Até agora, Louis van Gaal viveu momentos de gênio na Copa do Mundo, mas pode virar Sandoval Quaresma, aquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo que tinha o seguinte bordão: “Estava indo tão bem”. A vara de condão do técnico funcionou nas cinco exibições da Holanda no Mundial. Amanhã, contra a Argentina, no Itaquerão, em São Paulo, ele tem que tirar outra nota 10 para quebrar o encanto de Lionel Messi e confundir a cabeça do treinador Alejandro Sabella. Artimanhas não faltam.
Quarenta anos depois de o carrossel holandês assombrar o mundo, Louis van Gaal ressuscita alguns conceitos do futebol total em solo brasileiro. Uma das provas disso é Kuyt. Diante do México, nas oitavas de final, o atacante atuou em três posições diferentes em 90 minutos. Começou como ala-esquerdo, voltou a ser homem de frente, ao lado de Huntelaar, e terminou a partida compondo uma linha de três volantes no meio de campo, ao lado de Wijnaldum e Blind. O mesmo Kuyt começou a partida contra a Costa Rica na lateral direita, a quarta função dele em cinco jogos nesta Copa do Mundo.
Louis van Gaal sempre deixou claro, nas entrevistas na Gávea, que tem um plano de jogo para cada duelo. Não é refém de um sistema e pode reinventá-lo tanto antes quanto durante a partida. Dos 23 jogadores convocados para a Copa do Mundo, usou 21. Sentar no banco de reserva da Holanda é um convite a ficar ligadão no jogo. Afinal, de repente, pode ser chamado para ocupar qualquer posição em campo. “Quando você ousa fazer diferente, você pode errar, mas pode acertar também. Essa vai ser a sua diferença no mundo”, filosofa o treinador sobre as sacadas durante as partidas.
Na vitória diante da Austrália, por exemplo, bagunçou a prancheta, voltou a usar a linha de quatro zagueiros, resgatou o 4-3-3 da escola holandesa e triunfou em cima dos Socceroos. No momento de maior pressão, quando perdia para o México, aproveitou a pausa para reidratação no calor de Fortaleza e organizou a ofensiva que culminou na virada por 2 x 1. Lançou o time à frente no 3-2-1-4, com Sneijder responsável por fazer a ligação com Robben, Kuyt, Huntelaar e Depay. Deu certo e ele saiu consagrado.
Técnico de futsal
Para van Gaal, 5cm poderiam, no futebol total defendido por ele, ter eliminado a Holanda da Copa. Nas quartas de final contra a Costa Rica, na Arena Fonte Nova, o técnico surpreendeu a todos ao tirar de campo o goleiro titular, Cillessen, de 1,88m, e colocar Tim Krul, de 1,93m. Resultado: dois pênaltis defendidos e classificação garantida.
Em Salvador, o treinador não fez cerimônia ao agir como se fosse um técnico de futsal ou de vôlei e mandar a campo um jogador com habilidade específica. “Eu não posso ser inovador e ousado sem ter uma história. Experiência abre possibilidade para a ousadia”, disse o treinador, em uma das entrevistas coletivas antes do início da Copa do Mundo.
Inédito
Louis van Gaal terá, pela primeira vez, a experiência de comandar um time contra Lionel Messi, jogador eleito quatro vezes o melhor
do mundo.
As variações
Em uma só partida, contra o México, Kuyt trocou três vezes de posição
Início de jogo
Esquema tático: 3-4-1-2
Cillessen; De Vrij, Vlaar e Blind; Verhaegh, Wijnaldum, De Jong e Kuyt; Sneijder; Robben e van Persien
– Blind começa como zagueiro e Kuyt na função de ala-esquerdo
6 minutos do primeiro tempo
Esquema tático: 3-4-1-2
Cillessen; De Vrij, Vlaar e Martins; Verhaegh, Wijnaldum, Blind e Kuyt; Sneijder; Robben e
Van Persien
– A saída de Jong desloca Blind da zaga para o meio de campo
11 minutos do segundo tempo
Esquema tático: 3-5-2
Cillessen; Vlaar, de Vrij e Martins; Wijnaldum, Blind, Sneijder, Robben e Depay; Kuyt e Huntelaar
* Kuyt, que começara como
ala-esquerdo, vira atacante ao lado de Huntelaar
31 minutos do segundo tempo
Esquema tático: 3-3-3-1
Cillessen; Vlaar, de Vrij e Martins; Kuyt, Wijnaldum e Blind; Robben, Sneijder e Depay; Van Persie
* Kuyt, que começara como ala-esquerdo, vira atacante ao lado de Huntelaar.
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Foto: Gustavo Moreno/STF
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