O anúncio da eficácia da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford foi eclipsado pela notícia de que houve um erro na dosagem durante o teste clínico. Reportagem publicada pela Reuters nessa 2ª feira (1º.fev.2021) mostra que os participantes não foram informados sobre o engano.
A eficácia do imunizante vai de 62%, com duas doses completas, a 90%, com meia dose da vacina e, um mês depois, uma dose completa. A aplicação de metade da dosagem não foi feita de maneira proposital. Saiba mais sobre os erros na produção da vacina aqui.
Segundo a agência, aproximadamente 1.500 voluntários receberam meia dose. Ao invés de serem comunicados do erro, esses participantes receberam uma carta em 8 de junho falando sobre uma oportunidade para os pesquisadores de Oxford aprenderem como a vacina funciona em diferentes dosagens.
A carta foi assinada pelo investigador principal do estudo, o professor de Oxford Andrew J. Pollard. Não é mencionado nenhum erro e nem o fato de que os pesquisadores já haviam relatado o problema aos reguladores britânicos.
A agência regulatória do Reino Unido sugeriu que a AstraZeneca e a Universidade de Oxford adicionassem outro grupo de teste para receber a dose completa, de acordo com o plano original do estudo.
O imunizante está sob escrutínio tanto pelo erro de dosagem quanto pela escassez de dados sobre sua eficácia em pessoas mais velhas, mais vulneráveis ao coronavírus. Países como Alemanha e Itália recomendam que a vacina seja aplicada apenas em pessoas mais novas.
Apesar disso, a vacina é considerada segura e eficaz. Foi aprovada no Brasil e em outros países como Reino Unido, Índia, México, Argentina. Também recebeu o aval da União Europeia. Segundo Sue Ann Costa Clemens, coordenadora dos ensaios clínicos no Brasil, o imunizante tem eficácia de 70% já depois da aplicação da 1ª dose.
Especialistas em ética médica ouvidos pela Reuters disseram o principal problema foi que os pesquisadores não foram transparentes com os participantes do estudo. Os voluntários em ensaios clínicos devem ser mantidos totalmente informados sobre todas as alterações.
“Eles [pesquisadores] não são nada claros a respeito do que deveriam esclarecer: o que está acontecendo, o que sabiam, o raciocínio para realizar pesquisas adicionais”, disse Arthur L. Caplan, chefe e fundador da Divisão de Ética Médica da Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova York.
Steve Pritchard, porta-voz de Oxford, disse à Reuters: “O grupo que recebeu a meia dose não foi planejado, mas sabíamos com antecedência que havia uma discrepância nas medições de dose e discutimos isso com os reguladores”
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Quem participou da pesquisa deveria saber até quando está imune, tem como saber pois eles colhem sangue a cada 30 dias, então se há possibilidade da vacina não ser eficaz nos mais velhos, então essa parte dos pesquisados deveria ter esses dados até pra optar por outra imunização ou outra dose. Sei lá!