Secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, o Berge era o 2° na hierarquia da pasta. Franklin Paz/Ministério da Saúde
Um episódio do começo de 2025 mostra como atuava no Ministério da Saúde a lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário e biólogo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho primogênito do presidente Lula (PT). Segundo pessoas que conviveram com ela na pasta, Roberta se reunia com frequência com o então secretário-executivo do ministério, Swedenberger Barbosa, o Berge, e alegava ter influência sobre a liberação de recursos da saúde para Estados e municípios.
Berge foi o nº 2 na hierarquia do Ministério da Saúde de janeiro de 2023, no começo do terceiro mandato de Lula, até março de 2025, quando se tornou assessor da Presidência da República, despachando dentro do Palácio do Planalto.
Em março de 2025, pouco depois da posse de Alexandre Padilha como ministro da Saúde, um assessor dele foi procurado por um aliado do governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), a respeito de uma verba de R$ 40 milhões destinada ao Fundo Estadual de Saúde local.
O dinheiro estava retido porque a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) local não tinha emitido a resolução necessária à liberação. Esse tipo de resolução é um acordo entre gestores estaduais e municipais sobre como será usado o dinheiro.
A verba tinha sido pedida a Padilha ainda em 2024, quando ele estava na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência. O dinheiro foi empenhado (isto é, reservado), mas não tinha sido pago por conta da pendência. O empenho estava prestes a ser cancelado, pondo a verba a perder.
Ainda em março, o problema na CIB foi resolvido. A verba — uma parcela única destinada a procedimentos de média e alta complexidade — foi salva. O pagamento caiu na conta do Fundo Estadual maranhense no dia 4 de agosto de 2025.
Swedenberger Barbosa entra na história pouco depois disso. Segundo duas fontes ouvidas pela coluna, ele ligou para o governador Carlos Brandão — de dentro do gabinete da Presidência da República, onde já atuava — para informar que foi ele quem “liberou” os R$ 40 milhões. Segundo ele, a verba só saiu por causa dele e de Roberta Luchsinger. Procurado pela coluna, Carlos Brandão foi evasivo. Disse não ter “conhecimento sobre esse assunto”.
Enquanto esteve no Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa atuou para favorecer cidades governadas por prefeitos do PT ou de partidos aliados na distribuição de verbas da saúde.
Além de Swedenberger Barbosa, outro ex-assessor próximo de Lula que atuou na liberação das verbas foi Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola teve despesas pessoais suas pagas por Roberta Luchsinger. Ele nega irregularidades e diz que o dinheiro era parte de um empréstimo pessoal da lobista.
A Justiz Terceirização divulgou uma nota desmentindo o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, que tentou transferir para a empresa a responsabilidade pela possível suspensão dos serviços de média e alta complexidade prestados à rede municipal de saúde de Natal, custeados com recursos financeiros do Orçamento Geral do Estado (OGE).
A empresa anunciou que esses serviços poderão ser suspensos a partir da próxima terça-feira (11) devido à falta de repasses referentes a dezembro de 2025 e fevereiro e maio de 2026. O secretário Alexandre Motta gravou um vídeo alegando que os pagamentos atrasados são referentes a “contratos anteriores que são indenizatórios”, que segundo ele “não estão protegidos por um contrato” e precisam de “um trâmite especial mais lento para poder fazer o pagamento”.
A Justiz, na nota, rebateu o secretário dizendo que a empresa “sempre esteve amparada por contrato regularmente firmado com a Sesap”. Além disso, afirmou que “o teto financeiro foi extrapolado pela própria Sesap”, o que levou à “necessidade de pagamento pela via indenizatória — modalidade que deveria ser usada apenas em situações pontuais, mas que se tornou justificativa para a inadimplência”.
Em bom português, a empresa está dizendo que o secretário criou uma falsa desculpa para justificar o atraso nos repasses, que poderá resulta na suspensão de serviços essenciais para os usuários da saúde pública em Natal. A incompetência do Governo do Estado, em espacial da Sesap, é mais uma vez desmascarada.
O Rio Grande do Norte registrou, no primeiro semestre de 2026, a menor aplicação de recursos próprios em saúde dos últimos dez anos. A informação foi divulgada pelo jornal Tribuna do Norte, com informações do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), que apontou que o Estado destinou 7,04% das receitas vinculadas à área até junho. O resultado ocorre em meio às discussões sobre a situação fiscal do Estado e, segundo especialistas, amplia os desafios para o financiamento da rede pública de saúde.
O percentual de 7,04% mostra quanto das receitas de impostos e transferências constitucionais foram efetivamente aplicadas em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), conforme determina a Lei Complementar nº 141/2012, que deve atingir 12% até o final do ano.
O número representa a parcela das receitas de impostos e transferências constitucionais que já foi destinada à saúde ao longo do exercício. Quanto maior o percentual, maior a proporção da arrecadação própria do Estado aplicada em ações e serviços públicos de saúde.
O vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), Arthur Néo, explica que adiar a execução orçamentária da saúde para os últimos meses do ano aumenta os riscos para o funcionamento da rede de atendimento. “O Estado precisará praticamente dobrar o ritmo de execução orçamentária no segundo semestre. Isso gera gargalos burocráticos, pressão sobre as comissões de licitação e maior risco de contratações apressadas e ineficientes”, afirma.
Ele também avalia que a saúde pública depende de um fluxo contínuo de recursos e não pode ser tratada como uma despesa que pode ser postergada sem impactos diretos sobre a população.
“A concentração de liquidações no final do ano costuma resultar em um volume elevado de obrigações inscritas em restos a pagar. Se não houver disponibilidade financeira correspondente ao fim do ano, transfere-se o ‘déficit oculto’ para o ano seguinte, empurrando a crise fiscal em bola de neve”, afirma Néo.
As despesas em saúde somaram R$ 668 milhões nos seis primeiros meses de 2026. Em 2026, o valor mínimo que deve ser aplicado até o final do ano em saúde é de R$ 1,138 bilhão, aponta o RREO. Até 2023, o Estado chegava ao fim do primeiro semestre com cerca de 11%. Desde 2024, o índice vem caindo.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) disse que a não regularização dos sequestros judiciais realizados na conta única do Estado impacta diretamente o percentual. E, durante os primeiros meses do ano, é priorizado o pagamento de despesas inscritas em restos a pagar.
A Sesap informou ainda que vem adotando medidas para cumprir o mínimo constitucional de aplicação em saúde até o fim do ano. Entre elas estão o monitoramento da execução orçamentária, a aceleração da liquidação de despesas e a regularização dos bloqueios e sequestros judiciais.
A Tribuna do Norte questionou a pasta sobre quanto foi pago em restos a pagar no primeiro semestre de 2026. Mas não houve resposta.
Segundo a presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), Giana da Escóssia Melo, a redução dos investimentos se reflete na escassez de insumos, na sobrecarga das equipes médicas e no represamento de atendimentos. “A gestão dos recursos da saúde exige prioridade absoluta, planejamento rigoroso e responsabilidade contínua”, defende.
Para o conselho, embora a situação fiscal do Estado possa afetar a capacidade de custeio e investimento, a saúde deve ser tratada como prioridade orçamentária. “Quando restrições fiscais passam a comprometer a manutenção básica de hospitais, o abastecimento de medicamentos e a regularidade do pagamento de prestadores e profissionais, fica claro que a crise financeira ultrapassou os limites administrativos e atingiu a ponta do atendimento”, revela Melo.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um procedimento sobre a aplicação de recursos na saúde para acompanhar a execução orçamentária e financeira dos recursos destinados à Sesap.
O procedimento considera que o RN tem apresentado evolução abaixo da esperada no cumprimento do percentual mínimo constitucional de aplicação em saúde. Segundo o Ministério Público, o Estado vem registrando uma média de investimentos próprios em ASPS inferior à de outros estados do Nordeste.
No documento, a promotoria destaca que a previsão orçamentária para a saúde em 2026, apresentada durante reunião do Conselho Estadual de Saúde, foi de R$ 3,579 bilhões, equivalente a 12,5% das receitas estaduais estimadas para o setor.
O procedimento também menciona preocupações levantadas por conselheiros estaduais de saúde durante a discussão do orçamento de 2026, incluindo a redução de dotações previstas para algumas áreas em comparação com a Lei Orçamentária de 2025 e a necessidade de diálogo com parlamentares sobre os recursos destinados ao setor.
Diante desse contexto, o Ministério Público mantém o acompanhamento da execução orçamentária da saúde para verificar se o Estado assegura recursos suficientes para garantir a prestação dos serviços. Uma nova reunião deve acontecer no dia 6 de agosto para discutir o tema.
Saúde tem dívida de R$ 545 milhões
A Sesap acumula R$ 545,31 milhões em restos a pagar processados, que correspondem a despesas já liquidadas — ou seja, com o serviço prestado ou o bem entregue, mas que ainda aguardam pagamento.
Para o economista Arthur Néo, o baixo percentual de aplicação de recursos na saúde reflete a crise fiscal enfrentada pelo Estado. “Do ponto de vista da economia do setor público, esse indicador reflete o estrangulamento de caixa e a severa rigidez orçamentária do Estado”, alerta.
O economista avalia ainda que o problema não está na arrecadação, que continua crescendo em termos nominais, mas na falta de fluxo de caixa para manter os pagamentos da saúde em dia.
Em resposta à Tribuna do Norte, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) afirmou que o percentual de aplicação de recursos em saúde apurado ao longo do semestre representa apenas um acompanhamento parcial da execução orçamentária e não indica, por si só, o cumprimento ou descumprimento do mínimo constitucional.
A secretaria citou como exemplo o ano de 2018, quando o Estado registrava um dos maiores percentuais de aplicação até o terceiro bimestre, mas encerrou o exercício com 10,58%, abaixo do mínimo constitucional.
A Sefaz acrescentou que, desde 2019, o RN tem cumprido a exigência constitucional de destinar pelo menos 12% das receitas próprias às ações e serviços públicos de saúde.
Um confronto entre criminosos e equipes da Polícia Militar, com apoio do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), nas proximidades da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Mãe Luíza, em Natal, mobilizou profissionais de saúde e pacientes na noite desta quarta-feira (5).
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), diante da troca de tiros e do risco à segurança, médicos, demais profissionais e pacientes permaneceram protegidos dentro da unidade enquanto policiais reforçavam a segurança no entorno e no interior da UBS.
Após uma vistoria realizada pelas forças de segurança, que confirmou a integridade do local, todos os profissionais e pacientes deixaram a unidade em segurança e retornaram para suas residências. Não houve registro de feridos.
A Secretaria informou ainda que alguns pacientes que estavam em atendimento foram transferidos para outras unidades da rede municipal de saúde, sem intercorrências.
Em nota, a SMS afirmou que segue em articulação com os órgãos de segurança pública para garantir a proteção de profissionais e usuários e assegurar o pleno funcionamento dos serviços de saúde.
Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não recebeu empréstimos formais da lobista Roberta Luchsinger. Ele costumava enviar para ela contas que tinha para pagar. Roberta pagava. Pedia em troca ajuda para ter acesso a autoridades e Marcola conseguiu colocá-la em contato com a cúpula do Ministério da Saúde, segundo reportagem da jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico. As informações são do Poder 360.
“A única contrapartida a esses depósitos [de Roberta para Marcola] foi a ponte para o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, hoje chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do gabinete de Lula, Swedenberger Barbosa. Um dirigente da campanha que esteve recentemente com Berger, como é chamado, e diz ter ouvido dele que, a despeito das gestões de Roberta, nenhum contrato foi firmado na Saúde com Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS”, escreveu o Valor.
De acordo com a reportagem, quem apresentou Roberta Luchsinger para Marcola foi Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho mais velho do presidente Lula), e sua mulher, Renata. É que Lulinha e Renata são amigos próximos da lobista, com quem inclusive passam férias juntos –como mostram imagens de redes sociais.
Marcola relatou a integrantes da campanha lulista, segundo o Valor, que Roberta Luchsinger sempre se oferecia para ajudá-lo financeiramente, mas que ele sempre recusava. Num determinado momento, “cedeu, aceitando que Roberta pagasse contas que lhe apresentava. Nunca recebeu dinheiro dela, mas lhe passava, por WhatsApp, os pagamentos que precisava que fossem feitos”.
O Valor também relata que os integrantes do governo sabem já há algum tempo sobre essa relação de Marcola com Roberta. Sobretudo porque foi quebrado o sigilo do celular da lobista, e ali estavam as mensagens trocadas entre ela e o ex-assessor de Lula.
Marcola relatou ao presidente da República o que havia se passado. “Lula chamou dirigentes de sua campanha e pediu que o levassem: ‘Marcola não pode mais ficar aqui’ ”. Isso ocorreu em meados de julho e Marcola saiu formalmente do Palácio do Planalto no dia 21 de julho (eis o ato de dispensa no Diário Oficial da União – PDF – 60 kB). A partir da sua saída do governo, resolveu dar um jeito de devolver os valores recebidos de Roberta. No Planalto, na função de chefe de Gabinete de Lula ficou Oswaldo Malatesta, que era adjunto de Marcola.
Não está claro se Marcola, Lula ou outros integrantes do governo souberam do dinheiro recebido pelo ex-assessor só porque inferiram o que estaria no celular de Roberta ou se houve vazamento de algum órgão de controle envolvido na investigação, como a Polícia Federal. O que se sabe é que foi montada uma operação para tentar de todas as formas evitar que a notícia fosse divulgada antes da eleição de 4 de outubro.
O Poder360 confirmou a informação –que circulava por Brasília há dias– e revelou na 2ª feira (3.ago.2026) que Marcola havia recebido dinheiro de Roberta. Assim que a reportagem foi publicada, um assessor do Palácio do Planalto ligou para a Redação deste jornal digital reclamando e dizendo que este post reproduzia “fofocas de Brasília”. Pretendia que a notícia fosse retirada do ar. Logo depois, o próprio Marcola admitiu publicamente que tudo era verdade, que ele havia recebido dinheiro da lobista e que, portanto, a alegação do Planalto estava errada.
O ex-assessor passou as últimas semanas pensando em como contornar o efeito negativo que a revelação poderia ter. O Poder360 apurou que Marcola cogitou formalizar o recebimento de dinheiro de Roberta por meio de um contrato de mútuo, com data retroativa a 2 ou 3 anos passados. A lobista, entretanto, até agora tem se recusado a assinar o documento –que pode ser facilmente dado como algo forjado. Ela é alvo da investigação conduzida pela operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. Por causa disso, na 3ª feira (4.ago.2026), Marcola divulgou uma nota simples (íntegra – PDF – 53 kB) dizendo que foi um empréstimo pessoal no valor de R$ 249 mil.
Na nota em que reconhece o que chamou de “empréstimo já quitado”, Marcola diz que não cometeu ilegalidade dele decorrente. O contato entre Roberta e o Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular é o ministro Wellington Dias, é que teria resultado em licitação vencida por cliente de Roberta, mas não teria sido mediado por Marcola.
A campanha não esperava que a notícia viesse à tona neste momento. Marcola deixou a campanha do petista. A insegurança em relação à condução dos inquéritos que investigam o filho do presidente e estão em mãos do ministro André Mendonça é gigantesca, mas a titularidade do 3º inquérito pelo ministro Flávio Dino equilibra, em parte, as apreensões. O advogado de Fábio, Marco Aurélio de Carvalho, a verbalizou: “Recebemos com absoluta tranquilidade a instauração de mais um inquérito, temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino”.
A defesa de Fábio peticionou à Corregedoria-Geral da Polícia Federal contra o vazamento de dados sigilosos e pediu providências ante a notícia de que a campanha do candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, pretende divulgar áudios entre o filho do presidente e Roberta. O celular de Roberta, o mesmo que registrou as trocas de mensagens com Marcola, teve seu sigilo quebrado por decisão de Mendonça.
O mesmo ministro, porém, foi quem autorizou a operação de busca em endereços de familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz. O 1º é da cozinha do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e tem a confiança do Palácio do Planalto, que fez dele o vice-líder do governo e relator da indicação do ministro Jorge Messias ao Senado. O 2º, porém, tem relações muito mais estreitas com o principal adversário de Lula nesta campanha, Flávio Bolsonaro. Seu celular também teve o sigilo quebrado.
O governo do presidente Lula (PT) ficou sem dinheiro para pagar R$ 105,5 bilhões em despesas neste ano, considerando gastos que estão programados para 2026 e faturas herdadas de anos anteriores frente aos limites disponíveis para pagamento em cada órgão. Os ministérios da Saúde e Educação são os mais afetados.
Procurado, o Ministério do Planejamento e Orçamento afirmou que a restrição não é definitiva e pode ser revista para atender necessidades específicas.
Somando todos os ministérios, o governo tem R$ 330,9 bilhões em despesas não obrigatórias para pagar neste ano, incluindo o Orçamento de 2026 (R$ 226,3 bilhões) e os chamados restos a pagar, ou seja, faturas de anos anteriores que ainda não foram quitadas e estão “penduradas” (R$ 104, bilhões).
O espaço disponível para pagamento, porém, é menor, de R$ 225,4 bilhões, já considerando o bloqueio orçamentário em vigor, conforme o decreto de programação orçamentária e financeira do terceiro bimestre, publicado no último dia 30. “Essa diferença implica uma restrição de R$ 105,5 bilhões, ou 31,9% do total”, diz uma nota técnica da Consultoria de Orçamentos do Senado.
Na semana passada, a equipe econômica liberou R$ 5,7 bilhões em gastos, mas ainda há um bloqueio vigente de R$ 17,9 bilhões para cumprir o arcabouço fiscal. A situação observada pelos consultores do Senado mostra que a restrição vai além do bloqueio, porque o dinheiro disponível não é suficiente para honrar as despesas programadas.
“Nesse caso, os órgãos mais impactados estão entre os que têm maiores despesas inscritas em restos a pagar, como o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, em termos absolutos; e o Ministério do Turismo e o Ministério do Esporte, em termos relativos”, afirma a análise da consultoria.
Na prática, uma série de ações pode não ser executada neste ano e ser transferida para 2027, impactando o primeiro Orçamento a ser executado por quem vencer as eleições presidenciais de outubro. O governo pode ficar sem dinheiro para quitar despesas com cirurgias, distribuição de livros didáticos e manutenção de universidades federais, por exemplo.
Despesas não pagas viram ‘bola de neve’ e pressionam Orçamento
Quando o governo não consegue executar ações ou fica sem dinheiro para bancar despesas em um ano, os gastos são transferidos para o ano seguinte. Se a situação fiscal se agrava, novos gastos se juntam e continuam sendo transferidos de um ano para outro, gerando uma “bola de neve” no Orçamento.
A fatura dos chamados “restos a pagar” vem crescendo nos últimos anos e se transformando praticamente em um “orçamento paralelo”, que compete com os gastos de cada ano. O valor aumentou de R$ 310,8 bilhões no início de 2025 para R$ 391,6 bilhões no início de 2026. Há dez anos, a quantia era de R$ 186,3 bilhões.
No início do governo, o Ministério do Planejamento e Orçamento ensaiou a elaboração de um projeto para revisar a Lei de Finanças Públicas, que é de 1964, mas a medida não avançou. Entre as propostas, que tinham por objetivo forçar o Executivo a planejar melhor o Orçamento, estava um endurecimento das regras para os gastos a pagar, determinando o cancelamento de despesas não executadas após determinados prazos.
Em outra frente, um grupo de especialistas escalado pelo Ministério da Gestão e Serviços Públicos (MGI) elaborou uma minuta limitando os restos a pagar a um prazo máximo de dois anos, mas a proposta também não se concretizou. No Congresso, há um projeto tramitando desde 2009. Ele foi aprovado no Senado em 2016 e está parado na Câmara.
Governo diz que situação não é definitiva e desembolsos podem ser revistos
Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, o decreto de programação orçamentária e financeira, que estabelece os limites de pagamento, tem a função de organizar os desembolsos da União de acordo com as metas fiscais.
“A diferença entre o total de despesas elegíveis e o limite de pagamento de cada bimestre reflete essa lógica de escalonamento, e não necessariamente uma restrição definitiva de recursos ao longo do ano”, disse a pasta.
Ainda de acordo com o ministério, o próprio decreto prevê mecanismo de flexibilização: “os ministros de Estado do Planejamento e Orçamento e da Fazenda têm competência para ajustar os cronogramas de desembolso por ato próprio, conforme a evolução da execução orçamentária e financeira. Esse mecanismo permite que situações específicas sejam tratadas de forma célere ao longo do exercício.”
Saúde e Educação são os ministérios mais afetados por restrição
O Ministério da Saúde é o órgão mais afetado porque tem a maior quantidade de restos a pagar (R$ 15,1 bilhões), conforme análise da consultoria do Senado. No ano passado, a restrição afetou a estruturação de unidades especializadas de saúde, procedimentos de média e alta complexidade e distribuição de medicamentos.
Em seguida, aparece o Ministério da Educação, com uma restrição de R$ 13,8 bilhões. Se repetir o ano passado, a pasta ficará sem dinheiro para bancar a compra e distribuição de livros didáticos e o dinheiro destinado à implantação de escolas para educação infantil, além do funcionamento de universidades e institutos federais.
Proporcionalmente, a falta de dinheiro atinge mais o Ministério do Esporte, com uma restrição de 774,9 milhões, equivalente a 57,9% das despesas. O Ministério do Turismo ficou com uma restrição de R$ 551,5 milhões, equivalente a 55,1% do orçamento. Além das despesas dos ministérios, a restrição afetará o pagamento de R$ 44,9 bilhões em emendas parlamentares.
O Ministério da Saúde disse ao Estadão que o decreto não compromete a continuidade dos serviços de saúde prestados à população nem a execução dos programas prioritários.
“Os recursos disponíveis serão realocados conforme o desenvolvimento e as entregas de cada atividade, principalmente os investimentos em infraestrutura, que são executados por vários anos e envolvem restos a pagar”, segundo a pasta.
O Ministério da Educação afirmouque “é praxe que parte das despesas empenhadas tenha cronogramas de liquidação que ultrapassem o exercício vigente, não sendo necessário zerar todo o estoque em um único ano.”
“Caso haja necessidade de ampliação do limite financeiro para o cumprimento de obrigações até o final de 2026, o MEC dialogará junto à equipe econômica para a devida adequação”, disse o órgão em nota.
O Ministério do Esporte afirmou que “até o momento, não há comprometimento da execução das políticas e programas sob responsabilidade da pasta”. “O ministério seguirá, como de costume, dialogando com os órgãos centrais do governo federal para garantir o cumprimento de suas atribuições e a adequada execução do orçamento autorizado”, disse a pasta.
Falar sobre saúde mental já não é mais um tabu como no passado. Embora o preconceito ainda exista, cada vez mais pessoas têm buscado a terapia como forma de cuidar da ansiedade, da depressão e de outras dificuldades emocionais que afetam a rotina e a qualidade de vida.
Em Natal, a psicóloga clínica Jicelly Lopes (CRP 17/9094) atende adultos por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que trabalha a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. A profissional é pós-graduanda em Avaliação Psicológica e possui experiência no acompanhamento de pacientes com ansiedade e depressão.
Os atendimentos incluem acompanhamento clínico, plantão psicológico e consultas presenciais, realizadas na Equilibree Clínica, no CTC Tower, além da modalidade on-line.
Segundo Jicelly Lopes, a terapia oferece um ambiente de escuta, sigilo e acolhimento, respeitando as necessidades de cada paciente. Ela destaca que mudanças persistentes no humor, dificuldades para lidar com o dia a dia e problemas que comprometem a rotina podem indicar a necessidade de buscar ajuda profissional.
O objetivo do processo terapêutico, afirma a psicóloga, é auxiliar o paciente a enfrentar suas dificuldades e recuperar sua qualidade de vida.
O baixo índice de recursos aplicados na Saúde Pública do Rio Grande do Norte foi motivo de pronunciamento do deputado estadual Taveira Júnior (PSDB), em sessão na última quinta-feira (6), no plenário da Assembleia Legislativa. O parlamentar disse que seu mandato já destinou mais de R$ 5 milhões para ações na rede pública em todas as regiões do Estado e cobrou medidas mais efetivas do Executivo para reverter o quadro que, segundo apontou, gera problemas em série.
“Reflete em sofrimento para milhares de potiguares e familiares que aguardam uma cirurgia, em pacientes que percorrem centenas de quilômetros em busca de atendimento e em profissionais que trabalham diariamente sob forte pressão para manter o funcionamento da rede pública”, enumerou Taveira.
Veículos de imprensa noticiaram que o Estado registrou o menor índice de investimento em saúde dos últimos 10 anos. O deputado lamentou a situação e observou que ela não pode ser encarada como um simples indicador.
Também ponderou que a complexidade do problema exige união de esforços, lembrando que, mesmo sem ser procurado por nenhum membro do governo, contribui com ações por meio do seu mandato e com a indicação de emendas parlamentares para fortalecer os serviços de saúde.
“Tenho realmente procurado fazer a minha parte e nosso mandato já destinou mais de R$ 5 milhões em recursos para 28 municípios e instituições. Com essas emendas, ajudamos a garantir serviços e atendimentos em cidades de todas as regiões”, destacou. Dentre os investimentos com suas emendas, listou aquisição de ambulâncias, equipamentos hospitalares, veículos para transporte de pacientes, estruturação da atenção primária, custeio da saúde e implantação de consultórios odontológicos.
Taveira ainda ressaltou que a definição de suas emendas não se pauta por alianças políticas. Exemplificou com Parnamirim, que recebe a maior parte dos recursos indicados por seu mandato, ainda que ele não seja politicamente próximo da atual gestão. “Não podemos aceitar que existam recursos disponíveis sem a devida execução, enquanto milhares de potiguares aguardam”, concluiu Taveira.
O deputado estadual Taveira Júnior (PSDB) tem números que atestam o trabalho em favor dos municípios a que se dedicou no mandato que agora tenta renovar. No seu primeiro ciclo como parlamentar, ele destinou mais de R$ 16 milhões em emendas parlamentares para investimentos em mais de 30 municípios de todas as regiões do Estado.
Dentre as áreas que tiveram prioridade, destacam-se saúde e agricultura. Os recursos contemplam desde a aquisição de ambulâncias, estruturação da atenção primária, equipamentos hospitalares e implantação de consultórios odontológicos, até ações de fortalecimento da agricultura familiar, perfuração de poços, corte de terra, irrigação e apoio à produção rural.
Na área da saúde, o parlamentar destinou R$ 5,2 milhões em emendas para 28 municípios e instituições, beneficiando cidades como Parnamirim, Galinhos, São Miguel do Gostoso, João Câmara, Nísia Floresta, São Paulo do Potengi, Passa e Fica, Jardim do Seridó, Macau, Angicos, Florânia e São José do Campestre.
Já para o setor agrícola, Taveira destinou R$ 3,7 milhões em recursos voltados ao fortalecimento da produção rural. Os recursos contemplam a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sape), a Emparn, a Fetarn, cooperativas, associações e municípios como Vera Cruz, Serra de São Bento, Serra Caiada e Ielmo Marinho. Dentre as atividades financiadas, estão a aquisição de equipamentos, regularização fundiária, fortalecimento das cooperativas, além de incentivo à pesca e ao Projeto Ave Caipira.
“Mantemos nosso olhar e nosso empenho permanentemente dedicados à população e aos municípios. Dialogamos com prefeitos, vereadores, lideranças e diretamente com a própria população para definir os recursos necessários e atender as necessidades reais”, conta o deputado.
“Investir na saúde é garantir atendimento digno para quem mais precisa, enquanto fortalecer a agricultura significa gerar emprego, renda e desenvolvimento no campo. Continuaremos trabalhando para que as emendas que indicamos cheguem onde fazem a diferença na vida dos potiguares”, completou.
As clínicas do Serviço Social da Indústria (SESI-RN) em Mossoró e Caicó têm fortalecido a oferta de serviços voltados à saúde ocupacional no interior do Rio Grande do Norte. Com estrutura voltada ao atendimento de trabalhadores da indústria e ao suporte às empresas no cumprimento das normas de Saúde e Segurança no Trabalho (SST), as unidades em Natal, nas regiões Seridó e do Oeste Potiguar reúnem consultas, exames ocupacionais e programas legais em um único espaço.
Em Mossoró, a clínica oferece consultas ocupacionais, exames laboratoriais, raio X, audiometria tonal e vocal, eletroencefalograma (EEG), eletrocardiograma (ECG), espirometria, avaliação psicossocial, acuidade visual e o Circuito Saúde, conjuntode procedimentos voltados ao acompanhamento da saúde do trabalhador.
A unidade também disponibiliza atendimentos em psicoterapia, fisioterapia, pilates, odontologia, ginástica laboral e massoterapia, ampliando a assistência aos trabalhadores e à comunidade.
Na área de Segurança do Trabalho, são ofertados serviços como elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), Laudo Técnico de Insalubridade e Periculosidade (LTIP), além de avaliações ambientais e análises ergonômicas.
A Clínica Industrial Camilo Garcia Dantas, em Caicó, inaugurada em 30 de abril com atendimentos iniciados a partir de maio deste ano, ampliou a presença do SESI-RN na região do Seridó e passou a oferecer os principais serviços de saúde ocupacional para trabalhadores e empresas da região.
A clínica realiza consultas ocupacionais, exames laboratoriais, raio X, audiometria tonal e vocal, eletroencefalograma, eletrocardiograma, espirometria, avaliação psicossocial, avaliação psicossocial, exames de acuidade visual e o Circuito Saúde. Também disponibiliza os programas legais de Saúde e Segurança no Trabalho, como PGR, PCMSO, LTCAT e LTIP, além de avaliações ambientais e análises ergonômicas.
Segundo a superintendente do SESI-RN, Danielle Mafra, a descentralização dos serviços busca facilitar o acesso das empresas e dos trabalhadores à saúde ocupacional. "Nosso objetivo é aproximar os serviços de saúde e segurança do trabalho das indústrias do interior, oferecendo uma estrutura completa para atender
às necessidades das empresas e dos trabalhadores. Com isso, conseguimos agilizar os atendimentos, fortalecer a prevenção de doenças e acidentes ocupacionais e contribuir para ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, afirma.
Além da realização dos programas ocupacionais obrigatórios (PGR, PCMSO, LTCAT e LTIP,), as clínicas também prestam suporte às empresas na emissão do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), na elaboração dos programas previstos pelas Normas Regulamentadoras (NRs) e no acompanhamento da saúde dos trabalhadores, contribuindo para a prevenção de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.
De acordo com a coordenadora de Saúde e Segurança no Trabalho do SESI-RN, Rayanne Araújo, a concentração desses serviços em um mesmo espaço permite reduzir o tempo de atendimento às empresas e facilitar o cumprimento das exigências legais relacionadas à saúde e segurança do trabalho. “Com unidades em Natal, Mossoró e Caicó, o SESI-RN atua na promoção da saúde do trabalhador por meio de atendimentos clínicos, exames ocupacionais, programas preventivos e ações de segurança do trabalho, atendendo empresas de diferentes segmentos industriais em todo o estado”, concluiu.
A Viver Saúde inaugura nesta terça-feira (28), às 19h, uma unidade da Viver Clínica no piso térreo do Partage Norte Shopping. É a chegada da rede própria da operadora à Zona Norte de Natal, região que concentra a maior população da capital e historicamente dispõe de menos oferta de consultórios particulares.
A unidade começa a atender em quatro especialidades: clínica médica, ginecologia, dermatologia e nutrição. A escolha do shopping como endereço tem uma lógica prática; estacionamento, linhas de ônibus e horário estendido resolvem parte do problema de quem precisa consultar sem faltar ao trabalho.
A abertura vem na sequência da unidade de Nova Parnamirim e faz parte do movimento da operadora de atender parte da demanda em estrutura própria, em vez de depender exclusivamente de clínicas credenciadas.
“A Zona Norte tem quase metade da população de Natal e nunca teve oferta compatível com isso”, afirma a CEO da Viver Saúde, Dra. Eva Rodrigues. “Nossa aposta é que reduzir o deslocamento do beneficiário muda o comportamento dele: quem consulta perto de casa volta para o retorno, faz o acompanhamento, não abandona o tratamento no meio.”
O Sindsaúde/RN denunciou que as UTIs do Hospital Walfredo Gurgel estão há mais de um mês sem o dispositivo de aspiração fechada (QINPOT), equipamento básico utilizado para reduzir o risco de contaminação dos profissionais de saúde durante procedimentos com pacientes.
Segundo o sindicato, a falta do material seria consequência de atrasos no pagamento à empresa fornecedora.
A entidade afirma que a situação obriga os servidores a trabalharem sem a proteção adequada, aumentando o risco de contaminação.
O Sindsaúde/RN também criticou as condições da unidade, citando UTIs bloqueadas, obras paralisadas no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) e problemas recorrentes no fornecimento de alimentação.
Em nota, o sindicato classificou o cenário como um reflexo da precarização da saúde pública e cobrou providências imediatas do Governo Fátima e da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para regularizar o fornecimento do equipamento e garantir segurança aos trabalhadores e pacientes.
Cadê a vigilância sanitária? Quando vão em uma empresa privada exigem tudo, que régua é essa ? O poder público não pode ser fiscalizado ? Então significa que só existe risco de contaminação em empresas privadas ? É impressionante ver o protecionismo, eita país difícil de empreender.
O monsenhor Lucas Batista Neto, de 83 anos, recebeu alta do Hospital Unimed Natal após apresentar boa recuperação de um derrame pleural após quadro de arritmia cardíaca.
O sacerdote estava internado desde o fim de semana, depois de sentir cansaço e alterações no ritmo cardíaco. Exames identificaram acúmulo de líquido na pleura, o que comprometeu a respiração e levou à realização de uma drenagem torácica na última terça-feira (21).
Segundo a Arquidiocese de Natal, o procedimento teve resultado positivo e o religioso seguirá a recuperação em casa, com acompanhamento médico.
Monsenhor Lucas exerce o ministério sacerdotal há 55 anos na Arquidiocese de Natal e é pároco emérito da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, no bairro de Mirassol.
Durante a internação, fiéis, religiosos e amigos promoveram correntes de oração pela recuperação do sacerdote.
E mais uma vez a deputada Natália Bonavides passa vergonha nas redes sociais. Na ânsia da lacração, Natália publicou que Natal teria perdido recursos por não apresentar um relatório obrigatório. “A Prefeitura ainda podem receber os recursos, mas precisa trabalhar”, postou.
A deputada petista levou uma invertida do secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, que respondeu: “Deputada, esse seu post só pode ser desinformação ou má fé. A senhora é deputada federal e acredito que saiba como funcionam as tramitações. Os processos estão em andamento no Ministério da Saúde, não se pode afirmar que cidade perdeu recursos por causa do RAG, principalmente quando estamos no defeso eleitoral.”
Pinho ainda complementou “Ao invés de trazer informações equivocadas, a senhora, que tem boa relação com o Conselho Municipal de Saúde, deveria estar cobrando publicamente a aprovação de um relatório que foi enviado em 30 de março. Inclusive, há outras pendências que aguardam análise do CMS, como os relatórios quadrimestrais do ano passado e o plano Municipal de Saúde 2026-2029. Mas parece que o “quanto pior melhor” é mais interessante.”, finalizou o secretário.
Conversas da lobista Roberta Luchsinger obtidas pela Polícia Federal mostram o planejamento de ações para “abrir portas” no governo federal aos negócios do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, investigado por suspeita de liderar um esquema de desvios de aposentadorias e pensões. Os diálogos foram usados para embasar as novas investigações sobre a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula. Roberta é amiga de Lulinha, como é conhecido Fábio Luís.
Nos diálogos, o Careca do INSS sugere a Roberta que ela buscasse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), menciona acesso a diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cita uma investida na Datapreve diversos outros negócios que seriam oferecidos ao governo federal. Lulinha é alvo de dois inquéritos abertos pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar tráfico de influência no Ministério da Saúde e na Dataprev.
O Estadão teve acesso a relatórios da PF produzidos no final do ano passado contendo mensagens inéditas trocadas entre Roberta Luchsinger e o Careca do INSS. O material, em conjunto com outros elementos obtidos da quebra do sigilo telemático de Roberta, foi usado pela PF para pedir a abertura das investigações sobre tráfico de influência de Lulinha e seus aliados no governo do pai dele. Os inquéritos foram abertos na semana passada.
Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que ele “não tem relação direta ou indireta com os negócios de Roberta Luchsinger”, classificou as investigações da PF de “pesca probatória” e disse que a abertura de novos inquéritos sobre outros assuntos comprova que não foi encontrada nenhuma relação do filho do presidente com os desvios do INSS. A defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou. A advogada do Careca do INSS, Danyelle Galvão, afirmou que a defesa não teve acesso à investigação nem ao conteúdo do celular dele e por isso não iria se manifestar. Alexandre Padilha afirmou por meio de sua assessoria que não recebeu Roberta nenhuma vez no Ministério da Saúde após ter assumido a pasta em março de 2025 (leia ao final).
As conversas ocorreram a partir de maio de 2025, pouco depois que o Careca do INSS havia sido alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Por causa disso, ele passou a discutir com Roberta Luchsinger um plano de colocar outras pessoas à frente dos negócios, depois que ele foi exposto por causa da operação policial. Mesmo assim, o Careca do INSS continuou fazendo planos para o avanço dos negócios com o governo federal.
Em 8 de maio de 2025, o Careca do INSS enviou uma longa mensagem a Roberta Luchsinger resumindo todos os planos de negócios discutidos entre eles. Na mensagem, ele cita um negócio de cannabis medicinal que tentava implantar no Brasil e afirma que atuava também para um laboratório químico de Goiás na prospecção de negócios no Ministério da Saúde para venda de kits de dengue e de um suplemento alimentar infantil. A PF já abriu um inquérito para apurar se esses negócios na área da Saúde tiveram a participação de Lulinha e resultaram em crimes de tráfico de influência e outros delitos.
Criado pelo médico anestesiologista Dr. Max Breno Dutra Alves, CEO sa @clevermed.com,br, o SAVeM – Sedação, Vias Aéreas e Ventilação Mecânica vem se consolidando como uma das principais capacitações práticas para médicos que atuam na urgência e emergência.
A metodologia, desenvolvida no Rio Grande do Norte e inspirada em treinamentos internacionais como ACLS e ATLS, já chegou a diversas cidades do Nordeste e também é oferecida na modalidade online para médicos de todo o Brasil.
Segundo o Dr. Max, o objetivo é preencher uma lacuna da formação médica: a falta de treinamento prático e sistematizado para procedimentos críticos.
“O médico recém-formado frequentemente inicia plantões na urgência sem ter recebido treinamento prático suficiente em sedação, manejo de vias aéreas e ventilação mecânica. A proposta do SAVeM é oferecer uma metodologia padronizada, baseada em evidências e voltada para a segurança do paciente e do profissional.”
A imersão reúne treinamento intensivo em sedação, manejo da via aérea, intubação e ventilação mecânica, utilizando simulações realísticas e protocolos padronizados.
Para muitos profissionais, o curso já é considerado um diferencial importante para quem atua em pronto-socorro, UPA, SAMU, UTI e centro cirúrgico. Para o idealizador, a proposta é ainda mais ampla.
“Quem trabalha na urgência deveria passar por um treinamento desse tipo antes de assumir um plantão. Assim como ACLS e ATLS se tornaram referências internacionais, acredito que uma formação prática em vias aéreas e ventilação deveria ser parte obrigatória da preparação de todo médico que atua na emergência.”
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