O Ministério Público do Rio Grande do Norte denunciou 25 integrantes apontados como membros da cúpula do Sindicato do Crime. A denúncia foi aceita pela Justiça, tornando todos réus em processo criminal.
A ação é resultado da Operação Treme Tudo, deflagrada em dezembro do ano passado para desarticular células armadas da facção. Mandados foram cumpridos no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia.
Além dos integrantes da organização, uma advogada também foi denunciada por suspeita de auxiliar no repasse de informações e ordens criminosas.
Os acusados respondem por crimes como:
- organização criminosa armada;
- associação para o tráfico;
- comércio ilegal de armas;
- lavagem de dinheiro.
Estrutura organizacional
Segundo as investigações, a facção possui estrutura hierárquica dividida entre comando e execução.
No topo está a chamada “Final”, formada pelos fundadores. Logo abaixo aparece o Conselho Estadual, responsável por decisões estratégicas e autorizações de execuções.
Alligueiton Patrício de Araújo é apontado como uma das principais lideranças do grupo. Ele responde por organização criminosa armada, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
Entre os líderes operacionais citados estão:
- Edson Cardoso Beserra, apontado como gestor financeiro;
- Rodrigo Rodrigues Salviano;
- Vitor Vinícius de Moura Torres;
- Alexsandro Freitas de Souza;
- Iranilson de Lima Rodrigues;
- José Henrique Alves de Oliveira.
Setores especializados
As investigações apontam que a facção mantinha setores internos voltados para controle financeiro, cadastro de integrantes e logística.
Ricardo Alexandre do Nascimento e Lenilson Silva dos Santos atuariam nos setores chamados de “Transparência”, “Cadastro Geral” e “Geral do Sistema”.
Já Kleiton da Silva seria responsável pelo controle de dívidas e gerência local em Ponta Negra.
Eudes da Cruz Ribeiro Júnior é apontado como operador da logística financeira e bélica em Parnamirim.
O processo também cita Marcelo André de Oliveira como integrante do núcleo de comando, mesmo estando preso.
Outros denunciados, como Lucas Vinícius Ernesto Dantas, Jefferson Kleyton Fernandes e Arthur Kelwen Dantas da Silveira, respondem por tráfico e comércio ilegal de armas.
A investigação também identificou a chamada “Sintonia dos Gravatas”, formada por advogados ligados à facção.
A advogada Sandra Cássia Moura Caetano foi presa em flagrante durante a operação com bilhetes usados para transmitir ordens criminosas. Ela responde por organização criminosa armada e obstrução de investigação.
Parcerias interestaduais
O MPRN afirma que o Sindicato do Crime mantinha alianças com facções de outros estados, incluindo:
- Nova Okaida (PB);
- GDE (CE);
- ADE (GO);
- BDM (BA);
- TCP (RJ/CE/GO).
As investigações também apontam ligação com o Comando Vermelho no Amazonas.
Josue Moraes de Almeida é apontado como fornecedor de drogas para o grupo potiguar. Já Francisco Shalon Bezerra de Araújo seria intermediário no tráfico interestadual.
Lavagem de dinheiro
Segundo o processo, a facção utilizava contas bancárias de terceiros para movimentar recursos do tráfico.
Lucas Pereira de Oliveira Silva é apontado como operador financeiro ligado a Alligueiton.
Yanne Pinheiro Teixeira responde por disponibilizar contas bancárias para circulação de dinheiro ilícito.
Também foram denunciados:
- Arlon Cleiton de Sousa Barbosa;
- Rogério Silva do Nascimento;
- Luciano Ferreira da Silva.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia, a Justiça manteve a prisão preventiva de 15 acusados.
Alguns investigados, entre eles Rodrigo Rodrigues Salviano, Arthur Kelwen Dantas da Silveira e Luciano Ferreira da Silva, seguem foragidos.
O processo entra agora na fase de citação dos réus e apresentação das defesas.
O MPRN também pediu a perda de bens, veículos e valores apreendidos durante a operação, com o objetivo de enfraquecer financeiramente a organização criminosa.

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