
Greg Salibian / Folha Press
Uma representação enviada pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mantinha uma “comunhão de interesses econômicos” e conduzia negócios em conjunto com a lobista Roberta Luchsinger. O documento embasou a abertura de um inquérito contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob suspeita de tráfico de influência e corrupção.
De acordo com o material sob sigilo, a investigação indica que Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar — um dos proprietários do sítio de Atibaia investigado na Operação Lava Jato — formavam uma “sociedade oculta”. O foco do grupo era atuar no mercado de Cannabis medicinal para viabilizar contratos com o Ministério da Saúde.
Além do Lobby Tradicional
Os delegados da PF ressaltam que a conduta do trio ultrapassava a atuação regular de representação de interesses perante a administração pública. Segundo o documento, as ações visavam “a facilitação da obtenção de contratos públicos, a promoção de alterações legislativas em benefício de interesses privados específicos e a realização de pagamentos a agentes públicos ocupantes de cargos de elevada hierarquia”.
O relatório aponta que Lulinha figurava como “beneficiário indireto” e “referência decisória” nos projetos articulados por Roberta Luchsinger junto a setores do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial. As investigações também revelam mensagens em que a lobista mencionava a necessidade de afastar Lulinha do país provisoriamente, além de conversas sobre supostas consultas políticas envolvendo cargos no governo.
Intermediação e Defesas
A apuração policial destaca ainda a suposta participação de Marco Aurélio Ribeiro (Marcola), ex-chefe de gabinete de Lula, que teria intermediado reuniões entre Roberta e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. Após os encontros, minutas de contratos de venda de canabidiol teriam sido encaminhadas.
A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, contestou a veracidade dos materiais colhidos e voltou a apontar motivação política nas investigações, argumentando que o inquérito não teria prosperado caso o investigado não fosse filho do presidente. Os representantes de Marcola e os demais citados também negaram irregularidades, classificando os vazamentos como tentativas de interferir no processo político e distorcer fatos.
Enquanto o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, planeja manter a relatoria da investigação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou pedido para que o inquérito seja remetido à primeira instância da Justiça, gerando debates processuais entre as instâncias jurídicas.
Com informações da Folha de São Paulo
Comente aqui