Judiciário

Com nova estrutura de questões, 1ª fase da OAB impôs alto nível de dificuldade

A reportagem de Painel Acadêmico acompanhou de perto a correção da 1ª fase do XXIII Exame nos estúdios do Damásio Educacional

Uma nova estrutura de prova, com nível de dificuldade que pode ser comparado com concursos públicos para magistratura ou Ministério Público e ao menos quatro questões passíveis de recurso. Esta foi a primeira fase do XXIII Exame de Ordem Unificado, aplicada em todo país na tarde deste domingo (23/7).

A principal novidade foi a diminuição do número de perguntas na disciplina de Ética Profissional, que passou de 10 questões na última edição para oito na prova de hoje. Cobrada apenas nesta etapa do Exame de Ordem, Ética é tratada como área decisiva e central na preparação dos candidatos na primeira fase, justamente por reunir o maior número de questões em comparação com outras disciplinas.

“Nitidamente, a OAB percebeu como o candidato se prepara, como se organiza, e quis surpreender. Isso vem acontecendo desde a prova passada, que alterou a ordem das questões. Agora, ela tirou duas questões de Ética, tirou questão de Direito Humanos, e jogou para Processo Civil, Tributário e Processo Penal. Claramente, isso dificulta mais a prova”, avalia Darlan Barroso, diretor pedagógico do curso preparatório para OAB do Damásio Educacional. Segundo o especialista, o alto nível de dificuldade deve gerar muitas reprovações na prova de hoje.

Mais transparência

A mudança, apesar de ter surpreendido candidatos e professores, não foi ilegal. De acordo com o Provimento 156/13 da OAB, na primeira fase do Exame de Ordem as disciplinas de Ética Profissional, Filosofia do Direito e Direitos Humanos deve somar, juntas, ao menos 15% das questões da prova. E, mesmo com as novidades na avaliação de hoje, as três disciplinas cumpriram este limite.

Para o professor Marco Antonio Araujo Junior, coordenador da área de Ética e diretor executivo do Damásio Educacional, apesar de não ter descumprido nenhuma regra, a OAB deveria ser mais transparente com os candidatos em relação ao peso de cada disciplina na prova.

“O que há, na verdade, é uma mudança que as vezes atrapalha o candidato. Óbvio que ele tem que estudar todos os temas. Mas a gente sempre contesta no seguinte sentido: concurso público diz o peso de cada disciplina e cumpre seu dever de transparência. A OAB não diz. Então a gente tem aí uma crítica construtiva, de [a OAB] ser mais transparente neste processo. Embora ela estivesse legal e pudesse fazer isso”, afirma o especialista. Segundo o professor, além de mudar o número de questões, o perfil em relação ao conteúdo cobrado em Ética também foi alterado em relação a edições passadas do Exame.

“O perfil da prova de Ética, de fato, está um pouquinho modificado. Era sempre clássico ter pelo menos uma questão envolvendo Direitos do Advogado, um tema muito cobrado na prova. E não caiu nenhuma questão. Caíram duas questões de mandato, uma questão de processo, uma de sociedade, caiu estagiário, uma questão de deveres”, afirma Marco Antonio. “As questões estão bem formuladas, em forma de questões práticas. Não atacamos nenhuma questão com recurso”, completa.

O especialista esclarece ainda que, de acordo com as regras do edital, não é possível ter certeza de qual será o padrão adotado para Ética nos próximos Exames de Ordem. Segundo Marco Antonio, os candidatos terão de se preparar com profundidade em todos os temas.

“Ninguém sabe [se vão ficar oito questões]. É uma coisa que só a OAB pode decidir. Eu acho difícil que volte para dez, mas não dá para garantir. Ética pode diminuir. Tem que ter 15% da prova nas três disciplinas. Pode ser que Ética ‘empreste’ mais questões para as outras. Não tem número mínimo para Ética. Já teve no passado, hoje não tem mais. Tem que ficar atento, estudar todos os temas e se preparar com profundidade que a prova, de fato, veio muito difícil. Em algumas disciplinas, prova de nível de magistratura”, afirmou o diretor executivo.

Painel Acadêmico – UOL

Opinião dos leitores

  1. A indústria dos cursinhos para exame da ordem agradece.
    A OAB agradece o incremento de arrecadação com os exames que são realizados anualmente e com a quantidade cada vez maior de participantes.
    Tem mais que colocar para rachar mesmo, o que importa é a OAB e os cursinhos faturarem mais.
    Amanhã vão dar a velha desculpa que os alunos são despreparados e por isso não passam.
    Para sair do mi, mi, mi, sejamos justos, façam exame da ordem de forma geral, para todos os advogados, para quem teve OAB validada nos últimos 30 anos. Vejam o número de aprovados, com esse nível absurdo das provas, e assim poderemos tirar as conclusões sem versões.

  2. Por que ainda continuam fazendo este Exame de Ordem? Só para filtrar uns poucos e barrar outras centenas de exercer atividades advocaticias? Só para mostrar status???
    Vejam que outras categorias, de valor mais importante para a sociedade e a vida não fazem tal exame (Medicina, Fisica, Engenharia, Enfermagem, Quimica, etc)…
    Tais exames deveriam ser feitos a nivel de universidade geral e não a nível de um Conselho….
    Taí como prova de sucesso o ENEM….

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