítulos mais simbólicos do colapso da instituição.

Com informações do O Globo

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Geral

Segunda biografia de Lula atrasa de novo e chega em 2026 sem incluir atual governo

Foto: Adriano Machado/Reuters

Após três adiamentos, a segunda parte da biografia de Luiz Inácio Lula da Silva, escrita por Fernando Morais, agora está prevista para 2026 — e chegará às livrarias sem abordar o mandato atual do petista. Morais, conhecido por obras sobre Chateaubriand, Olga Benário e Paulo Coelho, conclui o volume que começa com uma conversa entre Lula e Fidel Castro e deveria ter sido lançado ainda em 2023. As dificuldades de acesso a documentos do FBI e da CIA, além do ritmo lento do autor, empurraram o projeto para frente.

O primeiro livro, publicado em 2011 e com mais de 400 páginas, narrou a infância de Lula e sua trajetória sindical até a derrota para o governo de São Paulo em 1982. Agora, Morais pretende encerrar o novo volume antes da primeira vitória do petista à Presidência, em 2002. Para dar conta da longa história que se seguiria, escritor e editora decidiram dividir o material em um terceiro tomo.

Esse futuro terceiro volume trataria dos anos de Lula no comando do Executivo, da ascensão e queda de Dilma Rousseff e do período de turbulências políticas que marcou o país — mas nada disso aparecerá no lançamento de 2026. A biografia, portanto, chegará ao público ainda “incompleta”, deixando de fora o capítulo mais recente e controverso da trajetória do presidente.

Depois de concluir os três livros sobre Lula, Fernando Morais já tem outro alvo definido: pretende se dedicar a uma obra sobre o Partido Comunista Brasileiro, o que reforça o interesse do autor por figuras e movimentos alinhados à esquerda.

Com informações do R7

Opinião dos leitores

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Mundo

Em clima de confronto, Venezuela exibe poder militar após ofensiva dos EUA no Caribe

Foto: Brigada de Defesa Aérea Marítima e Insular via Instagram

A escalada de tensão entre Washington e Caracas ganhou novos capítulos nos últimos dias, com o regime de Nicolás Maduro intensificando demonstrações militares em resposta às ações dos Estados Unidos no Caribe. Após Donald Trump afirmar que o espaço aéreo venezuelano deve ser tratado como “totalmente fechado”, o chavismo reagiu classificando a fala como uma “ameaça colonialista”, enquanto divulgava vídeos de caças em voos rasantes, manobras navais e exercícios com munição real.

A estratégia de Maduro, segundo especialistas, busca amplificar a imagem de força das Forças Armadas venezuelanas, apesar de suas limitações conhecidas. Análises de imagens de satélite e vídeos publicados pelo próprio regime mostram atividades coordenadas desde o início de setembro, num claro esforço para projetar prontidão diante de uma eventual operação americana. Do lado dos EUA, houve resposta imediata: aeronaves de reconhecimento, jatos de ataque e até um bombardeiro participaram de uma demonstração militar no Caribe na quinta-feira (27).

Caracas, centro do poder chavista, também passou a receber reforços adicionais. Barreiras de concreto foram instaladas ao longo da rodovia Caracas–La Guaira, único corredor terrestre que conecta a capital ao litoral. A rota, considerada estratégica para qualquer hipotética ofensiva, aparece em novas imagens com obstáculos antiveículos posicionados em pontos de estrangulamento, o que especialistas interpretam como um movimento de defesa antecipada da cidade.

Em pronunciamento recente, Maduro falou em um “plano de defesa total” para Caracas e La Guaira, detalhando possíveis posições de armamento e sistemas de vigilância “rua por rua”. Para analistas, apesar da superioridade militar dos EUA, o regime vê o conflito como uma ameaça existencial e age para mostrar que está preparado para prolongar o embate – mesmo que o custo interno seja alto.

Com informações da CNN

Opinião dos leitores

  1. Com esse radar móvel feito de antena VHS de tv preto e branco, os venezuelanos estão bem protegidos contra os drones americanos.Kkkkkk

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Política

Dirceu reaparece, mira 2026 e diz que direita “não se livrará” de Bolsonaro

Foto: Vera Rosa/Estadão

Mesmo prestes a completar 80 anos, José Dirceu segue ativo nos bastidores e voltou a assumir papel central na articulação do PT para a campanha de reeleição de Lula. Em entrevista, o ex-ministro — condenado no mensalão e preso novamente na Lava Jato, mas hoje com sentenças anuladas — afirmou que a direita não conseguirá escapar da influência de Jair Bolsonaro, mesmo com o ex-presidente alvo de processos e ataques constantes da esquerda. Dirceu voltou a defender que nenhum candidato do campo conservador terá maioria se defender anistia ao ex-chefe do Executivo.

Para o histórico operador político petista, o bolsonarismo continuará sendo um ator decisivo no jogo eleitoral e precisará “resolver seus dilemas internos”. Ele também prevê que Tarcísio de Freitas será pressionado pela elite política a disputar a Presidência, numa tentativa de apresentar alternativa competitiva contra Lula, embora admita que o governador paulista ainda evita confrontos diretos com o Planalto.

Dirceu, cassado em 2005 e com histórico de prisões por corrupção, tenta agora reconstruir sua projeção política e disputará uma vaga de deputado federal em 2026. O petista afirma que trabalha na elaboração de um novo programa estratégico para o partido, voltado a moldar as próximas décadas do PT e preparar o que chama de “pós-Lula”.

Entre as propostas defendidas por ele está a criação de um ministério exclusivo para segurança pública — pauta que o próprio PT evitou durante anos — e a reorganização interna da sigla. Para Dirceu, o futuro da legenda depende de uma reconstrução profunda e de manter Lula no centro da disputa nacional.

Com informações do Estadão

Opinião dos leitores

  1. Apareceu esse mãe Dinar.
    Kkkkkkkkk…
    Anistia já pros inocentes.
    Golpe?
    Que golpe?
    Um ladrão vagabundo querento opinar no destino do Brasil.
    Cai fora corrupto.

    1. Golpe do baton. Só canalhas e cretinos acreditam nesse golpe.

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Geral

Acordo com a União libera R$ 855 milhões ao RN, mas impõe congelamentos e trava concursos

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O Rio Grande do Norte garantiu acesso a até R$ 855 milhões em novos empréstimos após o Supremo Tribunal Federal homologar um acordo entre o Estado e a União. A liberação, porém, vem acompanhada de uma série de travas fiscais rigorosas: ficam proibidos reajustes gerais, novos concursos (exceto reposições), criação de cargos, ampliação de benefícios e qualquer medida que gere aumento permanente de despesas. O pacote faz parte das contrapartidas exigidas pelo artigo 167-A da Constituição, que valerão até que o RN reduza o peso da folha, melhore o caixa e controle seus gastos correntes.

Segundo o Tesouro Nacional, o Estado tinha 55,73% da Receita Corrente Líquida comprometida com a folha do Executivo em 2025 — maior índice do país e acima do teto permitido. Com o acordo, o RN terá acesso ao Plano de Recuperação Fiscal mesmo sem ter alcançado todas as metas, desde que envie relatórios periódicos comprovando a adoção das medidas de contenção. O governo estadual afirma que os recursos serão essenciais para estabilizar as contas e permitir novos investimentos.

A homologação também abre precedente dentro do PEF, já que é a primeira vez que União e Estado fecham um pacto direto de ajuste e liberação de crédito sob mediação do STF. Mas, enquanto o governo defende as medidas como necessárias para reequilibrar a máquina pública, sindicatos alertam para o impacto imediato sobre servidores. Entidades de saúde, segurança e procuradores apontam congelamento salarial, sobrecarga de trabalho e risco de agravamento das condições de atendimento à população.

Para representantes das categorias, o ajuste transfere o peso da crise para quem já enfrenta falta de estrutura e déficit de pessoal. O Sinpol-RN afirma que a segurança pública pode regredir diante da ausência de reposição salarial e do efetivo reduzido, enquanto o Sindsaúde-RN critica a continuidade de condições precárias nos serviços. O governo, por sua vez, reforça que o conjunto de vedações é temporário e necessário para que o Estado retome capacidade de investimento e cumpra as regras fiscais impostas pela União.

Com informações da Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

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Geral

Lula dá calote em fundo da reforma tributária e deixa rombo para o próximo governo

Foto: Carlos Ortega/EFE

O governo Lula enfrentou forte reação após deixar de reservar os R$ 8 bilhões previstos para o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais (FCBF) na LDO de 2025, descumprindo o acordo firmado durante a aprovação da reforma tributária. O fundo foi criado para compensar empresas, estados e municípios pela perda de incentivos de ICMS durante a transição para o novo sistema tributário, que vai até 2032. Para especialistas, o gesto inaugura a reforma com um sinal negativo de insegurança jurídica.

No total, a União deveria aportar R$ 160 bilhões ao fundo ao longo dos próximos anos, mas destinou apenas R$ 80 milhões para 2025 — valor simbólico que ainda depende de aprovação no Congresso. Juristas classificam a decisão como um “calote institucional”, alertando que os repasses não feitos agora se transformarão em dívida para o governo seguinte. O movimento, segundo analistas, lembra práticas que já geraram disputas judiciais bilionárias no passado, como ocorreu na época da Lei Kandir.

O descumprimento do cronograma acendeu o alerta entre empresas e governos estaduais, que veem risco de judicialização e perda de previsibilidade para investimentos. Especialistas afirmam que a falta do aporte compromete o pacto político que sustentou a reforma, fragiliza a transição rumo ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pode pressionar por aumento de impostos no futuro para cobrir o passivo criado.

Há temor de que a ausência do pagamento afete a própria continuidade da reforma em um eventual novo governo. Para economistas, se o Palácio do Planalto — que foi o maior defensor da mudança — não consegue cumprir o primeiro compromisso financeiro, a tendência é que a transição perca força. E, sem o fundo de compensação funcionando plenamente, a implementação do novo modelo tributário pode ficar travada.

Com informações da Gazeta do Povo

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