A partir de amanhã (1º), as contas de luz virão com uma cobrança extra como consequência do uso, pelas distribuidoras da energia, das termelétricas, que produzem energia mais cara. Nesta data, começa a vigorar o sistema de bandeiras tarifárias, que vai adicionar um valor na tarifa de acordo com a necessidade do consumo dessa energia.
Já no primeiro mês de cobrança, os consumidores receberão suas contas com a bandeira vermelha. Isso vale para os quatro subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN), o que significa um acréscimo de R$ 3 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, exceto para os estados do Amazonas, Amapá e de Roraima.
No primeiro mês, a cobrança será feita proporcionalmente ao dia de fechamento da fatura de cada cliente. Por exemplo, se uma conta de luz tem o fechamento previsto para o dia 10 de janeiro, será cobrado o valor correspondente à bandeira tarifária apenas sobre os dez dias de janeiro, e os outros 20 dias referentes a dezembro virão com o valor normal.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a mudança não vai implicar custos adicionais para os consumidores. Porque, atualmente, o gasto que as distribuidoras têm com a compra de energia originária das termelétricas, que tem um custo maior do que a gerada pelas usinas hidrelétricas, já é repassado, uma vez por ano, para as contas de luz. Isso sempre ocorre no momento em que a Aneel calcula o reajuste das tarifas de cada distribuidora.
Com o sistema de bandeiras tarifárias, os consumidores vão pagar mensalmente o custo extra do uso de energia térmica, e a receita que as distribuidoras tiverem com o pagamento será descontada na hora de calcular o reajuste tarifário de cada empresa, resultando em aumentos anuais menores.
As bandeiras vão funcionar como um semáforo de trânsito – com as cores verde, amarela e vermelha – para indicar as condições de geração de energia no país. Por exemplo, quando a conta de luz vier com a bandeira verde, significa que os custos para gerar energia naquele mês foram baixos, portanto, a tarifa de energia não terá acréscimo.
Se vier com a bandeira amarela, é sinal de atenção, pois os custos de geração estão aumentando. Nesse caso, a tarifa de energia terá acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 kWh consumidos. Já a bandeira vermelha mostra que o custo da geração naquele mês está mais alto, com o maior acionamento de termelétricas, e haverá um adicional de R$ 3 a cada 100 kWh.
A cobrança pelo sistema de bandeiras tarifárias vai ser dividida por subsistemas, o que quer dizer que os consumidores de estados do Sul podem pagar um valor diferente daqueles que moram mais ao Norte do país. No entanto, a bandeira aplicada mensalmente será a mesma para todas as distribuidoras de cada subsistema.
Além de repassar os custos extras das distribuidoras aos consumidores, a medida deverá servir como um estímulo para que o consumo de energia seja reduzido. Para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, as bandeiras tarifárias são um regime de advertência. “Cada consumidor fará o que bem entender, se ele quiser desconhecer essa advertência, poderá ir em frente, mas vai pagar a mais por isso”, disse.
Um agente de trânsito de Natal foi preso na noite deste domingo (1º) após dirigir embriagado, tentar furar uma blitz da Lei Seca e quase atropelar uma policial na Zona Sul da capital.
A ocorrência foi registrada por volta das 21h30 na Rua Vicente Egberto Cavalcanti, no bairro Capim Macio. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, o motorista avançou contra o bloqueio ao perceber a fiscalização e tentou fugir, obrigando uma policial a desviar para evitar o atropelamento.
Detido, o servidor recusou o teste do bafômetro, mas foi conduzido à delegacia por apresentar sinais evidentes de embriaguez. No veículo, os policiais encontraram objetos que o identificavam como agente da STTU, incluindo um capacete da autarquia.
Em nota, a STTU informou que o caso ocorreu fora do horário de expediente e que, até o momento, não há relação com as funções do servidor. Ainda assim, o órgão anunciou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos.
ESSE AI TA IGUAL A REPORTER DAS EMISORAS SO FALA PRA NÃO FAZER ERRADO DIZENDO QUE E CERTO E NUNCA FAZ E NUNCA FEZ NADA DE ERRADO O SANTO DA PARADA. TAI O EXEMPLO DE SANTO
Um agricultor se fingiu de morto ao ser espancado com medaços de pau, durante a madrugada de domingo (1º) na zona rural de Mossoró. Os criminosos ainda tocaram fogo na vítima, que foi socorrida com vida e está internado no Hospital Walfredo Gurgel em Natal com fraturas e queimaduras graves.
Segundo o boletim de ocorrência registrado por familiares, o homem seguia de moto para o trabalho em um projeto de irrigação, quando foi abordado por três criminosos em um carro.
“Mandaram o parceiro que estava com ele correr e começaram a agredir ele”, contou um familiar que pediu para não ser identificado.
De acordo com o relato, a vítima foi retirada da motocicleta e passou a ser agredida com várias pauladas na cabeça e em outras partes do corpo. Em determinado momento, o agricultor fingiu estar morto.
Mesmo assim, ele foi colocado dentro do veículo dos suspeitos e levado para outro local, onde foi colocado dentro de pneus e foi incendiado. Apesar da gravidade da situação, o agricultor conseguiu escapar do fogo e fugir.
Após a fuga, ele procurou ajuda na casa da sogra e foi socorrido para o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró. Por causa da gravidade dos ferimentos, ele foi transferido para o Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, onde permanece internado em estado grave.
Segundo a família, um suspeito do crime seria um colega de trabalho com quem a vítima já teve um desintendimento.
Segundo o médico Marco Almeida, coordenador de setor de queimados do Hospital Walfredo Gurgel, a vítima teve cerca de 40% do corpo queimado, principalmente no pescoço, tórax e braço direito. Ele também teve fraturas na costela e traumatismo craniano.
“Ele não tem envolvimento com nada errada, é uma pessoa respeitada na (comunidade) Maísa, o pessoal gosta dele. As pessoas ficaram indignadas com essa situação”, afirmou o familiar.
A Polícia Civil informou que o caso será investigado como tentativa de homicídio. Nenhum suspeito foi preso até a última atualização desta reportagem.
Natal também foi uma das várias cidades brasileiras onde ocorreu manifestação cobrando justiça pela morte do cão orelha. O ato realizado no domingo (1º) teve início na Praça da Árvore, em Mirassol, e seguiu por ruas próximas reunindo ativistas da causa animal e tutores de pets com faixas, cartazes e palavras de ordem.
Orelha, um cão que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, em Florianópolis, foi agredido no início de janeiro. Encontrado gravemente ferido, o animal não resistiu às lesões e precisou ser submetido à eutanásia. A Polícia Civil investiga o envolvimento de quatro adolescentes no ataque e apura ainda a tentativa de afogamento de outro cachorro na mesma região. Celulares e outros materiais foram apreendidos, e o inquérito segue em andamento sob sigilo, conforme prevê a legislação.
Não sou a favor de maus tratos com qualquer animal que seja, muito menos com o ser humano, mas tem coisas que ultrapassa os limites aceitáveis, a morte de um cachorro causar toda essa revolta, enquanto pessoas inocentes e vândalos envolvidos no fatídico 8/01 passa despercebido talvez até mesmo pela maioria dos que participaram desse protesto, é a inversão de valores.
Olhando essa reportagem fica uma indagação: como o brasileiro gosta de ser manipulado. Gosta de ser “maria vai com as outras”. Diante de tantos e por tantos anos o país vive sustentando um corja de políticos sanguessugas, que não faz nenhuma melhoria para a população, a não ser quando tem algum interesse escuso. Políticos com políticas mentirosas e enganadoras. Não que tenhamos que ignorar o que foi feito com o cachorro, e como acontece com váaaaarios animais Brasil a fora. Com tantas e tantas injustiças. O brasileiro (a maioria) é descansado, é omisso e já se acostumou a viver assim. É triste saber que reuni milhões pra ir a festas que se diz gratuitas, que na verdade não são, pagamos por elas e não se levantam para pedir respeito e responsabilidade dos governantes.
Errado maltratar animais.
Homens matam mulheres e nada de passeata.
Corrupção nos desvios de créditos bilionários dos velhinhos junto ao INSS e caso do Banco Master, e nada de passeata.
Organizem passeata contra a corrupção tb !!!!!!!
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem usado memes nas redes sociais para comemorar a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5.000. O projeto foi aprovado em 2025, mas começa a valer a partir de fevereiro.
Assalariados que ganham até R$ 5.000 brutos por mês ficam totalmente isentos do IR. Quem recebe até R$ 7.350 terá redução gradual do imposto retido na fonte.
Veja alguns memes:
A conta do governo no X publicou um vídeo no domingo (1º.fev.2026) que mostra um papel escrito “contracheque sem imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000” e um homem que passa na rua. A postagem tem a frase: “como me sequestrar”.
Tem que ser trouxa pra acreditar.. O governo tira de algum outro lugar esse valor.. governo do L ta so gastando… taxação no consumo.. nao se faz uma feira pra semana por menos de 300 reias.
Um cachalote foi encontrado morto na faixa de areia da Via Costeira, em Natal, no fim de semana, próximo ao Hotel Vila do Mar. O caso chamou a atenção após a circulação de vídeos nas redes sociais e mobilizou o Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAM), responsável pelo atendimento técnico da ocorrência. No mesmo trecho, uma tartaruga marinha também foi localizada sem vida.
De acordo com o CEMAM, o acionamento ocorreu no sábado (31), quando a equipe se deslocou ao local e confirmou o encalhe de um cachalote subadulto, com cerca de 8 a 9 metros de comprimento. O animal já estava morto e apresentava avançado estado de decomposição, o que exigiu planejamento específico para a retirada da carcaça.
Por causa do horário, os técnicos realizaram inicialmente apenas o levantamento de informações para organização da logística. O atendimento completo ocorreu na manhã do domingo (1º), a partir das 7h30, seguindo os protocolos previstos para casos de encalhe de grandes cetáceos.
Durante a avaliação, foram identificadas marcas compatíveis com mordidas de tubarão. Segundo o CEMAM, esses sinais provavelmente ocorreram após a morte do animal. O nível de decomposição impediu a identificação da causa do óbito, que foi considerada inconclusiva.
A retirada do cachalote está sendo feita com apoio do poder público municipal. Uma retroescavadeira foi utilizada para remover o corpo da linha de maré e realizar o enterramento adequado, após a conclusão dos procedimentos técnicos necessários.
O suplente de deputado estadual Pedro Lobo (PT) foi detido nesta segunda-feira (2/2) após ser acusado de importunação sexual no Aeroporto de Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. A ocorrência foi registrada pela Polícia Federal, responsável pelo atendimento no local.
A denúncia partiu de uma mulher de 33 anos, que relatou que o parlamentar esfregou as partes íntimas nela durante o desembarque de um voo. A vítima procurou os policiais ainda dentro do aeroporto e formalizou a acusação.
O suplente de deputado e a mulher foram encaminhados à sede da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, onde prestaram depoimento. O caso foi registrado e segue sob apuração.
Dois dias antes da ocorrência, Pedro Lobo havia publicado em redes sociais que encerrava uma viagem internacional.
Uma cratera se abriu dentro de uma casa na cidade de Apodi, na região Oeste do Rio Grande do Norte, na manhã deste domingo (1º). Ninguém ficou ferido.
O caso aconteceu no bairro Baixa da Alegria. De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma equipe enviada ao local constatou que o piso cedeu, formando um vão.
Ainda segundo os bombeiros, a área onde o imóvel foi construído funciona como escoamento de água da chuva. Ao longo do tempo, a fundação abaixo do piso teria sido levada pela água, o que provocou o desabamento da estrutura.
Apesar do colapso do piso, as paredes e o telhado da residência permaneceram em pé. No entanto, a estrutura do imóvel foi considerada altamente comprometida.
Uma casa vizinha também apresentou sinais de risco e, diante do quadro, o Corpo de Bombeiros orientou que os moradores deixassem os imóveis por precaução.
A área foi isolada e a Defesa Civil foi acionada para realizar a avaliação técnica. O órgão municipal foi acionado, mas não se posicionou sobre o caso até a última atualização desta reportagem.
Em 13 de setembro de 2025, 24 milhões de pessoas jogaram ao mesmo tempo “Roube um Brainrot”, do Roblox, estabelecendo um novo recorde mundial. Nesse dia, eu e a minha esposa deletamos o aplicativo do tablet do nosso filho de 10 anos.
A plataforma reúne milhões de jogos criados pelos usuários —hoje, mais de 150 milhões de usuários diários, dos quais 40% declaram ser menores de 13 anos. A empresa fornece as ferramentas, e a comunidade produz o conteúdo.
Muitos motivos anteriores não nos levaram a tomar a decisão de deletar o aplicativo: os quase 80 processos nos Estados Unidos de facilitação de aliciação de melhores, os casos de sequestro, os jogos com temas antissemitas ou racistas, o trabalho infantil ou a arquitetura econômica que entrega aos desenvolvedores uma pequena fração da renda dos jogos.
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Sabíamos de tudo isso e, mesmo assim, permitíamos que o nosso filho jogasse no Roblox, cedendo às razões mundanas pelas quais as famílias cedem: choro, medo de decepcionar os filhos e a sensação de impor a eles um custo social, já que todos os amigos jogam. Administrávamos os riscos —desligamos o chat e configuramos filtros—, mas fechávamos os olhos para as questões morais.
O que nos fez finamente agir foi uma rotina insuportável de brigas e negociações. Um dia, o nosso filho nos fez prometer que voltaríamos de um almoço a tal hora porque havia algo inadiável no jogo. A família estava se adaptando à plataforma, mas o que a tornava especialmente problemática?
Em entrevista ao Hard Fork, podcast de tecnologia do jornal The New York Times, o CEO do Roblox, David Baszucki, disse que um sistema de apostas na plataforma parecia “muito divertido e óbvio”. O executivo falava de algo semelhante ao Polymarket, site em que adultos apostam no resultado dos mais diversos eventos.
Acredito que a maioria das famílias consideraria esse recurso absurdo, já que o Roblox é voltado para crianças. No entanto, a plataforma já está repleta de mecanismos de apostas.
Em “Roube um Brainrot”, jogo que gerou o basta em casa, a partida começa com uma esteira vermelha por onde surgem, aleatoriamente, personagens com diferentes preços. Isso expõe o usuário ao reforço intermitente, mecanismo psicológico em que recompensas imprevisíveis produzem mais engajamento. Muitos produtos infantis exploram essa lógica, como o Kinder Ovo e os pacotes de figurinhas.
No entanto, antes do lançamento da plataforma, em 2006, existiam os caça-níqueis. De acordo com a antropóloga Natasha Dow Schüll, as máquinas, que geravam uma receita minoritária dos cassinos na década de 1980, passaram a responder por cerca de 85% dos seus lucros no começo dos anos 2000. O objetivo dos caça-níqueis —segurar o jogador na cadeira— foi aperfeiçoado durante décadas.
Para isso, era crucial manter os apostadores na chamada zona da máquina, estado em que perdem a noção de tempo e o fluxo consciente e permanecem no ritmo contínuo e hipnótico do jogo. Essa condição foi estudada por Schüll, autora do livro “Addiction by Design”, resultado de 15 anos de pesquisa sobre as máquinas de apostas dos cassinos de Las Vegas.
Um requisito para alcançar a zona da máquina é eliminar qualquer sinal de parada. Esses sinais costumavam estar presentes em toda a parte das nossas vidas: o fim de um disco ou os créditos de um filme. Hoje, plataformas de streaming emendam um episódio no seguinte. “Competimos com o sono”, disse o cofundador da Netflix em 2017.
Eu já havia notado isso. Na primeira infância do meu filho, tive que desabilitar a função de exibição automática do próximo episódio de um desenho para que ele concordasse em tomar banho. Do contrário, uma batalha começava.
Os sinais de parada também eram abundantes nos videogames antigos, por meio da passagem de fases ou da morte de personagens. Não há nada parecido em “Roube um Brainrot”, em que existe uma vida invencível em uma fase contínua.
“SimCity” e “Minecraft”, por exemplo, também não têm paradas, mas “Roube um Brainrot” alia a isso outra estratégia: diversas tarefas de curto prazo. Enquanto naqueles jogos clássicos havia objetivos abertos, de construção e de escolhas não induzidas, em “Roube um Brainrot” o usuário armazena os personagens em plataformas na sua base. Eles geram dinheiro a todo segundo, é preciso voltar à base para coletar os ganhos e a base pode ser invadida a qualquer momento por outros jogadores.
Dessa forma, o usuário opera em três ciclos —acumulação, obtenção de renda e defesa— e há sempre um objetivo. Nos caça-níqueis atuais, a frequência de eventos pode atingir 1.200 apostas por hora. “Você não quer restaurar o estado cognitivo do jogador para que ele possa tomar decisões racionais”, afirmou uma analista de design de cassinos. “No espaço entre cálculo e intuição, racionalidade e afeto, a indústria busca receita”, escreveu Schüll. Na infância, esse espaço é maior.
Tanto os caça-níqueis quanto “Roube um Brainrot” combinam metas de curto prazo com a promessa de um prêmio pelo tempo investido dos jogadores. Nas máquinas, há rodadas bônus para quem completa um número de jogadas. No jogo do Roblox, cronômetros anunciam que, em tantos minutos, um personagem de alto valor surgirá na esteira.
Mesmo que o jogador consiga sair da zona da máquina e pense em parar, desistir tem um custo: o tempo investido no jogo. Não por acaso, o meu filho costumava pedir para jogar mais alguns minutos quando eu insistia para que ele parasse.
Esses mecanismos fazem com que, uma vez no jogo, seja difícil sair. Há também o desafio de fazer o jogador chegar. Para levar apostadores às máquinas, os cassinos seguiam os princípios de um livro de Bill Friedman, ex-presidente de uma casa de apostas de Las Vegas e consultor de cassinos por mais de 30 anos. A entrada dos estabelecimentos deveria ter formas curvas, com uma transição gradual entre o lado de fora e o de dentro, e máquinas deveriam ser posicionadas a poucos passos da entrada.
Da mesma forma, o Roblox se esforça para remover qualquer dificuldade de cadastro. A plataforma não exige email, número de telefone, verificação de identidade ou permissão dos pais. O jogador só precisa inserir um nome de usuário, uma senha e uma data de nascimento. A exceção é para o uso do chat, em que a verificação de idade por meio de foto do rosto é obrigatória, mas o sistema é falho e pode ser burlado.
As crianças podem, então, ter acesso a milhares de jogos sem que os pais os aprovem individualmente, o que o procurador-geral do Texas chamou de “promessas e garantias enganosas”. A classificação indicativa de cada jogo é declarada por seus desenvolvedores, com uma revisão posterior apenas pela própria plataforma.
Essa facilidade de acesso é tão estratégica para a obtenção de novos usuários que o Roblox resiste em implementar verificações mínimas, como exigir um telefone. É possível criar 95 contas em uma hora na plataforma, o que permite que criminosos voltem quase instantaneamente depois de serem banidos.
Obter usuários, porém, não basta. É preciso garantir que eles sempre voltem à plataforma. Em Las Vegas, esse problema foi resolvido espalhando caça-níqueis por toda a cidade. Já o Roblox encontrou uma solução ainda mais eficiente que as notificações em celulares e tablets: eventos com data e hora marcadas, durante os quais os jogadores recebem de graça itens raros, que exigiriam horas para serem conquistados.
A expectativa do evento se espalha entre amigos, gerando Fomo (medo de ficar de fora), o que os desenvolvedores assumem abertamente, em palestras da empresa, a buscar no Roblox. No sábado às 16h, sempre havia um evento, e o meu filho insistia para não sairmos de casa nesse horário.
Como se não bastasse, o jogo aumenta os rendimentos em até 30% quando amigos jogam simultaneamente, criando um incentivo permanente ao recrutamento de novos usuários.
Tanto em cassinos quanto no Roblox, o dinheiro é convertido em créditos, chamados de Robux na plataforma, mas a conversão não é de um para um. A chamada desmaterialização do dinheiro ofusca o seu valor e reduz o desconforto emocional associado a gastar.
No caso do Roblox, essa conversão ainda varia de acordo com fatores como quanto o usuário está comprando. “Roube um Brainrot” tem ainda a sua moeda própria, que pode ser comprada com Robux, também com outra taxa de conversão.
Uma vez que o dinheiro vira pontos abstratos, é hora de gastá-lo. As microtransações, um fracionamento do gasto em quantias tão pequenas que não disparam resistência psicólogica, são a estratégia mais rápida para isso.
Nos caça-níqueis, isso se materializou em “penny slots”, apostas de um centavo por linha, mas de centenas de linhas simultâneas. Já “Roube um Brainrot” permite ao usuário pagar cerca de 39 Robux, o equivalente a R$ 3, para desfazer a proteção das bases rivais por um minuto. O valor é baixo, mas a oferta está sempre presente.
A retenção de usuários também é monetizada por meio de publicidade, com anúncios exibidos só para contas de maiores de 13 anos. A partir deste ano, o Roblox passou a permitir que jogadores escolham assistir a comerciais em troca de itens nos jogos.
Por último, a monetização também ocorre por meio de itens e personagens. Uma das principais formas de obtê-los nos jogos da plataforma é comprando “lucky blocks “(caixas-surpresa), proibidas ou restritas a menores de idade em diversos países por serem consideradas jogo de azar.
Para mitigar a frustração vinda das caixas, alguns jogos implementam o “pity system”, garantia de um item raro depois de um número fixo de sorteios ruins. Com a mesma lógica, a rede de cassinos Harrah’s calcula, para evitar a desistência dos apostadores, o limiar de perdas que os levaria a parar e dispara um bônus para “transformar a dor em boa experiência”, de acordo com Schüll. O “pity system” foi mencionado como estratégia por desenvolvedores em uma conferência do Roblox em 2023 com a mesma lógica e o mesmo vocabulário.
Em cassinos da Austrália —até a proibição do recurso, a partir de 2007— e no Roblox, o recurso de “autoplay” permite que o jogador apenas invista o dinheiro: a máquina ou o jogo é quem atua. A antropóloga descreve isso como o estágio final da sequência que vai da agência do jogador para a zona da máquina e, dela, para a automação total.
As armadilhas de tempo, a sorte e o Fomo foram respostas dos desenvolvedores ao sistema de pagamentos baseados em engajamento, que os remunera pelo tempo que jogadores pagantes passam em seus jogos. Para isso, o Roblox fornece ferramentas com monitoramento detalhado sobre em que ponto os jogadores abandonam o jogo, quanto tempo passam e em que momento compram —tudo discriminado por idade, gênero e modelo do aparelho.
É a mesma transformação que a autora de “Addiction by Design” documentou nos cassinos: a indústria abandonou, na década de 1990, jogos baseados em “adivinhação e instinto” em favor de máquinas que funcionam como “dispositivos de vigilância eletrônica em rede” capazes de registrar comportamentos em tempo real.
A diferença é que os cassinos mantêm essas ferramentas sob controle estrito de operadores e fabricantes. O Roblox as distribui amplamente a milhões de criadores, muitos deles adolescentes, que se transformam em operadores de extração de atenção sem que precisem conhecer qualquer teoria de comportamento.
Já o programa Recompensa ao Criador prevê bônus para desenvolvedores que consigam trazer novos usuários ou reativar contas inativas. Pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o tratamento e a manutenção de dados pessoais de crianças depende do consentimento dos pais e deve obedecer ao princípio do melhor interesse do menor. Resta saber como sistemas projetados para maximizar o tempo de tela e os gastos nos jogos atendem a esse critério.
Quando tirei o meu filho do Roblox, quis remover a sua conta. Para a minha surpresa, essa opção não existe, apenas deixar a conta inativa. Na primeira crise da criança em um dia de família cansada, a ação pode ser revertida facilmente.
Depois de muita pesquisa, escrevi um email para a empresa alegando que, ao manter a conta, eles infringiam a LGPD. Ao longo de um mês, foram mais de uma dezena de emails, a maioria em inglês (algo que a plataforma exigiu), cópia do passaporte e fotos até conseguir a remoção da conta.
Um desenvolvedor entrevistado por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia expõe como a arquitetura do sistema força o uso de práticas predatórias: “As duas principais coisas que impulsionam os algoritmos [de recomendação de jogos] são a receita gerada e a retenção […]. Se todos estão usando táticas de apostas para crianças para gerar receita, se eu quiser competir, fica implícito que também preciso adicionar apostas para crianças”.
O Roblox afirma que 90% do tráfego começa na página inicial da plataforma. Não por acaso, quase todos os jogos nela estão repletos de mecanismos de apostas. A indústria de games não vende mais diversão, mas monetiza a frustração e a impulsividade.
Essa desconexão entre diversão e tempo gasto desafia o senso comum: se uma criança escolhe passar horas ali, algum prazer deve existir. Porém, esse raciocínio parte de uma confusão fundamental entre diversão e engajamento, já que as principais estratégias do Roblox não se apoiam no lúdico, mas em colecionismo e sorteios e na tensão permanente entre perder um investimento material ou de tempo e a pressão de grupo.
A indústria de cassinos também enfrentou esse dilema décadas atrás. “As pessoas não querem realmente ser entretidas. Nossos melhores clientes querem ser totalmente absorvidos”, disse um designer de apostas a Schüll.
O valor de jogar no Roblox não está na experiência, mas em não ficar de fora. Faltar a eventos da plataforma significa perder o investimento de tempo, os itens raros e a conexão com colegas.
Baszucki, CEO da plataforma, disse ver o Roblox como algo parecido ao futuro do sistema telefônico e ter como meta atingir 1 bilhão de usuários.
Está nítido que o objetivo é se tornar uma rede social. A plataforma já possui elementos similares, como perfis, listas de seguidores, feeds de atividade e notificações constantes. Os avatares funcionam como ferramenta de expressão identitária e comparação social permanente —itens de vestuário dos avatares aparecem com seus respectivos preços. A empresa também lançou, em setembro de 2025, o Roblox Moments, que espelha o formato do TikTok.
Essa transformação parece ser uma questão de mercado. Em “Careless People”, Sarah Wynn-Williams, ex-executiva do Facebook, narra como a companhia voltou seus esforços para outros segmentos depois de saturar o mercado americano adulto. Documentos internos da Meta mostram que a empresa estudou a psicologia de crianças e explorou produtos para usuários de 5 a 10 anos. Quando Mark Zuckerberg tentou lançar o Instagram Kids em 2021, 44 estados dos EUA se opuseram ao projeto e a empresa foi forçada a recuar.
Enquanto a Meta colidiu com a barreira moral da proteção à infância, o Roblox vem ampliando o seu mercado escalando a pirâmide etária de baixo para cima. A plataforma já introduziu jogos para maiores de 17 anos, cogita criar funcionalidades de namoro e não descarta a presença de nudez na plataforma, o que transformaria um playground em ambiente adulto sem precisar trocar de endereço.
Ao ser classificado como plataforma de jogos, o Roblox consegue operar sob um regime regulatório mais brando que o das redes sociais —a empresa ficou de fora, por exemplo, da regulação da Austrália, que atingiu até o YouTube.
Se o conteúdo dos jogos e o uso do chat por predadores sexuais são conhecidos, o design viciante e a estrutura de incentivos financeiros da plataforma raramente ganham atenção. Um estudo indica a razão dessa disparidade: enquanto um texto abusivo ou uma imagem ofensiva são alvos evidentes, o design opera de forma fluida, o que dificulta o seu enquadramento.
Em uma entrevista, o CEO do Roblox narrou a luta para ajudar o seu filho de 21 anos, diagnosticado com transtorno bipolar. Em uma crise de mania, ele jogou fora os remédios e fugiu de casa, o que fez Baszucki recorrer a “voo particular, carro alugado, tipo coisa de equipe SWAT” para encontrá-lo.
A compreensão do problema com o meu filho levou seis meses, durante os quais eu larguei um trabalho presencial para, entre outras coisas, ficar mais perto das crianças. Para substituir o tablet com o Roblox, comprei um Nintendo Switch 2 e alguns jogos que custaram cerca de R$ 5.000. Não recorri a operações swatianas, mas tinha duas coisas raras: tempo e dinheiro —tempo para observar, ler e comparar e dinheiro para trocar uma plataforma grátis por um console caro. A maioria das famílias não dispõem de nenhum dos dois, e o CEO do Roblox sabe bem disso.
Tenho 43 anos, cresci na internet e trabalho como programador. Mesmo assim, preciso seguir vigilante: o Spotify começou a pôr vídeos na plataforma de podcasts que o meu filho escuta e, em determinado momento, um aplicativo de edição de vídeos “kid friendly” se revelou uma rede social disfarçada.
Parafraseando Gaia Bernstein, autora de “Unwired”, insistir na responsabilidade individual dos usuários ignora as assimetrias de poder. Como indivíduos isolados, tentamos resistir a um exército dos melhores programadores, armados de teorias psicológicas sólidas e dados infinitos, além de equipes jurídicas que fazem com que os seus clientes não sejam regulados a contento.
De volta a “Addiction by Design”, Schüll conta a história de Darlene, uma viciada em caça-níqueis que buscava respostas ao seu problema em um grupo de apoio. “Sei como é”, respondiam a ela, que não estava interessada em empatia. Um dia, alguém escreveu: “Caça-níqueis são caixas de Skinner para humanos. Reforço intermitente. O rato não sabe quando vem a recompensa, então nunca para de apertar a alavanca”.
O Grupo Fictor entrou junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) com um pedido de recuperação judicial. A holding detém uma dívida de, aproximadamente, R$ 4 bilhões.
Em nota, a empresa afirma que o pedido de recuperação judicial “é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master”.
Segundo a Fictor, um consórcio liderado por ela iria adquirir o Master. A instituição que pede a recuperação judicial se diz vítima da ação do Banco Central no Master.
“A reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz trecho do comunicado distribuído à imprensa.
Em 17 de novembro de 2025, o Grupo Fictor anunciou que que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. No dia seguinte, no entanto, o Banco Central decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro e a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou o banqueiro e outros integrantes da cúpula da instituição financeira para a cadeia.
O novo salário mínimo de R$ 1.621 começa a ser pago nesta segunda–feira (2) aos trabalhadores. O valor pode ser conferido no contracheque referente a janeiro.
O reajuste de 6,79%, equivalente a R$ 103, foi oficializado pelo Decreto 12.797/2025.
O aumento segue a política de valorização do salário mínimo, que combina INPC (inflação) e crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), respeitando os limites do arcabouço fiscal, que restringe o reajuste a 2,5% acima da inflação do ano anterior.
Os aposentados e pensionistas do INSS(Instituto Nacional do Seguro Social) começaram a receber o novo salário mínimo no último dia 26. O pagamento segue até sexta-feira (6), conforme o número final do cartão, sem considerar o dígito verificador.
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