“Não há tempo para o academicismo”, diz infectologista Fernando Suassuna ao defender o uso da Ivermectina no tratamento precoce da Covid-19


Foto: reprodução/YouTube

Médicos e pesquisadores divergiram nesta terça-feira (14) sobre o chamado tratamento precoce contra a Covid-19, que envolve medicamentos cuja eficácia para prevenir ou tratar a doença não está cientificamente comprovada. É o caso da cloroquina, da hidroxicloroquina e, mais recentemente, da ivermectina – um antiparasitário até então usado contra pulgas e piolhos. O debate virtual foi promovido pela comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha o combate ao novo coronavírus.

A deputada e médica Carla Dickson (Pros-RN), que propôs a discussão do tema, disse que a urgência da pandemia a fez repensar a necessidade de comprovação científica da eficácia desses medicamentos. “Estamos falando de vidas e precisamos fazer alguma coisa”, disse ela. Defensora da cloroquina, a deputada Soraya Manato (PSL-ES) defendeu a autonomia dos médicos. “No momento, temos o kit Covid-19 e é o que estamos usando”, disse.

Por outro lado, a também médica e deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) discordou. “O que estamos debatendo é se há comprovação do benefício desses medicamentos. E a fala majoritária dos especialistas, infectologistas, da OMS [Organização Mundial da Saúde] é que não há”, disse Feghali. “Esse discurso que diz ‘não tendo nada eu dou isso aqui’, porque o paciente vai sair mais tranquilo, achando que está curado, esse não é nosso papel. Isso é propaganda enganosa”, completou

O secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Helio Angotti Neto, criticou a análise isolada de artigos publicados em revistas científicas e a politização do debate. “O ministério revisa diariamente a literatura internacional sobre diagnóstico e tratamento de coronavírus. Olhamos todo o contexto”, disse Angotti Neto. Ele citou diversos artigos que atestariam evidências favoráveis à cloroquina no tratamento precoce. “No tratamento precoce, tudo o que se tem é favorável”, disse.

Cotada para assumir o Ministério após a saída de Nelson Teich, a médica imunologista Nise Yamaguchi reforçou evidências da ação da cloroquina na fase de replicação viral (reprodução do vírus), mas reconheceu que faltam estudos conclusivos sobre a eficácia dos medicamentos. “Faltam os estudos randomizados, mas já temos uma meta-análise em andamento bem robusta”, disse.

Ivermectina

Médico infectologista , o presidente do Comitê Científico de Combate à Covid-19 de Natal (RN), Fernando Suassuna, disse que não há tempo para o academicismo. Ele defendeu o uso da ivermectina no tratamento precoce da Covid-19. “A ivermectina tem duas histórias: tem a de 40 anos na medicina tropical e, de 2016 até agora, a que envolve pesquisas na oncologia , no envelhecimento celular, no ciclo autofágico, que fazem dela uma droga imunomoduladora em potencial. Mas não falam disso. E ficam ridicularizando, porque é um remédio de verme”, disse.

Marido da deputada Carla Diclkson, Albert Dickson, médico oftalmologista e deputado estadual no Rio Grande do Norte, também defendeu o uso da droga. “Um amigo do meu filho usou ivermectina por conta própria, o que eu não recomendo, mas todos na casa dele pegaram Covid-19 e ele não”, disse.

Qualidade dos estudos

Para a doutora em microbiologia e colaboradora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) Natalia Pasternak,  a cloroquina foi uma promessa que não se confirmou. “O que temos de evidência favorável são estudos observacionais ou em vitro (laboratório) ou de péssima qualidade e com suspeita de fraude”, disse. Ela reforçou que não existem estudos clínicos definitivos sobre a eficácia dos medicamentos.

Médico e pesquisador da fundação Oswaldo Cruz, Julio Croda disse que o governo vem se baseando em diversos estudos da região de Marseille, na França, que teriam falhas técnicas e éticas. “Não existe evidência alguma para o uso de qualquer medicação em termos de tratamento precoce. Defender isso é enganar o povo. Hoje o que salva vidas é fazer isolamento social, ter leitos e equipes bem treinadas”, disse.

Diretora do hospital Couto Maia, na Bahia, Ceci Nunes questionou a distribuição de medicamentos sem a comprovação por estudos clínicos randomizados, considerados o padrão-ouro por envolverem a análise de dois grupos de pacientes: um grupo recebe o medicamento a ser testado; outro, um placebo (produto sem efeito). A ideia é verificar se o medicamento foi , de fato, o fator determinante para o resultado alcançado.

 

Com informações da Agência Câmara

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. walter disse:

    Homi, deixem de confusão, danado e isso, se não quer tomar cara palida, fica na tua ,obrigado no Brasil tem três coisas , Pagar Imposto de Renda, Pensao Alimentícia e VOTAR!!!!

  2. Cesar Bomone disse:

    Aqueles que pedem COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA não entendem que isso leva ANOS.
    CIÊNCIA não se faz em poucos MESES, nessa pandemia se formos esperar pela ciência MUITOS MORRERÃO sem tentar qualquer possibilidade.
    Assim, tratamentos embasados no conhecimento clínico de médicos experientes pode sim ser a solução e SALVAR MUITAS VIDAS.
    Aqueles que exigem COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA se adoecerem é só não tomar as medicações recomendadas, e seja o que Deus quiser.
    PARABÉNS DR. FERNANDO pelo excelente trabalho salvando vidas.

  3. Xha do Amazonas disse:

    Joguem logo a ciência no lixo! Se não precisa de pesquisa voltamos aos tempos pre alquimia. Fechem os cursos de Farmácia também. Em nome de diminuir a gravidade da pandemia e acalmar a população será que vale tudo??

  4. Zezim disse:

    Só queria saber o que os cientistas do nosso estado que são contra o uso desses remédios irão tomar se por acaso se infectarem.
    Acho que é melhor comprar o caixão e ficar esperando em casa os resultados das pesquisas para remédio e vacinas.
    Ainda me lembro de um jargão da medicina que diz: a clínica é sempre soberana.

  5. Eloisa Bezerra Guerreiro disse:

    Fernando Suassuna foi professor de milhares de alunos em Natal e acredito na sua capacidade, dedicação, altruísmo e responsabilidade com os outros. Quem não quiser prescrever (médico), não prescreva. Quem não quiser tomar, não tome. Ponto. Estamos numa GUERRA e ele está certíssimo quanto às formalidades mortais, neste momento, das "evidências científicas". Dizem que durante a guerra do Vietnã, diante da ausência de soro contra desidratação, os americanos descobriram o uso da água de côco para tal fim. E, fato é fato, nossa curva está com incrível decréscimo e, coincidentemente, após o início do uso do protocolo muito bem encampado pelo governo Municipal. Parabéns ao professor e médico de essência, raiz (não nutela), Fernando Suassuna. Obrigada ! Os cidadãos da sua Natal, do seu RN, agradecem ! Ah, em tempo, já tomei ivermectina e, se precisar, tomo no primeiro dia o que você me prescrever. Aliás, parabéns aos 300 lúcidos médicos !!!

  6. Santos disse:

    Doutor, está claro que o senhor está sendo sincero e quer ajudar, mas talvez não tenha atentado pra um detalhe. A afirmação sobre a suposta eficiência desse ou qualquer outro medicamento, sem comprovação científica, é o risco da população abandonar as outras, e tão importantes quanto, medidas de prevenção e achar que pq tomou um remédio deve levar a vida normal e nada mais vai acontecer.
    Do jeito que estamos vendo hj, quem vai controlar depois os efeitos dessa situação?
    Ou não passa pela kbça de ninguém q o brasileiro prefere o mais prático ao q é certo?
    Não é possivel a união ou um meio termo?
    Que tal dizer:
    Olha, mesmo sem uma evidência científica, observamos que em alguns casos (XX%) o uso do medicamento X teve efeito positivo e etc… logo sugerimos tal tratanento como uma possível alternativa e etc… porém, não é importante ter cuidado, redobrem a atenção, usem máscaras, evitem aglomeração, com responsabilidade e respeito ao outro, sairemos dessa situação e etc…
    Oxi… pq é tão difícil convergir para a paz e pro bom senso?
    Todos nós conhecemos, ao menos, uma pessoa que morreu dessa doença. A situação é séria e requer equilíbrio e união apesar da distância.

    • Adriano disse:

      Amigo, ninguém esta dizendo pra largarem os procedimentos que estão sendo utilizados. Apenas estão procurando uma forma, caseira, de se proteger contra um vírus que é letal em muitos casos. Tem pessoas que não saem de casa e se contaminam da mesma forma, pessoas que sequer chegam próximo a outras, mas se contaminam por meio de sacolas, lixo, sujeira… Se as pessoas entendem que isso ajuda na prevenção, e se há casos que elas conhecem…que sigam tal protocolo.

  7. CIDADAO55 disse:

    Engraçado é que os que defendem o uso da Ivermectona exploram muito mais o debate da farmacodinâmica e farmacocinética e estudos recentes sobre esse tema do que aqueles que rrefutam seu uso.
    Parabéns professor Dr Suassuna!

  8. Abreu Neto disse:

    Tá certo.
    A medicação que tiver tem que ser utilizada. Estamos em guerra.
    Muita gente morreu por falta dessa medicação e desviou de dinheiro por parte dos Governadores.

  9. Lucas disse:

    Parabéns Suassuna.

    A esquerda quer ver o caos, quer ver todo mundo na lama.
    É só ver o que o consórcio nordeste fez, pagou quase 100 milhões para uma empresa fantasma.
    E a Governadora Fátima tá piabinha, os 5 milhões que ela enviou para o consórcio também foi parar nas mãos da empresa fantasma, com sede nós EUA.
    O presidente já enviou 900 milhoes para o RN e mais de 160 Respiradores.

    Agora pergunte onde foi parar esse dinheiro.

    • joao carvalho goulart disse:

      Seu comentário e um constaste a realidade e outra enquanto nosso estado esta se recuperando hoje esta entre os cinco estados com declínio em morte e contaminação…Abaixe o radicalismo….

  10. Charles Darwin disse:

    Daqui a pouco vai aparecer um maluco dizendo que beber desinfetante mata o vírus e haverá quem isso fará.

  11. Arima disse:

    Que imbecil…

    • Hugo disse:

      Arima já tomou até a Cloroquina e fica conversando merda kkk

    • Raimundo disse:

      O radicalismo de esquerda leva pessoas a falar palavras não respeitosas com um médico especialista com 40 anos de experiência.
      Ninguém é dono da verdade.
      Ele pode estar equivocado.
      Mas não se pode desprezar a opinião de um profissional renomado.
      Se for pensar no que tem comprovação científica ninguém deve procurar médico ou hospital pois nenhum remédio ou tratamento tem comprovação.
      Até mesmo o respirador muita gente usa e morre.
      Em Nova Iorque 80% dos pacientes que eram entubados morriam.
      Na teoria de alguns isso significa que respirador não tem eficácia pois a maioria que usa morre, sem falar no risco de barotrauma.

  12. Marcos _Barese disse:

    Quando cidadão , se ver com o covid ele toma até soda cáustica se os médicos receitarem , todo médico que não tomou , cloroquina e Ivermectina , por posicionamento politico
    ideológico passou aperto ou morreu.

  13. Pepe disse:

    Sempre será tempo e espaço para academicismo,a conversa é um amigo do meu pai tomou e teve uma forma branda,mas tem gente que só tomou água,repiuso e se curou.O fato é que pela possibilidade de se precisar tonar corticoide em cssos graves,a revectima faz o tratamento de parasitoses intestinais,que proliferam com a imunossupressao.
    POR ISTO EU TOMEI!
    MAS ESTOU RECLUSO.

    • Flávio disse:

      Porquê vc tomou a ivermectina ?, se foi para combater as verminoses existem produtos melhores.

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