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O contador que não via: Operador contábil de fraudes na Operação Amicis diz que mentor do esquema queria evitar pagar impostos; defesa rebate e informa ter pedido auditoria independente

Da direita para a esquerda: João Eduardo e sua esposa, Layana e o contador José Ildo – Imagem: reprodução

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

Às 14h20 de uma tarde de julho de 2025, na sede da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado e Tributário (DEICOT), em Natal, a delegada Jaqueline Almeida se preparava para interrogar um homem que, durante quatro anos, havia sido o arquiteto técnico de um dos mais sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro já descobertos no Rio Grande do Norte. José Ildo Pereira Leonardo, 41 anos, contador, chegara àquela sala com uma estratégia de defesa aparentemente simples: ele não sabia de nada.

“O senhor José Ildo vai ser interrogado na condição de investigado. O senhor tem o direito ao silêncio”, advertiu a delegada, cumprindo o ritual que antecede todo interrogatório policial. “Tudo bem”, respondeu José Ildo, com a naturalidade de quem já havia tomado uma decisão. Quando questionado se queria a presença de seus advogados – Breno Soares Paula e Felipe Muniz Costa Batalha Araújo -, ele dispensou a assistência legal. “Normalmente eles não estão disponíveis e para este ato a gente consegue fazer”, disse, como se estivesse marcando uma consulta médica de rotina.

A delegada prosseguiu com as formalidades, mas sua advertência final carregava um peso que José Ildo talvez não tenha compreendido completamente naquele momento: “O senhor também tem o direito de responder apenas a algumas perguntas, tá? E não tem o direito de mentir. Então, é melhor que o senhor fique em silêncio do que o senhor…” A frase ficou suspensa no ar, mas o recado estava dado. Nos próximos 55 minutos, José Ildo construiria uma narrativa de ignorância que seria sistematicamente confrontada com evidências documentais de sua participação em um esquema que movimentou milhões de reais através de dezenas de empresas fantasma.

José Ildo Pereira Leonardo não era um contador qualquer. Durante quatro anos, entre 2021 e 2025, ele havia sido o responsável técnico por pelo menos 27 empresas ligadas a uma organização criminosa que a Polícia Civil do Rio Grande do Norte classificou como uma das mais complexas redes de branqueamento de capitais, sonegação fiscal e fraudes documentais já investigadas no estado. Seu papel era aparentemente simples: recebia documentos, fazia alterações contratuais, abria empresas. Mas a simplicidade era apenas aparente.

O homem sentado diante da delegada Jaqueline naquela tarde de julho havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma peculiar de exercer sua profissão. Ele era um contador que nunca visitava as empresas que administrava, que nunca questionava a origem dos documentos que recebia, que nunca indagava sobre a legitimidade dos sócios cujos nomes assinava digitalmente. Era, nas palavras que a própria investigação viria a cunhar, um praticante da “cegueira deliberada” – a arte de não ver aquilo que não se quer ver.

O Esquema

A história que José Ildo contaria naquela sala de interrogatório era, em sua essência, uma narrativa de inocência profissional. Segundo sua versão, tudo havia começado de forma natural, através de um relacionamento comercial que se desenvolveu ao longo de três ou quatro anos com João Eduardo Costa de Souza, conhecido como “Duda”, e Layana Soares da Costa. “O meu serviço ele me passava a documentação e eu efetuava a abertura da empresa ou alteração do contrato mediante da documentação recebida”, explicou José Ildo, como se estivesse descrevendo uma rotina administrativa qualquer.

Mas a rotina descrita por José Ildo tinha características peculiares que, vistas em retrospecto, revelavam a sofisticação do esquema do qual ele participava. João Eduardo o procurava por telefone, sempre por telefone, e solicitava alterações em empresas que estavam registradas em nomes de terceiros. José Ildo recebia então a documentação necessária – às vezes física, às vezes digital – e procedia às alterações solicitadas. O pagamento pelos serviços vinha de Layana, que José Ildo identificou como “a principal gestora” das empresas.

“O senhor tinha consciência que era o nome de terceiros?”, perguntou a delegada. “Tenho”, respondeu José Ildo, sem hesitação. Era uma admissão importante: ele sabia que as empresas não pertenciam realmente às pessoas cujos nomes constavam nos documentos oficiais. Mas quando questionado se indagava sobre essas pessoas, sobre os sócios, sobre os proprietários reais, sua resposta foi categórica: “Nunca cheguei a questionar.”

A naturalidade com que José Ildo descrevia essa situação revelava algo fundamental sobre seu modus operandi. Ele havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma de trabalhar que o protegia do conhecimento inconveniente. Não questionava, não visitava, não indagava. Recebia documentos, fazia alterações, recebia pagamentos. Era uma rotina que lhe permitia manter uma distância psicológica das implicações de seu trabalho.

Quando a delegada pressionou sobre o motivo pelo qual João Eduardo trocava tanto de sócios e de CNPJs, José Ildo ofereceu uma explicação que revelava mais do que talvez pretendesse: “Pelo que eu entendi, porque ele não queria pagar imposto.” Era uma confissão crucial. José Ildo admitia conhecer o objetivo final das operações que executava tecnicamente. Ele sabia que estava participando de um esquema de sonegação fiscal. Mas, em sua narrativa, esse conhecimento não o tornava responsável pelas consequências.

A divisão de trabalho no esquema, segundo a descrição de José Ildo, era clara e funcional. João Eduardo era o idealizador, aquele que solicitava as alterações e fornecia as justificativas. Layana era a gestora financeira, responsável pelos pagamentos e pela coordenação operacional. José Ildo era o executor técnico, aquele que transformava as solicitações em realidade jurídica através de alterações contratuais e aberturas de empresas. Era uma estrutura que permitia a cada participante manter uma distância psicológica de sua responsabilidade no conjunto da operação.

Confronto com os Fatos

A estratégia de José Ildo de se apresentar como um mero executor técnico começou a ser sistematicamente desconstruída quando a delegada Jaqueline passou a confrontá-lo com casos específicos. “O senhor está associado a pelo menos vinte e sete empresas”, disse ela, antes de começar a enumerar nomes e situações que revelavam um padrão muito mais complexo do que a simples prestação de serviços contábeis.

O primeiro caso apresentado foi o de Francisco Adriano Messias, proprietário da JF Locações de Máquinas Pesadas. A delegada explicou que Francisco Adriano havia feito um boletim de ocorrência alegando que uma empresa foi aberta em seu nome sem seu conhecimento, deixando um débito de R$ 123 mil que negativou seu nome. Quando tentou fazer um empréstimo, descobriu a dívida. “O senhor chegou a conhecer esse senhor?”, perguntou a delegada. “Não conheço”, respondeu José Ildo. “O senhor chegou a receber algum documento em nome de Francisco Adriano para o senhor fazer essa alteração?” “Eu não me recordo. Não me recordo.”

A resposta de José Ildo revelava um padrão que se repetiria ao longo de todo o interrogatório. Diante de casos específicos que evidenciavam o uso indevido de dados de terceiros, ele sistematicamente alegava não se recordar ou não conhecer as pessoas envolvidas. Era uma estratégia defensiva que buscava criar uma distância entre sua ação técnica e suas consequências humanas.

O caso seguinte foi o de Francisca Sumara. Novamente, José Ildo alegou não conhecer a pessoa, mas admitiu ter recebido “toda a documentação que a gente precisa para fazer a abertura da empresa”. Quando questionado sobre o que João Eduardo havia dito ao entregar a documentação, José Ildo respondeu: “Que era amiga dele. Era conhecida, né? Ele disse que ela era empregada dele.” Era uma explicação que revelava como o esquema funcionava: João Eduardo fornecia justificativas vagas sobre as pessoas cujos nomes eram utilizados, e José Ildo aceitava essas explicações sem questionamento.

A delegada prosseguiu com outros casos: João Pereira, sócio da JP Confecções; Lucas Ananias, da L.A. Serviços de Saúde; Francisca Marília, irmã de Francisca Sumara. Em todos os casos, o padrão se repetia: José Ildo alegava não conhecer as pessoas, mas admitia ter recebido documentação e feito as alterações solicitadas. “Não conheço a pessoa, mas eu recebi toda a documentação para efetivar o meu trabalho”, tornou-se sua resposta padrão.

Mas foi quando a delegada chegou ao caso que envolvia a própria família de José Ildo que sua estratégia defensiva começou a ruir. A delegada mencionou uma empresa que havia passado pelo nome de Maria Alves Pereira Leonardo – a mãe de José Ildo. A empresa, que inicialmente se chamava Armazém do Pastelê, havia passado por vários proprietários: primeiro José Carlos Leonardo (irmão de José Ildo), depois Josenil Leonardo da Silva (sobrinho de José Ildo, que trabalhava na polícia), depois a mãe de José Ildo, e finalmente havia sido transferida para terceiros.

“Eles iam baixar e o João Eduardo perguntou se eu tinha algum CNPJ para repassar. De fato, esse CNPJ aí, foi eu que passei, por inexperiência, não tinha ideia disso, poderia acontecer”, admitiu José Ildo. Era uma confissão crucial. Ele admitia ter oferecido ativamente um CNPJ de sua própria família para uso no esquema. Sua justificativa – “inexperiência” – contrastava fortemente com o fato de que ele era um contador profissional há anos e estava envolvido com dezenas de empresas similares.

A confissão sobre o CNPJ da família revelava algo fundamental sobre o papel de José Ildo no esquema. Ele não era apenas um executor passivo de solicitações externas. Em pelo menos um caso documentado, ele havia sido proativo, oferecendo recursos próprios para facilitar as operações. Sua alegação de “inexperiência” soava particularmente inadequada vinda de um profissional que, naquele momento, já administrava dezenas de empresas com características similares.

O Rastro dos Nomes

À medida que o interrogatório avançava, a delegada Jaqueline foi apresentando a José Ildo uma galeria de nomes que revelava a extensão do esquema do qual ele participava. Eram pessoas de diferentes perfis sociais e econômicos, de diferentes cidades do Rio Grande do Norte, que tinham em comum o fato de terem seus dados utilizados em empresas que elas desconheciam ou não controlavam efetivamente.

Vitor Hugo era um deles. Seus dados haviam sido utilizados em uma empresa que depois foi transferida para Daniel Costa da Silva, um morador de Felipe Camarão que José Ildo alegou não conhecer. O padrão era sempre o mesmo: uma pessoa tinha seus dados utilizados para abrir ou assumir uma empresa, a empresa passava por alterações que aumentavam drasticamente seu capital social, movimentava valores significativos por um período, e depois era transferida para outra pessoa ou baixada.

Rogério Bernardino da Silva era outro nome na lista. Ele havia recebido o CNPJ que originalmente pertencia à família de José Ildo. “O Rogério eu conheci”, admitiu José Ildo, mas quando questionado sobre como havia conhecido Rogério, sua resposta foi vaga: “Eu já vi, quando a gente teve contato, ele veio, a gente se encontrou de moto. Ele andava de moto, eu não sei o que ele fazia.” A delegada esclareceu: “Ele disse que era o motoboy dessa Copa B.” José Ildo respondeu: “Eu não sabia que ele era o motoboy.”

A revelação de que Rogério era um motoboy adicionava uma dimensão social importante ao esquema. Não se tratava apenas de usar dados de pessoas desconhecidas, mas de recrutar pessoas de baixa renda, com pouca instrução formal, que provavelmente não compreendiam completamente as implicações de emprestar seus nomes para operações empresariais. José Ildo, como contador profissional, certamente tinha mais conhecimento sobre essas implicações do que as pessoas cujos dados eram utilizados.

Ana Patrícia Luiz e Souza era outro caso interessante. Ela era proprietária de uma empresa chamada Reis Mães Souza, que José Ildo descreveu como “uma loja de descartáveis”. Mas a empresa havia sido posteriormente transferida para um rapaz de Bom Jesus com passagem pela polícia, que José Ildo alegou não conhecer. A delegada explicou que, mesmo após a transferência, a empresa continuou sendo operada por João Eduardo e chegou a passar cheques assinados em branco para Marcelo Spyrides, uma figura central no esquema investigado.

O caso de Ana Patrícia revelava como o esquema funcionava na prática. As empresas eram formalmente transferidas para diferentes pessoas, mas continuavam sendo controladas pelos mesmos operadores. José Ildo, como contador, era o responsável técnico por essas transferências, mas alegava desconhecer o que acontecia com as empresas após as alterações contratuais. Era uma forma de compartimentalização que lhe permitia manter a distância psicológica de sua responsabilidade.

Quando a delegada mencionou Marcelo Spyrides, uma figura pública conhecida em Natal, José Ildo admitiu: “Não conheço o Marcelo. Eu vi ele no dia da operação. Dessa operação, quarta-feira. Não conheço, mas já conhecia ele de uma pessoa pública, entre aspas.” Era uma admissão interessante: José Ildo conhecia Marcelo de reputação, sabia que ele era uma “pessoa pública”, mas alegava não ter relação direta com ele. No entanto, as empresas que José Ildo administrava estavam sendo utilizadas para operações que beneficiavam Marcelo.

A lista de nomes continuava: Daniel Costa da Silva, Ivanier Ananias, Alexandre Bahia Alecrim, Raquel Bahia Alecrim, Afrânio Caldas, Leonardo Oliveira, Antônio Carlos, Luanderson, Saulo Barbosa. Para cada nome, José Ildo tinha a mesma resposta: “Não conheço” ou “Não me recordo”. Era uma estratégia defensiva sistemática que buscava criar a impressão de que ele era apenas um prestador de serviços técnicos sem conhecimento das pessoas ou operações envolvidas.

Mas a repetição da mesma resposta para dezenas de casos diferentes começava a soar implausível. Como um contador profissional poderia administrar 27 empresas durante quatro anos sem conhecer praticamente nenhuma das pessoas envolvidas? Como poderia fazer alterações contratuais sistemáticas sem questionar a legitimidade dos sócios? Como poderia aceitar certificados digitais de terceiros sem verificar sua autenticidade?

O Papel de Cada Um

À medida que o interrogatório avançava, José Ildo foi delineando, talvez involuntariamente, a estrutura organizacional do esquema do qual participava. Sua descrição revelava uma divisão clara de responsabilidades que permitia a cada participante manter uma distância psicológica de sua culpabilidade no conjunto da operação.

João Eduardo Costa de Souza, conhecido como “Duda”, emergia do relato de José Ildo como o idealizador e coordenador das operações. Era ele quem fazia os contatos iniciais, sempre por telefone, solicitando alterações em empresas ou abertura de novas empresas. Era ele quem fornecia as justificativas para as operações – “não queria pagar imposto” – e quem apresentava as pessoas cujos nomes seriam utilizados como “amigos” ou “empregados”. João Eduardo era, na descrição de José Ildo, o cérebro por trás das operações.

Layana Soares da Costa tinha um papel diferente, mas igualmente crucial. José Ildo a identificou como “a principal gestora” das empresas, responsável pelos aspectos financeiros e operacionais. Era Layana quem pagava os honorários de José Ildo, quem coordenava as atividades das lojas Schalk, quem mantinha o controle financeiro das operações. Se João Eduardo era o idealizador, Layana era a executora, aquela que transformava as ideias em operações concretas.

José Ildo se apresentava como o terceiro elemento dessa estrutura: o facilitador técnico. Seu papel era receber as solicitações de João Eduardo, processar a documentação fornecida, e executar as alterações contratuais necessárias. Era ele quem tinha o conhecimento técnico para navegar pela burocracia empresarial, quem sabia como alterar contratos sociais, como aumentar capitais sociais, como transferir empresas entre diferentes proprietários. Sem José Ildo, o esquema não poderia funcionar na escala em que funcionou.

Mas a descrição que José Ildo fazia de seu próprio papel era cuidadosamente limitada. Ele se apresentava como um mero executor de solicitações externas, alguém que recebia instruções e as cumpria sem questionamento. “Não sei da movimentação, não tenho acesso à movimentação”, disse ele quando questionado sobre as atividades financeiras das empresas. Era uma forma de compartimentalização que buscava limitar sua responsabilidade aos aspectos puramente técnicos de sua participação.

A Cegueira Deliberada

O conceito de “cegueira deliberada” não foi explicitamente mencionado durante o interrogatório, mas permeava toda a estratégia defensiva de José Ildo. Tratava-se da prática de evitar deliberadamente o conhecimento de fatos que poderiam torná-lo legalmente responsável por suas ações. José Ildo havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma sistemática de não ver aquilo que não queria ver.

Essa cegueira se manifestava de várias formas. José Ildo nunca visitava as empresas que administrava, mesmo quando elas supostamente funcionavam em endereços específicos. “O senhor chegou a visitar alguma dessas empresas?”, perguntou a delegada. “Não. Não”, respondeu José Ildo. “Tu nem indagou o seu guarda sobre o endereço, sobre a localidade dela?” “Também nunca indaguei. Só recebia a documentação e fazia os contratos.”

A recusa sistemática em visitar as empresas que administrava era uma forma de evitar o conhecimento inconveniente. Se José Ildo visitasse os endereços registrados, poderia descobrir que muitas das empresas não funcionavam realmente nesses locais, ou que funcionavam de forma muito diferente do que constava em seus registros oficiais. Ao evitar essas visitas, ele podia manter a ficção de que estava administrando empresas legítimas.

José Ildo também evitava questionar a origem dos documentos que recebia ou a legitimidade dos sócios cujos nomes assinava digitalmente. “O senhor não questionava sobre essas pessoas, esses sócios, impostos, proprietários?”, perguntou a delegada. “Nunca cheguei a questionar”, respondeu José Ildo. Era uma postura profissional que violava princípios básicos da ética contábil, mas que lhe permitia manter a distância psicológica de sua responsabilidade.

A cegueira de José Ildose estendia também às atividades financeiras das empresas que administrava. Quando questionado sobre movimentações financeiras suspeitas, ele sistematicamente alegava desconhecimento. “Eu não consigo, eu não sei da movimentação, não tenho acesso à movimentação”, disse ele quando confrontado com diagramas que mostravam movimentações milionárias em empresas sob sua responsabilidade.

Mas a cegueira de José Ildo tinha limites convenientes. Ele sabia o suficiente para executar tecnicamente as operações solicitadas, mas não o suficiente para ser considerado responsável por suas consequências. Ele sabia que as empresas eram registradas em nomes de terceiros, mas não questionava por quê. Ele sabia que o objetivo era “não pagar imposto”, mas não indagava sobre os métodos utilizados. Ele sabia que recebia certificados digitais de terceiros, mas não verificava sua legitimidade.

Essa forma seletiva de conhecimento revelava a sofisticação da estratégia defensiva de José Ildo. Ele havia aprendido a navegar na zona cinzenta entre o conhecimento e a ignorância, mantendo-se informado o suficiente para ser útil ao esquema, mas não o suficiente para ser considerado plenamente responsável por suas consequências. Era uma forma de cumplicidade que buscava minimizar a responsabilidade legal através da compartimentalização do conhecimento.

A delegada Jaqueline, no entanto, não se deixou convencer por essa estratégia. Durante o interrogatório, ela confrontou José Ildo com evidências que mostravam que sua alegada ignorância era implausível. “Tenha em mente que eu já sei a resposta da maioria das perguntas, tá bom?”, disse ela em determinado momento, deixando claro que dispunha de informações que contradiziam as alegações de José Ildo.

A cegueira deliberada de José Ildo era, em última análise, uma forma de má-fé profissional. Como contador registrado, ele tinha obrigações éticas e legais que incluíam a verificação da legitimidade das operações que executava. Sua recusa sistemática em cumprir essas obrigações não era resultado de ignorância ou inexperiência, mas de uma escolha deliberada de priorizar os benefícios financeiros de sua participação no esquema sobre suas responsabilidades profissionais.

A Responsabilidade do Contador

Ao final do interrogatório, quando a delegada Jaqueline perguntou se José Ildo tinha conhecimento das atividades ilícitas, sua resposta foi categórica: “Não tinha conhecimento. Só fiz o meu trabalho de alterações contratuais recebidas, recebendo as documentações. Não tinha nenhum conhecimento das atividades de movimentação financeira.” Era uma declaração final que resumia toda sua estratégia defensiva: ele era apenas um técnico que cumpria instruções, sem conhecimento ou responsabilidade pelas consequências de suas ações.

Mas a alegação de José Ildo de que “só fez seu trabalho” levantava questões fundamentais sobre a responsabilidade profissional em esquemas criminosos complexos. Até que ponto um profissional pode alegar ignorância sobre as implicações de suas ações? Qual é o limite entre a execução técnica de tarefas profissionais e a cumplicidade em atividades criminosas?

No caso de José Ildo, várias evidências contradiziam sua alegação de ignorância. Primeiro, ele admitiu saber que as empresas eram registradas em nomes de terceiros e que o objetivo era “não pagar imposto”. Segundo, ele tinha acesso a certificados digitais de terceiros e os utilizava para assinar documentos oficiais. Terceiro, ele havia oferecido ativamente o CNPJ de sua própria família para uso no esquema. Quarto, ele participou do esquema por quatro anos, administrando 27 empresas com características similares.

A combinação desses fatores sugeria que José Ildo não era um mero executor técnico, mas um participante consciente e ativo do esquema. Sua alegação de ignorância era contradita pela evidência de seu conhecimento sobre os objetivos das operações e pela duração e escala de sua participação. Um contador profissional que administra 27 empresas durante quatro anos não pode credibilmente alegar desconhecimento sobre a natureza das operações que executa.

A responsabilidade de José Ildo era amplificada por sua condição de profissional registrado. Como contador, ele tinha obrigações éticas e legais que incluíam a verificação da legitimidade das operações que executava. Sua formação profissional lhe dava o conhecimento necessário para identificar situações suspeitas e questionar operações irregulares. Sua escolha de não exercer esse julgamento profissional crítico não o isentava de responsabilidade, mas a aumentava.

O caso de José Ildo ilustrava um problema mais amplo na prevenção de crimes financeiros: o papel dos profissionais especializados que facilitam tecnicamente operações criminosas. Advogados, contadores, despachantes, e outros profissionais têm conhecimentos técnicos que são essenciais para a execução de esquemas complexos de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Quando esses profissionais se prestam a facilitar operações criminosas, eles se tornam peças fundamentais na engrenagem do crime organizado.

A estratégia defensiva de José Ildo – alegar ignorância e limitar sua responsabilidade aos aspectos técnicos de sua participação – é comum entre profissionais envolvidos em esquemas criminosos. Eles buscam se apresentar como meros prestadores de serviços técnicos, sem conhecimento ou responsabilidade pelas implicações mais amplas de suas ações. Mas essa estratégia ignora o fato de que sua expertise profissional é precisamente o que torna possível a execução de operações criminosas complexas.

No caso específico de José Ildo, sua responsabilidade era ainda maior porque ele havia se tornado, na prática, o contador exclusivo de um esquema criminoso. Durante quatro anos, ele foi o responsável técnico por praticamente todas as alterações contratuais e aberturas de empresas necessárias para o funcionamento do esquema. Sem sua participação, o esquema não poderia ter operado na escala em que operou.

A gravidade da responsabilidade de José Ildo era evidenciada pelas consequências de suas ações. Francisco Adriano Messias teve seu nome negativado por dívidas de uma empresa que não conhecia. Vitor Hugo teve seus dados utilizados devidamente alinhado ao esquema, conforme a investigação. Dezenas de outras pessoas tiveram seus nomes associados a empresas que não controlavam. José Ildo, como o profissional responsável pelas alterações contratuais que tornaram possível o uso indevido desses nomes, tinha uma responsabilidade direta por esses danos.

Outro Lado

A defesa de João Eduardo e Layana Soares enviou ao blog nota em que afirma não poder se manifestar, neste momento, fora dos autos. Apesar disso, afirma que pediu análise técnica independente sobre apontamentos contábeis e que está colaborando com a Justiça para a elucidação do caso. Confira:

Em razão dos questionamentos formulados pela imprensa acerca da atuação de investigados no processo nº 0801279-17.2025.8.20.5001, que tramita na 11ª Vara Criminal de Natal/RN, a defesa de João Eduardo Costa Souza e Layana Soares da Costa esclarece que, por razões éticas e em respeito ao contraditório, não é possível, neste momento e fora dos autos, emitir juízos ou prestar esclarecimentos sobre a conduta de terceiros. Cada defesa possui autonomia técnica e estratégia processual própria, sendo necessário respeitar esse limite.

Reafirma-se, contudo, o compromisso com a presunção de inocência, princípio constitucional que assegura a qualquer pessoa o direito de ser tratada como inocente até o julgamento final. Cumpre esclarecer que tal presunção é muito diferente de “fazer-se de inocente”, expressão que distorce o devido processo legal e compromete a seriedade da análise jurídica dos fatos.

No que se refere a eventuais apontamentos contábeis e administrativos, já foi solicitada a elaboração de análise técnica independente, cujo resultado será analisado à luz das provas acostadas por meio das medidas cautelares já deferidas nos autos. Apenas após a conclusão desse trabalho será possível oferecer esclarecimentos mais específicos e tecnicamente fundamentados.

Por fim, a defesa reafirma seu compromisso com a legalidade e com a colaboração institucional junto às autoridades competentes. Já se encontra em curso o requerimento de autorização judicial para a regularização das empresas eventualmente impactadas, com especial atenção à preservação dos postos de trabalho, à manutenção dos empregos dos colaboradores e à continuidade das atividades empresariais em conformidade com a legislação vigente.

Natal/RN, 19 de julho de 2025.
Jonas Antunes de Lima Neto
Advogado – OAB/RN 8.973

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

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Trânsito

Protesto interdita RN-160 e causa congestionamento de quase duas horas

Foto: Reprodução

Um protesto registrado na RN-160, na comunidade de 4 Bocas, provocou um congestionamento no trânsito na manhã desta quarta-feira. Manifestantes bloquearam um dos acessos da rodovia, deixando motoristas parados por quase duas horas. A via foi liberada às 7h40 desta quarta-feira (8).

De acordo com relatos de motoristas do local, a manifestação ocorre em razão da situação da rodovia. A via foi interditada com pneus que foram queimados.

O bloqueio afeta principalmente quem sai de municípios como Lagoa de Pedras, Lagoa Salgada, Boa Saúde e Serrinha com destino a Vera Cruz, Macaíba, Monte Alegre e Natal.

Equipes do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE) e Corpo de Bombeiros (CBMRN) acompanharam a ocorrência no local.

Tribuna do Norte

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Política

PESQUISA MEIO/IDEIA: Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula em cenário de 2º turno

Foto: Andressa Anhole/Agência Senado | Divulgação

Levantamento do instituto Meio/Ideia indica um cenário de empate técnico na disputa presidencial, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.

De acordo com os dados, Flávio Bolsonaro soma 45,8% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 45,5%. A diferença entre os dois é de apenas 0,3 ponto percentual, dentro da margem de erro, o que caracteriza empate técnico.

O levantamento também mostra crescimento no percentual de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo. Esse grupo representa 8,7% dos entrevistados, indicando um cenário ainda indefinido e com espaço para mudanças ao longo da campanha.

Em relação à variação, Flávio Bolsonaro oscilou positivamente 0,5 ponto percentual, enquanto Lula apresentou queda de 1,9 ponto, o que contribuiu para a aproximação entre os dois nomes no cenário projetado.

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 7 de abril, com 1.500 eleitores em todo o país, e está registrada sob o número BR-00605/2026.

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Economia

Governo Lula já gasta mais de R$ 1,5 trilhão em 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Facebook

As despesas do setor público brasileiro já superaram a marca de R$ 1,5 trilhão em 2026, de acordo com dados da plataforma Ga$to Brasil, mantida por entidades do setor comercial. O volume expressivo reforça o ritmo acelerado dos gastos ao longo do ano e acende alerta sobre o equilíbrio das contas públicas.

A maior fatia dessas despesas é atribuída ao governo federal, responsável por cerca de R$ 620 milhões. Na sequência aparecem os governos estaduais, com R$ 432 milhões, e os municípios, que juntos somam aproximadamente R$ 476 milhões em gastos no período.

Mesmo com a arrecadação elevada — que já ultrapassa R$ 1,1 trilhão em tributos pagos pela população — o saldo das contas segue negativo. O chamado “rombo” nas contas públicas já passa dos R$ 400 milhões, evidenciando o descompasso entre receitas e despesas.

Entre os principais componentes das despesas federais, os gastos com pessoal e encargos lideram com folga, totalizando cerca de R$ 80 bilhões. Esse é o maior custo individual arcado pelo contribuinte até o momento em 2026.

Outros poderes também apresentam despesas relevantes com folha de pagamento. O Ministério Público Federal já consumiu cerca de R$ 2 bilhões, enquanto o Legislativo soma R$ 1,2 bilhão e o Judiciário registra aproximadamente R$ 43 milhões em gastos com pessoal neste ano.

Com informações do Diário do Poder

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Geral

Secretaria de Saúde Pública rebate versão sobre falta de macas após morte de motociclista em Natal

Foto: Reprodução

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) se pronunciou sobre o caso do motociclista que morreu após um acidente na Avenida Roberto Freire, em Natal, e contestou informações divulgadas durante a ocorrência sobre a suposta falta de macas no sistema de atendimento.

Segundo a pasta, não procede a justificativa de que o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel estaria com macas retidas a ponto de impedir o atendimento por parte do Samu. De acordo com a verificação feita pela própria secretaria, havia quatro macas disponíveis na unidade no momento do ocorrido — duas vinculadas ao Samu Natal e duas ao Samu RN.

A Sesap informou que os dados foram confirmados por meio do sistema do plantão administrativo e também junto à direção do hospital. Com isso, o órgão afirma que a alegação de indisponibilidade por retenção de macas não corresponde à realidade registrada oficialmente.

O caso ganhou repercussão após relatos de demora no socorro e de dificuldades operacionais no atendimento de urgência. A morte do motociclista levantou questionamentos sobre a capacidade de resposta do sistema, especialmente diante de denúncias de sobrecarga e limitações estruturais.

Por fim, a secretaria lamentou o ocorrido e prestou solidariedade aos familiares da vítima, reiterando o compromisso dos profissionais da rede pública de saúde com o atendimento à população.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) esclarece que, ao contrário do que foi informado durante a ocorrência registrada na noite de ontem, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel contava com apenas duas macas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na unidade pertencentes ao Samu Natal (responsabilidade do município de Natal) e duas ao Samu RN (responsabilidade do Governo do Estado do RN).

A informação foi devidamente verificada por meio do sistema do plantão administrativo e confirmada junto à direção da unidade, não correspondendo, portanto, à justificativa apresentada de indisponibilidade de macas por retenção no Hospital Walfredo Gurgel como motivo para o não atendimento da ocorrência por parte do Samu Natal.

O Governo do RN e a Secretaria lamenta profundamente o falecimento do motociclista envolvido na ocorrência e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de dor. A Sesap reafirma o compromisso dos profissionais da rede pública de saúde, que atuam diariamente com dedicação para salvar vidas e prestar assistência à população.
A Secretaria permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.

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Geral

Jatinhos de Vorcaro pousaram em Brasília uma vez a cada 15 dias

Foto: Reprodução/Esfera Brasil

Levantamento aponta que as aeronaves do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pousaram ao menos 55 vezes em Brasília desde 2023, indicando uma frequência média de uma viagem a cada 15 dias. A capital federal se tornou um dos principais destinos dos jatos do empresário, ficando atrás apenas de São Paulo, Belo Horizonte e Miami.

A informação é da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles. Os dados mostram um salto expressivo na presença em Brasília ao longo do período. Enquanto em 2023 foram registradas apenas quatro visitas, no ano seguinte esse número disparou para 36, o que representa, na prática, um pouso a cada dez dias na capital do país.

As informações foram obtidas a partir de monitoramento do sistema ADS-B, que rastreia em tempo real a posição de aeronaves. No total, os registros analisados cobrem o intervalo entre abril de 2023 e novembro de 2025, revelando uma rotina constante de deslocamentos para a capital federal.

Além da frequência, chama atenção o padrão das viagens. A maioria dos pousos ocorreu em dias úteis, principalmente às terças e quartas-feiras, o que reforça a leitura de compromissos recorrentes no centro político do país.

Brasília também abriga um dos imóveis de alto padrão de Vorcaro, localizado no Lago Sul, onde o empresário já recebeu autoridades. Ao todo, seus jatos passaram por 358 destinos diferentes no período, mas a intensidade das viagens à capital evidencia o peso estratégico da cidade em sua agenda.

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Geral

VÍDEO: “FALTOU SOCORRO”: Familiares se revoltam com demora após morte de jovem em acidente

 

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Vídeo: Via Certa Natal

A morte de um motociclista de 27 anos, após um acidente na Avenida Engenheiro Roberto Freire, em Natal, na noite desta terça-feira (7), foi marcada por forte revolta de familiares e amigos da vítima. O sentimento predominante no local era de indignação diante da demora no atendimento de emergência.

Segundo relatos, o jovem permaneceu consciente por um longo período após a colisão e chegou a conversar com pessoas que tentavam ajudá-lo. Ele pediu que o padrasto fosse chamado e, enquanto aguardava socorro, reclamava de dores intensas, em uma cena que comoveu quem estava presente.

A principal crítica dos familiares foi direcionada à demora na chegada das ambulâncias. De acordo com testemunhas, diversas ligações foram feitas para o Samu, mas a resposta recebida era de que não havia macas disponíveis, pois estariam retidas em hospitais da rede pública, o que teria impedido o envio imediato de equipes.

A revolta também se estendeu à conduta do motorista envolvido no acidente, que, conforme relatos, teria deixado o local após a colisão. Para parentes da vítima, a sensação é de abandono duplo: tanto pela ausência de socorro rápido quanto pela falta de responsabilidade de quem teria causado o acidente.

Diante do ocorrido, familiares afirmam que pretendem buscar justiça. O caso deve ser investigado pelas autoridades, enquanto a morte do jovem reacende críticas sobre a estrutura do sistema de saúde e a capacidade de resposta em situações de urgência na capital potiguar.

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Esporte

VÍDEO: Torcedor do ABC é atacado com pedras após clássico na Arena das Dunas

Vídeo: Cedido

A saída do clássico entre ABC e América, na noite desta terça-feira (7), terminou com um episódio de violência nas proximidades da Arena das Dunas, em Natal. Um torcedor alvinegro foi atacado enquanto retornava para casa, gerando tensão na região.

Segundo relato da própria vítima, o ataque aconteceu quando ele parou em um semáforo na Avenida Jerônimo Câmara. Dois homens em motocicletas se aproximaram, perceberam que ele era torcedor do ABC e desceram dos veículos, arremessando pedras contra o carro.

Assustado, o motorista acelerou para fugir do local, sendo perseguido pelos suspeitos. A perseguição teria seguido pela Jerônimo Câmara até o cruzamento com a Avenida Jaguarari, aumentando o clima de medo após a partida.

A Polícia Militar foi acionada e realizou buscas na região para tentar localizar os envolvidos.

Até o momento, não há confirmação de feridos graves nem informações sobre prisões. O caso deve ser investigado pelas autoridades, que buscam identificar os responsáveis pelo ataque.

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Geral

VÍDEO: Motociclista morre aguardando resgate após acidente na Roberto Freire, em Natal

 

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Vídeo: TV Ponta Negra

Um grave acidente de trânsito terminou em morte na Avenida Engenheiro Roberto Freire, em Natal, na noite desta terça-feira (7). A vítima, um motociclista de 27 anos, chegou a receber os primeiros atendimentos ainda no local, mas não resistiu após aguardar por longo tempo a chegada do resgate.

Testemunhas relataram que o jovem estava consciente logo após a colisão entre a moto e um carro, ocorrida nas proximidades da Avenida Ayrton Senna. Durante a espera, ele chegou a conversar com pessoas presentes e pediu que familiares fossem acionados, enquanto se queixava de fortes dores.

A demora no atendimento foi atribuída, segundo relatos, à indisponibilidade de ambulâncias do Samu, que estariam com macas retidas em unidades hospitalares, como o Hospital Walfredo Gurgel. A situação teria dificultado o envio imediato de equipes ao local, mesmo após diversas ligações de emergência.

Quando o socorro chegou, cerca de uma hora depois, equipes iniciaram manobras de reanimação e acionaram uma unidade de suporte avançado. Apesar dos esforços, o motociclista não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

O caso gerou revolta entre familiares e populares, que apontam falhas no sistema de saúde e cobram providências. As circunstâncias do acidente devem ser investigadas, incluindo a conduta do outro motorista envolvido, que, segundo testemunhas, deixou o local após a colisão.

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Política

Parecer do MP reforça reprovação das contas de 2022 de Allyson no TCE

Foto: Adriano Abreu

As contas de 2022 da Prefeitura de Mossoró, sob a gestão do prefeito Allyson Bezerra, receberam parecer prévio pela desaprovação por parte do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte. A manifestação segue o entendimento técnico da Corte e amplia a pressão sobre o gestor, que já enfrenta recomendação semelhante referente ao exercício de 2023.

Entre os principais pontos levantados está a abertura de créditos suplementares acima do limite autorizado pela Lei Orçamentária Anual (LOA). Segundo a análise, o percentual permitido era de até 25% do orçamento, o equivalente a cerca de R$ 212,8 milhões, mas o município abriu R$ 660,2 milhões — o que representa 77,55% do total.

O Ministério Público de Contas destacou que, mesmo em casos de excesso de arrecadação, o limite estabelecido na LOA deve ser respeitado, o que não teria ocorrido. O descumprimento dessa regra foi considerado uma irregularidade relevante na execução orçamentária do município.

Foto: Reprodução

Outro problema apontado foi a falha na prestação de informações obrigatórias ao tribunal. O parecer cita ausência ou envio incompleto de documentos essenciais, como dados fiscais e registros de natureza orçamentária e patrimonial, o que comprometeu a análise completa das contas.

Diante das inconsistências, o órgão opinou pela emissão de parecer desfavorável e sugeriu a abertura de processo para apuração de responsabilidade. Apesar disso, a decisão final caberá à Câmara Municipal de Mossoró, após julgamento definitivo do TCE-RN.

Com informações do Diário do RN

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Geral

CHEGA DE INCOMPETÊNCIA! Álvaro Dias dispara contra Fátima, expõe caos no RN e promete “virada de gestão”

Foto: Reprodução

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL), subiu o tom e fez um verdadeiro raio-x da atual gestão estadual durante entrevista ao programa Band Cidade, da TV Band Natal. Em uma fala direta e sem rodeios, Álvaro classificou o cenário do estado como “caótico” e responsabilizou o governo de Fátima Bezerra pelo que chamou de “desmantelo generalizado”.

“Educação com o pior índice do Brasil há três anos, saúde sucateada, segurança dominada por facções. Nenhum serviço essencial funciona como deveria. O estado está penalizado por um governo incompetente”, disparou.

“NATAL GOVERNOU O RN NA PANDEMIA”

Um dos momentos mais fortes da entrevista foi quando Álvaro relembrou sua atuação durante a pandemia, afirmando que a Prefeitura de Natal assumiu um papel que deveria ser do Governo do Estado.

“Natal governou o Rio Grande do Norte durante a pandemia. Instalamos hospital de campanha em tempo recorde, salvamos milhares de vidas e acolhemos pacientes de todo o estado — e até de fora dele”, afirmou.

Ele ainda fez questão de destacar o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçando o vínculo político, mas sem assumir rótulos ideológicos:

“Não é questão de bolsonarismo. É gratidão. Tivemos apoio decisivo do governo federal quando o estado se omitiu.”

ATAQUE DIRETO À NARRATIVA DAS “OBRAS INACABADAS”

Ao ser questionado sobre críticas da oposição, Álvaro reagiu com firmeza e virou o jogo, listando uma série de entregas da sua gestão em Natal.

“Querem falar de obras inacabadas e por que não cotam os R$ 50 milhões que o Governo Federal travou para nossas obras em Natal? Pois vamos falar das obras que transformaram Natal: mais de 100 praças revitalizadas, 160 milhões em asfalto, a engorda de Ponta Negra, a Felizardo Moura requalificada. Isso mudou a cidade.”

Sobre o Hospital Municipal, alvo constante de críticas, ele foi categórico:

“É a maior obra da história da saúde pública do estado. Falta ajuste, não falta importância. Deve estar funcionando em junho e vai desafogar o sistema e resolver um dos maiores gargalos do RN.”

“O PROBLEMA DO RN É INCOMPETÊNCIA DE GESTÃO”

Na saúde estadual, Álvaro foi ainda mais incisivo ao apontar o que considera a raiz do problema:

“O Walfredo Gurgel continua com pacientes nos corredores porque o governo não investiu nos hospitais regionais. Isso é incompetência. Faltam equipamentos, especialistas e estrutura.”

Ele defendeu a estruturação eficiente dos hospitais regionais como solução imediata para o colapso da rede pública.

EDUCAÇÃO: “UMA VERGONHA PARA O RN”

Na reta final da entrevista, Álvaro voltou a atacar os índices educacionais do estado, destacando o contraste com experiências locais.

“É vergonhoso o RN ter o pior índice do Brasil. Enquanto isso, mostramos que é possível fazer diferente, com escolas modernas, estruturadas e com ensino de qualidade.”

Encerrando a entrevista, Álvaro Dias deixou claro que sua pré-candidatura nasce com um discurso de ruptura:

“O Rio Grande do Norte precisa mudar. E vai mudar. Vamos colocar o estado no caminho certo.”

Opinião dos leitores

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