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O contador que não via: Operador contábil de fraudes na Operação Amicis diz que mentor do esquema queria evitar pagar impostos; defesa rebate e informa ter pedido auditoria independente

Da direita para a esquerda: João Eduardo e sua esposa, Layana e o contador José Ildo – Imagem: reprodução

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

Às 14h20 de uma tarde de julho de 2025, na sede da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado e Tributário (DEICOT), em Natal, a delegada Jaqueline Almeida se preparava para interrogar um homem que, durante quatro anos, havia sido o arquiteto técnico de um dos mais sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro já descobertos no Rio Grande do Norte. José Ildo Pereira Leonardo, 41 anos, contador, chegara àquela sala com uma estratégia de defesa aparentemente simples: ele não sabia de nada.

“O senhor José Ildo vai ser interrogado na condição de investigado. O senhor tem o direito ao silêncio”, advertiu a delegada, cumprindo o ritual que antecede todo interrogatório policial. “Tudo bem”, respondeu José Ildo, com a naturalidade de quem já havia tomado uma decisão. Quando questionado se queria a presença de seus advogados – Breno Soares Paula e Felipe Muniz Costa Batalha Araújo -, ele dispensou a assistência legal. “Normalmente eles não estão disponíveis e para este ato a gente consegue fazer”, disse, como se estivesse marcando uma consulta médica de rotina.

A delegada prosseguiu com as formalidades, mas sua advertência final carregava um peso que José Ildo talvez não tenha compreendido completamente naquele momento: “O senhor também tem o direito de responder apenas a algumas perguntas, tá? E não tem o direito de mentir. Então, é melhor que o senhor fique em silêncio do que o senhor…” A frase ficou suspensa no ar, mas o recado estava dado. Nos próximos 55 minutos, José Ildo construiria uma narrativa de ignorância que seria sistematicamente confrontada com evidências documentais de sua participação em um esquema que movimentou milhões de reais através de dezenas de empresas fantasma.

José Ildo Pereira Leonardo não era um contador qualquer. Durante quatro anos, entre 2021 e 2025, ele havia sido o responsável técnico por pelo menos 27 empresas ligadas a uma organização criminosa que a Polícia Civil do Rio Grande do Norte classificou como uma das mais complexas redes de branqueamento de capitais, sonegação fiscal e fraudes documentais já investigadas no estado. Seu papel era aparentemente simples: recebia documentos, fazia alterações contratuais, abria empresas. Mas a simplicidade era apenas aparente.

O homem sentado diante da delegada Jaqueline naquela tarde de julho havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma peculiar de exercer sua profissão. Ele era um contador que nunca visitava as empresas que administrava, que nunca questionava a origem dos documentos que recebia, que nunca indagava sobre a legitimidade dos sócios cujos nomes assinava digitalmente. Era, nas palavras que a própria investigação viria a cunhar, um praticante da “cegueira deliberada” – a arte de não ver aquilo que não se quer ver.

O Esquema

A história que José Ildo contaria naquela sala de interrogatório era, em sua essência, uma narrativa de inocência profissional. Segundo sua versão, tudo havia começado de forma natural, através de um relacionamento comercial que se desenvolveu ao longo de três ou quatro anos com João Eduardo Costa de Souza, conhecido como “Duda”, e Layana Soares da Costa. “O meu serviço ele me passava a documentação e eu efetuava a abertura da empresa ou alteração do contrato mediante da documentação recebida”, explicou José Ildo, como se estivesse descrevendo uma rotina administrativa qualquer.

Mas a rotina descrita por José Ildo tinha características peculiares que, vistas em retrospecto, revelavam a sofisticação do esquema do qual ele participava. João Eduardo o procurava por telefone, sempre por telefone, e solicitava alterações em empresas que estavam registradas em nomes de terceiros. José Ildo recebia então a documentação necessária – às vezes física, às vezes digital – e procedia às alterações solicitadas. O pagamento pelos serviços vinha de Layana, que José Ildo identificou como “a principal gestora” das empresas.

“O senhor tinha consciência que era o nome de terceiros?”, perguntou a delegada. “Tenho”, respondeu José Ildo, sem hesitação. Era uma admissão importante: ele sabia que as empresas não pertenciam realmente às pessoas cujos nomes constavam nos documentos oficiais. Mas quando questionado se indagava sobre essas pessoas, sobre os sócios, sobre os proprietários reais, sua resposta foi categórica: “Nunca cheguei a questionar.”

A naturalidade com que José Ildo descrevia essa situação revelava algo fundamental sobre seu modus operandi. Ele havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma de trabalhar que o protegia do conhecimento inconveniente. Não questionava, não visitava, não indagava. Recebia documentos, fazia alterações, recebia pagamentos. Era uma rotina que lhe permitia manter uma distância psicológica das implicações de seu trabalho.

Quando a delegada pressionou sobre o motivo pelo qual João Eduardo trocava tanto de sócios e de CNPJs, José Ildo ofereceu uma explicação que revelava mais do que talvez pretendesse: “Pelo que eu entendi, porque ele não queria pagar imposto.” Era uma confissão crucial. José Ildo admitia conhecer o objetivo final das operações que executava tecnicamente. Ele sabia que estava participando de um esquema de sonegação fiscal. Mas, em sua narrativa, esse conhecimento não o tornava responsável pelas consequências.

A divisão de trabalho no esquema, segundo a descrição de José Ildo, era clara e funcional. João Eduardo era o idealizador, aquele que solicitava as alterações e fornecia as justificativas. Layana era a gestora financeira, responsável pelos pagamentos e pela coordenação operacional. José Ildo era o executor técnico, aquele que transformava as solicitações em realidade jurídica através de alterações contratuais e aberturas de empresas. Era uma estrutura que permitia a cada participante manter uma distância psicológica de sua responsabilidade no conjunto da operação.

Confronto com os Fatos

A estratégia de José Ildo de se apresentar como um mero executor técnico começou a ser sistematicamente desconstruída quando a delegada Jaqueline passou a confrontá-lo com casos específicos. “O senhor está associado a pelo menos vinte e sete empresas”, disse ela, antes de começar a enumerar nomes e situações que revelavam um padrão muito mais complexo do que a simples prestação de serviços contábeis.

O primeiro caso apresentado foi o de Francisco Adriano Messias, proprietário da JF Locações de Máquinas Pesadas. A delegada explicou que Francisco Adriano havia feito um boletim de ocorrência alegando que uma empresa foi aberta em seu nome sem seu conhecimento, deixando um débito de R$ 123 mil que negativou seu nome. Quando tentou fazer um empréstimo, descobriu a dívida. “O senhor chegou a conhecer esse senhor?”, perguntou a delegada. “Não conheço”, respondeu José Ildo. “O senhor chegou a receber algum documento em nome de Francisco Adriano para o senhor fazer essa alteração?” “Eu não me recordo. Não me recordo.”

A resposta de José Ildo revelava um padrão que se repetiria ao longo de todo o interrogatório. Diante de casos específicos que evidenciavam o uso indevido de dados de terceiros, ele sistematicamente alegava não se recordar ou não conhecer as pessoas envolvidas. Era uma estratégia defensiva que buscava criar uma distância entre sua ação técnica e suas consequências humanas.

O caso seguinte foi o de Francisca Sumara. Novamente, José Ildo alegou não conhecer a pessoa, mas admitiu ter recebido “toda a documentação que a gente precisa para fazer a abertura da empresa”. Quando questionado sobre o que João Eduardo havia dito ao entregar a documentação, José Ildo respondeu: “Que era amiga dele. Era conhecida, né? Ele disse que ela era empregada dele.” Era uma explicação que revelava como o esquema funcionava: João Eduardo fornecia justificativas vagas sobre as pessoas cujos nomes eram utilizados, e José Ildo aceitava essas explicações sem questionamento.

A delegada prosseguiu com outros casos: João Pereira, sócio da JP Confecções; Lucas Ananias, da L.A. Serviços de Saúde; Francisca Marília, irmã de Francisca Sumara. Em todos os casos, o padrão se repetia: José Ildo alegava não conhecer as pessoas, mas admitia ter recebido documentação e feito as alterações solicitadas. “Não conheço a pessoa, mas eu recebi toda a documentação para efetivar o meu trabalho”, tornou-se sua resposta padrão.

Mas foi quando a delegada chegou ao caso que envolvia a própria família de José Ildo que sua estratégia defensiva começou a ruir. A delegada mencionou uma empresa que havia passado pelo nome de Maria Alves Pereira Leonardo – a mãe de José Ildo. A empresa, que inicialmente se chamava Armazém do Pastelê, havia passado por vários proprietários: primeiro José Carlos Leonardo (irmão de José Ildo), depois Josenil Leonardo da Silva (sobrinho de José Ildo, que trabalhava na polícia), depois a mãe de José Ildo, e finalmente havia sido transferida para terceiros.

“Eles iam baixar e o João Eduardo perguntou se eu tinha algum CNPJ para repassar. De fato, esse CNPJ aí, foi eu que passei, por inexperiência, não tinha ideia disso, poderia acontecer”, admitiu José Ildo. Era uma confissão crucial. Ele admitia ter oferecido ativamente um CNPJ de sua própria família para uso no esquema. Sua justificativa – “inexperiência” – contrastava fortemente com o fato de que ele era um contador profissional há anos e estava envolvido com dezenas de empresas similares.

A confissão sobre o CNPJ da família revelava algo fundamental sobre o papel de José Ildo no esquema. Ele não era apenas um executor passivo de solicitações externas. Em pelo menos um caso documentado, ele havia sido proativo, oferecendo recursos próprios para facilitar as operações. Sua alegação de “inexperiência” soava particularmente inadequada vinda de um profissional que, naquele momento, já administrava dezenas de empresas com características similares.

O Rastro dos Nomes

À medida que o interrogatório avançava, a delegada Jaqueline foi apresentando a José Ildo uma galeria de nomes que revelava a extensão do esquema do qual ele participava. Eram pessoas de diferentes perfis sociais e econômicos, de diferentes cidades do Rio Grande do Norte, que tinham em comum o fato de terem seus dados utilizados em empresas que elas desconheciam ou não controlavam efetivamente.

Vitor Hugo era um deles. Seus dados haviam sido utilizados em uma empresa que depois foi transferida para Daniel Costa da Silva, um morador de Felipe Camarão que José Ildo alegou não conhecer. O padrão era sempre o mesmo: uma pessoa tinha seus dados utilizados para abrir ou assumir uma empresa, a empresa passava por alterações que aumentavam drasticamente seu capital social, movimentava valores significativos por um período, e depois era transferida para outra pessoa ou baixada.

Rogério Bernardino da Silva era outro nome na lista. Ele havia recebido o CNPJ que originalmente pertencia à família de José Ildo. “O Rogério eu conheci”, admitiu José Ildo, mas quando questionado sobre como havia conhecido Rogério, sua resposta foi vaga: “Eu já vi, quando a gente teve contato, ele veio, a gente se encontrou de moto. Ele andava de moto, eu não sei o que ele fazia.” A delegada esclareceu: “Ele disse que era o motoboy dessa Copa B.” José Ildo respondeu: “Eu não sabia que ele era o motoboy.”

A revelação de que Rogério era um motoboy adicionava uma dimensão social importante ao esquema. Não se tratava apenas de usar dados de pessoas desconhecidas, mas de recrutar pessoas de baixa renda, com pouca instrução formal, que provavelmente não compreendiam completamente as implicações de emprestar seus nomes para operações empresariais. José Ildo, como contador profissional, certamente tinha mais conhecimento sobre essas implicações do que as pessoas cujos dados eram utilizados.

Ana Patrícia Luiz e Souza era outro caso interessante. Ela era proprietária de uma empresa chamada Reis Mães Souza, que José Ildo descreveu como “uma loja de descartáveis”. Mas a empresa havia sido posteriormente transferida para um rapaz de Bom Jesus com passagem pela polícia, que José Ildo alegou não conhecer. A delegada explicou que, mesmo após a transferência, a empresa continuou sendo operada por João Eduardo e chegou a passar cheques assinados em branco para Marcelo Spyrides, uma figura central no esquema investigado.

O caso de Ana Patrícia revelava como o esquema funcionava na prática. As empresas eram formalmente transferidas para diferentes pessoas, mas continuavam sendo controladas pelos mesmos operadores. José Ildo, como contador, era o responsável técnico por essas transferências, mas alegava desconhecer o que acontecia com as empresas após as alterações contratuais. Era uma forma de compartimentalização que lhe permitia manter a distância psicológica de sua responsabilidade.

Quando a delegada mencionou Marcelo Spyrides, uma figura pública conhecida em Natal, José Ildo admitiu: “Não conheço o Marcelo. Eu vi ele no dia da operação. Dessa operação, quarta-feira. Não conheço, mas já conhecia ele de uma pessoa pública, entre aspas.” Era uma admissão interessante: José Ildo conhecia Marcelo de reputação, sabia que ele era uma “pessoa pública”, mas alegava não ter relação direta com ele. No entanto, as empresas que José Ildo administrava estavam sendo utilizadas para operações que beneficiavam Marcelo.

A lista de nomes continuava: Daniel Costa da Silva, Ivanier Ananias, Alexandre Bahia Alecrim, Raquel Bahia Alecrim, Afrânio Caldas, Leonardo Oliveira, Antônio Carlos, Luanderson, Saulo Barbosa. Para cada nome, José Ildo tinha a mesma resposta: “Não conheço” ou “Não me recordo”. Era uma estratégia defensiva sistemática que buscava criar a impressão de que ele era apenas um prestador de serviços técnicos sem conhecimento das pessoas ou operações envolvidas.

Mas a repetição da mesma resposta para dezenas de casos diferentes começava a soar implausível. Como um contador profissional poderia administrar 27 empresas durante quatro anos sem conhecer praticamente nenhuma das pessoas envolvidas? Como poderia fazer alterações contratuais sistemáticas sem questionar a legitimidade dos sócios? Como poderia aceitar certificados digitais de terceiros sem verificar sua autenticidade?

O Papel de Cada Um

À medida que o interrogatório avançava, José Ildo foi delineando, talvez involuntariamente, a estrutura organizacional do esquema do qual participava. Sua descrição revelava uma divisão clara de responsabilidades que permitia a cada participante manter uma distância psicológica de sua culpabilidade no conjunto da operação.

João Eduardo Costa de Souza, conhecido como “Duda”, emergia do relato de José Ildo como o idealizador e coordenador das operações. Era ele quem fazia os contatos iniciais, sempre por telefone, solicitando alterações em empresas ou abertura de novas empresas. Era ele quem fornecia as justificativas para as operações – “não queria pagar imposto” – e quem apresentava as pessoas cujos nomes seriam utilizados como “amigos” ou “empregados”. João Eduardo era, na descrição de José Ildo, o cérebro por trás das operações.

Layana Soares da Costa tinha um papel diferente, mas igualmente crucial. José Ildo a identificou como “a principal gestora” das empresas, responsável pelos aspectos financeiros e operacionais. Era Layana quem pagava os honorários de José Ildo, quem coordenava as atividades das lojas Schalk, quem mantinha o controle financeiro das operações. Se João Eduardo era o idealizador, Layana era a executora, aquela que transformava as ideias em operações concretas.

José Ildo se apresentava como o terceiro elemento dessa estrutura: o facilitador técnico. Seu papel era receber as solicitações de João Eduardo, processar a documentação fornecida, e executar as alterações contratuais necessárias. Era ele quem tinha o conhecimento técnico para navegar pela burocracia empresarial, quem sabia como alterar contratos sociais, como aumentar capitais sociais, como transferir empresas entre diferentes proprietários. Sem José Ildo, o esquema não poderia funcionar na escala em que funcionou.

Mas a descrição que José Ildo fazia de seu próprio papel era cuidadosamente limitada. Ele se apresentava como um mero executor de solicitações externas, alguém que recebia instruções e as cumpria sem questionamento. “Não sei da movimentação, não tenho acesso à movimentação”, disse ele quando questionado sobre as atividades financeiras das empresas. Era uma forma de compartimentalização que buscava limitar sua responsabilidade aos aspectos puramente técnicos de sua participação.

A Cegueira Deliberada

O conceito de “cegueira deliberada” não foi explicitamente mencionado durante o interrogatório, mas permeava toda a estratégia defensiva de José Ildo. Tratava-se da prática de evitar deliberadamente o conhecimento de fatos que poderiam torná-lo legalmente responsável por suas ações. José Ildo havia desenvolvido, ao longo dos anos, uma forma sistemática de não ver aquilo que não queria ver.

Essa cegueira se manifestava de várias formas. José Ildo nunca visitava as empresas que administrava, mesmo quando elas supostamente funcionavam em endereços específicos. “O senhor chegou a visitar alguma dessas empresas?”, perguntou a delegada. “Não. Não”, respondeu José Ildo. “Tu nem indagou o seu guarda sobre o endereço, sobre a localidade dela?” “Também nunca indaguei. Só recebia a documentação e fazia os contratos.”

A recusa sistemática em visitar as empresas que administrava era uma forma de evitar o conhecimento inconveniente. Se José Ildo visitasse os endereços registrados, poderia descobrir que muitas das empresas não funcionavam realmente nesses locais, ou que funcionavam de forma muito diferente do que constava em seus registros oficiais. Ao evitar essas visitas, ele podia manter a ficção de que estava administrando empresas legítimas.

José Ildo também evitava questionar a origem dos documentos que recebia ou a legitimidade dos sócios cujos nomes assinava digitalmente. “O senhor não questionava sobre essas pessoas, esses sócios, impostos, proprietários?”, perguntou a delegada. “Nunca cheguei a questionar”, respondeu José Ildo. Era uma postura profissional que violava princípios básicos da ética contábil, mas que lhe permitia manter a distância psicológica de sua responsabilidade.

A cegueira de José Ildose estendia também às atividades financeiras das empresas que administrava. Quando questionado sobre movimentações financeiras suspeitas, ele sistematicamente alegava desconhecimento. “Eu não consigo, eu não sei da movimentação, não tenho acesso à movimentação”, disse ele quando confrontado com diagramas que mostravam movimentações milionárias em empresas sob sua responsabilidade.

Mas a cegueira de José Ildo tinha limites convenientes. Ele sabia o suficiente para executar tecnicamente as operações solicitadas, mas não o suficiente para ser considerado responsável por suas consequências. Ele sabia que as empresas eram registradas em nomes de terceiros, mas não questionava por quê. Ele sabia que o objetivo era “não pagar imposto”, mas não indagava sobre os métodos utilizados. Ele sabia que recebia certificados digitais de terceiros, mas não verificava sua legitimidade.

Essa forma seletiva de conhecimento revelava a sofisticação da estratégia defensiva de José Ildo. Ele havia aprendido a navegar na zona cinzenta entre o conhecimento e a ignorância, mantendo-se informado o suficiente para ser útil ao esquema, mas não o suficiente para ser considerado plenamente responsável por suas consequências. Era uma forma de cumplicidade que buscava minimizar a responsabilidade legal através da compartimentalização do conhecimento.

A delegada Jaqueline, no entanto, não se deixou convencer por essa estratégia. Durante o interrogatório, ela confrontou José Ildo com evidências que mostravam que sua alegada ignorância era implausível. “Tenha em mente que eu já sei a resposta da maioria das perguntas, tá bom?”, disse ela em determinado momento, deixando claro que dispunha de informações que contradiziam as alegações de José Ildo.

A cegueira deliberada de José Ildo era, em última análise, uma forma de má-fé profissional. Como contador registrado, ele tinha obrigações éticas e legais que incluíam a verificação da legitimidade das operações que executava. Sua recusa sistemática em cumprir essas obrigações não era resultado de ignorância ou inexperiência, mas de uma escolha deliberada de priorizar os benefícios financeiros de sua participação no esquema sobre suas responsabilidades profissionais.

A Responsabilidade do Contador

Ao final do interrogatório, quando a delegada Jaqueline perguntou se José Ildo tinha conhecimento das atividades ilícitas, sua resposta foi categórica: “Não tinha conhecimento. Só fiz o meu trabalho de alterações contratuais recebidas, recebendo as documentações. Não tinha nenhum conhecimento das atividades de movimentação financeira.” Era uma declaração final que resumia toda sua estratégia defensiva: ele era apenas um técnico que cumpria instruções, sem conhecimento ou responsabilidade pelas consequências de suas ações.

Mas a alegação de José Ildo de que “só fez seu trabalho” levantava questões fundamentais sobre a responsabilidade profissional em esquemas criminosos complexos. Até que ponto um profissional pode alegar ignorância sobre as implicações de suas ações? Qual é o limite entre a execução técnica de tarefas profissionais e a cumplicidade em atividades criminosas?

No caso de José Ildo, várias evidências contradiziam sua alegação de ignorância. Primeiro, ele admitiu saber que as empresas eram registradas em nomes de terceiros e que o objetivo era “não pagar imposto”. Segundo, ele tinha acesso a certificados digitais de terceiros e os utilizava para assinar documentos oficiais. Terceiro, ele havia oferecido ativamente o CNPJ de sua própria família para uso no esquema. Quarto, ele participou do esquema por quatro anos, administrando 27 empresas com características similares.

A combinação desses fatores sugeria que José Ildo não era um mero executor técnico, mas um participante consciente e ativo do esquema. Sua alegação de ignorância era contradita pela evidência de seu conhecimento sobre os objetivos das operações e pela duração e escala de sua participação. Um contador profissional que administra 27 empresas durante quatro anos não pode credibilmente alegar desconhecimento sobre a natureza das operações que executa.

A responsabilidade de José Ildo era amplificada por sua condição de profissional registrado. Como contador, ele tinha obrigações éticas e legais que incluíam a verificação da legitimidade das operações que executava. Sua formação profissional lhe dava o conhecimento necessário para identificar situações suspeitas e questionar operações irregulares. Sua escolha de não exercer esse julgamento profissional crítico não o isentava de responsabilidade, mas a aumentava.

O caso de José Ildo ilustrava um problema mais amplo na prevenção de crimes financeiros: o papel dos profissionais especializados que facilitam tecnicamente operações criminosas. Advogados, contadores, despachantes, e outros profissionais têm conhecimentos técnicos que são essenciais para a execução de esquemas complexos de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Quando esses profissionais se prestam a facilitar operações criminosas, eles se tornam peças fundamentais na engrenagem do crime organizado.

A estratégia defensiva de José Ildo – alegar ignorância e limitar sua responsabilidade aos aspectos técnicos de sua participação – é comum entre profissionais envolvidos em esquemas criminosos. Eles buscam se apresentar como meros prestadores de serviços técnicos, sem conhecimento ou responsabilidade pelas implicações mais amplas de suas ações. Mas essa estratégia ignora o fato de que sua expertise profissional é precisamente o que torna possível a execução de operações criminosas complexas.

No caso específico de José Ildo, sua responsabilidade era ainda maior porque ele havia se tornado, na prática, o contador exclusivo de um esquema criminoso. Durante quatro anos, ele foi o responsável técnico por praticamente todas as alterações contratuais e aberturas de empresas necessárias para o funcionamento do esquema. Sem sua participação, o esquema não poderia ter operado na escala em que operou.

A gravidade da responsabilidade de José Ildo era evidenciada pelas consequências de suas ações. Francisco Adriano Messias teve seu nome negativado por dívidas de uma empresa que não conhecia. Vitor Hugo teve seus dados utilizados devidamente alinhado ao esquema, conforme a investigação. Dezenas de outras pessoas tiveram seus nomes associados a empresas que não controlavam. José Ildo, como o profissional responsável pelas alterações contratuais que tornaram possível o uso indevido desses nomes, tinha uma responsabilidade direta por esses danos.

Outro Lado

A defesa de João Eduardo e Layana Soares enviou ao blog nota em que afirma não poder se manifestar, neste momento, fora dos autos. Apesar disso, afirma que pediu análise técnica independente sobre apontamentos contábeis e que está colaborando com a Justiça para a elucidação do caso. Confira:

Em razão dos questionamentos formulados pela imprensa acerca da atuação de investigados no processo nº 0801279-17.2025.8.20.5001, que tramita na 11ª Vara Criminal de Natal/RN, a defesa de João Eduardo Costa Souza e Layana Soares da Costa esclarece que, por razões éticas e em respeito ao contraditório, não é possível, neste momento e fora dos autos, emitir juízos ou prestar esclarecimentos sobre a conduta de terceiros. Cada defesa possui autonomia técnica e estratégia processual própria, sendo necessário respeitar esse limite.

Reafirma-se, contudo, o compromisso com a presunção de inocência, princípio constitucional que assegura a qualquer pessoa o direito de ser tratada como inocente até o julgamento final. Cumpre esclarecer que tal presunção é muito diferente de “fazer-se de inocente”, expressão que distorce o devido processo legal e compromete a seriedade da análise jurídica dos fatos.

No que se refere a eventuais apontamentos contábeis e administrativos, já foi solicitada a elaboração de análise técnica independente, cujo resultado será analisado à luz das provas acostadas por meio das medidas cautelares já deferidas nos autos. Apenas após a conclusão desse trabalho será possível oferecer esclarecimentos mais específicos e tecnicamente fundamentados.

Por fim, a defesa reafirma seu compromisso com a legalidade e com a colaboração institucional junto às autoridades competentes. Já se encontra em curso o requerimento de autorização judicial para a regularização das empresas eventualmente impactadas, com especial atenção à preservação dos postos de trabalho, à manutenção dos empregos dos colaboradores e à continuidade das atividades empresariais em conformidade com a legislação vigente.

Natal/RN, 19 de julho de 2025.
Jonas Antunes de Lima Neto
Advogado – OAB/RN 8.973

Por Dinarte Assunção – Blog do Dina

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Governo Lula não vê chance de mudança da classificação de terrorismo de PCC e CV

Foto: Jonas Roosens/EFE/EPA / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo brasileiro não vê chances a curto prazo de os Estados Unidos reverterem a classificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Medida passa a valer a partir desta sexta-feira (5).

O entendimento da diplomacia brasileira é que, por ora, a gestão Donald Trump não deve voltar atrás. Apesar dos protestos do governo Lula (PT), os Estados Unidos não têm indicado qualquer intenção de fazer uma reavaliação.

A leitura é que essa classificação já está sendo organizada há um tempo. A medida já vem avançando desde o início do ano, com intensa troca de documentos entre órgãos norte-americanos, o que, na visão brasileira, diminui a chance de um recuo rápido.

O modelo aplicado a PCC e CV segue classificação usada pelos EUA para cartéis latino-americanos, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela, com possíveis sanções econômicas aos países e a instituições financeiras.

O governo brasileiro é contra. A cúpula lulista não só argumenta que é uma intervenção na soberania nacional como afirma que a classificação, que coloca a agência de inteligência CIA à frente das investigações, mais atrapalha do que ajuda no combate ao crime organizado internacional.

UOL

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Mendonça terá palavra final sobre nova proposta de delação de Vorcaro

Foto: Reprodução/Fellipe Sampaio /STF

A nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, será analisada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Caso seja considerada relevante para as investigações, o acordo seguirá para avaliação do ministro do STF, André Mendonça, responsável por decidir sobre sua homologação.

Segundo informações divulgadas, a nova versão da delação amplia os relatos apresentados anteriormente, incluindo novos personagens e detalhes sobre supostas irregularidades. Entre os citados estariam integrantes dos Três Poderes, incluindo ministros, magistrados e parlamentares.

Uma proposta anterior havia sido rejeitada pela PF por apresentar informações consideradas insuficientes para o avanço das investigações.

Se PF e PGR entenderem que a colaboração traz elementos concretos e úteis para a apuração do caso, André Mendonça analisará aspectos como legalidade, regularidade e voluntariedade do acordo. Caso os requisitos sejam atendidos, a delação poderá ser homologada e gerar benefícios ao colaborador, conforme previsto em lei.

Mesmo com eventual homologação, as informações fornecidas por Vorcaro precisarão ser confirmadas por outras provas, já que a legislação brasileira não permite condenações baseadas apenas em delações premiadas.

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Tenista potiguar Victoria Barros avança para semifinal e segue em busca de título inédito do torneio juvenil de Roland Garros

Victória Barros em Roland Garros — Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images

A tenista potiguar Victoria Barros (4ª no ranking mundial juvenil) está nas semifinais de Roland Garros juvenil.

Ela venceu a sul-coreana Ha Eum Lee (44ª) por 2 sets a 1, de virada nesta quinta (4), com parciais de 2/6, 6/1 e 6/4, em 2h08.

Agora, a potiguar de 16 anos enfrentará Xinran Sun, de 15 anos, nas semifinais. A chinesa é a atual segunda colocada do ranking IFT juvenil.

Na outra chave, o duelo será entra a russa Alisa Oktiabreva, de 17 anos e rankeada em 309º lugar entre as profissionais, e a tcheca Jana Kovackova (6ª do ranking juvenil), de 15 anos.

A partida pela semifinal será disputada na sexta-feira, em horário a ser definido.

Em busca de título inédito

Nenhuma brasileira venceu um Grand Slam juvenil. Entre os homens, Thiago Fernandes, Thiago Wild e João Fonseca alcançaram os títulos na categoria.

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Fachin dá aval para AGU representar Moraes contra Rumble e Trump Media na Justiça dos EUA

Foto: Adriano Machado/Reuters

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, autorizou a AGU (Advocacia-Geral da União) a fazer a defesa de Alexandre de Moraes na ação movida por plataformas contra o ministro nos Estados Unidos.

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) chegou a negar uma carta rogatória dos EUA que visava notificar Moraes, mas o Tribunal da Flórida autorizou a notificação via e-mail, o que destravou o processo.

Agora, ele será defendido pela AGU. Segundo Fachin, a medida é necessária porque “o que está em questão, para além da figura individual de ministro do STF, são a independência do Poder Judiciário brasileiro, a integridade do Estado de Direito no Brasil e, no limite, a própria soberania nacional”.

O magistrado diz que é “oportuno e necessário que a Advocacia-Geral da União tome as medidas cabíveis para a defesa do Estado brasileiro no contexto das ações ajuizadas nos Estados Unidos da América”.

O processo em questão teve início após as empresas acionarem a Justiça dos EUA sob alegação de que decisões do ministro promoveram censura ilegal contra discursos políticos de usuários das plataformas alinhados à direita brasileira, como o influenciador Allan dos Santos.

Na ação, Rumble e Trump Media dizem que as decisões violaram a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.

CNN Brasil

Opinião dos leitores

  1. Como assim? AGU é um órgão de estado para defender o estado, e desde quando um órgão de estado é para ser usado em defesa de um CPF? Ah no desgoverno ptista tudo pode, desde que seja para os cumpanhêros.

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PESQUISA PODERDATA: STF é ‘ruim’ ou ‘péssimo’ para 46% dos brasileiros; 15% consideram ‘bom’ ou ‘ótimo’

Foto: Gustavo Moreno/STF

Pesquisa PoderData mostra que 46% dos eleitores avaliam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) como ruim ou péssima. Apesar de continuar predominante, a avaliação negativa caiu seis pontos percentuais em relação a abril, quando atingiu 52%, o maior índice da série histórica iniciada em 2021.

Por outro lado, 15% classificam o trabalho dos ministros como bom ou ótimo, um avanço de seis pontos percentuais no mesmo período. Outros 27% consideram a atuação do STF regular, enquanto 12% não souberam responder.

Segundo a análise do levantamento, a percepção negativa está ligada ao protagonismo crescente da Corte em temas políticos e eleitorais, além dos frequentes embates com o Congresso Nacional. Questões como decisões envolvendo redes sociais, combate à desinformação e medidas monocráticas mantêm o STF no centro do debate público.

A pesquisa foi realizada entre 30 de maio e 1º de junho e ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios de todos os estados e do Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Com informações Poder 360

Opinião dos leitores

  1. Eu acho excelente e exemplar o STF. Em especial o ministro Alexandre de Morais não se agachou para a pior corja que já existiu na política nacional.

    1. Você gosta de se “AGARCHAR” né guguinha? Só fala nisso kkkkk

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Ao lado de Getúlio Rêgo, Paulinho Freire e lideranças, Álvaro Dias diz que o Oeste voltará a ter protagonismo

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias, participou de uma reunião com amigos e lideranças políticas de Umarizal, no Alto Oeste potiguar, e afirmou que a região Oeste voltará a ter protagonismo em um futuro governo. O encontro contou com a presença do prefeito de Natal e coordenador-geral de sua pré-campanha, Paulinho Freire, do pré-candidato a deputado estadual Getúlio Rêgo, da pré-candidata a deputada federal Nina Souza e de importantes lideranças políticas de diversos municípios da região.

Participaram da reunião os vereadores Camilo de Zé Bola e Ibiratan, além do advogado e liderança local Armando Araújo. Também estiveram presentes o ex-prefeito de Pau dos Ferros, Leonardo Rêgo; o prefeito de Riacho da Cruz, Marcos Aurélio; e o vice-prefeito do município, Borracheiro. O encontro contou ainda com a participação do prefeito de Natal, Paulinho Freire, do pré-candidato a vice-governador Babá Pereira e do pré-candidato ao Senado Federal Coronel Hélio.

Durante o encontro, Álvaro destacou que conhece os desafios enfrentados pelo Rio Grande do Norte e reafirmou sua disposição de trabalhar para promover mudanças estruturantes no estado, defendendo que a região Oeste volte a ocupar posição de destaque no desenvolvimento potiguar.

“Estamos ouvindo a população e construindo um projeto para o Rio Grande do Norte. Sabemos da situação complicada em que o nosso estado se encontra, mas isso não me intimida. Sou ex-prefeito de Natal e vou enfrentar os problemas com toda a força para reconstruir o Rio Grande do Norte. Enfrentamos a pandemia do coronavírus, modernizamos o Plano Diretor de Natal e vamos, com coragem e determinação, mudar a realidade econômica do nosso estado”, afirmou.

Álvaro também ressaltou a importância de eleger representantes comprometidos com o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e destacou o papel que Getúlio Rêgo pode desempenhar na Assembleia Legislativa.

“Para promover as mudanças de que o Rio Grande do Norte precisa, será fundamental contar com pessoas preparadas e comprometidas na Assembleia Legislativa. Getúlio tem uma história de trabalho, experiência e serviços prestados ao povo do Oeste e de todo o estado. Sua volta à Assembleia será muito importante para ajudar nesse processo de reconstrução do Rio Grande do Norte e para garantir que a região Oeste volte a ter o protagonismo que merece”, destacou.

O encontro reforçou a mobilização de lideranças do Alto Oeste em torno da pré-candidatura de Álvaro Dias e do projeto político que vem sendo construído para o futuro do estado, contando também com a participação ativa de Paulinho Freire na articulação e coordenação política da pré-campanha.

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Geral

PESQUISA ATLASINTEL: 89,9% dos eleitores de Lula desaprovam classificação de PCC e CV como terroristas; 98,6% dos eleitores de Bolsonaro em 2022 aprovam


Imagem: reprodução

Pesquisa AtlasIntel mostra que 53,1% dos brasileiros aprovam a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Outros 44,7% desaprovam a medida, enquanto 2,2% não souberam ou não responderam.

Dados estratificados da pesquisa mostram que entre os eleitores de Lula, 89,9% desaprovam a classificação das facções criminosas como terroristas, enquanto apenas 8,4% aprovam.

Já entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, o cenário é bem diferente. 98,6% aprovam a decisão dos EUA que classificou PCC e CV como terroristas, enquanto 1% aprova.

Veja os dados detalhados da pesquisa AQUI

Metodologia

A pesquisa AtlasIntel ouviu 1.273 pessoas entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto.

Opinião dos leitores

  1. Os eleitores de Lula são os “cumpanheiros”, como vão aceitar serem classificados como terroristas?

  2. 🇧🇷🇧🇷🇧🇷Quer saber sobre o caráter de um indivíduo, é só se informar se ele é contra ou a favor do Bolsonaro, simples assim.👉🏿👉🏿👉🏿🇧🇷🇧🇷🇧🇷

  3. Quando vc tem eleitores ideologicos dessa forma, que aceitam tudo que o lider fala sem pensar, o país que vai pagar o preço da falta de autocrítica. Enquanto tivermos nessa polarização radical insana, o povo se lasca e o político nada de braçada. Parabéns aos envolvidos, o país vai perder de 20-30 anos pra se recuperar dos efeitos dessa polarização burra.

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Geral

RN fecha maio com balança comercial no vermelho após queda de 50% nas exportações

Foto: Adriano Abreu

O Rio Grande do Norte registrou déficit de US$ 3,8 milhões na balança comercial em maio de 2026, encerrando uma sequência de resultados positivos que durava desde julho de 2024.

O resultado foi provocado pela forte queda das exportações.

As vendas do Estado para o exterior somaram US$ 37,9 milhões no mês, uma redução de 50,8% em relação a maio de 2025, quando alcançaram US$ 77,4 milhões. Já as importações cresceram 11,2%, passando de US$ 37,8 milhões para US$ 41,7 milhões.

Na prática, o saldo comercial potiguar saiu de um superávit de US$ 39,6 milhões em maio do ano passado para um déficit de US$ 3,8 milhões neste ano, uma piora de mais de US$ 43 milhões.

Ouro foi o principal produto exportado

O principal produto exportado foi o ouro, responsável por US$ 17,3 milhões, o equivalente a 45,7% das vendas externas do Estado. Também se destacaram frutas e nozes (US$ 5,8 milhões) e minerais em estado bruto (US$ 2,3 milhões).

Canadá lidera como principal destino das exportações do RN

O Canadá liderou entre os destinos das exportações potiguares, comprando US$ 13,6 milhões em produtos do RN. O dado que mais chamou atenção, porém, foi a queda nas compras dos Estados Unidos. O país reduziu em 87,2% suas aquisições, deixando de comprar cerca de US$ 26 milhões em produtos potiguares na comparação com maio de 2025.

Combustíveis lideram importações

Do lado das importações, os combustíveis lideraram as compras externas, movimentando US$ 14,1 milhões e registrando crescimento de 109,2%. Os principais fornecedores do RN foram os Países Baixos (Holanda), Argentina e China.

Apesar do resultado negativo em maio, o desempenho acumulado do ano segue positivo. Entre janeiro e maio, o RN exportou US$ 481,3 milhões e importou US$ 203,7 milhões, mantendo um superávit de US$ 277,7 milhões.

Enquanto o RN fechou maio no vermelho, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 8 bilhões no período, com exportações de US$ 32 bilhões e importações de US$ 24,1 bilhões.

Com informações de Tribuna do Norte

Opinião dos leitores

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Polícia

Presidente da Câmara de Tibau sofre atentado a tiros em Mossoró

Foto: Reprodução/Redes sociais

O presidente da Câmara Municipal de Tibau, Adeilton Teixeira de Oliveira (União), foi vítima de atentado a tiros na noite dessa quarta-feira (3), em Mossoró. O parlamentar foi atingido por três disparos enquanto estava em frente ao seu estabelecimento comercial e precisou ser socorrido para uma unidade hospitalar.

Segundo informações preliminares divulgadas pelo TCM Notícias, o autor dos disparos teria saído de uma área de matagal próxima à loja de móveis do vereador e efetuado diversos tiros em sua direção antes de fugir.

Equipes de socorro prestaram atendimento ainda no local da ocorrência e encaminharam Adeilton Teixeira para o hospital. As primeiras informações apontam que, apesar dos ferimentos, o parlamentar não corre risco de morte.

Após o atentado, equipes da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN) realizaram diligências na região na tentativa de localizar o suspeito, mas ninguém havia sido preso até a última atualização do caso.

A investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá apurar as circunstâncias do crime, identificar o autor dos disparos e esclarecer a motivação do atentado.

Em nota, a prefeita de Tibau, Lidiane Marques, manifestou solidariedade ao presidente da Câmara, desejou sua recuperação e defendeu uma investigação rigorosa para esclarecer o caso e responsabilizar os envolvidos.

BZ Notícias

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Geral

Peixes aparecem mortos no Açude do Governo em Currais Novos

Foto: Pedro Seridó Arretado

Uma mortandade de peixes foi registrada no Açude do Governo, em Currais Novos, na região Seridó do RN. Imagens mostram uma grande concentração de peixes mortos na superfície do manancial, o que chamou a atenção de moradores da região.

O caso é investigado pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn). O órgão informou que recebeu a notificação na quarta-feira (3), mas ainda não havia enviado equipe técnica ao local até o momento da divulgação da informação.

O Açude do Governo tem capacidade superior a 3,8 milhões de metros cúbicos de água. Segundo o Igarn, o reservatório estava com cerca de 16% da capacidade total no dia da notificação.

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