A cúpula militar brasileira avalia que o movimento do opositor Juan Guaidó sofreu um forte revés ao longo da terça-feira (30), mas não descarta uma nova escalada na crise da Venezuela, inclusive considerando a hipótese de uma guerra civil no país vizinho.
A Folha apurou com membros dos Altos Comandos das Forças a avaliação de que a adesão de militares de patentes baixas e intermediárias gerou a expectativa de que a cúpula chavista se virasse contra o ditador Nicolás Maduro.
Coube ao general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, externar a análise parcial.
“No início da manhã, não se percebeu movimentação militar, mas foi anunciado pelo Guaidó um maciço apoio das Forças Armadas. Logo depois isso foi colocado na dimensão correta: havia um certo apoio das Forças Armadas, mas isso não chegava a atingir os altos escalões, ficava ali no escalão mais baixo”, disse.
“O que tem parecido é que esse apoio [dos militares a Guaidó] talvez tenha algum valor quantitativo, mas qualitativo ele ainda não foi expressado. Não teve nenhum chefe militar a que a gente tenha assistido ou ouvido dando um apoio explícito ao presidente Guaidó”, afirmou.
Para ele, “a gente tem a sensação de que o lado do Guaidó é fraco militarmente”.
A libertação do opositor Leopoldo López pegou de surpresa os militares e diplomatas especializados na região. Segundo um general, ao fim do dia a aparência foi a de um golpe malsucedido, mas a situação permanecia fluida.
Isso não significa que o risco de um conflito entre apoiadores e opositores de Maduro não continue no radar. O general disse que o embate direto entre militares elevou o patamar da crise.
FOLHAPRESS
Foto: Reprodução
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