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O contador que não via: Operador contábil de fraudes na Operação Amicis diz que mentor do esquema queria evitar pagar impostos; defesa rebate e informa ter pedido auditoria independente

Da direita para a esquerda: João Eduardo e sua esposa, Layana e o contador José Ildo – Imagem: reprodução

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

Às 14h20 de uma tarde de julho de 2025, na sede da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado e Tributário (DEICOT), em Natal, a delegada Jaqueline Almeida se preparava para interrogar um homem que, durante quatro anos, havia sido o arquiteto técnico de um dos mais sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro já descobertos no Rio Grande do Norte. José Ildo Pereira Leonardo, 41 anos, contador, chegara àquela sala com uma estratégia de defesa aparentemente simples: ele não sabia de nada.

“O senhor José Ildo vai ser interrogado na condição de investigado. O senhor tem o direito ao silêncio”, advertiu a delegada, cumprindo o ritual que antecede todo interrogatório policial. “Tudo bem”, respondeu José Ildo, com a naturalidade de quem já havia tomado uma decisão. Quando questionado se queria a presença de seus advogados – Breno Soares Paula e Felipe Muniz Costa Batalha Araújo -, ele dispensou a assistência legal. “Normalmente eles não estão disponíveis e para este ato a gente consegue fazer”, disse, como se estivesse marcando uma consulta médica de rotina.

A delegada prosseguiu com as formalidades, mas sua advertência final carregava um peso que José Ildo talvez não tenha compreendido completamente naquele momento: “O senhor também tem o direito de responder apenas a algumas perguntas, tá? E não tem o direito de mentir. Então, é melhor que o senhor fique em silêncio do que o senhor…” A frase ficou suspensa no ar, mas o recado estava dado. Nos próximos 55 minutos, José Ildo construiria uma narrativa de ignorância que seria sistematicamente confrontada com evidências documentais de sua participação em um esquema que movimentou milhões de reais através de dezenas de empresas fantasma.

José Ildo Pereira Leonardo não era um contador qualquer. Durante quatro anos, entre 2021 e 2025, ele havia sido o responsável técnico por pelo menos 27 empresas ligadas a uma organização criminosa que a Polícia Civil do Rio Grande do Norte classificou como uma das mais complexas redes de branqueamento de capitais, sonegação fiscal e fraudes documentais já investigadas no estado. Seu papel era aparentemente simples: recebia documentos, fazia alterações contratuais, abria empresas. Mas a simplicidade era apenas aparente.

O homem sentado diante da delegada Jaqueline naquela tarde de julho havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma peculiar de exercer sua profissão. Ele era um contador que nunca visitava as empresas que administrava, que nunca questionava a origem dos documentos que recebia, que nunca indagava sobre a legitimidade dos sócios cujos nomes assinava digitalmente. Era, nas palavras que a própria investigação viria a cunhar, um praticante da “cegueira deliberada” – a arte de não ver aquilo que não se quer ver.

O Esquema

A história que José Ildo contaria naquela sala de interrogatório era, em sua essência, uma narrativa de inocência profissional. Segundo sua versão, tudo havia começado de forma natural, através de um relacionamento comercial que se desenvolveu ao longo de três ou quatro anos com João Eduardo Costa de Souza, conhecido como “Duda”, e Layana Soares da Costa. “O meu serviço ele me passava a documentação e eu efetuava a abertura da empresa ou alteração do contrato mediante da documentação recebida”, explicou José Ildo, como se estivesse descrevendo uma rotina administrativa qualquer.

Mas a rotina descrita por José Ildo tinha características peculiares que, vistas em retrospecto, revelavam a sofisticação do esquema do qual ele participava. João Eduardo o procurava por telefone, sempre por telefone, e solicitava alterações em empresas que estavam registradas em nomes de terceiros. José Ildo recebia então a documentação necessária – às vezes física, às vezes digital – e procedia às alterações solicitadas. O pagamento pelos serviços vinha de Layana, que José Ildo identificou como “a principal gestora” das empresas.

“O senhor tinha consciência que era o nome de terceiros?”, perguntou a delegada. “Tenho”, respondeu José Ildo, sem hesitação. Era uma admissão importante: ele sabia que as empresas não pertenciam realmente às pessoas cujos nomes constavam nos documentos oficiais. Mas quando questionado se indagava sobre essas pessoas, sobre os sócios, sobre os proprietários reais, sua resposta foi categórica: “Nunca cheguei a questionar.”

A naturalidade com que José Ildo descrevia essa situação revelava algo fundamental sobre seu modus operandi. Ele havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma de trabalhar que o protegia do conhecimento inconveniente. Não questionava, não visitava, não indagava. Recebia documentos, fazia alterações, recebia pagamentos. Era uma rotina que lhe permitia manter uma distância psicológica das implicações de seu trabalho.

Quando a delegada pressionou sobre o motivo pelo qual João Eduardo trocava tanto de sócios e de CNPJs, José Ildo ofereceu uma explicação que revelava mais do que talvez pretendesse: “Pelo que eu entendi, porque ele não queria pagar imposto.” Era uma confissão crucial. José Ildo admitia conhecer o objetivo final das operações que executava tecnicamente. Ele sabia que estava participando de um esquema de sonegação fiscal. Mas, em sua narrativa, esse conhecimento não o tornava responsável pelas consequências.

A divisão de trabalho no esquema, segundo a descrição de José Ildo, era clara e funcional. João Eduardo era o idealizador, aquele que solicitava as alterações e fornecia as justificativas. Layana era a gestora financeira, responsável pelos pagamentos e pela coordenação operacional. José Ildo era o executor técnico, aquele que transformava as solicitações em realidade jurídica através de alterações contratuais e aberturas de empresas. Era uma estrutura que permitia a cada participante manter uma distância psicológica de sua responsabilidade no conjunto da operação.

Confronto com os Fatos

A estratégia de José Ildo de se apresentar como um mero executor técnico começou a ser sistematicamente desconstruída quando a delegada Jaqueline passou a confrontá-lo com casos específicos. “O senhor está associado a pelo menos vinte e sete empresas”, disse ela, antes de começar a enumerar nomes e situações que revelavam um padrão muito mais complexo do que a simples prestação de serviços contábeis.

O primeiro caso apresentado foi o de Francisco Adriano Messias, proprietário da JF Locações de Máquinas Pesadas. A delegada explicou que Francisco Adriano havia feito um boletim de ocorrência alegando que uma empresa foi aberta em seu nome sem seu conhecimento, deixando um débito de R$ 123 mil que negativou seu nome. Quando tentou fazer um empréstimo, descobriu a dívida. “O senhor chegou a conhecer esse senhor?”, perguntou a delegada. “Não conheço”, respondeu José Ildo. “O senhor chegou a receber algum documento em nome de Francisco Adriano para o senhor fazer essa alteração?” “Eu não me recordo. Não me recordo.”

A resposta de José Ildo revelava um padrão que se repetiria ao longo de todo o interrogatório. Diante de casos específicos que evidenciavam o uso indevido de dados de terceiros, ele sistematicamente alegava não se recordar ou não conhecer as pessoas envolvidas. Era uma estratégia defensiva que buscava criar uma distância entre sua ação técnica e suas consequências humanas.

O caso seguinte foi o de Francisca Sumara. Novamente, José Ildo alegou não conhecer a pessoa, mas admitiu ter recebido “toda a documentação que a gente precisa para fazer a abertura da empresa”. Quando questionado sobre o que João Eduardo havia dito ao entregar a documentação, José Ildo respondeu: “Que era amiga dele. Era conhecida, né? Ele disse que ela era empregada dele.” Era uma explicação que revelava como o esquema funcionava: João Eduardo fornecia justificativas vagas sobre as pessoas cujos nomes eram utilizados, e José Ildo aceitava essas explicações sem questionamento.

A delegada prosseguiu com outros casos: João Pereira, sócio da JP Confecções; Lucas Ananias, da L.A. Serviços de Saúde; Francisca Marília, irmã de Francisca Sumara. Em todos os casos, o padrão se repetia: José Ildo alegava não conhecer as pessoas, mas admitia ter recebido documentação e feito as alterações solicitadas. “Não conheço a pessoa, mas eu recebi toda a documentação para efetivar o meu trabalho”, tornou-se sua resposta padrão.

Mas foi quando a delegada chegou ao caso que envolvia a própria família de José Ildo que sua estratégia defensiva começou a ruir. A delegada mencionou uma empresa que havia passado pelo nome de Maria Alves Pereira Leonardo – a mãe de José Ildo. A empresa, que inicialmente se chamava Armazém do Pastelê, havia passado por vários proprietários: primeiro José Carlos Leonardo (irmão de José Ildo), depois Josenil Leonardo da Silva (sobrinho de José Ildo, que trabalhava na polícia), depois a mãe de José Ildo, e finalmente havia sido transferida para terceiros.

“Eles iam baixar e o João Eduardo perguntou se eu tinha algum CNPJ para repassar. De fato, esse CNPJ aí, foi eu que passei, por inexperiência, não tinha ideia disso, poderia acontecer”, admitiu José Ildo. Era uma confissão crucial. Ele admitia ter oferecido ativamente um CNPJ de sua própria família para uso no esquema. Sua justificativa – “inexperiência” – contrastava fortemente com o fato de que ele era um contador profissional há anos e estava envolvido com dezenas de empresas similares.

A confissão sobre o CNPJ da família revelava algo fundamental sobre o papel de José Ildo no esquema. Ele não era apenas um executor passivo de solicitações externas. Em pelo menos um caso documentado, ele havia sido proativo, oferecendo recursos próprios para facilitar as operações. Sua alegação de “inexperiência” soava particularmente inadequada vinda de um profissional que, naquele momento, já administrava dezenas de empresas com características similares.

O Rastro dos Nomes

À medida que o interrogatório avançava, a delegada Jaqueline foi apresentando a José Ildo uma galeria de nomes que revelava a extensão do esquema do qual ele participava. Eram pessoas de diferentes perfis sociais e econômicos, de diferentes cidades do Rio Grande do Norte, que tinham em comum o fato de terem seus dados utilizados em empresas que elas desconheciam ou não controlavam efetivamente.

Vitor Hugo era um deles. Seus dados haviam sido utilizados em uma empresa que depois foi transferida para Daniel Costa da Silva, um morador de Felipe Camarão que José Ildo alegou não conhecer. O padrão era sempre o mesmo: uma pessoa tinha seus dados utilizados para abrir ou assumir uma empresa, a empresa passava por alterações que aumentavam drasticamente seu capital social, movimentava valores significativos por um período, e depois era transferida para outra pessoa ou baixada.

Rogério Bernardino da Silva era outro nome na lista. Ele havia recebido o CNPJ que originalmente pertencia à família de José Ildo. “O Rogério eu conheci”, admitiu José Ildo, mas quando questionado sobre como havia conhecido Rogério, sua resposta foi vaga: “Eu já vi, quando a gente teve contato, ele veio, a gente se encontrou de moto. Ele andava de moto, eu não sei o que ele fazia.” A delegada esclareceu: “Ele disse que era o motoboy dessa Copa B.” José Ildo respondeu: “Eu não sabia que ele era o motoboy.”

A revelação de que Rogério era um motoboy adicionava uma dimensão social importante ao esquema. Não se tratava apenas de usar dados de pessoas desconhecidas, mas de recrutar pessoas de baixa renda, com pouca instrução formal, que provavelmente não compreendiam completamente as implicações de emprestar seus nomes para operações empresariais. José Ildo, como contador profissional, certamente tinha mais conhecimento sobre essas implicações do que as pessoas cujos dados eram utilizados.

Ana Patrícia Luiz e Souza era outro caso interessante. Ela era proprietária de uma empresa chamada Reis Mães Souza, que José Ildo descreveu como “uma loja de descartáveis”. Mas a empresa havia sido posteriormente transferida para um rapaz de Bom Jesus com passagem pela polícia, que José Ildo alegou não conhecer. A delegada explicou que, mesmo após a transferência, a empresa continuou sendo operada por João Eduardo e chegou a passar cheques assinados em branco para Marcelo Spyrides, uma figura central no esquema investigado.

O caso de Ana Patrícia revelava como o esquema funcionava na prática. As empresas eram formalmente transferidas para diferentes pessoas, mas continuavam sendo controladas pelos mesmos operadores. José Ildo, como contador, era o responsável técnico por essas transferências, mas alegava desconhecer o que acontecia com as empresas após as alterações contratuais. Era uma forma de compartimentalização que lhe permitia manter a distância psicológica de sua responsabilidade.

Quando a delegada mencionou Marcelo Spyrides, uma figura pública conhecida em Natal, José Ildo admitiu: “Não conheço o Marcelo. Eu vi ele no dia da operação. Dessa operação, quarta-feira. Não conheço, mas já conhecia ele de uma pessoa pública, entre aspas.” Era uma admissão interessante: José Ildo conhecia Marcelo de reputação, sabia que ele era uma “pessoa pública”, mas alegava não ter relação direta com ele. No entanto, as empresas que José Ildo administrava estavam sendo utilizadas para operações que beneficiavam Marcelo.

A lista de nomes continuava: Daniel Costa da Silva, Ivanier Ananias, Alexandre Bahia Alecrim, Raquel Bahia Alecrim, Afrânio Caldas, Leonardo Oliveira, Antônio Carlos, Luanderson, Saulo Barbosa. Para cada nome, José Ildo tinha a mesma resposta: “Não conheço” ou “Não me recordo”. Era uma estratégia defensiva sistemática que buscava criar a impressão de que ele era apenas um prestador de serviços técnicos sem conhecimento das pessoas ou operações envolvidas.

Mas a repetição da mesma resposta para dezenas de casos diferentes começava a soar implausível. Como um contador profissional poderia administrar 27 empresas durante quatro anos sem conhecer praticamente nenhuma das pessoas envolvidas? Como poderia fazer alterações contratuais sistemáticas sem questionar a legitimidade dos sócios? Como poderia aceitar certificados digitais de terceiros sem verificar sua autenticidade?

O Papel de Cada Um

À medida que o interrogatório avançava, José Ildo foi delineando, talvez involuntariamente, a estrutura organizacional do esquema do qual participava. Sua descrição revelava uma divisão clara de responsabilidades que permitia a cada participante manter uma distância psicológica de sua culpabilidade no conjunto da operação.

João Eduardo Costa de Souza, conhecido como “Duda”, emergia do relato de José Ildo como o idealizador e coordenador das operações. Era ele quem fazia os contatos iniciais, sempre por telefone, solicitando alterações em empresas ou abertura de novas empresas. Era ele quem fornecia as justificativas para as operações – “não queria pagar imposto” – e quem apresentava as pessoas cujos nomes seriam utilizados como “amigos” ou “empregados”. João Eduardo era, na descrição de José Ildo, o cérebro por trás das operações.

Layana Soares da Costa tinha um papel diferente, mas igualmente crucial. José Ildo a identificou como “a principal gestora” das empresas, responsável pelos aspectos financeiros e operacionais. Era Layana quem pagava os honorários de José Ildo, quem coordenava as atividades das lojas Schalk, quem mantinha o controle financeiro das operações. Se João Eduardo era o idealizador, Layana era a executora, aquela que transformava as ideias em operações concretas.

José Ildo se apresentava como o terceiro elemento dessa estrutura: o facilitador técnico. Seu papel era receber as solicitações de João Eduardo, processar a documentação fornecida, e executar as alterações contratuais necessárias. Era ele quem tinha o conhecimento técnico para navegar pela burocracia empresarial, quem sabia como alterar contratos sociais, como aumentar capitais sociais, como transferir empresas entre diferentes proprietários. Sem José Ildo, o esquema não poderia funcionar na escala em que funcionou.

Mas a descrição que José Ildo fazia de seu próprio papel era cuidadosamente limitada. Ele se apresentava como um mero executor de solicitações externas, alguém que recebia instruções e as cumpria sem questionamento. “Não sei da movimentação, não tenho acesso à movimentação”, disse ele quando questionado sobre as atividades financeiras das empresas. Era uma forma de compartimentalização que buscava limitar sua responsabilidade aos aspectos puramente técnicos de sua participação.

A Cegueira Deliberada

O conceito de “cegueira deliberada” não foi explicitamente mencionado durante o interrogatório, mas permeava toda a estratégia defensiva de José Ildo. Tratava-se da prática de evitar deliberadamente o conhecimento de fatos que poderiam torná-lo legalmente responsável por suas ações. José Ildo havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma sistemática de não ver aquilo que não queria ver.

Essa cegueira se manifestava de várias formas. José Ildo nunca visitava as empresas que administrava, mesmo quando elas supostamente funcionavam em endereços específicos. “O senhor chegou a visitar alguma dessas empresas?”, perguntou a delegada. “Não. Não”, respondeu José Ildo. “Tu nem indagou o seu guarda sobre o endereço, sobre a localidade dela?” “Também nunca indaguei. Só recebia a documentação e fazia os contratos.”

A recusa sistemática em visitar as empresas que administrava era uma forma de evitar o conhecimento inconveniente. Se José Ildo visitasse os endereços registrados, poderia descobrir que muitas das empresas não funcionavam realmente nesses locais, ou que funcionavam de forma muito diferente do que constava em seus registros oficiais. Ao evitar essas visitas, ele podia manter a ficção de que estava administrando empresas legítimas.

José Ildo também evitava questionar a origem dos documentos que recebia ou a legitimidade dos sócios cujos nomes assinava digitalmente. “O senhor não questionava sobre essas pessoas, esses sócios, impostos, proprietários?”, perguntou a delegada. “Nunca cheguei a questionar”, respondeu José Ildo. Era uma postura profissional que violava princípios básicos da ética contábil, mas que lhe permitia manter a distância psicológica de sua responsabilidade.

A cegueira de José Ildose estendia também às atividades financeiras das empresas que administrava. Quando questionado sobre movimentações financeiras suspeitas, ele sistematicamente alegava desconhecimento. “Eu não consigo, eu não sei da movimentação, não tenho acesso à movimentação”, disse ele quando confrontado com diagramas que mostravam movimentações milionárias em empresas sob sua responsabilidade.

Mas a cegueira de José Ildo tinha limites convenientes. Ele sabia o suficiente para executar tecnicamente as operações solicitadas, mas não o suficiente para ser considerado responsável por suas consequências. Ele sabia que as empresas eram registradas em nomes de terceiros, mas não questionava por quê. Ele sabia que o objetivo era “não pagar imposto”, mas não indagava sobre os métodos utilizados. Ele sabia que recebia certificados digitais de terceiros, mas não verificava sua legitimidade.

Essa forma seletiva de conhecimento revelava a sofisticação da estratégia defensiva de José Ildo. Ele havia aprendido a navegar na zona cinzenta entre o conhecimento e a ignorância, mantendo-se informado o suficiente para ser útil ao esquema, mas não o suficiente para ser considerado plenamente responsável por suas consequências. Era uma forma de cumplicidade que buscava minimizar a responsabilidade legal através da compartimentalização do conhecimento.

A delegada Jaqueline, no entanto, não se deixou convencer por essa estratégia. Durante o interrogatório, ela confrontou José Ildo com evidências que mostravam que sua alegada ignorância era implausível. “Tenha em mente que eu já sei a resposta da maioria das perguntas, tá bom?”, disse ela em determinado momento, deixando claro que dispunha de informações que contradiziam as alegações de José Ildo.

A cegueira deliberada de José Ildo era, em última análise, uma forma de má-fé profissional. Como contador registrado, ele tinha obrigações éticas e legais que incluíam a verificação da legitimidade das operações que executava. Sua recusa sistemática em cumprir essas obrigações não era resultado de ignorância ou inexperiência, mas de uma escolha deliberada de priorizar os benefícios financeiros de sua participação no esquema sobre suas responsabilidades profissionais.

A Responsabilidade do Contador

Ao final do interrogatório, quando a delegada Jaqueline perguntou se José Ildo tinha conhecimento das atividades ilícitas, sua resposta foi categórica: “Não tinha conhecimento. Só fiz o meu trabalho de alterações contratuais recebidas, recebendo as documentações. Não tinha nenhum conhecimento das atividades de movimentação financeira.” Era uma declaração final que resumia toda sua estratégia defensiva: ele era apenas um técnico que cumpria instruções, sem conhecimento ou responsabilidade pelas consequências de suas ações.

Mas a alegação de José Ildo de que “só fez seu trabalho” levantava questões fundamentais sobre a responsabilidade profissional em esquemas criminosos complexos. Até que ponto um profissional pode alegar ignorância sobre as implicações de suas ações? Qual é o limite entre a execução técnica de tarefas profissionais e a cumplicidade em atividades criminosas?

No caso de José Ildo, várias evidências contradiziam sua alegação de ignorância. Primeiro, ele admitiu saber que as empresas eram registradas em nomes de terceiros e que o objetivo era “não pagar imposto”. Segundo, ele tinha acesso a certificados digitais de terceiros e os utilizava para assinar documentos oficiais. Terceiro, ele havia oferecido ativamente o CNPJ de sua própria família para uso no esquema. Quarto, ele participou do esquema por quatro anos, administrando 27 empresas com características similares.

A combinação desses fatores sugeria que José Ildo não era um mero executor técnico, mas um participante consciente e ativo do esquema. Sua alegação de ignorância era contradita pela evidência de seu conhecimento sobre os objetivos das operações e pela duração e escala de sua participação. Um contador profissional que administra 27 empresas durante quatro anos não pode credibilmente alegar desconhecimento sobre a natureza das operações que executa.

A responsabilidade de José Ildo era amplificada por sua condição de profissional registrado. Como contador, ele tinha obrigações éticas e legais que incluíam a verificação da legitimidade das operações que executava. Sua formação profissional lhe dava o conhecimento necessário para identificar situações suspeitas e questionar operações irregulares. Sua escolha de não exercer esse julgamento profissional crítico não o isentava de responsabilidade, mas a aumentava.

O caso de José Ildo ilustrava um problema mais amplo na prevenção de crimes financeiros: o papel dos profissionais especializados que facilitam tecnicamente operações criminosas. Advogados, contadores, despachantes, e outros profissionais têm conhecimentos técnicos que são essenciais para a execução de esquemas complexos de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Quando esses profissionais se prestam a facilitar operações criminosas, eles se tornam peças fundamentais na engrenagem do crime organizado.

A estratégia defensiva de José Ildo – alegar ignorância e limitar sua responsabilidade aos aspectos técnicos de sua participação – é comum entre profissionais envolvidos em esquemas criminosos. Eles buscam se apresentar como meros prestadores de serviços técnicos, sem conhecimento ou responsabilidade pelas implicações mais amplas de suas ações. Mas essa estratégia ignora o fato de que sua expertise profissional é precisamente o que torna possível a execução de operações criminosas complexas.

No caso específico de José Ildo, sua responsabilidade era ainda maior porque ele havia se tornado, na prática, o contador exclusivo de um esquema criminoso. Durante quatro anos, ele foi o responsável técnico por praticamente todas as alterações contratuais e aberturas de empresas necessárias para o funcionamento do esquema. Sem sua participação, o esquema não poderia ter operado na escala em que operou.

A gravidade da responsabilidade de José Ildo era evidenciada pelas consequências de suas ações. Francisco Adriano Messias teve seu nome negativado por dívidas de uma empresa que não conhecia. Vitor Hugo teve seus dados utilizados devidamente alinhado ao esquema, conforme a investigação. Dezenas de outras pessoas tiveram seus nomes associados a empresas que não controlavam. José Ildo, como o profissional responsável pelas alterações contratuais que tornaram possível o uso indevido desses nomes, tinha uma responsabilidade direta por esses danos.

Outro Lado

A defesa de João Eduardo e Layana Soares enviou ao blog nota em que afirma não poder se manifestar, neste momento, fora dos autos. Apesar disso, afirma que pediu análise técnica independente sobre apontamentos contábeis e que está colaborando com a Justiça para a elucidação do caso. Confira:

Em razão dos questionamentos formulados pela imprensa acerca da atuação de investigados no processo nº 0801279-17.2025.8.20.5001, que tramita na 11ª Vara Criminal de Natal/RN, a defesa de João Eduardo Costa Souza e Layana Soares da Costa esclarece que, por razões éticas e em respeito ao contraditório, não é possível, neste momento e fora dos autos, emitir juízos ou prestar esclarecimentos sobre a conduta de terceiros. Cada defesa possui autonomia técnica e estratégia processual própria, sendo necessário respeitar esse limite.

Reafirma-se, contudo, o compromisso com a presunção de inocência, princípio constitucional que assegura a qualquer pessoa o direito de ser tratada como inocente até o julgamento final. Cumpre esclarecer que tal presunção é muito diferente de “fazer-se de inocente”, expressão que distorce o devido processo legal e compromete a seriedade da análise jurídica dos fatos.

No que se refere a eventuais apontamentos contábeis e administrativos, já foi solicitada a elaboração de análise técnica independente, cujo resultado será analisado à luz das provas acostadas por meio das medidas cautelares já deferidas nos autos. Apenas após a conclusão desse trabalho será possível oferecer esclarecimentos mais específicos e tecnicamente fundamentados.

Por fim, a defesa reafirma seu compromisso com a legalidade e com a colaboração institucional junto às autoridades competentes. Já se encontra em curso o requerimento de autorização judicial para a regularização das empresas eventualmente impactadas, com especial atenção à preservação dos postos de trabalho, à manutenção dos empregos dos colaboradores e à continuidade das atividades empresariais em conformidade com a legislação vigente.

Natal/RN, 19 de julho de 2025.
Jonas Antunes de Lima Neto
Advogado – OAB/RN 8.973

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

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Petrobras anuncia redução de 5,2% no preço da gasolina para distribuidoras

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (26) que reduzirá o preço de venda da gasolina A para as distribuidoras em 5,2%. A medida valerá a partir de terça-feira (27).

Dessa forma, o preço médio de venda da companhia para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,57 por litro, o que significa redução de R$ 0,14 por litro.

Em nota, a Petrobras disse que vai manter os preços de venda do diesel para a distribuidoras. A empresa apontou que o combustível teve redução de 36,3% nos preços desde dezembro de 2022. Já a gasolina caiu 26,9% no período, considerando a inflação desde então.

CNN 

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Arena comemora hoje 12 anos e registra em 2025 o maior público da sua história

Inaugurada em 26 de janeiro de 2014 para sediar jogos da Copa do Mundo FIFA, a Casa de Apostas Arena das Dunas celebra 12 anos de sucesso e transformação, consolidando-se como uma das principais arenas multiuso do Brasil.

Em 2025, superou a marca de 1,1 milhão de visitantes, recebendo um total de 182 eventos ao longo do ano e atingindo uma taxa de ocupação de 187 dias.

Com uma área total de 114 mil m² e localização privilegiada no coração de Natal, o complexo tornou-se o principal centro de esporte, lazer e cultura da região. Ao longo de sua trajetória, já registrou 2.256 dias de ocupação, sendo sede de 378 partidas de futebol e mais de 1.000 eventos de pequeno, médio e grande porte.

No mês de maio, dando sequência ao seu plano de modernização e expansão tecnológica, a Arena realizou a aquisição de dois novos telões de alta resolução, substituindo os painéis instalados em 2014.

Ainda no 1º semestre, a Arena inaugurou o Rooftop Dunas, um camarote com serviços exclusivos e vista panorâmica para o gramado. Já no segundo semestre, foi a vez do novo Lounge Bossa Nova, um salão amplo e sofisticado que foi totalmente renovado, equipado com quatro grandes painéis de LED de alta definição, sistema de sonorização JBL de última geração, além de palco, iluminação e decoração especiais.

Em 2025, a Arena também reinaugurou seu novo auditório, um espaço com 350 m² de área total e capacidade para 320 pessoas sentadas. No mesmo período, foi reinaugurado o Lounge Hospitalidade, que conta com 1.718 m² de área totalmente climatizada, além de uma varanda de 320,27 m².

Reforçando seu compromisso com o esporte potiguar, a Arena patrocinou em 2025 os dois maiores clubes do estado, ABC e América, além da equipe de futebol feminino Sociedade Esportiva União.

No final do ano, a Arena incorporou ao seu mall de áreas comerciais uma unidade da rede de academias Selfit, com mais de 1.200 m² de área e capacidade para atender mais de 4 mil alunos por dia. Além da entrada da Selfit, o número de empresas instaladas no Arena Office subiu de 41 para 51, alcançando 100% de ocupação e uma longa fila de espera.

A Arena se destaca também por sua gestão de excelência, sendo a única arena multiuso no Brasil a possuir o selo ISO 55001, certificação internacional que atesta a alta qualidade na gestão e manutenção de seus ativos.
Além dos investimentos e dos novos espaços inaugurados, a Arena recebeu em julho o selo Great Place to Work (GPTW), que reconhece sua excelência na gestão de pessoas e na construção de uma cultura organizacional positiva.

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Lula e Galípolo omitiram de agenda encontro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Foto: Montagem sobre fotos/Metrópoles

Por Andreza Matais – Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em uma reunião no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, não registrada em agenda oficial. O encontro ocorreu no gabinete de Lula e durou cerca de uma hora e meia.

Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23/1), o presidente disse que “falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro (veja vídeo). O tom do presidente contrasta com o fato de que, até recentemente, o Master tinha boas relações com pessoas do núcleo petista, incluindo ministros que estavam no palanque no evento.

Como revelou o colunista Lauro Jardim, a reunião no Planalto foi agendada pelo ex-ministro Guido Mantega.

A coluna mostrou neste sábado (24/1) que Mantega foi contratado como consultor do Master por R$ 1 milhão mensais, a pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O ex-ministro prestou consultoria ao banco entre julho e novembro de 2025, período em que recebeu, ao menos, R$ 16 milhões em honorários.

Procurado, o ex-ministro não comentou o assunto. Wagner negou o pedido de emprego. A assessoria de Lula não explicou o motivo de omitir o encontro da agenda oficial.

A contratação de Mantega resolveu um problema para o governo. Lula tentou empregar seu ex-ministro em cargos públicos, mas recuou diante de forte reação do mercado. Com a vaga no Master, a dívida de gratidão foi paga. Ao contrário de outros, como Antonio Palocci, Mantega não acusou Lula na Lava Jato.

Na ocasião do encontro com Lula, os problemas do Master já eram conhecidos e Mantega atuava como lobista no governo pela aprovação da operação de venda do Master ao BRB.

A reunião agendada por Mantega, reuniu Lula, Vorcaro, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central.

Também esteve presente Augusto Lima, que ocupava o cargo de CEO do Master. Lima é a ligação de Jaques Wagner e Rui Costa com o Master. Na conversa com Lula, o executivo alegou haver uma articulação dos grandes bancos para preservar a concentração do mercado e prejudicar o Master.

Naquele momento, Lula vivia um embate aberto com Roberto Campos Neto e reiterou o discurso de que os bancos privados seriam um dos principais entraves ao país, em razão dos juros elevados e da concentração bancária.

Segundo relatos obtidos pela coluna, Lula pediu a Galípolo que tratasse o caso do Master com isenção ao assumir o comando do Banco Central.

Sob a gestão de Galípolo, os técnicos do BC se posicionaram contra a venda do banco ao BRB e decretaram a liquidação do Master alegando fraude de R$ 12 bilhões para o sistema financeiro.

Mantega deixou a consultoria do Master após o BC liquidar o banco.

Coluna de Andreza Matais – Metrópoles

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Saúde

Após internação, Raí Saia Rodada recebe alta e confirma shows no Carnaval de Natal

Foto: Reprodução 

O cantor Raí Saia Rodada tranquilizou os fãs nesta segunda-feira (26) após ser internado por causa de fortes dores no peito. Já em casa e liberado pelos médicos, o artista confirmou que está bem, em recuperação, e que vai cumprir normalmente a agenda de shows do Carnaval, incluindo apresentações em Natal.

O episódio aconteceu na madrugada da última quinta-feira (22), quando Raí sentiu dores intensas no peito. Segundo o próprio cantor, os sintomas já vinham surgindo de forma leve há algum tempo, mas foram sendo adiados até se tornarem mais fortes, o que levou à busca por atendimento médico.

Ao chegar ao hospital, os médicos decidiram pela internação preventiva para a realização de exames mais detalhados. Após o acompanhamento clínico, os resultados não apontaram complicações graves, e o cantor recebeu alta médica. Ele destacou que a decisão foi tomada por cautela e que todo o procedimento transcorreu dentro da normalidade.

Durante o período de internação, Raí foi atendido por equipes médicas nas cidades de Umarizal, Olho d’Água dos Borges e Mossoró. O cantor fez questão de agradecer publicamente aos profissionais de saúde e às inúmeras mensagens de apoio enviadas por fãs de todo o Rio Grande do Norte e do Brasil.

De volta para casa e ao lado da família, o artista informou que retomará os ensaios com a banda nos próximos dias. A preparação é voltada para a intensa maratona de apresentações do Carnaval, período considerado um dos mais importantes do calendário de shows do forró.

Raí Saia Rodada confirmou presença no Carnaval de 2026 e reforçou que será uma das atrações da programação em Natal. Segundo ele, a expectativa é voltar aos palcos com energia total e entregar um repertório especial para o público potiguar.

A equipe do cantor já havia informado anteriormente que o quadro clínico não era grave e que os compromissos profissionais foram suspensos apenas por precaução, medida comum em situações de monitoramento cardíaco.

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Polícia

Cantor João Lima tem prisão decretada após vídeos de agressões e ameaças de morte contra a esposa

Foto: Reprodução 

O cantor de forró João Lima teve sua prisão preventiva decretada após vídeos mostrarem agressões provocadas por ele a então esposa, a médica dermatologista Raphaella Brilhante.

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça da Paraíba pediu a prisão de João Lima para “garantir a ordem pública”. Além disso, a Justiça também acatou o pedido de medida protetiva a favor da vítima das agressões que, segundo Raphaella, começaram ainda na lua de mel do casal, que aconteceu logo após o casamento, no final de 2025.

Com isso, o cantor fica proibido de se aproximar a menos de 300 metros da esposa e de manter contato com ela e com familiares dela. João Lima também não pode ir até a casa que morava com Raphaella e frequentar determinados lugares públicos, como shoppings e academias, para que não encontre a vítima e, assim, mantenha a integridade dela.

UOL

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Educação

Até quando seu filho vai deixar para estudar depois?

Foto: Divulgação

O início do ano letivo costuma ser visto como um período mais leve. No entanto, é justamente essa fase que sustenta todo o desempenho ao longo dos trimestres. Quando o estudante não cria uma base sólida agora, os conteúdos mais complexos que surgem nos próximos meses tendem a se tornar um grande desafio.

Para muitos pais, surge a dúvida: como incentivar o estudo desde o começo sem sobrecarregar o filho? Segundo Victor Cornetta, engenheiro, especialista em tendências educacionais e CEO da Kaizen Mentoria, o segredo está na organização, no uso de técnicas eficazes de estudo e na construção de constância desde os primeiros meses.

“Os conteúdos não surgem de forma isolada. Ao longo do ano, eles se conectam e se aprofundam. Quando o aluno não se organiza no início, ele passa a estudar sempre em modo de recuperação, acumulando lacunas que impactam diretamente o desempenho”, explica Cornetta.

A organização e a constância, segundo o especialista, são os grandes diferenciais de estudantes de alto desempenho. Pequenos hábitos diários criados agora evitam a procrastinação, reduzem a sobrecarga futura e tornam o aprendizado mais fluido e eficiente.

Se seu filho tem dificuldades para organizar os estudos ou sente que o conteúdo “fica pesado” com o passar do ano, a metodologia Kaizen pode ser a solução. Inspirada na filosofia da melhoria contínua, ela ajuda estudantes a construir uma base sólida desde o início, garantindo evolução consistente ao longo do ano letivo.

“O conceito de Kaizen é baseado em ciclos de execução e análise. Isso permite que o aluno avance gradualmente, corrigindo falhas antes que elas se tornem um problema maior”, comenta Cornetta.

O programa da Kaizen Mentoria une princípios da Engenharia e da Pedagogia para criar um plano de estudos personalizado, com foco em três pilares essenciais:

  • Organização da rotina: definição de metas semanais claras, evitando o acúmulo de conteúdos.
  • Técnicas de estudo eficazes: leitura ativa, resolução estratégica de exercícios e preparação contínua para provas.
  • Prática ativa: aprendizado interdisciplinar, conectando conteúdos atuais com os que virão ao longo do ano.

Embora a autonomia do aluno seja fundamental, Victor ressalta o papel dos pais nesse processo. “Criar um ambiente favorável ao estudo, incentivar a constância e acompanhar o progresso acadêmico desde o início faz toda a diferença para evitar dificuldades futuras”, finaliza.

Se você deseja entender como a Kaizen pode ajudar seu filho a construir um ano letivo mais leve e consistente, agende uma reunião com um dos diretores da Kaizen Mentoria pelo link:
 https://bit.ly/blogdobg1

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Cidades

Parnamirim lança plano pioneiro voltado à saúde mental de crianças e adolescentes

Foto: Divulgação 

A saúde mental de crianças e adolescentes passou a ocupar um novo patamar de prioridade em Parnamirim. A gestão da prefeita Nilda lançou o Plano Municipal de Saúde Mental Infantojuvenil, uma iniciativa inédita que consolida uma política pública estruturada de cuidado, acolhimento e prevenção voltada à infância e à juventude. Pioneiro, o plano representa um avanço importante na forma como o município passa a enxergar e tratar a saúde emocional de estudantes da rede pública. Idealizado pelo setor de Práticas Restaurativas da Secretaria Municipal de Educação, o projeto nasce com uma abordagem integrada, envolvendo educação, saúde e proteção social, e será desenvolvido em parceria com o Ministério Público, fortalecendo sua base técnica e institucional.

Para a prefeita Nilda, o lançamento do plano reforça o compromisso da gestão com uma política pública sensível, humana e responsável. “Cuidar da saúde mental das nossas crianças e adolescentes é cuidar do presente e do futuro da cidade. Esse plano é um marco porque reconhece o sofrimento emocional, organiza ações e garante acolhimento. É uma iniciativa que nasce do cuidado, do diálogo e do compromisso com uma educação mais humana”, destacou.

 

Um dos principais eixos do plano é a criação de um Observatório de Saúde Mental Infantojuvenil, que permitirá a construção de um diagnóstico estatístico preciso sobre a realidade local. A proposta é mapear quantas crianças e adolescentes da rede municipal enfrentam quadros como depressão, ansiedade e outros sofrimentos psíquicos, além de acompanhar a atuação e a necessidade de formação continuada dos profissionais da educação e da saúde.

O plano também propõe ações preventivas, acompanhamento contínuo e articulação entre escolas, unidades de saúde e serviços especializados, criando uma rede de proteção que atua antes que os problemas se agravem. A iniciativa posiciona o município como referência em políticas públicas voltadas à saúde mental infantojuvenil.

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Música

Nem Se Acaba Nem Fica Pouco entra na reta final e promete abrir o Carnaval de Natal em grande estilo

Fotos: Divulgação 

A contagem regressiva já começou e o clima de pré-carnaval toma conta de Natal. No dia 7 de fevereiro, o Nem Se Acaba Nem Fica Pouco volta a ocupar o Aeroclube, reafirmando seu lugar como o bloco mais tradicional e simbólico da abertura oficial do Carnaval na capital.

Com trajetória marcada por grandes públicos, identidade musical forte e uma relação direta com os foliões, o bloco chega à reta final de preparação prometendo mais uma edição vibrante, marcada por emoção, alegria e muita energia do começo ao fim.

À frente do trio, o anfitrião Tatau comanda mais uma vez a festa, levando para a avenida os clássicos do axé e um repertório que se tornou a trilha sonora oficial do Nem Se Acaba Nem Fica Pouco. Presença constante ao longo dos anos, o cantor mantém viva a essência do bloco e a conexão com o público natalense.

Outra atração de peso é AloBened, ex-vocalista da lendária Banda Mel. Com uma carreira marcada por hits que atravessam gerações, Alo Bened promete levar ao bloco o axé raiz, carregado de história, nostalgia e muita energia do começo ao fim.

A programação ainda destaca o talento potiguar de Alysson Carlyle, reforçando a valorização dos artistas locais dentro de um dos maiores eventos do pré-carnaval de Natal.

A abertura do percurso também será comandada por uma voz potiguar que representa a força da cultura local. Vivi Nascimento chega para puxar o trio até o Aeroclube, colocando o bloco na rua do jeito que a tradição manda: junto do povo, com vibração, identidade e muito carnaval.

Além da força artística, o Nem Se Acaba Nem Fica Pouco conta com o apoio de marcas que acreditam na cultura e no impacto do carnaval para Natal. A edição 2026 tem patrocínio da Unimed Natal, Praiamar Arena, MaxMeio, Supermercado Nordestão e Sterbom, parceiros que ajudam a viabilizar a estrutura e a experiência oferecida ao público.

Com organização, público fiel e uma atmosfera contagiante, o Nem Se Acaba Nem Fica Pouco segue como um dos eventos mais aguardados do verão natalense e promete abrir o Carnaval do jeito que o folião gosta: com vibração, emoção e muita música.

Os ingressos seguem à venda e o público deve ficar atento: na próxima quarta-feira, dia 28, acontece a virada de lote, o que reforça a expectativa de aumento na procura nesta reta final. As entradas estão disponíveis pela Bilheteria Digital e também via WhatsApp (84) 9 9624-8518, com opção de pagamento via Pix sem taxa. O público também pode adquirir os ingressos no ponto de venda físico Sol Bijoux, no Midway Mall.

Serviço:
Dia: 07 de fevereiro de 2026
Local: Aeroclube – Natal
Ingressos: Bilheteria Digital e WhatsApp (Pix sem taxa)
WhatsApp: (84) 9 9624-8518
Ponto de venda físico: Sol Bijoux – Midway Mall (Crédito e Débito)
Informações: @nemacabanempouco

 

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Acidente

Carro colide com poste e motorista fica preso às ferragens em Assu

Foto: Ilustrativa

Na madrugada deste domingo (25) O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN) atendeu uma ocorrência de acidente de trânsito com vítima presa às ferragens, na RN-016, no município de Açu/RN.

A guarnição foi acionada e, ao chegar ao local, constatou que o veículo havia colidido contra um poste de energia elétrica, provocando danos significativos à estrutura e deixando diversos fios espalhados pelo solo, o que aumentava o risco da ocorrência. Após a avaliação e isolamento da cena, os bombeiros verificaram que nenhum fio energizado estava em contato com o veículo, garantindo a segurança para o início da operação de resgate. Para realizar a retirada da vítima, a equipe utilizou técnicas de desencarceramento, efetuando a extração das duas portas e da coluna do automóvel.

A vítima, que estava inconsciente, foi encontrada no lado do motorista, porém sem ferimentos graves aparentes. Após a retirada segura, o atendimento foi realizado em conjunto com a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), sendo a vítima encaminhada à Unidade de Suporte Avançado do SAMU de Açu para atendimento médico especializado.

 

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Brasil

Esquerda comanda 8 dos 10 Estados com mais mortes do Brasil

Foto: Ricardo Stuckert

Governadores com perfis mais à esquerda comandam 8 dos 10 Estados com mais mortes violentas em 2025. O levantamento é do Poder360 e leva em conta dados oficiais do Ministério da Justiça. Considera registros de homicídios, feminicídios, latrocínios e mortes pós-lesões corporais.

O Ceará, de Elmano de Freitas (PT), lidera o ranking das unidades da Federação mais violentas. Teve no ano passado 32,6 mortes a cada 100 mil habitantes. Em Pernambuco, de Raquel Lyra (PSD, mais de centro), que ocupa o 2º lugar, foram 31,6. Em Alagoas, de Paulo Dantas (que é do MDB, mas tem visões mais à esquerda), foram 29,4, assumindo a 3ª posição.

A média de mortes em Estados comandados por políticos mais à esquerda é maior: 23,4 a cada 100 mil habitantes. Nas unidades da Federação chefiadas pela direita, essa média é de 14,8.

Os números de mortes por intervenção policial não entraram na conta por não estarem estratificados por cidade até agora. Esses dados, quando forem atualizados, não mudarão a leitura geral dos quadros apresentados nesta reportagem.

Como o ano ainda está começando, é possível que os números fechados tenham leves variações caso correções mínimas sejam feitas nos próximos dias.

São Paulo, por exemplo, não enviou as informações referentes a dezembro. Isso não interferirá nos números apresentados acima nem no ranking geral porque historicamente o Estado sempre fica mais bem posicionado por causa do tamanho da sua população (46,1 milhões de pessoas).

O Ceará, que aparece como a unidade da Federação mais perigosa do Brasil, disse ao Poder360 que –apesar do número ainda alto de mortes– houve uma redução na comparação do 2024. Destacou ações que resultaram no aumento de prisões e redução de crimes específicos, como o latrocínio.

DIREITA TEM MAIORES MELHORAS

De 2022 até agora, 24 unidades da Federação registraram queda nas mortes a cada 100 mil habitantes. Nos 10 Estados com as melhoras mais significativas, 6 são governados pela direita, 3 pela esquerda e 1 pelo centro.

Esse recorte foi escolhido porque em 2022 foi quando teve a última eleição geral. Os governadores eleitos àquela época assumiram o poder no ano seguinte. Essas autoridades organizam as forças de segurança de seus Estados e são responsáveis pela elaboração da maioria das políticas públicas voltadas a essa área.

A classificação ideológica dos governadores levou em conta apoios dados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Jair Bolsonaro (PL) em 2022 e posições históricas de cada político.

ESQUERDA COBRADA

A esquerda é sempre cobrada para dar mais atenção à pauta de segurança pública. Políticos da oposição atribuem a esse grupo político o aumento da violência no Brasil neste século.

Esse tema será um dos mais explorados nas eleições de outubro. Enquanto o Planalto visa a enfrentar a questão com a apresentação de projetos como o PL (projeto de lei) Antifacção e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, a alta taxa de mortes em Estados comandados pelo PT e pela esquerda em geral pode ser explorada pelos adversários.

Levantamento da Ipsos, divulgado em 7 de janeiro, mostrou que 45% dos brasileiros afirmam que o crime e a violência são os temas que mais os preocupam no país. Já uma pesquisa Datafolha, divulgada em 13 de dezembro, mostrou que a segurança se tornou o 2º tema que mais preocupa os brasileiros –só perde para saúde.

O debate sobre a violência ganhou ainda mais espaço tanto na mídia quanto na política depois da megaoperação no Complexo da Penha (RJ), em 28 de outubro de 2025, que deixou 122 mortos.

A ação, comandada pelo governo de Cláudio Castro (PL, de direita), foi questionada pelo governo federal e por parte da esquerda brasileira. Além disso, órgãos internacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas), repudiaram a ação da polícia fluminense.

Poder360

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