
Coordenador do capítulo de saúde do programa de governo do ex-governador Geraldo Alckmin nas eleições 2018, pré-candidato do PSDB à Presidência, o médico infectologista David Uip incluiu a descriminalização das drogas entre as possíveis propostas a serem apresentadas ao tucano.
Filiado ao PSDB e ex-secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Uip é cuidadoso ao tratar do tema, mas admite que a ideia entrou no radar de sua equipe. “Dentro do grupo do plano de governo há uma proposta de aceitar isso. Estamos discutindo internamente. Quando eu me sentir confortável vou apresentar para o governador. Estamos na fase de aprofundar o programa”, disse Uip ao Estado.
O médico reconhece que esse é uma tema polêmico dentro do PSDB e entre os partidos que formam a coligação que apoia Alckmin. “É por isso que temos todo esse cuidado. Estou fazendo o levantamento extenso de toda a literatura sobre o tema: onde deu certo, onde não deu e quais são os limites. É um assunto extremamente polêmico. Quando chegarmos a um consenso entre nós, vamos levar ao candidato. Quem vai ser eleito é ele. A decisão final é do Alckmin”, afirmou Uip.
A proposta ainda não estará entre as diretrizes gerais do programa que serão apresentadas na convenção do PSDB no próximo dia 5, em Brasília. A descriminalização das drogas é um tema que divide os tucanos. Alckmin faz parte do grupo que resiste à ideia e costuma dizer que não conhece um lugar onde tenha sido provado que a experiência deu certo.
Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é um entusiasta da proposta e faz campanha por ela. FHC considera que o assunto deve ser tratado pela perspectiva da saúde pública, com redução de danos, sem criminalizar o usuário.
Podem estudar a descriminalização dos homicídios. Argumentos não faltam, vejamos.
A política de enfrentamento dos homicídios não deu certo. Temos 60 mil mortes/ano.
Muitos presos nas penitenciárias estão lá, encarcerados, sofrendo em condições sub humanas por esse crime.
Liberando os homicídios a economia poderia lucrar com os impostos gerados pelas funerárias, que venderiam mais ataúdes.
O SUS é impactado pelos que, apesar de serem alvo desse crime, não morrem porque o assassino se arrepende no meio da ação, e ficam lotando hospitais e clínicas.
O setor de cemitérios particulares se expandiria gerando emprego e renda a coveiros, motorista de carro funerário, recepcionistas…
A indústria de caixões seria fortalecida com o aumento da demanda e por fim temos o exemplo prático: na Síria e no Iraque onde se pode matar, mata-se menos que aqui.
Tem como não aderir?
Caro Sérgio Nogueira, eu também não consigo entender a cabeça de quem pensa que o problema das drogas se resolve com a liberação. Não vejo outra saída que não passe pela família, educação, investimentos, emprego, qualidade de vida, funcionemto das instituições adequadamente. Reformas políticas, tributária, novo pacto federativo.
O País precisa arrecadar melhor, diminuir a burocracia, gastar observando os critérios técnicos, criar mecanismos práticos e efetivos de acesso aos políticos.