Meirelles: ‘Imprimir dinheiro’ foi dito para chamar atenção para se injetar liquidez

Foto: Luiz Cláudio Barbosa/Estadão Conteúdo

O secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Henrique Meirelles, explicou a proposta de “imprimir dinheiro” como maneira extraordinária para aplacar os efeitos do coronavírus sobre a economia. O atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, contestou o ex-ministro e disse ser contra a medida.

“É absolutamente normal, em discussões como essa, principalmente se referindo a uma situação sem precedentes, que existam opiniões divergências. A unanimidade é perigosa, é importante diferentes pontos de vista.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Meirelles disse que a expressão era usada pelo seu avô e foi uma figura de linguagem para enfatizar a situação. “Isso meu avô chamava de ‘imprimir dinheiro’, hoje evidentemente não se usa mais a moeda física. Foi uma brincadeira para chamar a atenção para a expansão dos meios de pagamento, injetar liquidez.”

De acordo com o ex-ministro da Fazenda, quando a economia está em decréscimo é comum que os BCs tomem medidas. “A primeira atitude é abaixar a Selic e depois liberar compulsórios, que é justamente aumentar a expansão monetária. Tudo isso são maneiras do Banco Central injetar liquidez no mercado.”

Meirelles comentou a proposta do ‘orçamento de guerra’ que está tramitando no Congresso. “É todo um projeto que foi apresentado visando viabilizar formas mais eficazes para o BC ter condições de, quando cair, ter recessão, ele poder baixar as taxas de juros e injetar liquidez.”

Ele lembrou que, pelo menos em São Paulo, apesar do isolamento social, as industrias estão funcionando. “As atividades diminuíram não por restrição ou por não conseguir produzir, mas porque teve queda na demanda. “Isso faz com que se diminua a produção.”

Henrique Meirelles disse que, em 2008, o Brasil conseguiu se recuperar rapidamente. Agora, ele não sabe se vai ser assim. “Antes, a causa era econômica. Hoje, é uma pandemia. Precisamos primeiro controlar a saúde e depois a atividade econômica.”

Jovem Pan